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Lagoa assinala mês do livro com instalação dedicada a Fernando Aires na Caloura

A iniciativa «A ver o mar. O sol na linha do horizonte», instalada na zona da Galera, em Água de Pau, utiliza um excerto do escritor açoriano para estabelecer uma ligação direta entre a obra literária e a paisagem local

© CM LAGOA

A Câmara da Lagoa deu início à programação do mês de abril com a colocação de uma instalação literária na zona da Galera, na Caloura, em Água de Pau. A estrutura evoca um excerto da obra de Fernando Aires (1928-2010), autor que utilizou recorrentemente este cenário nas suas prosas diarísticas. Segundo a nota de imprensa enviada pelo município, o projeto pretende colocar o texto em diálogo com o território, permitindo ao observador confrontar a escrita do autor com o espaço físico que a inspirou.

O design da peça é da autoria de Pedro Martins, que concebeu a instalação como uma moldura sobre o horizonte. Segundo o autor do projeto, a peça funciona como um ponto de observação que convida a uma reinterpretação do espaço, utilizando cores que procuram harmonizar-se com os elementos naturais envolventes, como o mar e a luz solar. A vereadora com o pelouro da Educação e Cultura, Albertina Oliveira, afirmou que a iniciativa procura a valorização conjunta do património natural e cultural, destacando a ligação histórica do escritor àquela zona do concelho da Lagoa.

O projeto teve origem numa proposta de Onésimo Teotónio de Almeida e a sua concretização será complementada, em data posterior, com uma sessão de caráter pedagógico. Este encontro contará com a participação do proponente e de Maria João Ruivo, filha de Fernando Aires, com o objetivo de abordar o enquadramento biográfico e literário do escritor. A instalação integra-se na estratégia municipal de promoção da leitura e de sinalização de figuras relevantes do panorama cultural açoriano através da geografia do concelho.

Um mês dedicado ao livro, à escrita e à identidade açoriana

A Biblioteca de Ponta Delgada apresenta um cartaz diversificado para celebrar o Dia Mundial do Livro, com oficinas de bordado, jogos intergeracionais e a estreia de uma peça de teatro baseada na obra de Côrtes-Rodrigues

© HUGO MOREIRA

Abril será o mês de todas as leituras na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada (BPARPD). Com o intuito de celebrar o Dia Internacional do Livro Infantil, a 2 de abril, e o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, a 23 de abril, a instituição preparou uma programação intensa que visa fidelizar leitores de todas as idades. Segundo nota de imprensa enviada pela BPARPD, o programa arranca logo nas férias da Páscoa, entre 8 e 10 de abril, com a oficina “Letras e Linhas”, dinamizada por Sofia Cabral Botelho, onde crianças e jovens entre os oito e os 15 anos poderão aprender a produzir capas para a construção de livros.

A ligação entre a escrita e as artes manuais ganha novo fôlego no dia 11 de abril, às 15h00, com a oficina “Cartas Bordadas”. A iniciativa, aberta a famílias e maiores de sete anos, utiliza o acervo de correspondência da própria Biblioteca como base para uma fusão entre caligrafia e bordado criativo, permitindo aos participantes reinterpretar manuscritos históricos através de pontos e linhas.

Para quem prefere a descoberta lúdica do espaço, o dia 18 de abril reserva o “Bibliopaper”. A partir das 15h00, equipas de até cinco elementos serão desafiadas a percorrer os circuitos da biblioteca num jogo de perguntas e percursos que estimula a autonomia na pesquisa bibliográfica. A participação é gratuita, mas limitada a oito equipas, sendo que o líder de cada grupo deverá ter idade superior a 16 anos.

Um dos momentos altos da programação ocorre a 24 de abril, às 21h00, com a estreia da peça “Quando o Mar Galgou a Terra e algumas considerações”. Trata-se de uma releitura crítica e contemporânea do clássico de Armando Côrtes-Rodrigues, figura cimeira da “Açorianidade” cujo espólio está à guarda da BPARPD. Com encenação de Eleonora Marino Duarte, o espetáculo promete uma experiência sensorial focada na resiliência feminina e na força da natureza, temas indissociáveis da identidade insular.

A fechar este ciclo comemorativo, o Clube de Leitura da BPARPD reúne-se a 18 de maio para antecipar o Dia do Autor Português. Sob a moderação da psicóloga e contadora de histórias Ana Catarina Silva, o encontro será dedicado à obra “Amores da Cadela Pura”, de Margarida Victória. A Biblioteca recorda ainda que, além destes eventos pontuais, mantém disponível durante todo o ano uma carteira de duas dezenas de oficinas para grupos e escolas, reforçando o seu papel central na promoção da literacia em São Miguel.

Piscinas da Lagoa transformadas em palco pelo Tremor

Festival voltou a desafiar os limites geográficos da música ao ocupar o Complexo Municipal de Piscinas com o experimentalismo árabe-belga e os ritmos frenéticos do singeli tanzaniano

© CM LAGOA

As águas das Piscinas Municipais da Lagoa serviram de cenário, ao final da tarde de desta quinta-feira, 26 de março, para uma das propostas mais audazes da atual edição do Festival Tremor. Num esforço de descentralização cultural que carateriza o evento, a organização escolheu este complexo balnear pela sua profunda ligação à paisagem vulcânica, propondo uma experiência imersiva onde som e natureza se cruzam. Segundo a nota enviada às redações, a iniciativa, que contou com a parceria da Câmara Municipal da Lagoa, reforça o compromisso de criar momentos artísticos únicos fora dos circuitos habituais, aproveitando a relação direta deste espaço emblemático com o mar.

O cartaz na Lagoa dividiu-se em dois momentos. A tarde começou com os «Use Knife», um projeto que une o percussionista iraquiano Saif Al-Qaissy ao duo belga Kwinten Mordijck e Stef Heeren. A banda apresentou uma sonoridade que cruza vozes árabes e sintetizadores analógicos, num confronto entre a tradição e a eletrónica industrial, descrito pela organização como um “ritual poderoso e urgente”. Logo de seguida, o ritmo acelerou drasticamente com a prestação de «DJ Travella», que trouxe à Lagoa o singeli. Este género musical, nascido nos bairros populares da Tanzânia, carateriza-se por uma velocidade vertiginosa — chegando a atingir os 180 batimentos por minuto — e por uma energia crua que transforma espaços em pistas de dança futurista.

Esta ocupação das Piscinas Municipais destaca-se pela forma como o Tremor utiliza a arquitetura natural da ilha para potenciar as suas propostas. Ao integrar o experimentalismo europeu e os ritmos acelerados africanos num espaço de lazer quotidiano, o festival reafirma a sua identidade de exploração do território. Para os espetadores que encheram o recinto ao pôr do sol, a simbiose entre a “fúria” rítmica do singeli e o cenário das rochas vulcânicas da Lagoa ofereceu uma dimensão sensorial e identitária que define o espírito de proximidade deste festival.

Município da Lagoa celebra contratos-programa com associações e entidades educativas

Protocolos abrangem 18 instituições das áreas cultural e de ensino. Presidente da Câmara defende requalificação de escolas e anuncia novas respostas para a ocupação de jovens

© CM LAGOA

A Câmara da Lagoa oficializou a assinatura de um conjunto de contratos-programa destinados a associações culturais, recreativas e entidades do setor educativo do concelho. O ato público, conduzido pelo presidente da Câmara, Frederico Sousa, e pela vereadora Albertina Oliveira, formaliza o apoio financeiro da autarquia a estas instituições, visando a execução dos seus planos de atividades. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Município ao Diário da Lagoa, o investimento justifica-se pelo papel destas entidades no desenvolvimento local e na promoção de competências complementares ao ensino formal, reconhecendo o executivo o contributo dos dirigentes que dedicam o seu tempo ao bem comum.

No plano educativo, Frederico Sousa aproveitou a cerimónia para identificar necessidades estruturais no parque escolar, defendendo a urgência de processos de requalificação na Escola Básica e Integrada de Lagoa, na Escola Secundária da Lagoa e na Escola Básica de Água de Pau. Paralelamente, foi anunciado o desenvolvimento de um projeto de ocupação de tempos livres, em parceria com associações desportivas e musicais, focado numa faixa etária que não se encontra abrangida pelos atuais Centros de Atividades de Tempos Livres (CATL). O objetivo passa por criar uma rede municipal de ocupação para os períodos de interrupção letiva, sendo que, nesta área, os protocolos abrangeram a Escola Básica e Integrada de Lagoa, a Escola Básica e Integrada de Água de Pau, a Escola Secundária da Lagoa, o EXPOLAB e a Associação de Pais e Encarregados de Educação da EBI de Lagoa.

O movimento associativo cultural e recreativo representa a maior fatia dos beneficiários destes contratos-programa, integrando instituições de diversas freguesias do concelho. Na lista de entidades apoiadas figuram o Agrupamento de Escuteiros n.º 1290 da Paróquia de Santa Cruz, o Agrupamento de Escuteiros n.º 798 do Cabouco, a Associação Musical Nova Geração, a Associação Amigos de São Martinho do Cabouco e o Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz. Foram também contemplados o Orfeão Nossa Senhora do Rosário, o Grupo Som do Vento, a GRUJOLA, a Associação Musical da Lagoa, a Associação de Pescadores de Lagoa – Bom Porto e as três sociedades filarmónicas do concelho: a Lira do Rosário, a Estrela D’Alva e a Fraternidade Rural. Durante a sua intervenção, o autarca sublinhou que a agenda cultural da Lagoa depende diretamente da colaboração ativa destas associações.

Lagoa transforma janelas e varandas em palcos de poesia local

O concelho celebra o Dia Mundial da Poesia com uma iniciativa que leva excertos literários ao espaço público de todas as freguesias, contando com o envolvimento direto dos residentes e a curadoria de vozes femininas da literatura açoriana

© CM LAGOA

O Dia Mundial da Poesia está a ser assinalado no concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, com a iniciativa “Versos à Janela: um encontro entre a cidade e a poesia”. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara da Lagoa, este projeto da Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira estende-se a todo o território concelhio entre os dias 23 e 27 de março, instalando a literatura no quotidiano da comunidade através de janelas e varandas cedidas pelos próprios munícipes.

A iniciativa, que se assume como um projeto comunitário de proximidade, conta com a parceria ativa de todas as Juntas de Freguesia do concelho, que selecionaram uma rua por localidade para acolher estas intervenções poéticas, permitindo que os transeuntes encontrem a literatura de forma inesperada nos seus trajetos habituais.

A curadoria dos textos esteve a cargo de Leonor Sampaio da Silva e Paula de Sousa Lima, figuras de relevo no panorama literário e académico regional. No lançamento do desafio, as curadoras propuseram a seleção exclusiva de excertos de escritoras, numa escolha simbólica que pretende também evocar o mês em que se assinalou o Dia Internacional da Mulher. O conceito inspira-se numa ação original da Casa Fernando Pessoa, desenvolvida durante o período da pandemia, tendo sido agora adaptada à realidade local e ampliada para envolver a participação direta dos moradores da Lagoa.

Para a vereadora da Educação e Cultura, Albertina Oliveira, esta proposta de “poesia a céu aberto” pretende ser “acessível, próxima e surpreendente”. A autarca destaca que se trata de uma “forma de levar a cultura para onde a vida acontece e de transformar a cidade num espaço de leitura e de partilha”, deixando um convite à comunidade para que percorra as ruas do concelho, levante o olhar e se deixe tocar pelas palavras, reforçando a ideia de que “a cidade também se lê e a poesia também se vive”.

O projeto ganha ainda maior dimensão com o prestígio das suas curadoras. Leonor Sampaio da Silva, natural de Ponta Delgada e Professora Associada na Universidade dos Açores, é uma autora reconhecida cujo romance “Passagem Noturna” foi finalista do Prémio LeYa em 2023. Já Paula de Sousa Lima, residente na Lagoa e mestre em Literatura Portuguesa, é uma colaboradora regular da imprensa regional e autora premiada, tendo vencido o prémio Daniel de Sá com a obra “O Outro Lado do Mundo” e figurado também entre os finalistas do Prémio LeYa com o romance “O Paraíso”.

Através desta colaboração entre a autarquia, a academia e os cidadãos, a Câmara Municipal diz que pretende reafirmar o seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e a valorização do património literário no coração das suas freguesias.

Biblioteca Tomaz Borba Vieira recebe “Histórias Requinhas” para tarde mágica em família

Biblioteca volta a ser o palco da iniciativa “Sábado em Família” no próximo dia 28 de março. A sessão de narração oral, conduzida por um grupo com 15 anos de experiência, promete uma viagem pelo mundo da imaginação aberta a todas as gerações

© DIREITOS RESERVADOS

A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, na cidade da Lagoa, em São Miguel, reafirma a sua aposta na promoção da literacia e no fortalecimento dos laços comunitários com a realização de mais uma edição do projeto “Sábado em Família”. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Lagoa à nossa redação, o evento terá lugar no dia 28 de março, pelas 16h00, nas históricas instalações do Convento de Santo António.

Sob o mote “Uma sessão para rir, sonhar e viajar sem sair do lugar!”, o encontro desta vez conta com a participação especial do grupo «Histórias Requinhas», coletivo que se dedica à arte de contar histórias como ferramenta de aproximação entre pais, filhos e o objeto livro. O grupo convidado, que iniciou o seu percurso em 2011, traz à cidade da Lagoa uma bagagem sólida na mediação de leitura. Com foco no despertar lúdico para o universo literário, as «Histórias Requinhas» têm investido continuamente em novas técnicas de narração oral e expressividade, transformando cada sessão num momento de performance envolvente. Ao longo dos anos, o coletivo tem colaborado com diversas bibliotecas e espaços culturais, especializando-se em ciclos de contos que privilegiam a proximidade com o público e a estimulação da criatividade tanto em crianças como em adultos.

A iniciativa, promovida pela autarquia lagoense através da sua biblioteca municipal, é de participação aberta ao público e não requer inscrição prévia, convidando as famílias da freguesia de Santa Cruz e de todo o concelho a desfrutarem de uma tarde diferente. 

Grupo Folclórico das Camélias celebra meio século de história ao serviço da cultura furnense

O grupo mais antigo do concelho da Povoação assinalou as suas Bodas de Ouro com um jantar comemorativo que reuniu entidades e a comunidade, lançando um programa festivo que inclui um intercâmbio em Penamacor e um festival em julho

© CM POVOAÇÃO

O Grupo Folclórico das Camélias celebrou oficialmente o seu 50.º aniversário com um jantar comemorativo no Restaurante Vale das Furnas, num momento que reforçou o papel da instituição como o grupo folclórico mais antigo em atividade no concelho da Povoação. Segundo a nota de imprensa enviada à nossa redação, o evento serviu não só para honrar o passado, mas também para projetar o futuro da coletividade, contando com a presença de diversas individualidades, entre as quais Rute Melo, vereadora da Câmara Municipal da Povoação, e o executivo da Junta de Freguesia das Furnas, liderado por Eduarda Pimenta. A celebração foi marcada por um forte espírito de união geracional, unindo representantes do tecido associativo local, desde os escuteiros e a Harmónica Furnense até ao Clube de Motards e instituições paroquiais, todos reunidos para prestar tributo a uma das mais emblemáticas embaixadoras da cultura popular açoriana.

Fundado a 27 de fevereiro de 1976 por Maria Eugénia Moniz Oliveira e Maria Cecília Frazão, a partir do grupo teatral “Jovens Rebeldes”, o percurso das Camélias foi recordado pela atual presidente, Dina Moniz. Durante a sua intervenção, a dirigente enalteceu o papel fundamental das fundadoras e das ex-presidentes, Helena Borges e Margarida Ferreira, dirigindo ainda um apelo direto às camadas mais jovens para que assegurem a continuidade deste legado. “As intervenções de Rute Melo e de Eduarda Pimenta destacaram a importância cultural e identitária do Grupo Folclórico das Camélias para a comunidade”, sublinha a organização, referindo o momento simbólico em que o bolo de aniversário foi cortado pelas três gerações de presidentes da direção.

Composto atualmente por 37 elementos, com idades compreendidas entre os 7 e os 68 anos, o grupo prepara-se agora para um ano de intensa atividade. No âmbito das comemorações das cinco décadas de existência, está já agendada uma deslocação a Portugal Continental entre os dias 3 e 8 de junho, para um intercâmbio com o Rancho Folclórico de Penamacor, no distrito de Castelo Branco. O ponto alto das festividades junto da população local e dos emigrantes terá lugar em julho, com um programa de três dias (17, 18 e 19) que incluirá o tradicional churrasco “Frango à Galo”, um grande concerto musical e a realização do VI Festival de Folclore, onde serão homenageados antigos e atuais componentes que, ao longo de 50 anos, levaram o nome das Furnas a palcos nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e por todo o arquipélago.

Apoios culturais nos Açores atingem 1,3 milhões de euros sob novo regulamento

Verba destina-se a projetos artísticos, infraestruturas e património regional, introduzindo patamares de financiamento que privilegiam a previsibilidade para os agentes culturais. Sofia Ribeiro diz que a principal alteração é a distribuição por patamares, que variam entre os 500 e os 50 mil euros por projeto

© MIGUEL MACHADO

O setor cultural dos Açores conta, este ano, com um investimento de cerca de 1,3 milhões de euros, atribuídos no âmbito do novo Regime Jurídico de Apoio das Atividades Culturais (RJAAC). O anúncio, efetuado pela Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto, detalha a distribuição de verbas por diversas áreas artísticas, desde o audiovisual e artes performativas ao património e edição de obras, marcando a primeira aplicação do regulamento revisto em 2024.

De acordo com a nota enviada pela tutela, a maior fatia do orçamento, num total de 1,164 milhões de euros, destina-se a projetos de interesse relevante para a preservação e divulgação cultural da região, sejam eles anuais ou bianuais. Estão ainda previstos 77 mil euros para a construção e remodelação de infraestruturas culturais, além de verbas específicas para a aquisição de instrumentos musicais, fardamentos e custos de edição de obras. A secretária regional da tutela, Sofia Ribeiro, esclarece que a principal alteração deste diploma é a distribuição por patamares, que variam entre os 500 e os 50 mil euros por projeto, sendo que os critérios de atribuição tiveram como referência os valores praticados no ano anterior.

A governante açoriana sublinha ainda que o novo modelo permite uma maior transparência e planeamento para os promotores. “Já sendo conhecedores da sua avaliação, e consequentemente da sua posição na lista ordenada, têm previsibilidade relativamente aos apoios que serão atribuídos, processo este que é automático”, refere Sofia Ribeiro, acrescentando que os agentes dispõem agora de 15 dias úteis para, caso pretendam, ajustarem o patamar a que se candidataram.

Apesar de o RJAAC se manter como o pilar central de apoio ao setor, a Secretaria Regional mantém em vigor outros instrumentos de financiamento, como o Programa de Apoio às Sociedades Recreativas e Filarmónicas (SOREFIL) e os apoios destinados à valorização do património baleeiro. Com esta dotação, o Governo regional refere que pretende assegurar a continuidade da dinâmica artística nas nove ilhas, garantindo que os apoios cheguem de forma mais ágil aos criadores e associações locais.

Santuário da Nossa Senhora da Paz entre os candidatos às Novas 7 Maravilhas de Portugal

O emblemático monumento de Vila Franca do Campo integra a lista de património a concurso na edição que celebra os 20 anos da iniciativa, contando com o apoio institucional da autarquia local na promoção da identidade regional

Vereadora Margarida Pinheiro (ao centro), com Humberto Bettencourt, Chefe de Gabinete da autarquia (à esquerda), e José Eduardo Moniz, da TVI, durante a cerimónia das Novas 7 Maravilhas de Portugal © CM VILA FRANCA DO CAMPO

O património construído de Vila Franca do Campo volta a estar sob os holofotes nacionais com a participação do Santuário Mariano de Nossa Senhora da Paz na iniciativa “Novas 7 Maravilhas de Portugal”. Em 2026, o projeto que mobiliza o país em torno da sua herança histórica celebra duas décadas de existência e conta, nesta edição, com o apoio estratégico do VisitPortugal. O monumento vilafranquense surge como um dos candidatos na corrida à eleição dos exemplos mais notáveis do edificado nacional, num processo que culminará com a votação popular para determinar os vencedores.

A importância desta candidatura para a afirmação cultural do concelho foi sublinhada durante a cerimónia oficial de apresentação do projeto, que contou com a representação direta da autarquia. Segundo informação da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, a vereadora Margarida Pinheiro marcou presença no evento, reforçando o compromisso da autarquia na valorização e promoção dos ativos patrimoniais que definem a identidade local.

Este certame, que visa refletir a diversidade histórica e cultural de Portugal, coloca o Santuário da Nossa Senhora da Paz num patamar de visibilidade acrescida, incentivando não só o turismo religioso e cultural, mas também o envolvimento direto da comunidade na preservação da memória coletiva. A técnica da votação popular, pilar central deste concurso, desafia agora os cidadãos a reconhecerem a relevância arquitetónica e espiritual do monumento, que continua a ser um dos postais mais significativos da nossa região.

Autarquia lagoense apresenta plano de eventos culturais para o ano de 2026

Documento, que reúne cerca de 50 iniciativas, foca-se na descentralização pelas freguesias, na manutenção de festividades tradicionais e na introdução de um novo evento dedicado ao setor agrícola no Cabouco

© CM LAGOA

A Câmara Municipal da Lagoa oficializou, no edifício dos Paços do Concelho, a Agenda Cultural para 2026. A apresentação foi conduzida pelo presidente da autarquia lagoense, Frederico Sousa, acompanhado pela vereadora Albertina Oliveira, detalhando um plano composto por meia centena de eventos que abrangem áreas como o cinema, música, teatro, literatura e património histórico. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Município às redações, o documento agrega os principais eventos realizados de forma regular no concelho.

Sobre a estratégia para este ano, Frederico Sousa afirmou que a agenda “mantém-se consistente, contando com a parceria e o apoio de diversas instituições e associações lagoenses”. O autarca salientou ainda que o objetivo passa por reforçar a “valorização das tradições, da identidade local e do património”, adaptando a oferta às preferências do público, especialmente no que concerne aos eventos festivos que já integram o calendário local.

No que respeita aos equipamentos culturais, o plano prevê a continuidade da exibição regular de cinema no Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida e a dinamização do Auditório Ferreira da Silva, em Água de Pau. Para este último espaço, estão previstos oito eventos principais, incluindo concertos de Rita Rocha, a 1 de maio, e o espetáculo “Namasté”, com Inês Aires Pereira, a 31 de outubro, além de iniciativas de caráter gratuito em parceria com associações locais e a Sinfonietta de Ponta Delgada.

O calendário de verão inclui a 10.ª edição da Festa Branca do Convento, a 22 de agosto, e a Festa de Santo António, entre 9 e 14 de junho, que retoma o modelo de arraial aberto ao público com as tradicionais marchas e atuações de artistas como Toy e Augusto Canário. O Festival Lagoa Bom Porto e as festas em honra do Divino Espírito Santo, em Água de Pau, mantêm-se na programação. Uma das novidades inseridas para 2026 é o Cabouco AgroFest, agendado para os dias 4, 5 e 6 de setembro, dedicado à promoção do mundo rural e dos produtos locais na freguesia do Cabouco.

A vertente literária e de preservação da memória encerra as prioridades da agenda, com destaque para o lançamento da obra “Memória da Cultura Desportiva da Lagoa”, de Marcelo Borges, e a apresentação da edição completa da “Etnologia dos Açores”, de Francisco Carreiro da Costa, no dia 26 de junho.