
É na Associação Musical de Lagoa (AML), um dos seus locais de trabalho, que Cármen Subica nos recebe para falar sobre a sua história. A professora e maestrina é natural da Lagoa, tem 45 anos e à pergunta, “Quem é Cármen Subica?”, responde, com certeza: “o meu nome é música”.
Cármen diz que a música “esteve sempre presente” na sua vida: “já havia na minha casa quando eu nasci”, confessa. O seu pai, Humberto Subica, antigo maestro da Banda Filarmónica Lira do Rosário, introduziu, desde cedo, a música na vida dos seus filhos e, foi aos seis anos de idade, que Cármen iniciou o seu percurso musical, acompanhando o seu pai na banda. “A banda foi a minha primeira escola e eu ia sempre atrás do meu pai com o meu trompete”, diz. Fez parte da banda durante 30 anos, assumindo a sua direção durante um ano, sendo a primeira mulher a ocupar esta posição. A sua vida profissional preenchida, assim como a sua vida pessoal, levaram Cármen a tomar a decisão de não continuar. “Mas hoje em dia, quando ouço uma banda, sinto logo vontade de ir tocar, embora talvez já não saiba”, revela ao DL.
A vida académica na música inicia-se, oficialmente, quando tinha dez anos, mas “por acaso”. Ao acompanhar o seu pai ao Conservatório Regional de Ponta Delgada (CRPD), onde o objetivo inicial era o de lá inscrever a sua irmã, Cármen afirma que acaba também por ser matriculada. Começa com o trompete, por ser o instrumento que “tocava na banda” e, após dois anos, muda para piano. Só mais tarde escolhe entrar no canto, “porque também gostava muito de cantar” e explica que foi esta a área que decidiu completar, quando teve de decidir entre as duas. Relata que conciliar “a escola do ensino regular” e o “curso no Conservatório” foi feito com “muito esforço”, mas que acabou por conseguir fazê-lo. “É interessante, porque eu acho que o destino esteve sempre traçado”, acrescenta com a convicção de que terá tomado as decisões certas. Em 2001, ano em que termina o Curso Complementar de Canto no Conservatório, ingressa na Escola Superior de Música de Lisboa. Revela que o mais desafiante na construção da sua carreira musical foi “o estar lá” [em Lisboa]. Foi “com muito sacrifício” dos seus pais e confessa que, nos primeiros tempos, sentia-se “muito sozinha”. “Eu acho que só não vim embora, porque tinha vergonha de voltar e desiludir os meus pais”, admite, fazendo também questão de agradecer o apoio que recebeu da “família e professores”.
Após terminar, em 2005, uma licenciatura de quatro anos, regressa a São Miguel e começa “logo a ensinar”. Em 2006, torna-se maestrina do Orfeão Nossa Senhora do Rosário (ONSR). A sua vida como docente inicia-se a dar aulas de música em escolas de ensino regular e algumas aulas de piano a crianças no CRPD, “mas em horário incompleto”. Em 2007, ano de inauguração da AML, começa, também, a fazer parte desta, onde dá aulas de piano e de canto. Passou por algumas escolas de São Miguel e, só após alguns anos, é que se tornou “efetiva” no Conservatório, onde, atualmente, ensina coro e canto, sendo este o seu “trabalho oficial”.

Cármen confessa que não é fácil conciliar uma agenda tão preenchida. “Às vezes, só tenho tempo de dizer boa noite à minha filha e tenho de retirar muito tempo da minha vida pessoal”. Com um horário exigente, divide-se entre o Conservatório, os ensaios do Orfeão, onde o “coro” depende inteiramente das suas “indicações” e das responsabilidades na Associação Musical, cuja direção também integra. A maestrina realça que gostaria que o público que vê o “produto final” dos projetos musicais, tivesse a noção “dos sacrifícios” que fazem aqueles que estão por detrás: “acho que isso precisa de ser um bocadinho valorizado”. No entanto, refere que a paixão pelo seu trabalho faz tudo “valer a pena”. “Eu sou muito feliz naquilo que faço. Por vezes chego cansada, mas tenho tanta sorte”, conta ao DL, enquanto sorri ao lembrar-se que o cansaço parece desaparecer a partir do momento que começa a dar aulas. A docente afirma que gosta “muito de ensinar a música” e, apesar de, por vezes, compor “algumas músicas” no âmbito do seu trabalho, acredita que o ensino “é aquilo para o qual foi feita”.
Recorda alguns momentos importantes da sua carreira, destacando um concerto “no final da pandemia”, onde relembra o resultado positivo apesar da ansiedade de já não cantar “há muito tempo”. Destaca, ainda, o concerto que deu no Canadá, em novembro de 2023, ao lado de João Ponte. Ambos promovidos pela Câmara Municipal de Lagoa, à qual expressa o seu agradecimento.
Quanto a planos futuros, afirma não os ter em concreto, preferindo poder “agarrar” nos projetos que surgem, sendo um destes o “concerto de Ano Novo” no qual participará, a 3 de janeiro. “Se me deixarem fazer aquilo que faço, eu já sou feliz. Não me via a fazer outra coisa”, conclui.