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CATL de Santa Cruz vence 30.ª edição do Concurso de Maios na Lagoa

A iniciativa, que reuniu 16 participantes entre instituições e individuais, celebrou três décadas de promoção da criatividade popular e das tradições locais, com o primeiro prémio a ser entregue ao Centro Social e Cultural da Atalhada

© CM LAGOA

A tradição voltou a sair à rua no concelho da Lagoa com a celebração da 30.ª edição do Concurso de Maios, cujos resultados foram oficialmente divulgados. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Lagoa, a edição deste ano registou uma forte adesão da comunidade, contando com a participação de 16 “maios” que representaram o tecido associativo, institucional e o brio individual dos lagoenses. O grande vencedor da edição de 2026 foi o CATL de Santa Cruz – Centro Social e Cultural da Atalhada, que conquistou o júri e o público, garantindo o 1.º lugar e um prémio monetário de 300 euros.

A classificação final do certame resultou de um modelo de votação misto, combinando a avaliação técnica de um júri convidado com o escrutínio popular realizado através da rede social Facebook, incentivando a interação digital com os costumes ancestrais. No pódio, seguiram-se Graça Domingues, que alcançou o 2.º lugar (250 euros), e a Família Andrade, que garantiu a 3.ª posição (200 euros). O top 5 ficou completo com Marcelo Borges, no 4.º posto, e o CATL O Borbas – Rosário, em 5.º lugar.

A lista de participantes refletiu a diversidade geográfica e social do concelho, incluindo desde a Creche Bem Me Quer e a Escola Secundária da Lagoa até agrupamentos de escoteiros e centros sociais de Água de Pau e do Cabouco. Em comunicado, a autarquia lagoense fez questão de enaltecer o esforço coletivo para a manutenção desta herança cultural, sublinhando “o empenho, a criatividade e a dedicação de todos os participantes, que contribuíram para manter viva esta tradição popular profundamente enraizada na cultura local, valorizando o espírito comunitário e a preservação das tradições associadas à celebração dos Maios”.

Com três décadas de história, o Concurso de Maios consolida-se no calendário cultural da Lagoa como um evento que cruza gerações. Para o município, a iniciativa continua a afirmar-se como uma “referência cultural e participativa”, cumprindo o papel de mobilizar a identidade popular em torno da construção destas figuras emblemáticas que marcam o início da primavera na ilha de São Miguel.

Lagoa ensina arte de entrelaçar fibras vegetais aos alunos de Água de Pau

Câmara da Lagoa apresentou o projeto “Entrelaçar Fibras Vegetais” na Escola Básica Integrada de Água de Pau, numa iniciativa que visa transmitir saberes ancestrais às novas gerações e garantir a sobrevivência do artesanato local

© CM LAGOA

A Câmara da Lagoa está a levar as tradições artesanais do concelho para dentro das salas de aula através do projeto “Entrelaçar Fibras Vegetais”. A iniciativa foi apresentada recentemente aos alunos da Escola Básica Integrada (EBI) de Água de Pau, integrando uma estratégia municipal que procura sensibilizar os mais jovens para a valorização de artes em risco de desaparecimento. Segundo a nota de imprensa enviada pela autarquia ao Diário da Lagoa, o projeto foca-se na sustentabilidade e na perpetuação de técnicas profundamente enraizadas na identidade cultural açoriana, num esforço para contrariar a diminuição progressiva do número de artesãos no concelho.

Durante a sessão de apresentação, a comunidade escolar teve o primeiro contacto com o enquadramento histórico de matérias-primas como o vime, a espadana e a folha de milho. O projeto não será apenas teórico; integrado na disciplina de Educação Tecnológica, prevê atividades práticas ao longo de todo o ano letivo, onde cada turma explorará a manipulação destas fibras para a criação de peças originais. A vereadora da Educação e Cultura, Albertina Oliveira, marcou presença no arranque dos trabalhos e reforçou o peso institucional deste investimento na formação identitária dos estudantes. “Este projeto representa um investimento claro na preservação da nossa identidade cultural, permitindo que os mais jovens conheçam, experimentem e valorizem uma arte que faz parte da história do nosso concelho”, afirmou a autarca.

A responsável sublinhou ainda a necessidade de criar pontes entre o ensino e o património, defendendo ser “fundamental aproximar a escola das tradições locais, criando oportunidades para que os alunos desenvolvam competências práticas, ao mesmo tempo que ganham consciência do valor do património que os rodeia”. Para além de estimular a criatividade e o surgimento de novos artesãos, o projeto pretende culminar com uma exposição pública dos trabalhos realizados pelos alunos, celebrando o resultado final da aprendizagem e o envolvimento da comunidade educativa na salvaguarda das tradições da Lagoa.

Alunos da Alemanha visitam a Lagoa

© CML

Um grupo de alunos e professores provenientes de Hanôver, na Alemanha, visitaram a Câmara Municipal da Lagoa no âmbito de um intercâmbio Erasmus desenvolvido em parceria com a escola secundária.

A iniciativa assume-se de elevado valor educativo e cultural, uma vez que promove o enriquecimento de conhecimentos, a aproximação de culturas, o fortalecimento de laços de amizade e a abertura de novos horizontes entre os participantes.

A partilha de experiências e culturas distintas reforça, também, o carácter profundamente enriquecedor destes intercâmbios.

Na ocasião, a vereadora da Cultura, Albertina Oliveira, destacou o papel fundamental da Escola Secundária da Lagoa, sublinhando o seu empenho contínuo nestes projetos.

“A Escola Secundária da Lagoa tem sido incansável na promoção destas experiências. Queremos que se sintam em casa, que conheçam a nossa cultura, as nossas paisagens e tradições, e que também deixem no nosso concelho um pouco da vossa cultura. É nestes intercâmbios que o projeto verdadeiramente se enriquece, com boas memórias, novas amizades e, esperamos, com a vontade de regressarem à Lagoa”, referiu a vereadora.  

Durante a receção, Albertina Oliveira apresentou ainda diversas atividades e projetos promovidos pelo município, tanto a nível cultural como das festividades e políticas de juventude, destacando, entre outros, o funcionamento do Conselho Municipal Jovem e a Assembleia Jovem.

António Cavaco defende “amor e afeto” como marca distintiva dos produtos regionais e da gastronomia dos Açores

Confrade-mor da Confraria dos Gastrónomos dos Açores, destacou a importância da experiência gastronómica como elemento de ligação entre culturas, sublinhando o papel do amor e do afeto na forma como os produtos são apresentados e consumidos

© DL

Em declarações à nossa reportagem, António Cavaco procurou valorizar os produtos açorianos, que levam a “Marca Açores”. As declarações surigram no âmbito de uma prova de produtos açorianos organizada, no dia 21 de abril, pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, no Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, e integrada na Missão Empresarial Minas Gerais-Açores, promovida entre os dias 20 e 24 de abril pela Casa dos Açores de Minas Gerais.

Durante a prova de produtos açorianos, que reuniu produtores, representantes institucionais e participantes da missão empresarial mineira, num momento de degustação e promoção da valorização da identidade gastronómica do arquipélago, António Cavaco afirmou que “o inhame, por exemplo, que é o coco brasileiro, fala exatamente a mesma língua”, acrescentando que “deve ter sido do Brasil que no século XIV/XV acabou por chegar aos Açores e aqui plantou em condições completamente ajustadas e que tem um sabor incrível”.

Este confrade-mor referiu também a versatilidade deste produto, destacando que “temos, por exemplo, a linguiça, a morcela, o queijo”, que se podem degustar com a pimenta, cozido, frito ou salteado.

O inhame é uma coisa fantástica”, disse.

Sobre a preparação da prova para os empresários brasileiros, o chef sublinhou que o objetivo passa por “valorizar não só o produto, mas também a forma como é apresentado”.

Primeiro, temos que falar no produto alimentar, mas não nos podemos esquecer do mais importante, que é o amor e o afeto que pomos no tratamento do produto”, explicou António Cavaco, que acrescentou que, “quando damos um produto, quando trabalhamos um produto, trabalhamos com afeto, com carinho, com amor, e é isso que damos às pessoas”.

Este responsável sublinhou ainda que a experiência gastronómica cria diferentes tipos de memória.

Nós temos dois tipos de memória que arquivamos. Primeiro, o arquivo do palato, esse é inconfundível e arquivamos sempre. Mas aliado ao arquivo do palato, há o arquivo do afeto”, sustentou.

Se eu comer um determinado produto, sozinho, isolado, num dia sóbrio, num dia meio triste, tenho um arquivo que me vai ficar agravado. Se eu comer isto em conjunto, com pessoas bonitas, com pessoas diferentes, com pessoas que nos chegam de outra cultura, que querem conhecer os nossos produtos, que querem partilhar esse produto, valoriza o palato, grava-se o afeto, eu nunca mais vou esquecer isso”, concluiu António Cavaco.

Cultura: um direito, não um privilégio

Rúben Cabral
Deputado pelo PSD na ALRAA

A cultura é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade desenvolvida. Não é um luxo nem um capricho. É um direito. É através dela que fortalecemos a identidade, o espírito crítico, a coesão social e o sentido de comunidade. Uma sociedade que investe na cultura investe na sua própria maturidade democrática.

Num concelho como o nosso, a promoção cultural deve ser instrumento de inclusão. A cultura aproxima gerações, cria oportunidades e combate desigualdades. Não pode ser encarada como um produto comercial acessível apenas a quem pode pagar.

Defendo — e afirmei-o em reunião de Câmara — que a cultura deve ser tendencialmente gratuita, sobretudo quando é organizada pela própria autarquia. A Câmara Municipal não é uma empresa. Não deve ter como missão gerar receita através da cultura, mas sim garantir que todos os lagoenses tenham acesso às iniciativas promovidas com o seu dinheiro.

Importa, contudo, ser claro: nada é verdadeiramente gratuito quando é financiado pelos contribuintes. Quando falamos de gratuitidade, falamos de acesso sem pagamento direto no momento de entrada, porque o financiamento já foi assegurado pelos impostos pagos pelos cidadãos. E se o esforço é coletivo, então deve, antes de mais, servir quem cá vive, trabalha e paga impostos: os lagoenses.

A Câmara não foi criada para concorrer com agentes económicos privados. Há famílias que dependem da viabilidade dos seus negócios para colocar comida na mesa, incluindo na área da exibição de filmes. Sempre que o poder público entra num mercado onde existem operadores privados, deve fazê-lo com extrema ponderação.

Não sou contra a exibição de cinema. A cultura cinematográfica é importante. Mas se a Câmara decide promover sessões de cinema, então essas sessões devem manter-se gratuitas. Não faz sentido que a autarquia entre numa área que não é a sua vocação natural e, simultaneamente, passe a cobrar bilhetes como se fosse um operador comercial.

Foi recentemente introduzida a possibilidade de pré-reserva por email para as sessões no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida. Tal como está, esta solução desprotege os lagoenses. Se qualquer pessoa, independentemente do concelho onde reside, pode garantir lugar antecipadamente, os residentes da Lagoa deixam de ter prioridade numa iniciativa financiada pelos seus impostos.

Defendo que deve existir um mecanismo simples e eficaz que assegure prioridade aos residentes do concelho — seja através de um período inicial exclusivo de levantamento de bilhetes para lagoenses ou outro modelo que garanta essa proteção. Não se trata de excluir ninguém. Trata-se de garantir justiça territorial e respeito por quem financia diretamente o orçamento municipal.

Foi por estes motivos que votei contra o regulamento apresentado. A política exige coerência. E continuarei a defender uma cultura acessível, inclusiva e prioritariamente ao serviço dos lagoenses.

Vila Franca do Campo apoia associações culturais e desportivas

© CMVFC

A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo procedeu à assinatura de protocolos de colaboração com diversas associações culturais e desportivas do concelho, reforçando, assim, o seu compromisso com o desenvolvimento local e o apoio ao movimento associativo.

Os acordos assinados visam garantir melhores condições para que as entidades possam prosseguir a sua atividade anual regular, promovendo iniciativas que enriquecem a vida cultural, social e desportiva da comunidade.

A presidente da autarquia, Graça Melo, destacou que as associações “desempenham um papel fundamental na dinamização do concelho, sendo responsáveis pela preservação de tradições, pela promoção de eventos e pela criação de oportunidades de participação ativa para cidadãos de todas as idades”.

Acrescentou ainda que “incentivam a prática de atividade física e estilos de vida saudáveis, enquanto, na vertente cultural, contribuem para a valorização da identidade local e para o fortalecimento do sentimento de pertença”.

Com estas parcerias, o município de Vila Franca do Campo reconhece e valoriza o trabalho contínuo e dedicado das associações locais, cujo contributo é essencial para o progresso harmonioso do concelho, promovendo uma comunidade mais ativa, coesa e participativa.

Vila Franca do Campo celebra 25 anos de fé com o lançamento de “Irmandade Divino Espírito Santo da Mãe de Deus”

A obra de Carlos Vieira, apresentada pelo Bispo de Angra na Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, regista um quarto de século de serviço comunitário e solidariedade, sublinhando a identidade religiosa que une as gentes de Vila Franca do Campo e dos Açores

© IGREJA AÇORES/CR

O auditório da Escola Básica e Secundária Armando Côrtes-Rodrigues, em Vila Franca do Campo, foi este sábado o cenário da apresentação do livro “Irmandade Divino Espírito Santo da Mãe de Deus… 25 anos a servir”. A obra da autoria de Carlos Vieira assinala os 25 anos de dedicação e serviço comunitário desta instituição, num evento que reuniu membros da irmandade, fiéis e diversas personalidades locais. A apresentação ficou a cargo de D. Armando Esteves Domingues, Bispo de Angra, que descreveu o livro como “um filho que, ao ser apresentado, ganha vida nova”, enaltecendo a linguagem acessível, a riqueza histórica e a dimensão de reflexão teológica da publicação. O autor propõe uma abordagem simultaneamente simples e profunda ao mistério do Divino, procurando, segundo a mesma nota, “explicar de forma clara aquilo que muitas vezes se sente, mas nem sempre se compreende”, através do recurso a testemunhos de antigos mordomos, familiares e membros da comunidade.

A narrativa percorre a história da irmandade, fundada oficialmente a 16 de abril de 2001 por João José Arruda, tendo contado posteriormente com o impulso de Elias Raposo Sardinha, responsável pela conclusão da sede inaugurada em 2004. Contudo, as raízes deste império são seculares, remontando a cerca de trezentos anos e mantendo uma ligação histórica à Casa da Mãe de Deus e à família Botelho de Gusmão, o que o torna um dos mais antigos do arquipélago. Ao longo das décadas, a instituição tem mantido o compromisso de traduzir a fé em ações concretas de solidariedade. Exemplo disso é o facto de, apenas em 2025, terem sido distribuídas cerca de 900 pensões, um sinal claro do auxílio prestado aos mais necessitados da região.

© IGREJA AÇORES/CR

Durante a sessão, D. Armando Esteves Domingues sublinhou que “o Espírito Santo não tem rosto nem corpo: experimenta-se, não se vê. É Deus vivo em nós, é o amor”, definindo a obra de Carlos Vieira como um “manual” acessível sobre esta dimensão espiritual. O livro evoca ainda a figura central de Santa Isabel de Portugal e o milagre associado à construção da igreja, guiando o leitor por tradições como a procissão de coroação e destacando o papel da mulher como símbolo de união na vivência desta devoção. Também presente na cerimónia, a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, Graça Ventura, considerou a obra “uma homenagem à fé de um povo”, elogiando o percurso do autor como um exemplo de devoção e humildade. No encerramento, ficou o apelo à continuidade desta tradição que define a identidade açoriana, reforçando o ideal de fraternidade e partilha num mundo cada vez mais marcado pela indiferença.

Diretor do Museu das Flores destaca identidade, memória histórica e papel da ilha na hospitalidade e abertura ao mundo

Luís Filipe Vieira salientou o papel do museu como guardião da memória coletiva e motor de desenvolvimento local, sublinhando que a ilha das Flores combina segurança, património, natureza e uma tradição histórica de acolhimento que continua viva nos dias de hoje

Luís Filipe Vieira, diretor do Museu das Flores © DIÁRIO DA LAGOA

O diretor do Museu das Flores, na ilha das Flores, nos Açores, Luís Filipe Vieira, considera que a missão da instituição ultrapassa largamente a preservação de objetos e documentos históricos, assumindo-se como um espaço vivo ao serviço da comunidade e do desenvolvimento local. O responsável afirmou que o Museu das Flores é “essencialmente um museu da História da ilha e das suas gentes”, funcionando como instrumento de valorização identitária e também de atração de visitantes.

Em declarações ao Diário da Lagoa, Luís Filipe Vieira, diretor do museu desde 2001, refletiu sobre o papel da instituição, a evolução histórica da ilha açoriana, os desafios da insularidade e o futuro do território, deixando também um convite a quem ainda não conhece a ilha: visitar um lugar marcado pela paisagem, tranquilidade e hospitalidade.

Segundo explicou, o museu permite “fixar valores identitários e práticas históricas já caídas em desuso”, mas também usar esse património “em benefício do presente”, ajudando a captar turismo e a mostrar aquilo que distingue a ilha no contexto açoriano e europeu: “Nada melhor do que a nossa história e aquilo que nos difere dos outros”, sublinhou.

Para Luís Filipe Vieira, o conceito de comunidade deve ser entendido de forma ampla, abrangendo não apenas os residentes permanentes, mas também quem visita temporariamente a ilha.

Temos a perspetiva do museu ao serviço da sua comunidade e aqui entendemos como comunidade os que cá estão e aqueles que temporariamente partilham a sua existência connosco”, afirmou.

Ao longo do ano, o museu promove iniciativas dirigidas a públicos muito diversos, desde crianças a adultos, numa estratégia de formação de novos públicos e de ligação ao território. O diretor destacou atividades para os mais novos, concertos, exposições de fotografia e pintura, conferências e visitas de campo, explicando que o museu só faz sentido se a população se rever no seu trabalho.

Se eles não nos acharem nenhum préstimo, seremos apenas um armazém de coisas velhas e era isso que eu gostava que o museu não fosse”, declarou.

Questionado sobre a identidade florentina, Luís Filipe Vieira descreveu a população da ilha como resultado de séculos de cruzamento de povos e culturas.

Quem somos? Uma amálgama”, resumiu, recordando que às Flores chegaram gentes do território continental português, flamengos, italianos, espanhóis e também contingentes africanos escravizados nos primeiros tempos do povoamento.

Essa mistura, defende, ajudou a moldar uma cultura aberta ao exterior e marcada pela hospitalidade. Citando antigas referências históricas, lembrou que já no século XVI se reconhecia aos florentinos a capacidade de acolher quem aqui chegava em dificuldade:

Uma das características que ele refere para este povo é que gostavam muito de agasalhar aqueles que aqui aportavam”, assinalou, numa alusão às descrições do cronista açoriano Gaspar Frutuoso.

O nosso entrevistado recordou ainda que a ilha das Flores foi durante séculos ponto de passagem de rotas marítimas entre a Europa, África, Oriente e Américas, acumulando uma herança náutica singular.

As Flores são um santuário da Arqueologia Subaquática”, afirmou, defendendo que essa riqueza histórica representa uma valência com grande potencial futuro “quer para a história, quer para o turismo e para a própria comunidade”.

Sobre a modernização da ilha, Luís Filipe Vieira entende que o século XX chegou tardiamente às Flores, apontando o ano de 1966 como momento decisivo, com a instalação de uma estação francesa no âmbito de acordos internacionais. Segundo explicou, foi esse processo que trouxe melhorias estruturantes, como o aeroporto, novas estradas, hospital e reforço energético.

Apesar do atraso histórico, mostra-se confiante quanto à evolução recente da ilha, sobretudo em matéria de acessibilidades e telecomunicações.

Eu sou um otimista. Eu acredito que as coisas avançam, podem não avançar à velocidade que nós queremos, mas as coisas têm melhorado”, referiu. Como exemplo, recordou que há quatro décadas existiam apenas dois ou três voos semanais, enquanto hoje existem “dois ou três diários, já nesta altura do ano”.

Também a chegada da fibra ótica e o acesso digital alteraram profundamente a realidade local.

Hoje, nas Flores, quem quiser estará tão bem informado e terá uma noção tão objetiva quanto possível da realidade, como quem esteja noutro centro qualquer”, sustentou.

Ao descrever a vivência atual na ilha, o diretor destacou a serenidade social e a qualidade de vida como marcas distintivas.

As Flores, as suas gentes, sempre foram características de gente calma, serena, ponderada”, disse, acrescentando com humor que tem “um amigo que diz que padece de stress por não ter stress nesta ilha”.

Para quem chega de fora, Luís Filipe Vieira acredita que a principal surpresa é encontrar um território seguro, acolhedor e de enorme valor natural.

Encontram uma ilha com aquilo que eu acho que hoje em dia não tem preço, que ainda é uma segurança enormíssima. Você vai na rua e ninguém o vai roubar, ninguém vai fazer-lhe qualquer tipo de mal”, afirmou. A isso junta-se uma “paisagem fantástica”, que considera um dos maiores ativos florentinos.

Questionado sobre o futuro, preferiu prudência, reconhecendo que a velocidade da mudança tecnológica torna arriscadas previsões concretas. Ainda assim, deixou uma certeza.

Tenho a certeza que daqui a 30 ou 40 anos, quando eu já cá não estiver, será de certeza melhor do que é hoje”, enfatizou.

No plano migratório, Luís Filipe Vieira mostrou-se convicto de que a tradição de acolhimento permanece intacta.

Eu penso que essa gente será sempre bem-vinda nesta ilha”, afirmou.

O responsável recordou várias fases históricas de chegada de pessoas vindas do exterior, desde escravizados africanos aos franceses dos anos 1960, passando por trabalhadores oriundos de países africanos de expressão portuguesa nos anos 1980, afirmando que “uma boa parte deles casaram, estão perfeitamente integrados na comunidade e não se foram embora”.

Na mensagem final dirigida a quem pondera visitar a ilha, o diretor do Museu das Flores reconheceu que os custos de deslocação, alojamento e alimentação ainda constituem um obstáculo.

Tenho plena consciência que vir às Flores não é uma tarefa barata”, admitiu.

Ainda assim, acredita que a experiência compensa largamente.

Se encontrarem algumas dificuldades nos custos, outras coisas vão compensá-los, nomeadamente a segurança e a paisagem que é fabulosa”, sustentou.

Luís Filipe Vieira concluiu com um apelo simples e direto: “Nós também somos gente relativamente simpática e acolhedora, penso que valerá sempre a pena uma visita à ilha das Flores”, finalizou.

Ópera para bebés no auditório Ferreira da Silva

© CM LAGOA

A Câmara Municipal da Lagoa, através da biblioteca municipal Tomaz Borba Vieira, promove o espetáculo “Ópera para bebés – Os Xúbis”, no próximo dia 11 de abril, pelas 10h30, no auditório Ferreira da Silva, na vila de Água de Pau. Integrada nas comemorações do feriado municipal, esta iniciativa marca o arranque da programação com um momento especialmente dedicado à infância.

Trata-se de uma criação da Associação Setúbal Voz, que convida os mais pequenos a mergulharem no universo da música e da expressão artística, através de uma abordagem sensorial, lúdica e interativa.

A música e a literatura desempenham um papel essencial no desenvolvimento cultural, emocional e intelectual das crianças. Com esta iniciativa, pretende-se proporcionar uma experiência enriquecedora que estimule a curiosidade e a criatividade, transformando os mais novos em participantes ativos, enquanto se incentivam hábitos culturais desde cedo.

O evento destina-se a crianças dos 0 aos 6 anos, sendo permitida a participação de até dois acompanhantes por criança. As inscrições são limitadas e devem ser confirmadas até ao dia 10 de abril. Para residentes no concelho, até às 12h00, e para não residentes, até às 17h00.

As inscrições podem ser efetuadas através do e-mail biblioteca@lagoa-acores.pt, pelo telefone 296 912 510 ou via QR Code disponível nas redes sociais da autarquia. De referir que será dada prioridade aos residentes no concelho.

Um total de 48 jovens do Nordeste com formação musical nas férias da Páscoa

Quase meia centena de músicos das três filarmónicas do concelho participaram num workshop intensivo durante as férias da Páscoa, culminando num concerto de aplausos efusivos no Centro Municipal de Atividades Culturais

© CM NORDESTE

Um grupo de 48 jovens músicos, oriundos das diversas sociedades filarmónicas do concelho do Nordeste, na ilha de São Miguel, aproveitou a recente interrupção letiva da Páscoa para aprimorar competências técnicas e artísticas. A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal do Nordeste e ministrada pela Banda Militar dos Açores, decorreu ao longo de quatro dias intensos de formação, entre 30 de março e 2 de abril. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia nordestense, o projeto visa não só o aperfeiçoamento musical, mas também o incentivo à continuidade do associativismo cultural no concelho.

O encerramento oficial teve lugar no passado dia 2 de abril, com uma apresentação pública no Centro Municipal de Atividades Culturais que registou uma forte adesão da comunidade, entre familiares, maestros e dirigentes associativos. Sob a direção artística do capitão chefe de Banda Hélio Soares, o conjunto apresentou um reportório composto por quatro peças, demonstrando o resultado do trabalho desenvolvido em regime de tempo inteiro, das 9h00 às 16h30. As sessões de trabalho foram distribuídas estrategicamente entre as instalações da Escola Básica e Secundária do Nordeste, a sede da Filarmónica Eco Edificante e o Centro Municipal, permitindo o trabalho específico por diferentes naipes de instrumentos.

A logística do evento ficou integralmente a cargo do Município do Nordeste, como forma de retribuição pela formação gratuita ministrada pelos 12 elementos da Banda Militar. No final da apresentação, o chefe da Banda Militar dos Açores, Hélio Soares, fez questão de sublinhar a importância estratégica do apoio camarário às filarmónicas, referindo que projetos desta natureza, aliados ao apoio financeiro anual, “proporcionam aos jovens músicos a vontade de elevar o conhecimento musical e de contribuir para as respetivas filarmónicas”. O responsável aproveitou ainda o momento para lançar um apelo à comunidade, convidando crianças, jovens e adultos, independentemente da idade, a integrarem estas instituições e a darem o seu contributo para a cultura local.

Marcaram presença o comandante da Unidade de Apoio da Zona Militar dos Açores, o vice-presidente do Município do Nordeste com o pelouro da Cultura, além de elementos da vereação.