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Lagoa apresenta obra completa “Etnologia dos Açores” em homenagem a Carreiro da Costa

Iniciativa da autarquia local decorre a 26 de junho no Cineteatro Lagoense e reúne, em seis volumes, o vasto legado documental e cerca de 1400 palestras radiofónicas do prestigiado historiador e etnólogo lagoense

© CM LAGOA

A Câmara Municipal da Lagoa promove, no próximo dia 26 de junho, pelas 20h30, no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida, a apresentação pública da obra completa Etnologia dos Açores, da autoria do historiador e etnólogo lagoense Francisco Carreiro da Costa. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense à nossa redação, esta iniciativa assinala um momento de particular relevância para a preservação e valorização do património cultural açoriano, reunindo num conjunto editorial abrangente o vasto legado documental de uma das mais destacadas figuras da cultura açoriana do século XX.

O conjunto editorial integra a reedição dos dois primeiros volumes publicados originalmente pela Câmara Municipal da Lagoa, a que se junta a edição de mais quatro volumes inéditos. Estes novos tomos reúnem cerca de 1400 palestras radiofónicas transmitidas na antiga Emissora Regional dos Açores, onde o autor retratou com detalhe as tradições, os costumes, a etnografia e as vivências do povo açoriano, utilizando a rádio como veículo privilegiado de divulgação e valorização da identidade insular.

Natural da freguesia de Nossa Senhora do Rosário, no concelho da Lagoa, Francisco Carreiro da Costa distinguiu-se por um percurso académico, científico, cultural e político ímpar, desempenhando funções de relevo em diversas instituições regionais. Investigador, professor, autarca, jornalista e homem da cultura, o patrono dedicou grande parte da vida ao estudo da história, da sociedade e da cultura dos Açores, deixando uma obra que se mantém como referência obrigatória para o conhecimento da identidade açoriana.

A presente publicação beneficia da parceria direta com a Universidade dos Açores, instituição que assume a guarda do Arquivo de Francisco Carreiro da Costa, contando ainda com a colaboração de diversas entidades públicas, privadas e associativas que contribuíram para o enriquecimento da edição mediante a cedência de documentação e imagens da época.

A arte de refazer o caos

© DIREITOS RESERVADOS

Antes de começar a ler este artigo, segue uma breve e clara justificação e honesta declaração de interesses: tive a sorte de conhecer a Catarina Melo, a artista, há muitos anos; os nossos caminhos, muito por acaso, cruzaram-se e desencontraram-se depois.

Por mero golpe de sorte, já com outra maturidade e noutro tempo, redescobri, nestes dias, a “velha amiga” Catarina na sua arte exposta nas redes sociais, que apreciei como sendo genuinamente diferente de tudo aquilo a que estamos, nestas terras marginalizadas e ocas de significado, de substância, habituados.

Vejo nesta jovem artista uma pessoa, na sua serenidade, capaz de se superar sem nunca menosprezar o que pode vir a ser ainda; e, por isso, mais inclinada à superação de si mesma do que à dos outros, necessariamente. A corrida mais importante é aquela que fazemos contra nós próprios e, nem por acaso, vejo a brilhante pessoa que conheci (ainda) na sua arte e na sua juventude – com a sua natureza (a sua, a nossa, a que está à nossa volta) espelhada num imaginário poético-visual, mais poético do que métrico, mais visual do que poético, mas genuíno do que inventado, de diferentes cores, formas, relevos e texturas – apontando-nos ao essencial, como ao coração de cada um de nós também, e dizendo-nos claramente que nada ainda está perdido.

Num mundo sufocado pela pressa angustiante, pelo combate feroz de egos, pela disputa de ambições e pelo domínio da razão sobre a emoção, a Catarina Melo faz totalmente diferente de todos os outros, porque reinventa a velha esperança caducada dos dias e permanece imóvel; reinventa, assim, o caos de tudo, de todos nós cantando uma canção nova, pura, e, nela, parece que tudo (nos) pára para (nos) observar, atentamente, dizendo-nos, todavia, só o essencial de cada um de nós.

Ela pinta com o que sente, mais do que com pincéis, redescobrindo as coisas sobre elas próprias, e sobre o que está à sua volta, monitorizando lentamente cada batimento adoçado, cada soluço de cor ferida, cada silêncio amargurado e cauteloso, cirúrgico, da (nossa) natureza. Mede, com precisão astuta, as cores e as formas das (nossas) cores e as cores das (nossas) formas, deixando-se levemente levar por si mesma e pelo que vê – pelo que sente “no” que vê, inclusive.

Essa arte de refazer o caos é diferente de tudo aquilo que, no materialismo do realismo de hoje, é feito e divulgado nos Açores; e, nessa diferença, refazer o caos não é disputar seja contra o que for e reclamar, com imensa vaidade, nessa demanda, uma vitória qualquer sobre quem seja; mas trata-se, sobretudo, sim, de algo destinado a cruzar-se com o pior lado das coisas (com o nosso pior lado), combatendo-o, reiventando-o, dando-lhe um ressignificado primário que está destinado a sofrer, mas a sofrer muito com as circunstâncias.

Tudo o que podemos – e devemos – fazer é enaltecer, valorizar e partilhar estas tentativas corajosas, absolutamente verdadeiras, de refazer, de reorganizar, de recontar os números caóticos da (nossa) Natureza. E a Catarina refaz o que vê, e o que sente, pela forma única como vê e como sente “as coisas” – a pintora em causa não passa pelas coisas na frieza, na pressa e na indiferença do quotidiano; ela, invariavelmente, fica e permanece indelével, astuta, nelas, como um rasto de cor viva que jamais amargura e desfalece; como um sangue jorrado que não coagula; como uma ferida deixada aberta para toda a eternidade.

Essa arte visível – que é, entenda-se, mesmo arte – não é uma arte qualquer e uma tentativa menor de se mudar o mundo; não se vende nem se compra (só, então), mas olha-se, vê-se, repara-se, enaltece-se, valoriza-se – e, no fim de contas, também nos salva.

Arquipélago acolhe workshop dedicado às despensas de Rabo de Peixe

© RUBÉN MONFORT

O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas promove, no próximo dia 20, às 15h00, o workshop “Despensas de Rabo de Peixe”. A iniciativa decorrerá no pátio exterior do Centro de Artes e pretende dar a conhecer e ensinar os passos destes bailes tradicionais e seculares, típicos da vila de Rabo de Peixe.

Com a participação especial da despensa António Silva e Os Companheiros, o público terá a oportunidade de contactar diretamente com esta expressão cultural singular, explorando a história, as músicas, as cantigas e os movimentos que caracterizam este património cultural imaterial açoriano, único em Portugal.

O workshop tem a duração de uma hora e meia e é aberto a todos os interessados, não sendo necessários conhecimentos prévios de dança. Esta atividade está inserida no projeto “Despensas – A tradição de Rabo de Peixe”, do artista Rubén Monfort.

As inscrições são gratuitas, limitadas a um número máximo de vinte participantes, e devem ser efetuadas através do e-mail geral do Arquipélago (arquipelagocentrodeartes@azores.gov.pt).

Porto dos Carneiros acolhe mais uma edição do Festival Lagoa Bom Porto com três dias de festa e tradição marítima

Integrado nas celebrações em honra de São Pedro Gonçalves Telmo, o festival promete três dias de convívio comunitário, aliando concertos, gastronomia e tradições piscatórias

© CM LAGOA

A frente marítima do Porto dos Carneiros volta a receber, a partir desta sexta-feira, mais uma edição do Festival Lagoa Bom Porto, uma iniciativa que integra as celebrações em honra de São Pedro Gonçalves Telmo e que promete animar o concelho durante três dias consecutivos. Segundo a nota de imprensa enviada à nossa redação pela Câmara Municipal da Lagoa, promotora do evento, residentes e visitantes poderão desfrutar, entre os dias 19 e 21 de junho, de um programa diversificado que reúne concertos, tradições marítimas, gastronomia e atividades para crianças, num cenário único junto ao mar que espelha a identidade da nossa terra.

A abertura oficial do festival acontece já esta sexta-feira, dia 19 de junho, com a música ao vivo a fazer-se ouvir a partir das 21h00, a cargo de Nuno Martins e as suas Bailarinas. O primeiro grande momento do certame está reservado para as 22h00, hora a que sobe ao palco o espetáculo “Para Sempre Marco”, prometendo trazer muita nostalgia e animação ao início do fim de semana.

O sábado, dia 20 de junho, será inteiramente dedicado a públicos de todas as idades, com especial enfoque nas famílias lagoenses. A partir das 15h00, os mais novos terão uma tarde infantil preenchida com pula-pulas, pinturas faciais e karts. Paralelamente, entre as 15h00 e as 18h00, realizam-se passeios de barco gratuitos entre o Porto dos Carneiros e o Porto da Caloura. A componente cultural ganha destaque ao final da tarde, com o desfile da charanga dos escuteiros do concelho, pelas 18h00, seguindo-se, às 19h00, uma mostra gastronómica com a participação da comitiva de Lagoa – Algarve, que será acompanhada pela atuação do Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz. A noite encerra com os espetáculos do Grupo de Acordeões de Pedro Estrela, a partir das 19h30, da cantora Raquel Dutra e do conhecido grupo popular 7 Saias.

O domingo, dia 21 de junho, fica marcado pela forte ligação à identidade piscatória do concelho, associando-se às celebrações religiosas em honra do padroeiro dos pescadores. O programa solene arranca às 12h00 com a missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, seguindo-se a tradicional procissão em honra de São Pedro Gonçalves Telmo. Após os momentos de devoção, a população é convidada a participar num convívio aberto à comunidade, onde não faltará o churrasco e o tradicional caldo de peixe, com a animação a cargo da Dispensa Os Companheiros – Grupo de Castanholas de Rabo de Peixe. Durante a tarde, entre as 15h00 e as 18h00, haverá nova sessão de atividades infantis, que se cruza com a prata da casa: a atuação do Grupo Cultural e Recreativo Domingos Rebelo, às 16h30, e o momento de dança com o Grupo Som do Vento. O encerramento desta edição do Festival Lagoa Bom Porto ficará por conta do Grupo Doce Sinfonia, a partir das 20h30, e da Banda Engle, que sobe ao palco pelas 21h30. O evento conta ainda com a parceria da Associação de Pescadores de Lagoa Bom Porto e da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário.

Ribeira Grande avança com novo plano de apoio para blindar setor cultural

Autarquia está a reformular o programa municipal para compensar as alterações do executivo açoriano e garantir a sustentabilidade financeira das associações e coletivos locais

© CM RIBEIRA GRANDE

A Câmara Municipal da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, está a reformular integralmente o seu Plano Municipal de Apoio aos Agentes Culturais, uma medida estratégica que surge com o objetivo direto de dar resposta e compensar as necessidades adicionais criadas pela recente reestruturação do regime de apoio às atividades culturais promovida pelo Governo regional dos Açores.

Conforme avançado pelo executivo camarário em nota de imprensa enviada à nossa redação, este instrumento visa reforçar a sustentabilidade financeira, organizativa e de gestão das associações, coletivos e criadores locais, garantindo que a dinâmica cultural do concelho não seja comprometida.

O novo regulamento pretende instituir uma visão de forte proximidade e cooperação, estabelecendo critérios que confiram maior estabilidade e previsibilidade aos planos de atividades das estruturas do tecido cultural concelhio.

De acordo com o documento partilhado pela autarquia, a autarquia reafirma deste modo o seu compromisso com o setor, encarando a cultura como um pilar essencial para o desenvolvimento humano, social e territorial, bem como um elemento crucial para a preservação da identidade, para o estímulo da participação cívica e para o reforço da coesão social em toda a ilha de São Miguel.

Carolina Soares lança dois novos livros no Nordeste

Autora publicou um conto infantil e um para adultos, em co-autoria. Autarquia sublinha a importância da cultura enquanto pilar de evolução de uma sociedade

O vice-presidente da câmara municipal do Nordeste, Marco Mourão, apresentou os livros da autoria de Carolina Soares © SARA SOUSA OLIVEIRA

É técnica de radiologia no Centro de Saúde de Nordeste mas o gosto pela escrita está-lhe bem marcado no ADN. Carolina Soares, que assina as suas obras como Carolina D´Íris, lançou os livros “O Coelho que saltava sem parar” e “A ausência do desconhecido”, em co-autoria com Rui Cabral, no passado dia 8 de maio na Biblioteca Municipal de Nordeste, na ilha de São Miguel.

Ao Diário da Lagoa disse que o gosto pela escrita vem do lado materno: “a minha mãe incentiva-me a ler livros. Na altura eu sentia mais que era por obrigação. Depois fui sentindo-me mais a apreciar a parte da leitura”, diz.

Já publicou, no total, oito livros. “Ao longo dos anos vai-se evoluindo”, diz sobre a sua forma de escrita. “Eu optei por publicar estes dois últimos sem revisão bibliográfica da literatura. E o primeiro também foi sem revisão. Os outros foram sempre com revisão mesmo de uma pessoa particular que tem o curso mas não não está certificada. Nestes últimos, eu decidi que leria mais vezes e tentaria ao máximo que não tivesse qualquer erro”, diz a autora.

A sessão de apresentação dos dois livros contou com uma sala cheia de amigos e conhecidos da autora e também com a presença do vice-presidente da câmara municipal do Nordeste. No seu discurso, Marco Mourão elogiou a autoria: “a Carolina tem esta vantagem de escrever para todos os públicos, desde os mais pequenos até os mais adultos, para a adolescência, que também tem os temas da Carolina é multifacetada enquanto escritora”. O autarca sublinhou que “para nós, no município, é sempre um privilégio ir a lançamento de livros, porque entendemos que a cultura faz parte da evolução de qualquer sociedade e uma sociedade sem cultura é uma sociedade amorfa. Portanto, é com muita alegria que vemos a Carolina lançar mais um livro. Este espaço é fantástico que vai para o seu terceiro ano e já por aqui passaram muitos escritores e já se lançaram aqui, muitas obras”.

Os dois novos livros de Carolina Soares são edições de autor que podem ser adquiridos junto da própria.

Vila Franca do Campo assinala feriado municipal com sessão solene nos Paços do Concelho

Cerimónia integrada nas festividades de São João da Vila 2026 vai homenagear cidadãos e instituições locais, contando com a participação das duas filarmónicas do concelho

© NOTICIAS QUE CONTAM

O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Vila Franca do Campo acolhe, no próximo dia 12 de junho, pelas 19h30, a Sessão Solene comemorativa do Feriado Municipal. O evento integra o programa oficial das festividades de São João da Vila 2026, constituindo um dos momentos dedicados à celebração da história e da identidade cultural do concelho.

De acordo com a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal de Vila Franca do Campo à redação, o ato solene tem como objetivo prestar uma homenagem pública a personalidades e instituições que se destacaram pelo contributo para o desenvolvimento socioeconómico e prestígio do município.

Segundo a ata da Reunião Ordinária da autarquia, datada de 3 de junho, o executivo camarário aprovou por unanimidade a proposta de deliberação para a atribuição da Medalha de Mérito Municipal. Os cidadãos distinguidos nesta sessão serão Manuel Peixoto, Elias Raposo Sardinha, Simplício Gago da Câmara, Odete Braga e Eduardo Jorge Furtado Santos.

A nível institucional e no âmbito da valorização do património gastronómico local, a autarquia deliberou também atribuir a mesma distinção às Queijadas de Vila Franca do Campo, estando a homenagem representada através da Família Morgado e da Família Câmara.

A organização sublinha que a cerimónia visa reforçar os laços comunitários e reconhecer o papel de cidadãos e entidades no progresso local.

A nível musical, o programa da Sessão Solene contará com a participação das duas bandas filarmónicas do concelho, nomeadamente, a Filarmónica Marcial União Progressista e a Filarmónica Lealdade, estando previstas intervenções dedicadas à evocação histórica e à salvaguarda do património material e imaterial do município.

Através do comunicado enviado, o executivo municipal deixa um convite à população para assistir à cerimónia oficial, promovendo um espaço de encontro e de afirmação da identidade de Vila Franca do Campo.

Escola de Música de Rabo de Peixe perde apoio da Cultura

© EMRP

A direção da Associação Musical Esmúsica.RP, que gere a Escola de Música de Rabo de Peixe, informou que “pela primeira vez” em vinte e cinco anos não lhe será atribuída qual apoio financeiro por parte da Direção Regional da Cultura no âmbito do regime jurídico de apoio às atividades culturais.

“Esta decisão representa um duro revés para a nossa associação e para todos aqueles que, ao longo dos anos, têm encontrado na música uma oportunidade de crescimento pessoal, inclusão social e transformação de vidas”, pode ler-se no comunicado tornado público pela associação.

Mais acrescenta que “a não atribuição deste apoio coloca a associação numa situação muito difícil e sensível na execução daquele que é o pilar da nossa atuação: a disponibilização gratuita de oficinas de instrumento destinadas a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade económica, social ou familiar”.

Para além disso “compromete também outras atividades desenvolvidas, como o combo ou as rodas de música, privando-os do acesso a experiências artísticas e culturais que promovem o desenvolvimento cognitivo, social e humanista, através de linguagens de expressão individual e coletiva acessíveis a todos, independentemente da sua condição social”.

Face à ausência de apoios para o ano de 2026, a associação assume dificuldades para o futuro. “Vemos seriamente limitada a continuidade da intervenção social que temos desenvolvido tendo a música e a cultura como farol orientador. Ao longo de 25 anos, procuramos afirmar-nos como um agente ativo de inclusão, acreditando que a arte tem a capacidade de aproximar pessoas, combater desigualdades e criar oportunidades onde muitas vezes apenas existem dificuldades. Essa missão torna-se agora ainda mais difícil de prosseguir”.

Fica assim em causa a celebração do 25.º aniversário da Escola de Música de Rabo de Peixe. “O ano de 2026 adivinhava-se como um ano de celebração. Ao longo deste quarto de século, formamos músicos, despertamos vocações, promovemos o acesso à cultura e à educação artística, mas, acima de tudo, contribuímos para transformar positivamente a vida de centenas de crianças, jovens e famílias que encontraram neste projeto um espaço de pertença, crescimento, empatia e esperança”.

O futuro também não promete ser risonho, mas os responsáveis não atiram a toalha ao chão. “Apesar deste momento difícil, a atual direção não abdica de sonhar com a continuidade deste projeto. Não desistiremos de procurar caminhos que permitam manter viva uma missão que ultrapassa em muito o ensino da música”.

Criatividade e inovação na infância em debate no Cineteatro Francisco D’Amaral Almeida

Seminário “Abordagens Criativas em Contextos Educativos” junta especialistas a 5 de junho na Lagoa. Integrada na IV Edição da Semana da Criança, a iniciativa municipal foca-se na partilha de práticas pedagógicas ligadas às artes, à música e à ciência

© CM LAGOA

O Cineteatro lagoense Francisco D’Amaral Almeida, na cidade da Lagoa, ilha de São Miguel, vai ser o palco, no próximo dia 5 de junho, do seminário “Abordagens Criativas em Contextos Educativos”. A iniciativa é promovida pela Câmara Municipal da Lagoa, através da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, e surge integrada na IV Edição da Semana da Criança.

Segundo a nota de imprensa enviada pela autarquia, o evento pretende reunir profissionais das áreas da educação, cultura e intervenção social. O objetivo principal é proporcionar um espaço de debate e partilha de práticas inovadoras ligadas ao desenvolvimento infantil, à criatividade e ao papel das artes na escola.

O programa arranca às 08h45 com a abertura do secretariado, seguindo-se a sessão oficial de abertura às 09h30. O momento de destaque inicial (keynote) será conduzido por Bruno Batista, ator e contador de histórias, sob o tema “A arte de contar histórias: técnicas de narração e de animação da leitura”, com apresentação da educadora e cantautora Alda Casqueira Fernandes.

Durante a manhã, os trabalhos dividem-se em três painéis temáticos. O primeiro, “Teatro e Fantoches como ferramentas educativas”, será apresentado por Marina Franco (EBI de Água de Pau), com a participação de Katarina Rodrigues e Fátima Sousa. Segue-se o painel “Corpo, som e criatividade”, moderado por Bruna Medeiros (Creche Bem-me-quer), com Raquel Faria, Maria João Gouveia e Margarida Andrade.

O terceiro e último painel, intitulado “Ciência, Descoberta e Espanto”, terá a apresentação da psicóloga Beatriz Lopes (Centro Social e Cultural da Atalhada), contando com os contributos de Carolina Arruda (NIITE) e da cientista e investigadora Violante Medeiros. Em debate estarão áreas que vão desde as artes plásticas à exploração sensorial e promoção da curiosidade.

O seminário é direcionado a profissionais de CATL, psicólogos, animadores, professores, educadores, auxiliares e todos os interessados no desenvolvimento infantil. Com este encontro, o município da Lagoa reforça a sua aposta em atividades que promovem a inclusão e a valorização de novas práticas pedagógicas na comunidade.

As inscrições são gratuitas mas obrigatórias, decorrendo até ao dia 2 de junho, pelas 16h00. Os interessados podem submeter a sua participação através do e-mail biblioteca@lagoa-acores.pt ou utilizando o QR Code disponível no cartaz oficial, já publicado no portal e nas redes sociais da autarquia lagoense.

Professor da Universidade dos Açores defende: “imigração deve ser vista como mais-valia social, cultural e económica” para os Açores

Especialista, Paulo Fontes, defende visão integrada da imigração e alerta para a necessidade de valorizar as qualificações de quem escolhe os Açores

© AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS

Paulo Fontes, professor da Universidade dos Açores, destacou a necessidade de repensar o papel das migrações nas políticas públicas regionais, defendendo uma abordagem mais abrangente e integrada. Declarações dadas à margem do 4.º Fórum das Migrações, uma iniciativa promovida pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades do governo dos Açores nas ilhas do Corvo e das Flores, entre os dias 8 e 10 de abril, reunindo especialistas, académicos, instituições, associações, autoridades, membros da sociedade civil e imigrantes residentes no arquipélago para “debater os desafios e oportunidades das migrações nos territórios ultraperiféricos”.

Ao longo da nossa conversa, o docente alertou para a visão redutora que muitas vezes é atribuída aos imigrantes, afirmando que não se deve “olhar só para os imigrantes como alguém que vem colmatar uma falta de mão de obra, porque isso é sinal que a economia não funciona bem”.

Segundo este especialista, essa realidade revela fragilidades estruturais, uma vez que “não valoriza certas profissões e não paga bem certas profissões, por isso é que até os locais não as querem exercer”.

Apesar disso, reconhece que, numa fase inicial, os imigrantes podem responder a necessidades concretas do mercado de trabalho. No entanto, defende que o verdadeiro desafio está em ir além dessa lógica.

“A ideia é, sim, os imigrantes chegarem numa primeira fase para colmatar essas necessidades, mas nós devemos valorizar esses imigrantes, porque vamos todos enriquecer com eles”, referiu.

Na sua opinião, essa valorização passa pelo reconhecimento efetivo das competências e experiências trazidas por quem chega.

“Valorizar as suas qualificações, reconhecê-las em Portugal, valorizar as suas experiências e aquela inovação que eles podem trazer para valorizar a nossa economia e a nossa sociedade”, afirmou.

Neste sentido, Paulo Fontes reforça que não devemos “ver só os imigrantes como um recurso económico, que vem pontualmente colmatar certas falhas pontuais da economia”, mas sim como “alguém que social, culturalmente e economicamente vem ser uma mais-valia”.

Questionado sobre a realidade açoriana, o professor considera que a região já demonstra sinais positivos, embora haja margem para evoluir.

“Penso que valorizam, mas poderão valorizar mais, a nossa reflexão vai nesse sentido”, sublinhou, destacando ainda o anúncio recente de uma estratégia regional para a integração dos imigrantes como um passo relevante.

O académico enquadra esta abertura à imigração na própria história dos Açores, lembrando que o território tem raízes profundamente marcadas pela mobilidade humana.

“Nós emigramos, saímos daqui durante pelo menos uns quatro séculos”, disse, acrescentando que “o povoamento destas ilhas é fruto também de imigrantes que vieram”, uma vez que “os Açores nasceram do encontro de quatro culturas, entre flamengos, portugueses, espanhóis e franceses”.

Essa herança histórica, associada a períodos de dificuldades económicas e sociais, levou a uma forte diáspora.

“Fomos marcados por situações difíceis, pobreza, dificuldades de vida e saímos em massa dos Açores”, salientou. Hoje, porém, o cenário inverteu-se: com o desenvolvimento alcançado sobretudo após o 25 de Abril e a autonomia política regional, os Açores conseguiram “evoluir, desenvolver a região e hoje somos uma terra próspera, desenvolvida e atraímos imigrantes de outras paragens”.

Paulo Fontes concluiu dizendo que “os Açores hoje recebem mais pessoas do que mandam para fora”, o que considera “positivo”.

“É um sinal de que nós estamos mais evoluídos e que essas pessoas podem vir ajudar a evoluir ainda mais a região”, finalizou.