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Casa dos Açores do Espírito Santo celebra 504 anos das Romarias Quaresmais

Iniciativa no Estado brasileiro de Espírito Santo inclui momento de oração, celebração religiosa e exposição fotográfica dedicada aos romeiros

Casa dos Açores do Espírito Santo, no Brasil, foi inaugurada no dia 25 de julho de 2022 © DIREITOS RESERVADOS

A Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES), no Brasil, promove, no próximo dia 10 de março, a quarta Romaria Quaresmal, integrada nas comemorações dos 504 anos das Romarias Quaresmais, uma das mais marcantes tradições religiosas açorianas.

O encontro terá início às 18h30 com o Terço dos Homens e Mulheres, momento de oração que reúne fiéis e participantes num ambiente de recolhimento e partilha espiritual.

Pelas 19h15 locais, terá lugar uma celebração presidida pelo padre Beto, na Capela Nossa Senhora Mãe de Deus, reforçando o caráter religioso da iniciativa e evocando a tradição das romarias que marcam o período quaresmal nos Açores.

Além dos momentos de oração e celebração, o programa inclui também a mostra fotográfica “Rostos de Fé”, dedicada aos romeiros e à vivência desta tradição secular, que ao longo de mais de cinco séculos tem marcado a identidade religiosa e cultural açoriana.

A iniciativa integra as comemorações dos 504 anos das Romarias Quaresmais (1522–2026) e pretende reunir a comunidade para assinalar e preservar uma das mais emblemáticas manifestações de fé dos Açores.

Neste sentido, a organização convida todos os interessados a participar neste momento de celebração e convívio.

Brasil: Casa dos Açores do Espírito Santo assinala 213 anos da chegada dos imigrantes açorianos

Com uma cerimónia solene, homenagens e vários momentos culturais, a Casa dos Açores do Espírito Santo celebra a herança açoriana no Estado brasileiro do Espírito Santo no próximo dia 24 de março

Nino Moreira Seródio, presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo, e o diretor regional das Comunidades do governo açoriano, José Andrade © DIREITOS RESERVADOS

No próximo dia 24 de março, às 19h00, a Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES) vai promover uma cerimónia comemorativa dos 213 anos da chegada dos imigrantes açorianos ao Estado brasileiro do Espírito Santo, uma iniciativa que terá lugar na sede da instituição, em José Carlos, Apiacá (ES), e que reunirá associados, autoridades e convidados.

A cerimónia é promovida pela Direção da CAES, presidida por Nino Moreira Seródio e com Maria Cristina Borges como 1.ª Secretária, e integra um programa que valoriza a memória histórica, o reconhecimento institucional e a valorização cultural da açorianidade no Espírito Santo.

Neste sentido, um dos momentos centrais da celebração será a homenagem aos açordescendentes Pedro António de Souza, Gino M. Borges Bastos e Eraldo Salotto de Rezende, que receberão o título de embaixadores da açorianidade.

O evento contará ainda com a participação musical de Francisco Borba Gonçalves, que interpretará ao violão o tema “Ilhas de Bruma”, evocando as raízes atlânticas da comunidade.

Está também prevista a apresentação da tese de doutoramento em História Social das Relações Políticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), intitulada “Dos Açores ao povoamento da Colónia de Santo Agostinho – Viana/ES”, da autoria de Fabiene Passamani, atual secretária municipal de Cultura e Turismo de Viana/ES.

A programação inclui ainda uma viagem musical conduzida por José António Borges Alvarenga, vice-presidente da CAES, reforçando o caráter simbólico e cultural da iniciativa.

Deste modo, a instituição convida toda a comunidade a associar-se a este momento de celebração da história, identidade e contributo dos açorianos para a formação do Espírito Santo.

Brasil: Nova Casa dos Açores de Minas Gerais vai apostar nas relações económicas com o arquipélago

Novo espaço vai ser inaugurado em Belo Horizonte para resgatar a esquecida e profunda influência açoriana na formação mineira desde o século XVIII

José Andrade, diretor regional das Comunidades, e Claudio Motta, presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais © DIREITOS RESERVADOS

No próximo dia 26 de julho, mais um estado brasileiro vai celebrar a abertura de um novo espaço dedicado à cultura açoriana no país. O lançamento oficial da entidade acontecerá em solenidade no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. No dia seguinte, 27, será realizado o VIII Encontro Açores Brasil, reunindo em Belo Horizonte os presidentes das oito Casas dos Açores do Brasil. A Casa dos Açores de Minas Gerais terá a sua sede na capital mineira, Belo Horizonte, coração cultural e económico do Estado. O espaço contará com uma galeria cultural, sala de conferências, biblioteca temática, além de um centro de apoio a projetos sociais e empresariais. Já estão previstas, segundo os seus responsáveis, exposições, ciclos de palestras, festivais gastronómicos e semanas culturais dedicadas aos Açores.

Segundo apurámos, a nova casa açoriana em Minas será estruturada sobre quatro pilares principais: cultura e memória, com ações de preservação da história e tradições açorianas; arte e educação, por meio de exposições, oficinas, cursos e intercâmbios culturais; projetos sociais, voltados à inclusão e fortalecimento das comunidades locais, inspirados nos valores de solidariedade da diáspora açoriana; e promoção empresarial, criando pontes para o desenvolvimento de negócios entre Minas Gerais e os Açores, com apoio a empreendedores, eventos e missões económicas.

“Será um espaço vivo, pulsante, onde a história e o presente dialogam constantemente”, é o que garante Claudio Luciano Valença Motta, 67 anos, cidadão luso-brasileiro, que será o presidente da entidade. Ele atua como advogado e empresário tanto no Brasil como Portugal, reside em Belo Horizonte e também em território português. É ainda jornalista e escritor, com publicações voltadas principalmente para temas relacionados às relações entre Brasil e Portugal, ocupando, atualmente, cargos como diretor e presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da Associação Comercial e Empresarial de Minas Gerais (ACMinas), diretor regional da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX) e diretor de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (ABRAJET Nacional), sendo também vice-presidente e presidente do Conselho Superior da ABRAJET em Minas Gerais.

Claudio explica que a sua ligação a Portugal hoje é “tanto afetiva quanto institucional”. Especificamente em relação aos Açores, o “vínculo foi se aprofundando ao longo dos anos, especialmente com as pesquisas genealógicas e históricas que realizei em Minas Gerais”.

“Tenho promovido a cultura açoriana e portuguesa através de eventos, missões empresariais, publicações jornalísticas e ações voltadas ao fortalecimento dos laços culturais e económicos entre os dois países, sempre com ênfase na valorização da identidade luso-brasileira”, disse este responsável, que revelou o que o levou a “visualizar” a criação de uma Casa dos Açores no estado mineiro.

“A ideia nasceu da constatação, a partir de pesquisas aprofundadas, da presença histórica e significativa dos açorianos em Minas Gerais desde 1723 — um dado muitas vezes negligenciado ou desconhecido. Ao reunir informações documentais e genealógicas, percebi a necessidade de criar um espaço institucional que pudesse resgatar, preservar e promover essa herança. A Casa dos Açores de Minas Gerais nasce, assim, do compromisso com a memória e com o futuro, como um elo cultural e estratégico entre os Açores e Minas Gerais”, confirmou Claudio, que, nesse processo, destaca ter havido “descobertas surpreendentes e emocionantes”, como quando constatou registos documentais que comprovam a chegada de famílias açorianas em diversas regiões mineiras desde o século XVIII.

“Esses colonos influenciaram não apenas a demografia, mas também aspetos culturais, religiosos e até linguísticos da sociedade mineira. Identifiquei sobrenomes, trajetórias e comunidades com raízes diretas nas ilhas, o que reforça o papel dos Açores na formação do povo mineiro”, adiantou, sublinhando ter conseguido estabelecer elos que nem mesmo o Governo dos Açores tinha conhecimento.

“Parte significativa das informações foi fruto de investigações nos cartórios (notários), arquivos e igrejas de Minas Gerais, muitas vezes em documentos manuscritos e pouco acessíveis. Descobri, por exemplo, registos de batismo e casamento de açorianos em vilas mineiras do século XVIII, que até então não constavam nos bancos de dados institucionais dos Açores. Esses dados foram sistematizados e serão compartilhados em publicações e exposições promovidas pela Casa, ampliando a compreensão do fluxo migratório luso-brasileiro”, confirmou Claudio.

Inauguração reunirá nomes de vulto

Quando a Casa dos Açores de Minas Gerais for inaugurada, os organizadores do evento esperam contar com “presenças ilustres”, como José Andrade, Secretário Regional das Comunidades dos Açores, além de representantes da comunidade portuguesa, bem como os presidentes das Casas dos Açores do Brasil e autoridades estaduais e municipais de Minas Gerais, lideranças empresariais e consulares e muitas outras.

“A presença dessas personalidades reforça a importância simbólica e diplomática da Casa, e representa para mim a concretização de um sonho coletivo, que valoriza as nossas raízes e projeta novas possibilidades de cooperação”, afiançou Claudio.

Em declarações à nossa reportagem, José Andrade, diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores, avaliou que “a criação da Casa dos Açores de Minas Gerais é importante por duas razões. Desde logo, porque reconhece e valoriza o contributo dos açorianos para o povoamento e desenvolvimento deste importante Estado brasileiro desde há mais de 300 anos. E também porque alarga e reforça a rede brasileira de Casas dos Açores, que começou no Rio de Janeiro (1952) e prosseguiu em São Paulo (1980), Bahia (1980), Santa Catarina (1999), Rio Grande do Sul (2003), Maranhão (2019) e Espírito Santo (2022)”.

raízes no passado, condições no presente e razões para o futuro”

O diretor regional das Comunidades sublinha que a sua presença no lançamento oficial da Casa dos Açores de Minas Gerais “significa um ponto de chegada e, sobretudo, um ponto de partida”, já que “chega ao fim um processo iniciado em 2024, de incentivo e acompanhamento da criação de uma associação promotora das relações estratégicas entre o Estado de Minas Gerais e a Região Autónoma dos Açores, que nasceu com a visita do Dr. Cláudio Motta a Ponta Delgada, em maio, e se consolidou com a minha deslocação a Belo Horizonte, em setembro”.

“Ao mesmo tempo, começa também uma nova era desse relacionamento transatlântico, que tem raízes no passado, condições no presente e razões para o futuro. A Casa dos Açores de Minas Gerais será apoiada pelo Governo dos Açores, como as suas congéneres do Brasil e do mundo, através de um protocolo anual de cooperação financeira, mas também de apoio logístico na sua fase atual de afirmação estadual e internacional: ainda em julho, por ocasião da sua oficialização, promoveremos o VIII Encontro Açores Brasil, em Belo Horizonte, com a participação das demais associações açoriano-brasileiras; e já em outubro, ela participará, como convidada observadora, na assembleia geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores, que reunirá este ano na costa leste dos Estados Unidos da América”, disse Andrade, que elucida que “uma marca concreta e consequente da presença açoriana em Minas Gerais ficou para a nossa história comum, há 300 anos, com as chamadas “Três Ilhoas”. As Três Ilhoas foram três irmãs açorianas que emigraram para o Brasil, onde aportaram por volta de 1723, fixando residência em Minas Gerais e tornando-se troncos de antigas, tradicionais e importantes famílias. Elas eram naturais da freguesia de Nossa Senhora das Angústias, na então vila da Horta, na ilha do Faial, no arquipélago dos Açores. Uma era Antónia da Graça, nascida em 1687, que foi para São João del Rei e teve quatro filhos, dando origem, entre outros, aos Junqueiras e aos Meireles. A segunda era Júlia Maria da Caridade, nascida em 1707, que foi também para São João del Rei e aqui teve 14 filhos. Deu origem, entre outros, aos Garcias, Carvalhos, Nogueiras, Vilelas, Monteiros, Reis e Figueiredos. A terceira era Helena Maria de Jesus, nascida em 1710, que se estabeleceu em Prados, teve 15 filhos e deu origem aos Resendes. Aqui está como é comum o sangue que corre nas veias de açorianos e mineiros. Muitas das famílias de Belo Horizonte e, em geral, de Minas Gerais, terão essa origem açoriana de três séculos. É importante fazermos esse resgate – não apenas por causa do passado, mas também, e principalmente, por causa do futuro”.

Atividades e diversidade cultural e empresarial

Claudio Motta pretende que o local tenha uma programação ativa e com conexões locais e também fora de portas.

“Pretendemos atuar como um verdadeiro polo de conexão. Culturalmente, com parcerias institucionais, eventos e intercâmbios escolares e universitários. No campo económico, com apoio a missões empresariais, feiras, promoção de produtos e serviços dos Açores em Minas e vice-versa. Além disso, a Casa servirá como um centro de apoio para empresas e investidores interessados em explorar oportunidades bilaterais, com o suporte das nossas redes institucionais”, referiu este futuro presidente da entidade, que não esconde o orgulho em liderar o projeto.

“A fundação da Casa dos Açores de Minas Gerais é um convite à redescoberta das nossas raízes e ao fortalecimento dos laços que unem o povo açoriano à identidade brasileira. Convido todos — descendentes, estudiosos, simpatizantes — a se engajarem neste projeto. Esta é uma Casa de todos, construída com memória, amor e visão de futuro. Juntos, vamos fazer com que a presença açoriana em Minas Gerais seja celebrada, conhecida e multiplicada”, finalizou Claudio Motta.

Dinamismo” valida liderança

Sobre a “aposta” em Claudio Motta como presidente da entidade, José Andrade salienta ser uma pessoa “dinâmica”, além de estar “integrado numa família de comprovada ascendência açoriana”.

“Foi ele quem abraçou o desafio de lançar a Casa dos Açores de Minas Gerais e é ele que está congregando, motivando e dinamizando um grupo crescente de açordescendentes e amigos dos Açores em benefício concreto e consequente dessa nossa causa comum. Com ele, vamos vencer essa distância identitária de três séculos que nos separa nos dois lados do Atlântico”, vincou.

Preservar as “caraterísticas históricas”

Hoje, o Brasil conta com sete Casas dos Açores já existentes, que “desempenham por igual uma missão importante e prosseguem cada qual uma vocação decorrente das caraterísticas históricas das comunidades que servem”.

“Por um lado, nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, residem açorianos ainda nascidos nos Açores, pelo que as suas Casas dos Açores estão mais direcionadas para a preservação da identidade em convívios tradicionais. Por outro lado, nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão ou Espírito Santo, os açordescendentes rondam já a décima geração, no âmbito de um povoamento/colonização que remonta a 200, 300 ou 400 anos, pelo que as respetivas Casas dos Açores se encontram aqui mais vocacionadas para o resgate da identidade cultural e a valorização da ancestralidade açoriana”, comentou Andrade.

“A Casa dos Açores de Minas Gerais parece mais apostada em prosseguir um caminho de promoção das relações económicas entre o estado mineiro e as ilhas açorianas. Sem menosprezar as afinidades históricas e as cumplicidades genealógicas, ela quer afirmar-se como parceiro estratégico no âmbito da cooperação bilateral, seja promovendo o destino turístico, seja incentivando o investimento empresarial. Nesta medida, será certamente uma mais-valia para a aproximação de Minas Gerais aos Açores no quadro das relações entre Brasil e Portugal. (…) A afirmação dos Açores no Brasil e no mundo é um trabalho sempre inacabado que convoca a participação de todos em toda a parte. Há ainda outros estados brasileiros com antecedentes históricos e condições estratégicas que justificam igualmente uma presença institucional dos Açores, da mesma forma que existem outras geografias do continente americano e outros países de outros continentes com razões e condições para integrarem a rede mundial das Casas dos Açores. Mas esse desígnio não é uma obrigação imposta dos Açores para as Comunidades; é uma vontade sentida das Comunidades para os Açores”, finalizou o diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores.

Canadá: “LusoPresse” reuniu diversos nomes para discutir passado, presente e futuro da comunidade portuguesa

Entre os dias 29 e 30 de março, a Casa dos Açores do Quebeque, em Montreal, Canadá, acolheu o colóquio “A Comunidade Portuguesa – Visão do passado, presente e futuro”, uma iniciativa organizada por Norberto Aguiar, responsável pelo jornal LusoPresse e pela LUSAQ TV. O evento foi considerado pelos seus promotores como “Colóquio Segundo”, numa alusão ao encontro realizado, com outras abordagens, num primeiro momento em novembro de 2023

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O programa de dois dias contou com um alinhamento diversificado. No sábado, dia 29, a abertura do certame foi realizada pelo cônsul-geral de Portugal em Montreal, Francisco Saraiva, e por José Andrade, diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores, que referiram, entre outros aspetos, as matrizes históricas da emigração portuguesa e a importância da promoção e valorização da cidadania nas comunidades.

O primeiro painel, às 9h, abordou o tema “Política e Juventude”, sendo coordenado por Carlos de Jesus. Os intervenientes foram Carlos Leitão, Luís Miranda, Armando Melo, Isabel dos Santos, Patrick Rebelo, Daniel Loureiro, Victor Faria, Michael Gouveia, Ricardo Torcato, Tiana Arruda, Alexander Norris, representantes dos partidos políticos locais e José António Garcia, vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande. Um momento que ficou marcado pela discussão em torno da importância da mobilização e participação dos jovens nos partidos políticos e nos órgãos de poder municipais.

Pelas 10h30, decorreu o painel “Comunicação Social”, sob coordenação de Aida Batista, reunindo nomes como Diniz Borges, Sidónio Bettencourt, Clementina Santos, Norberto Aguiar e Valérie Gendron. Em foco a relevância desses órgãos na preservação, manutenção e divulgação dos valores e símbolos identitários da comunidade açoriana, bem como da língua escrita e falada, além dos costumes e cultura.
Após o almoço, pelas 12h, foi a vez de se promover o painel “Comemorando”, coordenado por José Morais, tendo como participantes Arlindo Vieira, que falou sobre os “50 anos do 25 de Abril”; José Andrade, que abordou os “50 anos das Autonomias (Madeira e Açores); e Onésimo Teotónio Almeida, que falou sobre os “500 anos de Gaspar Frutuoso”.

Pelas 16h, o tema central foi “Dia da Mulher”, com coordenação de Paula Ferreira, presidente da Casa dos Açores do Quebeque. As palestrantes foram Aida Batista, Ludmila Aguiar, Marisol Ribeiro e Maria do Rosário Gaspar, que relataram os seus caminhos e experiências profissionais de afirmação, resiliência e conquista de objetivos.

No dia seguinte, domingo, pelas 10h30, teve lugar o painel “Comunidade/Emigração/Imigração”, tendo como coordenador Onésimo Teotónio Almeida e os intervenientes José Carlos Teixeira, Victor Pereira da Rosa, Paula Bernardino, Duarte Miranda e Vítor Carvalho.

Às 13h30, houve a “Festa Final”, com animação, discursos e entrega dos Prémios Corte-Real 2024 a Arlindo Vieira, Joe Puga, José Carlos Teixeira, Victor Carvalho e, a título póstumo, a Maria José Raposo.
O escritor açoriano Onésimo Teotónio Almeida, professor Emérito da Brown University, foi distinguido com o Prémio Carreira pelo Jornal LusoPresse.

O colóquio encerrou com um Almoço Festivo, na Casa dos Açores do Quebeque, confecionado pelo Chef José Artur Cabral, que viajou dos Estados Unidos para o Canadá a convite da organização. Houve ainda momentos de poesia por Ludmila Aguiar, Joaquim Eusébio e Sidónio Bettencourt.

Garantir o futuro da diáspora

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Durante o seu discurso de abertura, José Andrade, diretor Regional das Comunidades, frisou que este segundo colóquio “confirma e consolida a sua missão de informar com responsabilidade social e com espírito comunitário” e que serve para “dar um contributo a ter em conta para melhorar o presente e preparar o futuro das comunidades portuguesas, maioritariamente de origem açoriana, em Montreal, no Quebeque, no Canadá, na América do Norte”.

“Esta iniciativa da própria comunidade, que parte da comunicação social em parceria com a Casa dos Açores, é um passo importante nessa caminhada conjunta de responsabilidade coletiva. Pela parte do Governo dos Açores, também a Direção Regional das Comunidades tem procurado cumprir a sua missão, com dedicação e até com paixão, de aproximar e valorizar a diáspora açoriana”, disse este responsável. José Andrade reiterou ainda que, em Montreal, o colóquio reuniu oradores do Canadá, Estados Unidos e Portugal, tendo como “preocupação estratégica motivar e envolver as novas gerações da diáspora açoriana para atrair e comprometer os filhos e os netos dos nossos emigrantes no processo de rejuvenescimento do movimento associativo que garanta o futuro das comunidades portuguesas”.
“O futuro da diáspora é uma preocupação comum dos poderes públicos e das entidades privadas, no arquipélago açoriano e no continente americano, convocando o contributo de cada um para o benefício de todos”, disse José Andrade.

O LusoPresse, fundado a 1 de dezembro de 1996, e a LusaQTV, iniciada a 11 de dezembro de 2017, são dois projetos que “dignificam” a comunicação social do Canadá e “prestigiam” a comunidade portuguesa do Quebeque. Andrade indica também que ambos os órgãos “não se limitam a contar o que acontece”, pois “eles próprios fazem acontecer”.

Note-se que na Província do Quebeque residem hoje cerca de 70 mil portugueses, maioritariamente originários dos Açores e, em especial, da ilha de São Miguel, sobretudo nas cidades de Montreal, Laval e Santa Teresa.

Brasil: Casa dos Açores do Espírito Santo celebrou os 212 anos da chegada dos açorianos em Santo Agostinho

Casa dos Açores do Espírito Santo foi inaugurada no dia 25 de julho de 2022 © DIREITOS RESERVADOS

Os 212 anos da chegada dos imigrantes açorianos no povoamento de Santo Agostinho, no município de Viana, no Estado brasileiro do Espírito Santo, foram celebrados, no último dia 19 de fevereiro, pela Casa dos Açores do Espírito Santo (CAES). Uma iniciativa que contou com diversas atividades e ações, além de homenagens a nomes que valorizam a cultura do arquipélago nesse estado brasileiro, como Francisco Borba Gonçalves, açoriano da ilha Terceira do concelho da Ribeirinha, que interpretou a música Ilhas de Bruma; o açordescendente José Antônio Borges Alvarenga; e a açordescendente Fabiene Passamani Mariano, guardiã da memória açoriana no Estado do Espírito Santo.

Viana inaugurou o ciclo da imigração europeia para o Espírito Santo oficialmente em fevereiro de 1813. Vieram imigrantes alemães e italianos. Para reduzir a escassez de mão-de-obra agrícola e ajudar a povoar as margens da primeira estrada que ligaria Vitória, capital do Estado, a Minas Gerais, foram chamados também os açorianos, que deixaram marcas profundas na sociedade atual, sobretudo nos aspetos culturais e das tradições.

A Casa dos Açores do Espírito Santo foi inaugurada no dia 25 de julho de 2022, sendo uma instituição Associativa Cultural, que visa “promover a preservação e divulgação da memória cultural, religiosa e histórica da imigração açoriana no Estado do Espírito Santo”. Esta instituição tem sede no município de Apiacá, Espírito Santo, mas reúne os municípios limítrofes do Vale do Itabapoana que tiveram influência açoriana no norte do Rio de Janeiro, como Bom Jesus do Itabapoana (RJ), Bom Jesus do Norte (ES), São José do Calçado (ES), e o município de Viana (ES), na Grande Vitória (ES). Esta é a sétima Casa dos Açores do Brasil, juntando-se às outras 16 Casas dos Açores já existentes também no Canadá, EUA, Bermuda, Uruguai e Portugal continental. A sede da nova casa está a seis quilómetros da divisa com o Estado do Rio de Janeiro, para abranger, institucionalmente, todo o Estado do Espírito Santo, incluindo, especialmente, o Município de Viana, de profunda relação açoriana.

Para explicar os contornos da influência açoriana no Espírito Santo entrevistamos Nino Moreira Seródio, presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo, que falou também sobre o evento e a importância de se valorizar e promover a cultura e as tradições dos Açores no Brasil.

Nino Moreira Seródio é presidente da Casa dos Açores do Espírito Santo © DIREITOS RESERVADOS

DL: Como avalia o evento?
Foi um evento para resgatar as memórias e celebrar a história. Uma noite de emoção. Superou todas as expetativas.

DL: Como foi a homenagem a Francisco Gonçalves, José Borges Alvarenga e Fabiene Mariano?
O Francisco Amaro Gonçalves faz parte da nossa diretoria como diretor de Relações Institucionais. Conheceu o Vale do Itabapoana a convite de Antônio Borges, um açordescendente da família Borges, numa conversa que tiveram num evento na Casa dos Açores do Rio de Janeiro. Conheceu a nossa região e a história do Padre Açoriano Antônio Francisco de Mello que, por 48 anos, foi sacerdote da paróquia do Senhor Bom Jesus. Sempre que pode, está presente nos nossos eventos. É querido por todos. Hoje, é autor da melodia e letra do hino da Casa dos Açores. José Antônio Borges Alvarenga é um açordescendente da família Borges e nosso diretor Cultural e embaixador da CAES na capital do Estado, em Vitória. É apaixonado pela cultura açoriana e também talentoso na sua viagem musical, sempre presente nos nossos eventos. Faz um trabalho também numa reserva da Mata Atlântica, em Santa Tereza. A Professora Fabiene Passamani Mariano é atual secretária de Cultura de Viana e pesquisadora, com diversos trabalhos da Imigração Açoriana no Estado. Sem dúvida, é a maior guardiã da memória açoriana no Estado do Espírito Santo e também nossa diretora cultural, representando o Polo Viana. Todos as homenagens foram merecidas.

DL: Qual influência foi deixada pelos açorianos no Estado?
Os açorianos trouxeram as tradições, a cultura e a história que procuramos manter no Vale do Itabapoana e na Região de Viana, onde iniciou o povoamento das 53 famílias em fevereiro de 1813. Famílias essas vindas das Ilhas do Faial, Terceira e São Miguel.

DL: Como está a vitalidade da Casa dos Açores do Espírito Santo?
Fazemos os nossos eventos mensais e já temos uma programação até o final deste ano.

DL: Que ações têm desenvolvido?
Manter viva as tradições no Estado e trazer mais associados, além de divulgar o arquipélago dos Açores.

DL: Que projetos tem para o futuro?
Que a Casa dos Açores do Espírito Santo seja um ponto de apoio no Brasil para o Governo dos Açores e que possa acomodar os açorianos no futuro com intercâmbios para os jovens que queiram conhecer o Brasil e encontrar os seus ascendentes que para aqui vieram. Vamos criar o dia do Imigrante Açoriano no Vale do Itabapoana, data de 13 de agosto, e inaugurar o monumento ao Imigrante Açoriano.

DL: Como avalia a sua gestão?
Sou suspeito para falar, mas tenho procurado manter as nossas atividades com a nossa diretoria conversando, ouvindo e muitos planos para o futuro.

DL: Que ligação existe hoje entre a CAES e o governo dos Açores?
José Andrade, diretor regional das Comunidades, conhece todo o nosso trabalho em favor da causa açoriana e foi o maior incentivador para que pudéssemos fundar a sétima Casa dos Açores no Brasil. Ele acompanha todo o nosso trabalho junto da diretoria no resgate da nossa história.

DL: Por fim, na sua opinião, o que deve ser feito no sentido de se valorizar e promover cada vez mais a presença e memória açorianas no Espírito Santo?
Você sabe que a cultura hoje tem pouco interesse para a juventude. Mas um povo que não tem memória, não tem história e tem a sua própria identidade. Temos que divulgar as tradições e cultura para as prefeituras de cada município, com o intuito de que possam empenhar em manter viva a sua história e colonização. Estamos no caminho certo e somos otimistas. Os nossos antepassados chegaram aqui e fizeram história através dos seus trabalhos. Faço aqui uma homenagem aos meus bisavós, que imigraram para cá na esperança de sonhos e realizações com três filhos pequenos, sendo o meu avô o mais novo com apenas dois anos de idade. Na lavoura, prosperaram, criaram os filhos, educaram e passaram a ser uma família tradicional na região, os Vieira Seródio. Saíram do Concelho da Povoação, Lomba da Loução, Ilha de São Miguel e se instalaram no Vale do Itabapoana. Somos otimistas e os ventos vislumbram para o crescimento da nossa associação.

“Espero que seja um período de renovação e crescimento para a Casa”

Leonardo Soares foi reeleito para mais um mandato à frente da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, no Brasil. Responsável promete apostar na atração de uma nova geração para participar ativamente na Casa, ampliar a visibilidade da entidade perante a sociedade carioca e buscar recursos para financiar as atividades e projetos

Cerimónia de apresentação da nova diretoria para o biénio 2025/2026 teve lugar no último dia 12 de janeiro © DIREITOS RESERVADOS

“Neste novo mandato, queremos fortalecer ainda mais os laços entre os açorianos e os seus descendentes no Rio de Janeiro”. É com esta convicção que Leonardo Soares, presidente reeleito da Casa dos Açores do Rio de Janeiro, pretende liderar mais dois anos de gestão à frente desta entidade açoriana, localizada no bairro da Tijuca, Zona Norte carioca, Brasil.

A cerimónia de apresentação da nova diretoria para o biénio 2025/2026 teve lugar no último dia 12 de janeiro, diante de um grande público na sede da instituição. À nossa reportagem, Leonardo garantiu que, “entre os projetos, estão a ampliação das atividades culturais, como gastronomia típica, a realização de eventos diversos que possam atingir todos os públicos de várias idades”.

Este responsável sublinha que, neste novo momento, “os desafios principais incluem atrair uma nova geração para participar ativamente na Casa, ampliar a nossa visibilidade perante a sociedade carioca e buscar recursos para financiar as atividades e projetos”, bem como “manter o diálogo com o governo dos Açores e outros órgãos internacionais”, o que considera “essencial para fortalecer as nossas iniciativas”.

“Pretendemos manter o compromisso com a promoção da cultura açoriana e o estreitamento das relações com os Açores. Contudo, queremos inovar na forma como nos comunicamos com o público, investindo em tecnologia e redes sociais para alcançar um público mais amplo e diversificado”, explicou Leonardo Soares, que afirmou que “a nova diretoria é composta por pessoas comprometidas com a valorização da cultura açoriana”.

“Temos uma equipe renovada, com destaque para jovens e veteranos que trazem experiência”, disse.

Casa dos Açores é um ponto de encontro cultural e de preservação da identidade açoriana © DIREITOS RESERVADOS

Atualmente, a Casa dos Açores é um ponto de encontro cultural e de preservação da identidade açoriana no Rio de Janeiro.

“Estamos num momento de revitalização e expansão, com grande potencial para crescer e inovar. A entidade está consolidada como referência na promoção das tradições açorianas, mas buscamos modernizar as nossas abordagens para atrair novos públicos”, frisou.

Ainda no ano passado, uma comitiva da Casa dos Açores carioca, liderada por Leonardo, esteve no arquipélago açoriano para dois importantes encontros: Conselho Mundial das Casas dos Açores e Encontro Açores-Brasil. Experiências que podem, agora, auxiliar na sua nova gestão.

“Os encontros foram cruciais para fortalecer as parcerias com as demais Casas dos Açores e abrir novos caminhos para colaborações futuras. A troca de experiências permitiu entender como podemos adaptar iniciativas de sucesso para a nossa realidade local”, defendeu.

Para 2025, há já um conjunto de ações pré-determinadas, como a celebração das festas religiosas (Divino Espírito Santo, Santo Cristo dos Milagres e Nossa Senhora dos Milagres), o Encontro Cultural Açoriano – com tema ainda a ser definido e diversos eventos de encontro social.

“Espero que seja um período de renovação e crescimento para a Casa. Quero consolidar o nosso papel como um pilar da comunidade açoriana no Rio e como um espaço de integração cultural que acolhe a todos”, finalizou Leonardo Soares, que caracteriza a comunidade açoriana no Rio atualmente como “diversa e resiliente, composta por pessoas que têm orgulho das suas raízes e se esforçam para manter vivas as tradições. Ao mesmo tempo, há um desejo crescente de integração e modernização, o que nos incentiva a pensar em formas inovadoras de promover essa herança”.

Conselho Mundial das Casas dos Açores reúne esta semana em São Jorge

© GRA/SRTMI

O Conselho Mundial das Casas dos Açores (CMCA) reúne a sua assembleia geral presencial de 2024, esta semana, na ilha de São Jorge, segundo comunicado do Governo regional.

A 26.ª reunião anual do órgão de articulação das Casas dos Açores tem lugar na Vila das Velas, de 11 a 13 de outubro, por iniciativa da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, através da Direção Regional das Comunidades.

A reunião magna do CMCA arranca com a sessão de abertura agendada para as 19h00 do dia 11 de outubro, no salão nobre dos Paços do Concelho das Velas de São Jorge, pode ler-se,

Participam nesta sessão o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, o presidente da Câmara Municipal de Velas, Luís Silveira, o diretor regional das Comunidades, José Andrade, e a presidente em exercício do CMCA, Suzanne Cunha, da Casa dos Açores do Ontário.

No dia seguinte, 12 de outubro, realiza-se a primeira sessão plenária do CMCA, pelas 10h00, na Casa Museu Cunha da Silveira, com uma ordem de trabalhos que prevê a revisão do regulamento do CMCA e a admissão formal da Casa dos Açores do Espírito Santo, no Brasil, bem como um debate sobre os principais desafios que estas instituições enfrentam atualmente, explica a mesma nota.

Na tarde de sábado, o programa prevê uma sessão conjunta entre os presidentes das Casas dos Açores e um grupo de jovens dos Estados Unidos da América, Canadá, Bermuda, Brasil, Portugal continental e Uruguai, “que assistem ao CMCA na qualidade de observadores e que visitam a região no âmbito de um encontro para jovens líderes comunitários promovido pelo Governo dos Açores”.

No dia 13 de outubro, a partir das 09h30, num terceiro painel realizado na Casa Museu Cunha da Silveira, as Casas dos Açores vão dar a conhecer o essencial da sua atividade ao secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades e aos deputados que representam a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

A sessão de encerramento da XXVI Assembleia Geral do CMCA realiza-se no domingo, 13 de outubro, às 12h00, no salão nobre dos Paços do Concelho das Velas de São Jorge e é presidida pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro.

Esta sessão inclui a apresentação das conclusões da assembleia geral e a entrega das distinções do CMCA, com a indicação do produto açoriano de qualidade, este ano atribuída ao Queijo de São Jorge, e com as Medalhas de Mérito que distinguem três emigrantes açorianos em Toronto: António “Tabico” Câmara (a título póstumo), Cidália de Sousa e Grinoalda Pavão.

Na mesma oportunidade, lê-se ainda, na mesma nota, vai ser ainda realizada a transmissão formal da presidência anual do CMCA, que passa da Casa dos Açores do Ontário, no Canadá, para a sua congénere da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América.

O Conselho Mundial das Casas dos Açores, constituído em 1997, tem como objetivo promover e desenvolver atividades que contribuam para a afirmação dos Açores e da sua diáspora no mundo e para o desenvolvimento de relações sociais, culturais e económicas entre o arquipélago e as regiões de implantação de cada uma das Casas dos Açores.

É composta, atualmente, pelas Casas dos Açores de Lisboa, Rio de Janeiro, Califórnia, Quebeque, Norte, São Paulo, Nova Inglaterra, Ontário, Winnipeg, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai, Bermuda, Maranhão e Madeira.

Nesta assembleia, a Casa dos Açores do Espírito Santo vai ser oficialmente admitida e as Casas dos Açores da Região Centro e da Região Sul do continente português assistem aos trabalhos na qualidade de observadoras.

Lançamento do livro “Somos Açores” de Ígor Lopes celebra o papel das Casas dos Açores no Brasil

Jornalista reúne em livro entrevistas aos presidentes das Casas dos Açores no Brasil com o objetivo de revelar os contornos que levaram à criação das entidades açorianas no maior país da América do Sul. Apresentação do livro acontece este mês em diversas ilhas açorianas

Ígor Lopes colabora com o Diário da Lagoa há alguns anos e vai estar na Lagoa para participar de uma tertúlia no próximo dia 17 de outubro © D.R.

Entre os dias 10 e 17 de outubro, o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes vai estar presente no arquipélago açoriano para apresentar a sua mais recente obra. “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil” será lançado em diversas ilhas do arquipélago: Terceira, São Jorge, Pico, Faial e São Miguel. Escrito no formato livro-reportagem, o livro oferece uma visão única sobre como as ilhas dos Açores são retratadas e mantidas vivas além-mar, com especial destaque para o papel das Casas dos Açores em vários Estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Maranhão, Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Santa Catarina.

O projeto literário foi apoiado pelo Governo regional dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, e editado pela Amazon.

“Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil” conta com José Andrade, diretor Regional das Comunidades, e Adélio Amaro, escritor e responsável pela BibliRuralis, como prefacistas. Também José Manuel Bolieiro, presidente do governo regional dos Açores, participa com uma mensagem aos açordescendentes.

Ao longo de 122 páginas estão entrevistas aos presidentes das Casas dos Açores no Brasil, num período entre 2022 e 2023, com o intuito de revelar os contornos que levaram à criação dessas entidades açorianas no maior país da América do Sul. É também examinado o importante trabalho dessas instituições que, há décadas, preservam e promovem a cultura açoriana no Brasil, fortalecendo os laços históricos e culturais entre o arquipélago e a nação irmã de Portugal. Ao ler este livro, mergulhamos na rica história dessas casas, explorando as suas ações e contribuições para fortalecer os laços culturais entre os açorianos e os seus descendentes em solo brasileiro.

Dar voz à resiliência da cultura açoriana”

Segundo o autor, “ao escrever “Somos Açores”, senti-me com uma grande responsabilidade de dar voz à resiliência da cultura açoriana longe do seu território de origem”.
“As Casas dos Açores no Brasil são guardiãs de uma identidade coletiva que sobrevive ao tempo e à distância. Espero que este livro inspire um novo olhar sobre a importância dessa preservação cultural. “Somos Açores” faz o caminho inverso de “Açores em Cores”. Este último, lançado em diversas cidades, procurou mostrar o arquipélago para o mundo, com foco também nos lusodescendentes. Agora, “Somos Açores” cruza o oceano saindo do Brasil para desembarcar nos Açores com boas novas. Sim, a açorianidade está viva em outras muitas paragens”, afirma Ígor Lopes.

Lançamento em diversas ilhas do arquipélago açoriano

A apresentação de “Somos Açores – Um Arquipélago Vivo pelas Ações das Casas dos Açores no Brasil” estará integrada no âmbito do programa do XXVI Conselho Mundial das Casas dos Açores e do VII Encontro Açores Brasil.

Agenda:

10/11 – Angra do Heroísmo – Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, pelas 20h00, evento promovido pela Câmara Municipal local;
13/10 – Velas de São Jorge – ilha de São Jorge, pelas 18h00;
14/10 – Biblioteca Municipal da Madalena – ilha do Pico, pelas 18h00;
15/10 – Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça – ilha do Faial, pelas 18h00;
16/10 – Atelier Angela Fernandes – ilha de São Miguel, pelas 18h;
17/10 – Sede da Filarmónica Estrela D´Alva, na Lagoa – ilha de São Miguel, pelas 11h00, durante tertúlia promovida pelo Diário da Lagoa.

 

Coimbra testemunha criação da quarta Casa dos Açores no continente

Primeiros passos da Associação serão a elaboração de um plano de atividades, além de um programa sócio cultural para dinamizar a divulgação da cultura e tradições açorianas junto da população local. Nova entidade pretende viabilizar sede em Coimbra

Casa dos Açores da Região Centro é a quarta associação agora existente em território português, sendo 19 o número de Casas espalhadas pelo mundo © GRA

No último dia 19 de setembro o antigo Convento São Francisco, em Coimbra, testemunhou o nascimento da Casa dos Açores da Região Centro. Uma cerimónia marcada pela presença do presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro; o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva; o presidente do Turismo do Centro, bem como outras autoridades locais. Alexandre Linhares Furtado, um dos mais ilustres açorianos residentes em Coimbra e entusiasta da ligação entre a zona Centro do país e a região autónoma dos Açores, também marcou presença no evento, que teve espaço para um concerto açoriano protagonizado pelo Coimbra Gospel Choir e pelo Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, encerrando com uma prova de produtos da Marca Açores.
“Esta iniciativa, de um grupo de açorianos residentes na região centro de Portugal, fez por completar o último reduto geográfico do país que ainda não tinha a sua Casa, a zona Centro. Por outro lado, este era um sonho desde há muitas gerações e que agora, finalmente, se conseguiu cumprir”, adicionou Francisco José Simões Coelho Gil, presidente da direção da nova entidade açoriana, recordando que a Casa ainda não tem espaço físico para a sede.

Durante a cerimónia, foi assinado um protocolo de cooperação entre o Governo dos Açores, por meio da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, e a Associação Casa dos Açores da Região Centro, que visa “promover e assegurar uma ligação entre a Associação e o Governo da Região, disponibilizando experiência, contactos, influências, etc.”, referiu Francisco Gil, que disse a presença de açorianos na região Centro “não está quantificada, mas a percepção é de que é vasta”.

“Logo à partida existe uma população flutuante, por força dos estudantes colocados em instituições do ensino superior na região centro, não só em Coimbra, e dos doentes e acompanhantes deslocados em consultas e/ou tratamentos, esses sim, essencialmente em Coimbra. Depois, todos os açorianos que ao longo dos anos se instalaram e desenvolveram as suas vidas na região, seguramente estaremos a falar de números a rondar os milhares, considerando, como referiu, os açorianos e açordescendentes”, afirmou este responsável, que acredita que existam cerca de 400 estudantes dos Açores na região.

Os primeiros passos da Associação serão a elaboração de um plano de atividades, além da elaboração de um programa sócio cultural para dinamizar a divulgação da cultura e tradições açorianas junto da população local.

“Pretendemos realizar uma semana cultural açoriana, algumas sessões/palestras histórico culturais e também alguns espectáculos musicais”, disse Francisco Gil, que considera ser importante criar condições para que a sede seja em Coimbra, num perímetro compreendido entre o eixo baixa da cidade/universidade/Centro Hospitalar Universitário.

“Esperamos que a população açoriana residente em Coimbra consiga cada vez mais ter nesta associação uma maior proximidade à sua terra Natal ou uma menor sensação de distância, afastamento, saudade”, adiantou Francisco Gil, que nasceu em Angra do Heroísmo, em 1979, tendo vivido toda a sua infância e juventude na ilha Terceira.

“Os principais objetivos da associação são a ligação e ajuda aos estudantes, aos doentes e acompanhantes, à “diáspora” local e aos habitantes da zona Centro que pretendam aproximar-se da realidade açoriana; claro que exerceremos com todo o orgulho e dignidade o papel de embaixadores “informais” da açorianidade e para tal contaremos desejavelmente com a interligação e colaboração do Governo regional”, avaliou Francisco Gil, que espera que a Casa seja “um legado para as gerações futuras de açorianos que venham a trilhar os mesmos caminhos que outrora trilhamos”, mas que sintam que têm “outro tipo de apoio” e “outro Porto de abrigo que nós não tivemos”.

“Este não era só um desafio, era essencialmente um sonho, meu e de todos os que constituem este grupo fundacional. Definimos que este projecto iria ver a luz do dia, que iria vingar”, finalizou Francisco Gil.
Segundo apurámos, Francisco Coelho Gil (Presidente), Nuno Freitas (Vice-presidente) e Ana Goulart (Secretária) constituem a primeira direção da associação. A assembleia geral será composta por Paula Amaral (Presidente), Antonieta Reis Leite (Vice-presidente) e Idalino Rocha (Secretário), enquanto Paulo Fernandes, Pedro Moniz e Sónia Garcia integram o Conselho Fiscal como presidente, vice-presidente e vogal, respetivamente.

Na opinião do presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, é uma “alegria (…) ver que um sonho se tornou numa boa expetativa e o projeto, numa realidade”.

“A Casa dos Açores da Região Centro e todas as Casas dos Açores e os seus dirigentes são verdadeiramente uma embaixada dos Açores e da açorianidade”, afirmou Bolieiro, que acredita ser “relevante o resgate das origens”.

Presença nacional e mundial

A Casa dos Açores da Região Centro é a quarta associação agora existente em território português, sendo 19 o número de Casas espalhadas pelo mundo.

De acordo com José Andrade, diretor regional das Comunidades, “a criação da Casa dos Açores da Região Centro é importante para a afirmação estratégica da presença açoriana no território nacional”.
“Já tínhamos as Casas dos Açores de Lisboa, Norte e Madeira. Agora, temos a Casa dos Açores da Região Centro, com sede em Coimbra, e, provavelmente ainda este ano, teremos a Casa dos Açores da Região Sul, sedeada em Faro e correspondente às regiões do Algarve e Alentejo”, reiterou.

“Todo o território português exterior à Região Autónoma dos Açores ficará assim coberto por instituições vocacionadas para a promoção e dinamização da açorianidade”, conclui José Andrade.

Portugueses integram grupos de ajuda à população do Rio Grande do Sul

Há uma importante movimentação de portugueses e lusodescendentes a tentar salvar vidas na região do sul do Brasil que vive cenário “catastrófico e desastroso”. Casa de Portugal de Porto Alegre abriu as suas portas para que a população tenha abrigo e acesso à água potável

© D.R.

A tragédia que está a assolar o Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, depois das cheias provocadas pelas fortes chuvas nas últimas semanas, soma já mais de uma centena de mortes, num contexto em que se verificam cidades inteiras destruídas e num momento em que mesmo a logística local foi alterada, sobretudo, na região serrana e na capital, Porto Alegre.

Em poucas horas, entre o final de abril e o início de maio, choveu o equivalente a três meses no Rio Grande do Sul. Os rios chegaram a níveis históricos. Segundo dados do governo do Rio Grande do Sul, em constante atualização, o número de mortes provocadas pelas enchentes chega a 157. Já o número de municípios atingidos pela tragédia chegou a 464. O número de pessoas afetadas pelos temporais também subiu: são mais de dois milhões de moradores do Estado atingidos. Mais de 76 mil pessoas estão em abrigos desde o início das chuvas no final de abril. Foram também resgatados mais de 12 mil animais.

No campo estrutural, barragens estão sob pressão, o sistema de contenção de cheias está sob stresse, diversos hospitais foram atingidos, os serviços essenciais foram interrompidos, aeroportos estão paralisados, estradas, cortadas e várias pontes desabaram. Esta é considerada a maior catástrofe climática do Estado, o que levou o governo do Rio Grande do Sul a iniciar o Plano “Marshall” de reconstrução do Estado, juntamente com a Autoridade Estadual para Emergência Climática, com foco, segundo apurámos, em promover “Assistência, Restabelecimento e Reconstrução”, além de “Prevenção e Resiliência Climática”.

Desde o início da tragédia, existe também uma importante movimentação de portugueses e lusodescendentes para tentar salvar vidas na região. A nossa reportagem conversou com António Davide, conselheiro das comunidades portuguesas eleito no Brasil por Curitiba e Porto Alegre. Vive na cidade de Bento Gonçalves, na zona serrana, a 120 km de Porto Alegre. Segundo ele, praticamente 52% do Estado está com “destruição total”.

“Cidades ribeirinhas estão praticamente destruídas, assim como cidades pequenas que tinham as suas populações, as suas empresas”, disse este responsável, que conta que a cidade de São Leopoldo, por exemplo, que fica a cerca de 30 km de Porto Alegre, está “totalmente debaixo de água” e que “em todas as localidades há casas que sumiram, que foram por água abaixo. Devido a força das águas, há morros que desapareceram”.

Este responsável revela que, onde vive, não há relatos de membros da comunidade portuguesa em perigo. Já com relação aos negócios geridos por empresários da comunidade portuguesa, o comércio terá sido o ponto mais afetado pelas cheias. As zonas do centro de Porto Alegre, onde esses empresários têm as suas lojas e empresas, conta com grandes prejuízos, segundo António Davide, como é o caso no tradicional mercado público de Porto Alegre, onde as pessoas estão à espera de ver o nível da água baixar para calcularem os estragos.

Existe ainda o problema dos assaltos e saques que estão a acontecer um pouco por todo o Estado. Há inclusive assaltos com recurso a barcos ou em jet-skis a mercados locais abandonados durante a enchente. E, nas estradas, o cenário é de assaltos aos condutores quando estão no trânsito a tentar deixar a região metropolitana de Porto Alegre.

Antonio David recebeu uma mensagem de José Cesário, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, a dar apoio para a comunidade e para toda a população do Estado do Rio Grande Sul.

Entrevistamos também o lusodescente Marcos Neto, guia de turismo, sommelier e vice-presidente do Rotary Club de Canoas Industrial. Ele vive na cidade de Canoas, um dos locais mais atingidos pelas chuvas.

Marcos conta que o grande volume de água na região acabou por destruir muitas cidades também no vale do rio Taquari, na Serra Gaúcha, onde houve o rompimento parcial de uma barragem. Além disso, esse volume de água desceu em direção à capital do Estado, Porto Alegre, o que fez com que o nível da água na cidade subisse, em muitos lugares, mais de 30 metros.

Somente em Canoas, cerca de dois terços da cidade estão debaixo de água. Mais de 150 mil pessoas tiveram que deixar as suas casas e, quem não conseguiu sair rapidamente, teve de ser resgatados por helicópteros desde os telhados das casas.

“Algumas pessoas chegaram a ficar mais de três dias nos telhados de casa sob frio, chuva, a espera do resgate, que está a ser feito pelas forças armadas brasileiras”, contou Marcos, que atesta que existe hoje uma autêntica “operação de guerra”, pois “todos os serviços essenciais foram literalmente destruídos, a maior parte da cidade está sem energia elétrica e a produção de água potável foi suspensa, uma vez que as bombas ficaram debaixo d’água. As estradas foram totalmente destruídas”.

Cenário “catastrófico e desastroso”

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Segundo Marcos, há muitos voluntários no terreno, o que faz com que o cenário não piore em virtude dos esforços desses grupos. Os trabalhos concentram-se em tentar dar comida, medicamentos e albergar as pessoas em abrigos e escolas. Existem peditórios públicos dos rotarianos locais que destacam que tudo o que puder ser enviado para a região será “bem-vindo”, como medicamentos, alimentos, água, roupas e colchões.

Dezenas de famílias residentes na cidade de Rio Grande, no Estado do Rio Grande do Sul, estão a receber o apoio de diversos voluntários após ficarem desabrigadas. Uma dessas entidades que está a prestar um apoio fundamental à população é a Cruz Vermelha de Rio Grande, que, de forma voluntária e gratuita, acolhe mais de 200 pessoas num galpão que conta com diversos serviços sociais e de saúde, mas também com estrutura para as pessoas realizarem a sua higiene, se alimentarem e dormirem em segurança. Na liderança dessa iniciativa, está o português Júlio César Pereira da Silva, presidente da unidade local da Cruz Vermelha de Rio Grande. Além de advogado, este responsável é vereador nessa cidade brasileira há 25 anos, estando já no quinto mandato, o que lhe permite melhor conhecer os desafios da região e a sua população. É também neto de portugueses, preside ao Conselho Deliberativo do Centro Português do Rio Grande, e integra ainda, como voluntário, outros movimentos associativos e da organização civil na região, um trabalho que ganha agora novos contornos em virtude da catástrofe climática que atingiu o Estado. Segundo apurámos, o objetivo das ações dos voluntários é salvar vidas.

Um dos restaurantes portugueses mais tradicionais do Brasil, “Gambrinus”, é um dos estabelecimentos fortemente atingidos pelas enchentes em Porto Alegre. O restaurante está localizado no mercado público na capital gaúcha e é considerado o mais antigo do Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do país, sendo conhecido pela aposta na gastronomia portuguesa e internacional. Fruto de herança familiar, João Alberto Cruz de Melo, de 45 anos, é hoje proprietário do local, que conta com cerca de 20 funcionários. Este empresário nasceu em Porto Alegre, mas é filho de portugueses. O seu pai, natural de Pedaçães, no norte de Portugal, próximo à Águeda, no distrito de Aveiro, deixou Portugal em 1951, trazendo a família, os irmãos, para esse país sul-americano. Chegaram primeiro ao Rio de Janeiro e, depois, foram para o Rio Grande do Sul. Este empresário pretende “iniciar uma limpeza, avaliar os prejuízos e reprogramar a abertura, contratar todo mundo e tentar voltar a vida”.

Outro exemplo desse movimento para tentar diminuir o caos e a dor das famílias é o trabalho que está a ser feito pela Casa de Portugal de Porto Alegre, que abriu as suas portas para que a população tenha abrigo e acesso à água potável, uma vez que o local conta com uma fonte de água mineral fruto de um poço artesiano. No local, as pessoas podem tomar banho e utilizar casas de banho.

“Os diretores da Casa de Portugal estão envolvidos nas suas comunidades e todos estão a ajudar da maneira que podem”, é o que garante Fernando Lopes, presidente da Casa de Portugal de Porto Alegre, que adicionou que, desde domingo, “a Casa de Portugal viu que tinha um recurso (água potável) que estava a faltar para diversas cozinhas de voluntários que fazem marmitas e comida para os desabrigados”.

E as pessoas têm procurado cada vez mais o clube, conhecido na região por valorizar as tradições portuguesas. Fernando conta que chegam pessoas que foram resgatadas há dias e que ainda não haviam tomado banho. Para evitar doenças, elas podem fazer a higiene no local. Muitas outras levam recipientes para levar água para casa. Há filas na porta.

Ajuda luso-brasileira

© D.R

Este responsável garante que há muitos portugueses utilizando recursos da Casa neste momento, como pegar água potável e etc., e que este público conta com um horário extra para as suas necessidades, além do público em geral.

A nossa reportagem conversou também com Filipa Mendonça, vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre, que explicou que, “infelizmente, nesta situação de calamidade pública decretada no Estado, temos que aguardar com muita calma o desenrolar dos acontecimentos”.

“Até ao momento ainda não conseguimos reabrir as nossas atividades normais, o que me preocupa. As previsões climatéricas para os próximos dias também não ajudam a que se consiga retomar de imediato. No seio da comunidade portuguesa vamos nos mantendo em contacto e, até ao momento, apenas a lamentar a perda de bens materiais”, afirmou esta responsável, que sublinhou que “o espírito de solidariedade do povo gaúcho é louvável e ímpar, no entanto, há a registar que existem regras e condutas próprias a seguir, e há que se respeitar a integridade das instituições”.

A situação preocupou também o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, que emitiu uma nota a dizer que o governo de Portugal “está solidário com o povo brasileiro”, e mostrou apoio às iniciativas do presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, e do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Através das redes sociais, a embaixada de Portugal no Brasil disse estar a acompanhar “com preocupação” a tragédia no Rio Grande do Sul.

José Cesário, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, confirmou à nossa reportagem que, “até ao momento, não há informação sobre vítimas portuguesas”.

Grandes prejuízos e tempo para recomeçar

© ÍGOR LOPES

A Casa dos Açores em Lisboa realizou, no dia 19 de maio, o tradicional “Almoço da Festa do Divino Espírito Santo”, um evento importante do ponto de vista cultural e religioso na agenda açoriana. Mas, este ano, esta entidade resolveu dar uma demonstração ainda maior da força e da solidariedade açoriana, ao divulgar os cartazes “SOS Rio Grande do Sul” que apelam a “doações internacionais” para a auxiliar a população residente nesse estado brasileiro.

A Casa dos Açores em Lisboa justifica esta incitava solidária e afetiva com o facto de que “os primeiros açorianos chegaram ao Estado do Rio Grande do Sul em 1752; que vive hoje neste Estado uma grande comunidade de açordescendentes; que há dois anos foram celebrados os 250 anos da fundação açoriana da cidade de Porto Alegre; que Gravataí é cidade irmã de Horta (ilha do Faial) e Porto Alegre, cidade irmã de diversas outras cidades, entre elas, Ribeira Grande (ilha de São Miguel) e Horta”.

Outros movimentos pelo Brasil, incluindo entidades luso-brasileiras, como a Obra Portuguesa de Assistência no Rio de Janeiro, e instituições em São Paulo, como a Associação Portuguesa de Desportos, e a comunidade brasileira em Portugal estão a reunir doações que visam auxiliar as famílias neste momento.

O que sabemos é que as enchentes causaram um grande impacto na indústria e na produção de alimentos e produtos na região. O presidente do Brasil garantiu que não faltarão recursos para recomeçar a reconstruir as cidades e que está a enviar dinheiro e integrantes das forças armadas para auxiliar nos resgates. A reconstrução de rodovias federais custará mais de um bilhão de reais, cerca de 200 milhões de euros, segundo cálculo inicial do ministro dos Transportes do Brasil.

Uma triste realidade num Estado brasileiro que faz fronteira com a Argentina e o Uruguai, que conta com a imponente Serra Gaúcha, onde está a região vinícola do Vale dos Vinhedos e inclui cidades turísticas de estilo alemão como Gramado e Canela, famosas pelas paisagens naturais. Porto Alegre, a capital, é um grande porto com estruturas clássicas como o Mercado Público e a Catedral Metropolitana, no centro histórico.

Agora, o grande volume de água e as alterações climáticas podem alterar esse percurso e essa história.