
A escrita lusófona prepara-se para um novo fôlego com o anúncio do reforço do Prémio Literário Vitorino Nemésio. Segundo nota de imprensa enviada pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), o presidente do parlamento, Luís Garcia, revelou que a próxima edição do certame terá lugar em 2027, trazendo consigo um aumento do valor pecuniário para 5.000 euros. Esta alteração ao regulamento foi aprovada por unanimidade na última sessão plenária, uma decisão que, nas palavras de Luís Garcia, permite garantir “a qualidade, o rigor e a dignidade que um prémio com o nome de Vitorino Nemésio deve ter”.
O anúncio oficial ocorreu em Lisboa, num momento de especial simbolismo para a comunidade açoriana na capital: a sessão de apresentação do romance Irma, de António Avelar, obra vencedora da edição inaugural do prémio. O evento esteve integrado nas comemorações do 99.º aniversário da Casa dos Açores de Lisboa, instituição que o Presidente da ALRAA fez questão de elogiar pelo papel histórico na “preservação, promoção e divulgação da cultura açoriana fora do arquipélago”.
A decisão de tornar o prémio bienal surge como uma resposta ao sucesso e à complexidade logística da primeira edição, que registou mais de 400 candidaturas provenientes de diversos pontos da lusofonia, incluindo Portugal, Brasil, Moçambique, Angola e Suíça. Para o Presidente da Assembleia Legislativa, “a dimensão, a qualidade e o alcance da primeira edição demonstraram que este é um projeto com futuro”, mas reconheceu simultaneamente ser “um projeto exigente em termos de organização”. Além do vencedor António Avelar, a edição de estreia distinguiu ainda Natanilson Pereira Campos com uma Menção Honrosa pelo romance As Cercanias do Silêncio.
Durante a cerimónia, Luís Garcia destacou o mérito da Casa dos Açores de Lisboa em conseguir afirmar a identidade das ilhas num contexto competitivo como o da capital portuguesa, onde inúmeras iniciativas disputam a atenção do público.