
O Salão Nobre dos Paços do Concelho de Vila Franca do Campo acolheu, no passado dia 29 de abril, a Assembleia Municipal Jovem, uma iniciativa organizada pela Assembleia Municipal em cooperação com a Câmara Municipal. O evento marcou um passo significativo na estratégia de proximidade entre as camadas mais jovens e a vida política e cívica local, permitindo que os alunos conhecessem de perto o funcionamento dos órgãos autárquicos. A sessão contou com a participação direta do presidente da Assembleia Municipal, Flávio Pacheco, e da presidente da Câmara Municipal, Graça Melo, que, acompanhada pelo seu executivo e pelos presidentes das seis juntas de freguesia do concelho, respondeu às questões e inquietações levantadas pelos jovens participantes.
Segundo a nota enviada pela autarquia de Vila Franca do Campo, o projeto visou incentivar a participação ativa, o espírito crítico e o sentido de responsabilidade dos estudantes. Para além da componente pedagógica sobre o sistema democrático, a dinâmica promoveu o desenvolvimento de competências essenciais como a argumentação, a escuta ativa e o respeito pela pluralidade de opiniões, elementos fundamentais para a formação de cidadãos conscientes e para o fortalecimento do futuro da comunidade vilafranquense.
O encontro contou com uma representatividade abrangente das instituições de ensino locais, incluindo alunos do segundo e terceiro ciclos e secundário da EBS Armando Côrtes-Rodrigues, estudantes do primeiro e segundo anos da Escola Profissional de Vila Franca do Campo e turmas do segundo e terceiro ciclo da EBI de Ponta Garça. Dado o sucesso desta edição, a organização já confirmou que a juventude voltará a ter voz ativa nos meses de outubro ou novembro, data prevista para a realização da segunda Assembleia Municipal Jovem deste ano.

Clife Botelho
A saúde de uma democracia local não se mede pela harmonia das suas reuniões oficiais, mas pela capacidade da imprensa em fazer as perguntas difíceis. Defender o sigilo das fontes e o acesso à informação é defender o direito de todos sabermos o que é feito com o que é nosso.
Fui diretor deste jornal e tenho orgulho nesse facto. Agora como leitor e aos olhos de quem acompanha a vida pública local e sabe que o equilíbrio entre quem governa e quem informa é, por natureza, exigente. Devo alertar que nos últimos tempos, paira no ar uma tendência preocupante: a de confundir o escrutínio jornalístico com uma espécie de “ruído” indesejado. Como cidadãos e leitores, importa lembrar que um jornal que incomoda é, quase sempre, um jornal que está a cumprir o seu dever.
Enquanto fui diretor ouvi, por vezes, críticas à utilização de fontes que preferem o anonimato ou assistimos à criação de novas regras que limitam a memória visual e sonora daquilo que deveria ser o expoente máximo da transparência: as reuniões onde se decide o futuro do concelho. Mas a verdade é que o sigilo profissional não é um capricho dos jornalistas; é a última linha de defesa do cidadão comum que, temendo consequências, decide não baixar os olhos perante o que considera estar errado.
Quando se tenta deslegitimar uma notícia com base na “formalidade” da denúncia ou se fecham portas ao registo direto dos debates, não é apenas o jornalismo que perde — é a comunidade que fica mais cega. A transparência não pode ser seletiva, nem a liberdade de informar pode estar refém da conveniência de quem ocupa as cadeiras do poder.
Continuo a gostar do jornalismo de proximidade e irei sempre defendê-lo, mesmo apenas como cidadão, porque ele é o espelho da nossa realidade, com as suas virtudes e as suas falhas. Por isso, como leitores, cabe-nos valorizar a coragem de quem mantém o compromisso de investigar e relatar, mesmo quando o ambiente se torna mais restritivo. No final do dia, a liberdade de imprensa não pertence aos jornais; pertence a cada um de nós que acredita que a gestão da coisa pública deve ser feita à luz do dia, sem muros nem sombras.
Agora, numa perspetiva de quem fica de fora da redação, resta-me manter a esperança de que o 25 de Abril continuará a cumprir-se, mas esta é uma conquista que exige que continuemos atentos perante factos daquela que é uma nova ditadura nos dias de hoje: a do silêncio imposto e da opacidade conveniente.