
Rúben Cabral
Deputado pelo PSD na ALRAA
A cultura é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade desenvolvida. Não é um luxo nem um capricho. É um direito. É através dela que fortalecemos a identidade, o espírito crítico, a coesão social e o sentido de comunidade. Uma sociedade que investe na cultura investe na sua própria maturidade democrática.
Num concelho como o nosso, a promoção cultural deve ser instrumento de inclusão. A cultura aproxima gerações, cria oportunidades e combate desigualdades. Não pode ser encarada como um produto comercial acessível apenas a quem pode pagar.
Defendo — e afirmei-o em reunião de Câmara — que a cultura deve ser tendencialmente gratuita, sobretudo quando é organizada pela própria autarquia. A Câmara Municipal não é uma empresa. Não deve ter como missão gerar receita através da cultura, mas sim garantir que todos os lagoenses tenham acesso às iniciativas promovidas com o seu dinheiro.
Importa, contudo, ser claro: nada é verdadeiramente gratuito quando é financiado pelos contribuintes. Quando falamos de gratuitidade, falamos de acesso sem pagamento direto no momento de entrada, porque o financiamento já foi assegurado pelos impostos pagos pelos cidadãos. E se o esforço é coletivo, então deve, antes de mais, servir quem cá vive, trabalha e paga impostos: os lagoenses.
A Câmara não foi criada para concorrer com agentes económicos privados. Há famílias que dependem da viabilidade dos seus negócios para colocar comida na mesa, incluindo na área da exibição de filmes. Sempre que o poder público entra num mercado onde existem operadores privados, deve fazê-lo com extrema ponderação.
Não sou contra a exibição de cinema. A cultura cinematográfica é importante. Mas se a Câmara decide promover sessões de cinema, então essas sessões devem manter-se gratuitas. Não faz sentido que a autarquia entre numa área que não é a sua vocação natural e, simultaneamente, passe a cobrar bilhetes como se fosse um operador comercial.
Foi recentemente introduzida a possibilidade de pré-reserva por email para as sessões no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida. Tal como está, esta solução desprotege os lagoenses. Se qualquer pessoa, independentemente do concelho onde reside, pode garantir lugar antecipadamente, os residentes da Lagoa deixam de ter prioridade numa iniciativa financiada pelos seus impostos.
Defendo que deve existir um mecanismo simples e eficaz que assegure prioridade aos residentes do concelho — seja através de um período inicial exclusivo de levantamento de bilhetes para lagoenses ou outro modelo que garanta essa proteção. Não se trata de excluir ninguém. Trata-se de garantir justiça territorial e respeito por quem financia diretamente o orçamento municipal.
Foi por estes motivos que votei contra o regulamento apresentado. A política exige coerência. E continuarei a defender uma cultura acessível, inclusiva e prioritariamente ao serviço dos lagoenses.

A Câmara Municipal da Lagoa oficializou, no edifício dos Paços do Concelho, a Agenda Cultural para 2026. A apresentação foi conduzida pelo presidente da autarquia lagoense, Frederico Sousa, acompanhado pela vereadora Albertina Oliveira, detalhando um plano composto por meia centena de eventos que abrangem áreas como o cinema, música, teatro, literatura e património histórico. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Município às redações, o documento agrega os principais eventos realizados de forma regular no concelho.
Sobre a estratégia para este ano, Frederico Sousa afirmou que a agenda “mantém-se consistente, contando com a parceria e o apoio de diversas instituições e associações lagoenses”. O autarca salientou ainda que o objetivo passa por reforçar a “valorização das tradições, da identidade local e do património”, adaptando a oferta às preferências do público, especialmente no que concerne aos eventos festivos que já integram o calendário local.
No que respeita aos equipamentos culturais, o plano prevê a continuidade da exibição regular de cinema no Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida e a dinamização do Auditório Ferreira da Silva, em Água de Pau. Para este último espaço, estão previstos oito eventos principais, incluindo concertos de Rita Rocha, a 1 de maio, e o espetáculo “Namasté”, com Inês Aires Pereira, a 31 de outubro, além de iniciativas de caráter gratuito em parceria com associações locais e a Sinfonietta de Ponta Delgada.
O calendário de verão inclui a 10.ª edição da Festa Branca do Convento, a 22 de agosto, e a Festa de Santo António, entre 9 e 14 de junho, que retoma o modelo de arraial aberto ao público com as tradicionais marchas e atuações de artistas como Toy e Augusto Canário. O Festival Lagoa Bom Porto e as festas em honra do Divino Espírito Santo, em Água de Pau, mantêm-se na programação. Uma das novidades inseridas para 2026 é o Cabouco AgroFest, agendado para os dias 4, 5 e 6 de setembro, dedicado à promoção do mundo rural e dos produtos locais na freguesia do Cabouco.
A vertente literária e de preservação da memória encerra as prioridades da agenda, com destaque para o lançamento da obra “Memória da Cultura Desportiva da Lagoa”, de Marcelo Borges, e a apresentação da edição completa da “Etnologia dos Açores”, de Francisco Carreiro da Costa, no dia 26 de junho.

Pelo segundo ano consecutivo, a Câmara da Povoação está a promover, no Auditório Municipal, sessões gratuitas de cinema de Natal, destinadas ao público infantil, onde serão oferecidas pipocas às crianças e aos respetivos acompanhantes.
Segundo a autarquia povoacense, a iniciativa tem como finalidade “proporcionar momentos de convívio, alegria, partilha e enriquecimento cultural, assinalando de forma festiva esta época tão significativa, para as crianças do município”.
As sessões estão marcadas para as 19h30 e a primeira acontecerá já este sábado, 13 de dezembro, com o filme “Crónicas de Natal”. A segunda sessão está programada para o dia 20 com a “A Estrela de Belém” e a terceira e última sessão está prevista para o dia 27 dezembro com o filme “Um Natal Mágico”.

A Direção Regional das Comunidades iniciou a terceira edição do Cinema Sem Fronteiras – Mostra Regional de Cinema sobre Migrações, uma iniciativa que decorrerá em todas as escolas com ensino secundário nos Açores até 18 de dezembro. O principal objetivo é sensibilizar a comunidade estudantil para o fenómeno das migrações, promovendo a valorização da diversidade cultural e dos direitos humanos, e incentivando a construção de uma sociedade mais justa e solidária.
A mostra percorre as nove ilhas dos Açores e apresenta um ciclo de quatro filmes que convidam os estudantes à reflexão sobre temas como inclusão, multiculturalidade e os desafios da convivência entre diferentes culturas.
A abertura da iniciativa teve lugar na Escola Secundária Manuel de Arriaga, na ilha do Faial, com a exibição do filme “Flow – À Deriva”, uma animação de Gints Zibalodis. Este filme, sem diálogos, ilustra a cooperação e a solidariedade através da colaboração de um gato e outros animais num barco à deriva.
A programação inclui ainda a exibição de “Migrants”, que acompanha dois ursos polares forçados a abandonar o seu habitat; o documentário “Human Flow”, de Ai Weiwei, que retrata a escala global dos milhões de pessoas deslocadas e dá voz às suas experiências; e “Desert Flower”, de Sherry Hormann, que conta a história real de Waris Dirie, uma defensora dos direitos das mulheres que superou a mutilação genital feminina.
A iniciativa abrangerá escolas em todas as ilhas, de São Miguel ao Corvo. A terceira edição do Cinema Sem Fronteiras encerrará no dia 18 de dezembro, na EBS do Nordeste, em São Miguel.

O Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida vai acolher, no mês de outubro, um conjunto diversificado de exibições cinematográficas, no âmbito da estratégia municipal de dinamização cultural e de valorização deste espaço emblemático da cidade, anunciou a Câmara da Lagoa.
A 5 de outubro, data em que se assinala o dia da Implantação da República, terá lugar a sessão de maior destaque do mês com a estreia, na ilha de São Miguel, do filme «A Mulher Que Morreu de Pé».
O programa inicia-se no sábado, 4 de outubro, pelas 21h00, com a exibição do filme «Downton Abbey: The Grand Finale». No domingo, 5 de outubro, pelas 16h00, será exibido «A Mulher Que Morreu de Pé», da realizadora Rosa Coutinho Cabral. A sessão vai contar com a presença da própria realizadora e alguns atores. O documentário aborda a vida e obra de Natália Correia, figura importante da literatura e da cultura portuguesa, evidenciando a relevância do seu pensamento na atualidade.
A autarquia lagoense, refere que a escolha dessa data reforça a pertinência da ligação entre a celebração da República e a memória de uma autora que sempre se afirmou pela liberdade e pelo inconformismo, coincidindo ainda com o 102.º aniversário do nascimento de Natália Correia, assinalado a 13 de setembro.
A programação prossegue no sábado, dia 25 de outubro, às 21h00, com a exibição de «Batalha Atrás de Batalha» e encerra no domingo, dia 26 de outubro, às 16h00, com a sessão infantil «A Casa de Bonecas da Gabby: O Filme» (versão portuguesa). Importa referir que, excecionalmente, a sessão infantil terá lugar no último domingo do mês, com abertura da bilheteira às 15h00. As sessões previstas para os dias 11 e 18 de outubro não se realizarão, em virtude das festividades em honra de Nossa Senhora do Rosário.
O levantamento de bilhetes poderá ser efetuado a partir de uma hora antes do início de cada sessão, junto da bilheteira do Cineteatro Lagoense, estando a sua disponibilidade condicionada à lotação do espaço.

Alexandre Pascoal
A tecnologia individualizou a nossa relação com a obra cinematográfica, todos temos na palma da mão a possibilidade de assistir, personalizadamente, a uma quantidade infinita de filmes (e séries) nas inúmeras plataformas de streaming que dominam cerca de 60% (televisão generalista, 39,2%; cabo, 40,1%; outros, 20,7%: dados Meios e Publicidade, julho 2025) dos conteúdos que visionamos.
A exibição de cinema já foi uma realidade em todos os concelhos da ilha de São Miguel, e são muitos os que, ainda, recordam as soirées ao sábado, as matinés de domingo e o cinema ao ar livre. Até ao início das emissões regulares da televisão pública na região (50 anos completados a 10 deste mês de Agosto), as notícias chegavam na ida ao cinema, onde eram exibidas (e criteriosamente editadas) as novidades do “mundo português”.
Por estes dias, os filmes estão disponíveis em tempo real e as estreias são globais, e os Açores já não são colocados à margem, sendo que os novos formatos digitais, nomeadamente, o DCP – Digital Cinema Package, possibilitam uma maior fluidez na circulação dos filmes, tornando menos onerosa a sua distribuição, se comparada com as famosas “latas” de 35mm que antes percorriam as muitas salas da(s) ilha(s), com a inerente deterioração da qualidade da película e, consequentemente, da qualidade de imagem.
O cinema em sala é uma experiência social, ou como disse o realizador Alfred Hitchcock: “É a vida sem as partes chatas.” Partilhar uma gargalhada ou emocionarmo-nos numa plateia repleta ao invés da solidão do pequeno ecrã, é uma função social vital associada ao(s) cinema(s), algo impossível de replicar num televisor ou telemóvel (um fenómeno que porventura terá sido mais evidente na pandemia).
Esta pode até ser uma visão romântica, mas há uma tendência global no retorno às salas de cinema um pouco por todo o mundo, quer por intermédio da melhoria tecnológica, no conforto e dos novos conceitos de exibição, na programação especializada e do cinema de autor ou até no regresso ao formato em película. Em Portugal, temos o entusiasmo que tem gerado a reabertura do Batalha Centro de Cinema, no Porto, até como exemplo regenerador da vida na cidade.
Os títulos são fundamentais para os fenómenos de popularidade junto do público. Em anos mais recentes, Barbie e Oppenheimer, estreados em 2023, são disso um bom exemplo, tendo batido recordes no pós-pandemia, após anos catastróficos para indústria e para os cinemas, sobretudo, na distribuição independente.
Vem esta entrada a propósito do regresso à exibição regular de cinema no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida, promovida pelo município, cuja iniciativa e investimento (com recurso a fundos comunitários) possibilitou dotar a cidade e o concelho com um dos mais modernos equipamentos da ilha.
A qualidade técnica não vale por si, mas é um importante contributo para melhor justificar a saída do público do conforto do seu sofá e vir experienciar os filmes e as estreias mais recentes que já não ficam circunscritas a Ponta Delgada, e estão, desde março, ao dispor da população do concelho da Lagoa.
A programação regular de um equipamento cultural é fundamental para fidelizar público, reaprender novas rotinas e hábitos de fruição cultural, tornar normal aquilo que, vezes demais, é encarado como excepcional.
Para além do mais, importa dotar o centro da cidade da Lagoa de equipamentos que consigam atrair a população, seja a residente ou a sazonal (e turística), como forma de dinamização de outras infraestruturas e como catalisadores económicos e geradores de novos empregos, sobretudo, junto das camadas mais jovens da população.
Esta é a prova concreta de como o investimento em cultura constitui uma aposta acertada, tanto na componente social (cultural, económica e educativa) e na sua afirmação como um pólo de modernização e desenvolvimento, numa cidade (e num concelho) em franca expansão populacional e transformação da sua paisagem urbana.
O imaginário associado ao cinema perdura para quem o vivenciou, pelo que importa passá-lo aos mais novos, tal como refere José Castelo Borges (no Diário da Lagoa de Julho de 2021): “Há crianças que não sabem o que é um cinema, não imaginam que ver um cinema não é igual a ver televisão, cinema é sempre cinema”.

O trilho da Janela do Inferno, no lugar dos Remédios, na Lagoa, será palco da exibição de uma sessão de cinema de cariz ambiental no próximo dia 24 de julho, pelas 19h30.
A iniciativa resulta do projeto “TRANS-Lighthouses – More than green: Lighthouses of transformative nature-based solutions for inclusive communities”, da Universidade dos Açores, em parceria e colaboração com a iniciativa “Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela” e com o projeto “Water is Love”.
Com especial enfoque na água, a sessão integra-se também na iniciativa nacional Ciência Viva no Verão em Rede, que leva a Ciência à rua desde 1996.
A organização salienta que a ação pretende “proporcionar uma noite especial a toda a comunidade académica: uma sessão de cinema na Floresta Encantada.”
O ponto de encontro acontece na Casa da Água, no Lugar dos Remédios, na freguesia de Santa Cruz da Lagoa.
O projeto refere, ainda, em nota enviada ao nosso jornal, que será “uma experiência imersiva, onde natureza e cultura se encontram sob as estrelas, aproximando a ciência do público através da arte, do cinema e da vivência dos espaços naturais, promovendo o debate ambiental e a valorização do território açoriano”.
As vagas são limitadas e a inscrição pode ser realizada através do site da Expolab – Centro de Ciência Viva, do e-mail geral@expolab.pt ou através do telefone 296 960 520.

No início da tarde, em dia de semana, a Rua Pedro Homem, em Ponta Delgada, enche-se de movimento e histórias. Um pequeno ateliê de arte, de porta aberta, chama a atenção de quem por ali passa. A Traça é um espaço repleto de telas e pincéis.
Neste microcosmos criativo, Mário Roberto, que dá as boas vindas a quem mostra interesse em entrar, movimenta-se com naturalidade, como se a arte fosse uma extensão de si mesmo. Para ele, criar não é apenas um ofício, mas uma necessidade, uma forma de se expressar e encontrar prazer na vida. Quisemos conhecer a sua história.
Desde cedo, Mário Roberto, 63 anos, natural de Vila Franca do Campo, demonstrou aptidão e criatividade para a escrita. Aos 12 anos, começou a publicar textos em jornais locais. A sua paixão pela literatura foi incentivada pelo pai, professor, que sempre lhe ofereceu livros e o incentivou a explorar o universo das palavras. Os seus primeiros contos, apesar da sua pouca idade, chamavam a atenção pelo conteúdo por vezes provocador. Lembra-se com humor de quando um de seus textos foi considerado “atrevido demais” para um jornal religioso, o que não o desmotivou, mas sim o desafiou a continuar a escrever.
A escrita acompanhou-o ao longo da vida. Nos anos 80, Mário aprofundou-se na ilustração e começou a colaborar com suplementos literários, criando desenhos para matérias e contos. O seu talento para o desenho levou-o a experimentar diferentes técnicas, incluindo tinta da china e aguarela. Foi um caminho natural até à pintura, com exposições que lhe renderam reconhecimento no meio artístico.
O teatro também entrou na sua vida como uma extensão do desejo de contar histórias. Desde pequeno, esteve envolvido em encenações religiosas e na adolescência começou a participar ativamente em grupos teatrais. Durante o período escolar, juntou-se a um grupo ligado à sua escola e aprofundou a sua relação com as artes cénicas. Atuou em diversas peças e experimentou a direção, sempre à procura de novas formas de expressão.
O cinema também exerceu um grande fascínio sobre Mário Roberto. Inicialmente, a sua relação com a sétima arte era a de um espectador apaixonado, mas, com o tempo, passou a experimentar a criação de vídeos e filmes independentes. O seu trabalho como cineasta, embora menos conhecido do que as suas outras facetas artísticas, reflete a sua constante inquietação e vontade de explorar novas linguagens.
Questionado se o seu percurso fosse um roteiro de um filme, qual seria o seu enredo, Mário Roberto expõe: ” uma história de um gajo irrequieto”, que procura prazer naquilo que faz.
Mário Roberto trabalhou também na área do jornalismo, durante 14 anos. No entanto, o ritmo acelerado da profissão começou a pesar e a ausência de satisfação pessoal levou-o a repensar o seu trajeto.
“Quando percebi que já não sentia prazer no que fazia, vi que era hora de sair”, diz ele. Essa decisão não foi fácil, mas abriu caminho a novos desafios e a uma reaproximação com as artes plásticas.
Agora em papéis invertidos, perguntamos ao artista qual a pergunta que faria a si próprio? Mário Roberto refere os planos para o futuro, respondendo a si próprio: “o meu plano para o futuro é envelhecer o melhor possível, com qualidade”.
Com o desejo de empreender na área cultural, uniu-se a Catarina e João Pacheco Melo para fundar o Rotas, um espaço que nasceu como casa de chá, mas evoluiu para restaurante e centro cultural. Durante anos, o Rotas foi palco de exposições, apresentações musicais e eventos culturais. No entanto, a parceria acabou por chegar ao fim e Mário seguiu outro rumo.
Foi então que decidiu levar a sua arte diretamente ao público. Armado com papel e tinta, passou a desenhar caricaturas para turistas nas ruas da cidade. A experiência, apesar de desafiadora financeiramente, trouxe-lhe uma nova perspectiva sobre a relação entre arte e sustento. “A arte é complicada, devia ser mais apoiada”, reflete. Ainda assim, ele manteve-se fiel ao princípio de só fazer aquilo que lhe dava prazer.
Em 2015, juntou-se a Vítor Marques para criar a Miolo, um espaço de arte que se transformaria, anos depois, na Traça – studio gallery. O nome escolhido reflete bem a sua filosofia: traçar planos, desenhar ideias e seguir caminhos próprios. Na Traça, ele encontrou um refúgio para produzir e comercializar as suas obras, além de promover eventos e colaborações com outros artistas.
A Traça tornou-se um ponto de encontro para amantes da arte, oferecendo desde pinturas e ilustrações até produtos personalizados. O espaço reflete a diversidade de interesses de Mário Roberto e sua insistência em transformar a paixão em modo de vida.
Hoje, Mário Roberto segue a sua rotina artística na Traça, sempre explorando novas possibilidades. Seja a pintar, escrever, atuar ou a filmar, o seu percurso reflete um compromisso com a autenticidade. Ele não se prende a rótulos nem procura reconhecimento acima da satisfação pessoal.
“Se eu gosto, se me interesso com alguma coisa, vou fazer”, afirma. Essa filosofia guiou a sua vida e permitiu que encontrasse felicidade no ato de criar, independentemente dos desafios financeiros. Para Mário Roberto, a arte nunca foi apenas um ofício, mas um modo de existir.
Questionado sobre que projetos ainda pretende concretizar, Mário Roberto responde: “queria fazer mais uns filmezinhos”.
O seu trajeto é um lembrete de que a arte, quando vivida com paixão e coragem, transcende barreiras e torna-se um estilo de vida autêntico e livre. Por isso mesmo, questionado sobre que conselho daria ao seu “eu” jovem, o artista afirma: “olha, Mário Roberto, faz o mesmo que fizeste até agora”.

É já no próximo dia 8 de março, que arranca na Lagoa um ciclo de cinema, com filmes nomeados para os Óscares de 2025, com entrada gratuita, no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida.
Segundo nota de imprensa enviada ao nosso jornal pela autarquia lagoense, a estreia será no próximo sábado, pelas 21h00, com o filme «Gladiador II». Trata-se de um filme de ação e aventura, para maiores de 18 anos, realizado na sequência do Gladiador (2000), dirigido por Ridley Scott, com um elenco que incluí atores como Paul Mescal e Denzel Washington. Conta a história de Lúcio, o antigo herdeiro do Império Romano, que se torna um gladiador após a sua casa ter sido invadida pelo exército romano, liderado pelo general Marco Acácio.
No domingo, dia 9 de março, pelas 15h00, o cinema da Lagoa apresentará o filme de animação infantil, agraciado com um Óscar, «Flow – à Deriva». Dirigido por Gints Zibalodis, conta a história de um mundo que parece ter acabado, coberto apenas por vestígios da presença humana, mas sem nenhum humano por perto. No dia 2 de março, «Flow» venceu o Óscar de melhor filme de animação.
No dia 15 de março, pelas 21h00, será exibido o filme, também vencedor de um Óscar de melhor filme internacional, «Ainda estou aqui», de Walter Salles, com um elenco composto por Fernanda torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro. Baseado numa história verídica, retrata a autobiografia de Marcelo Rubens Paiva, com foco na vida da sua mãe, Eunice Paiva, uma advogada que acabou se tornando ativista política.
No sábado seguinte, 22 de março, a sala de cinema do cineteatro lagoense exibirá o filme «A Complete Unkonwn». Protagonizado pelo ator Timothée Chalamet, no papel de Bob Dylan, o filme de James Mangold, conta a história verídica e eletrizante por detrás da ascensão de um dos mais icónicos cantautores de sempre.
No dia 29, o ciclo de cinema do mês de março encerra com o filme «Conclave», um triller com suspense e mistério, protagonizado por Ralph Fiennes, Stanley Tucci, John Lithgow, Sergio Castellitto e Isabellla Rossellini. No filme, o cardeal Thomas Lawrence organiza um conclave para eleger o próximo papa e vê-se investigando segredos e escândalos sobre vários candidatos. «Conclave» foi nomeado para os Óscares de 2025 nas categorias de melhor filme e melhor ator.
Este ciclo de cinema contará com sessões todos os sábados, pelas 21h00, e, no primeiro domingo do mês, pelas 15h00, com um filme infantil. Esta é uma iniciativa da Câmara Municipal de Lagoa com o objetivo de dinamizar o cineteatro lagoense Francisco d’Amaral e proporcionar uma oferta cultural diversificada à população lagoense.

A décima primeira edição do Montanha Pico Festival continua até ao dia 30 de janeiro, às terças-feiras no Auditório do Museu dos Baleeiros e às quintas-feiras no Auditório Municipal das Lajes do Pico, segundo nota enviada pela organização, MiratecArts.
A próxima sessão em língua portuguesa acontece esta quinta, 9 de janeiro. Obras de Bruno Ferreira, Paulo Fajardo, Rafael Duarte, Karina Oliani, Juliette Menthonnex, Leila Sobral e o primeiro filme de Rafael Fonseca chegam ao ecrã municipal das Lajes do Pico às 21hhh.
Num pequeno monte à saída da Vila do Gerês, chamado Penedo da Freira, existe uma lápide que aparenta sinalizar um local de paixão entre uma freira portuguesa e um soldado castelhano nos finais do século XVIII. A lenda descrita nessa pedra torna-se o foco de obsessão de um jovem encenador que nela irá fazer mergulhar um casal de actores, explica a mesma nota.
Natural de Faro, Rafael Fonseca é licenciado pela Universidade Nova de Lisboa. Estagiou na Cinemateca Portuguesa e trabalhou em vários projetos de televisão, teatro e cinema.
“Quorum” é o primeiro filme de Rafael Fonseca e estreia no Montanha Pico Festival com o realizador presente.