
O Centro Cultural dos Fenais da Luz, no concelho de Ponta Delgada, acolhe a Exposição “Desenho A, Artes Visuais ESDR” , de 23 de outubro do corrente ano a 8 de janeiro de 2026.
Sob a coordenação do professor João Vaz de Medeiros, os alunos do 12.º ano do Curso de Artes Visuais, da Escola Secundária Domingos Rebelo, Afonso Oliveira, Beatriz Ferreira, Bruna Ferreira, Francisco Carvalho, Martim Damásio e Sofia Benjamim, deram forma a um convite apresentado pela Câmara Municipal, no âmbito do programa “PDL Escol@tiva”.
Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia de Ponta Delgada, foi neste contexto que surgiu a exposição coletiva, que estará patente na freguesia dos Fenais da Luz. A mostra vai apresentar trabalhos realizados na disciplina de Desenho A, que deram continuidade ao projeto de apoio à criação artística em meio escolar, nas suas variadas formas de ação, expressão e representação.
Do contexto escolar ao contexto público, a exposição tem como objetivo “proporcionar uma nova experiência aos alunos e dar a conhecer os trabalhos por eles desenvolvidos, garantindo um contacto mais próximo deste jovens com o público, através da apresentação e exposição dos seus trabalhos a toda a comunidade”, finaliza a autarquia.

Aguarela na rubrica “São Miguel à vista”.

O seu caderno de desenho é um dos seus melhores amigos. Nele guarda o que vê e transpõe para o papel o que os seus olhos filtram e a sua mão retrata com a ajuda dos pincéis e sobretudo das aguarelas, a sua forma preferida de pintar.
Ana Margarida Carvalho, 55 anos, é oficial de justiça mas é fora dos tribunais, e através da arte, que mais gosta de se expressar.
Começou a fazer urban sketching [desenho urbano] há cinco anos com o grupo Vadios Azores Sketchers. “Fui ao encontro e fui desenhar com eles. Não correu nada bem. Primeiro, a dificuldade dos urban sketchers é conseguir meter tudo o que queremos dentro de uma folha de papel que é pequena, um caderno. Fiquei envergonhada e com vontade de deitar fora porque sou exigente comigo. Disse, não vou mais porque isso não é para mim”, conta ao Diário da Lagoa (DL). Mas a sua desilusão inicial foi empurrada para trás das costas com uma boa dose de teimosia e agarrou-se novamente ao papel e às aguarelas. “Comecei a treinar em casa, fui melhorando e voltei. Tivemos dois ou três anos intensivamente a desenhar todos os sábados”, diz.
Atualmente já não desenha em grupo e garante que já não deixa que o desenho deixe a sua vida. “É raro o dia que não desenho, fico rabugenta quando não desenho”, assegura, entre risos, Ana Margarida Carvalho. Desenha todos os dias, “nem que seja só cinco minutos”. Explica que aprecia particularmente “aquela liberdade de água a fluir no papel para pintar nem que seja uma flor, algo abstrato ou qualquer coisa, vou lá molhar as tintas e pintar um bocadinho”.
A artista garante que não é difícil começar, mesmo que não se tenha jeito para o desenho: “o resultado final não tem que ser bom, o que interessa é o tempo que estamos ali a desenhar”. E esse tempo e o ato de pintar, para Ana Margarida, é terapêutico. “Eu entro noutro mundo e esqueço o resto, é o meu mundo. Estou ali em paz, é mesmo uma terapia e uma espécie de meditação”, assegura.

O ato de pintar pode ser sinónimo de várias técnicas. Mas a que Ana Margarida prefere e adota todos os dias nos seus trabalhos é a aguarela. “Nós não temos um controle total sobre a água e sobre a tinta porque a aguarela é a água essencialmente e a água dilui-se e expande-se e a gente não consegue controlar. Para mim isso é um desafio. Dá-me muito prazer ver as tintas a se mostrarem no papel e a se expandir. Gosto muito, também, de não saber o resultado final”, revela.
Esta artista, nascida na Madeira, mas residente há 30 anos em S. Miguel, tem dois sonhos: expôr no Parque Terra Nostra e dedicar-se exclusivamente à pintura. “Segui aquela receita que nos ensinam para sermos felizes. Dizem-nos que vamos crescer, estudar, constituir família, ter uma casa, ter um carro, marido, filhos, essas coisas todas. Eu tenho isso tudo, graças a Deus. Estou a pensar mesmo, seriamente, em dedicar-me à pintura”, conta ao DL. Ana Margarida também gostava de poder encontrar mais espaços onde possa colocar os seus trabalhos e vendê-los. Diz que tem aguarelas espalhadas por vários países: “existem muitos estrangeiros que gostam de levar arte como recordação das férias e muitas das aguarelas que vendi foram para países como os Estados Unidos, Canadá, Hungria, Alemanha, países nórdicos em geral”.
A experiência de desenhar ao vivo, não só edifícios, mas acontecimentos é também uma área que Ana Margarida pretende explorar. “Já tenho uma proposta para desenhar um casamento, desenhar os convidados, os noivos. Já me fizeram mais propostas mas na altura tive medo de aceitar. Agora estou a pensar seriamente em começar a abraçar esta área” conta ao DL.
Para além de continuar a desenhar, todos os dias, a artista pretende que os seus desenhos cheguem a mais apreciadores de arte. E para que mais pessoas possam ver ou até comprar os seus trabalhos vai expôr no Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada, de 4 de abril a 8 de maio. Até lá vai continuar a pintar aquilo que vê, por gosto e sem se cansar.

A Casa da Cultura Carlos César, na freguesia de Santa Cruz, concelho da Lagoa, vai acolher aulas de pintura e desenho ministradas pelo artista açoriano, Victor Almeida, numa iniciativa promovida pela Câmara da Lagoa.
As aulas vão ter início a 8 de outubro e decorrem até 27 de maio de 2025. As sessões formativas e práticas vão ter lugar todas as terças-feiras, das 19h00 às 21h00, sendo que no fim das aulas, prevê-se a realização de uma exposição com alguns dos trabalhos produzidos.
As aulas vão ter um limite máximo de nove participantes e um mínimo de cinco alunos, sendo que, este ano, a idade mínima dos alunos será de 18 anos. A oferta formativa irá abranger sessões práticas no domínio da técnica a óleo, a realização de trabalhos de cópia de artistas de referência, trabalho livre e a execução de trabalhos de observação de objetos ao vivo. Segundo a autarquia lagoense, o formador, Víctor Almeida, abordará ainda, em sessões teóricas, a contextualização da arte contemporânea.
Victor Almeida, artista plástico açoriano, nasceu em Ponta Delgada, em 1967. Em 1999 licenciou-se em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas Artes do Porto e, atualmente, é professor de Artes Visuais na Escola Secundária da Lagoa.
Em 2000, recebeu o Prémio Artes & Letras para melhor exposição do ano 1999 e, em 2003.
As aulas têm um custo mensal de 40 euros por formando.

Aguarela na rubrica “São Miguel à vista”.