
Autoridades regionais dos Açores, representantes das Casas dos Açores do Brasil, dirigentes institucionais, académicos e investigadores participam, no próximo dia 23 de agosto, na Casa José Boiteux, em Florianópolis, no estado brasileiro de Santa Catarina, no “IX Encontro Açores-Brasil”, iniciativa promovida pelo Governo dos Açores, através da Direção Regional das Comunidades, destinada a reforçar a cooperação institucional e cultural entre a Região Autónoma dos Açores e as comunidades açorianas radicadas no Brasil.
O encontro realiza-se na sequência da inauguração da nova sede da Casa dos Açores de Santa Catarina, marcada para 22 de agosto, na localidade de Santo António de Lisboa, servindo esse momento como ponto de partida para a realização do “IX Encontro Açores-Brasil” e para a consolidação do trabalho desenvolvido pelas diferentes Casas dos Açores espalhadas pelo território brasileiro.
Neste sentido, a sessão de abertura contará com intervenções do diretor regional das Comunidades dos Açores, José Andrade, da presidente da Academia Catarinense de Letras, Lélia Nunes, e do presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Luiz Nilton Corrêa.
Um dos momentos centrais da programação será o painel “As Casas dos Açores do Brasil – Percurso histórico, situação atual e perspetivas futuras”, que reunirá os presidentes das Casas dos Açores do Rio de Janeiro (Leonardo Soares), São Paulo (Roberto Melo), Santa Catarina (Sérgio Luiz Ferreira), Rio Grande do Sul (Viviane Peixoto Hunter), Maranhão (Raphael Guará), Espírito Santo (Nino Moreira Seródio), Minas Gerais (Cláudio Motta) e Ceará (Hélya Abath), permitindo partilhar experiências, identificar desafios comuns e debater estratégias de atuação conjunta.
Durante o encontro será também discutida a criação da “Rede Nacional das Casas dos Açores do Brasil”, iniciativa que pretende fortalecer a articulação entre as diferentes instituições açorianas existentes no país, promovendo projetos conjuntos nas áreas da cultura, educação, investigação, turismo, empreendedorismo e desenvolvimento regional, bem como aprofundar a cooperação institucional com a Região Autónoma dos Açores.
A sessão de encerramento estará a cargo do secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades dos Açores, Paulo Estêvão, concluindo uma iniciativa que pretende reforçar a ligação entre os Açores e a diáspora açoriana no Brasil, contribuindo para preservar o património histórico comum e promovendo novas oportunidades de colaboração entre os dois lados do Atlântico.

O governo regional dos Açores anunciou que irá promover, em 2027, um estudo destinado a avaliar o impacto social e económico das migrações no arquipélago.
O anúncio foi feito durante o V Encontro Consular dos Açores, realizado no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, que reuniu representantes do corpo consular acreditado na região para refletir sobre os desafios e oportunidades das comunidades residentes no arquipélago, segundo nota de imprensa enviada à nossa redação.
Atualmente, os cidadãos estrangeiros representam cerca de 4% da população açoriana, realidade que o governo regional considera essencial para responder aos desafios demográficos, dinamizar a economia e reforçar a coesão social.
Na sessão de abertura do encontro, José Manuel Bolieiro assinalou a alteração no perfil demográfico e migratório da região, que concilia a tradição emigratória com a receção de novos residentes.
“Os Açores são uma terra de emigração, com uma Diáspora prestigiada em todo o mundo, mas são hoje também uma região de acolhimento, capaz de integrar pessoas, criar oportunidades e fortalecer a sua economia com quem escolhe viver entre nós”, declarou o presidente, acrescentando que o estudo permitirá “conhecer melhor o impacto das migrações no desenvolvimento dos Açores e valorizar o contributo daqueles que escolheram as nossas ilhas para viver, trabalhar, investir e empreender”.
A sessão enquadrou-se também nos preparativos para a celebração, no próximo ano, dos 600 anos do povoamento e da descoberta dos Açores, momento assinalado como oportuno para analisar a evolução da sociedade insular.
A segunda parte do encontro foi dedicada à valorização das comunidades estrangeiras residentes nos Açores, através de testemunhos de representantes do Brasil, Alemanha, Cabo Verde, Estados Unidos da América e Espanha, que partilharam os seus percursos de integração e o contributo que têm prestado à sociedade açoriana nas áreas da cultura, investigação, artes e empreendedorismo.
O encerramento do evento contou com a apresentação do Grupo Folclórico e Etnográfico Estrelas do Atlântico, vindo de Laval, no Quebeque, Canadá.
Promovido pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, através da Direção Regional das Comunidades, o encontro consular realiza-se anualmente desde 2022. Segundo o governo regional, desta cooperação resultou, em 2025, a assinatura de um protocolo com a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), que permitiu alargar os seus serviços às 55 lojas da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão (RIAC) existentes nas nove ilhas dos Açores.

Em declarações ao Diário da Lagoa, durante o 4.º Fórum das Migrações, realizado entre 8 e 10 de abril nas ilhas do Corvo e das Flores, este responsável referiu que a realidade migratória açoriana tem vindo a crescer de forma consistente e já representa uma componente estrutural da sociedade regional.
“Temos, nos Açores, mais de oito mil cidadãos estrangeiros, provenientes de 97 países diferentes, que estão em todas as nove ilhas, em todos os 19 concelhos e em muitas das 155 freguesias”, afirmou José Andrade, que explicou também a distribuição das principais comunidades estrangeiras no arquipélago, sublinhando o peso de países como Brasil, Alemanha, Cabo Verde, Estados Unidos e Espanha. Segundo acrescentou, esta população representa já uma parcela relevante da sociedade açoriana, ainda que abaixo de outros territórios nacionais.
“Correspondem, já, a cerca de 3,5% da população dos Açores, menos do que os 7% da Madeira, muito menos do que os 15% do continente português”, declarou.
Para o governante, esta evolução deve ser encarada como “positiva e estratégica” para o futuro da região.
“De ano para ano, temos vindo a verificar um aumento significativo de imigrantes, e isso é bom para os Açores”, sublinhou José Andrade.
No plano demográfico, o diretor regional destacou o papel da imigração na compensação do envelhecimento populacional.
“É bom por causa da demografia, porque o saldo migratório é que tem ajudado a compensar o saldo natural negativo”, referiu.
No plano económico, Andrade salientou a importância da mão de obra estrangeira em setores essenciais.
“Graças aos imigrantes, nós temos capacidade de resposta em áreas crescentes, como a restauração, a hotelaria, a construção, e mesmo a agricultura e as pescas”, destacou.
Já na vertente cultural, considerou que a diversidade migratória representa um ganho para a identidade açoriana.
“É bom, também, por causa da cultura, porque a vinda dessa diversidade cultural acrescenta valor à sociedade açoriana”, afirmou.
José Andrade defendeu também uma visão mais aberta para o futuro da região.
“Queremos que seja cada vez mais cosmopolita, não apenas multicultural, mas até intercultural, e, portanto, isso é bom para todas as partes”, declarou, lembrando ainda a história migratória dos Açores como elemento de responsabilidade coletiva no presente.
“Sempre fomos um povo emigrante, e agora temos a obrigação também de bem acolher e de bem integrar na nossa terra”, sublinhou.
Entre as medidas em curso, destacou o protocolo entre o governo dos Açores e a AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, operacionalizado através da RIAC.
“Está a ser possível, progressivamente, em todas as lojas da RIAC, e são 55 nos 19 concelhos”, explicou, acrescentando que este modelo permite maior proximidade e simplificação administrativa.
“A partir daqui qualquer cidadão emigrado, a partir da sua própria ilha, consegue resolver localmente o seu processo administrativo de regularização, sem ter necessidade de se deslocar a outra ilha ou até ao continente”, referiu.
Na sua perspetiva, este sistema coloca os Açores na linha da frente em matéria de apoio à integração.
“Isso faz dos Açores a região com a maior e a melhor resposta de proximidade no âmbito da regularização dos processos dos imigrantes que escolhem os Açores para desenvolverem aqui connosco o seu projeto de vida”, afirmou.
Sobre o 4.º Fórum das Migrações, considerou que a edição “não podia ser melhor”, destacando o crescimento da iniciativa desde 2023.
“Desta vez, quisemos assumir o exemplo máximo da descentralização regional”, disse este governante, que sublinhou também o simbolismo das ilhas anfitriãs.
“O conjunto dessas duas ilhas, que simbolicamente representam o extremo ocidental dos Açores, de Portugal e da Europa, personifica, por si só, o tema central deste 4.º Fórum das Migrações, que é contextualizar as migrações num quadro de ultraperiferia”, explicou.
Depois de passar pelas ilhas do Faial e do Pico (2023), da ilha de São Miguel (2024) e da ilha da Terceira (2025), o diretor regional defendeu a continuidade do Fórum das Migrações no futuro.
“Este Fórum das Migrações merece continuar, porventura, prosseguindo esse esforço de descentralização para as demais ilhas dos Açores”, referiu.
José Andrade salientou ainda a crescente relevância institucional do evento.
“Nós, de ano para ano, de fórum para fórum, temos sido cada vez mais ambiciosos, com entidades cada vez mais representativas, de âmbito regional e nacional”, afirmou, salientando a presença nesta 4.ª edição de “nomes de reconhecida competência e autoridade em matéria de migrações”, tais como “o presidente da AIMA, Pedro Portugal Gaspar, ou o chefe da missão em Portugal da Organização Internacional para as Migrações, Vasco Malta”.
Em tom de conclusão, deixou uma mensagem de envolvimento coletivo na integração dos imigrantes que vão viver para os Açores.
“Essa integração, para ser bem-sucedida, não pode ser apenas a responsabilidade do governo. Ela deve ser a responsabilidade da sociedade em geral e de cada cidadão em particular”, declarou.
“A causa é comum, que é o desenvolvimento dos Açores, quem quer que venha por bem será recebido de braços abertos e ficará para sempre no nosso coração”, concluiu José Andrade.

O terceiro Fórum das Migrações dos Açores, promovido pela Direção Regional das Comunidades, do Governo dos Açores, reuniu autoridades públicas e empresariais, representantes de associações e membros da comunidade migrante para ouvir especialistas sobre migração, identidade e cooperação lusófona. O evento, realizado nos dias 19 e 20 de novembro, na Universidade dos Açores, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, teve transmissão online e destacou o crescimento da imigração no arquipélago.
O diretor regional das Comunidades, José Andrade, definiu o Fórum como “um espaço anual de partilha e reflexão entre poderes públicos e parceiros privados”. Segundo este responsável, o fenómeno migratório é um indicador de prosperidade e desenvolvimento para o arquipélago.
Durante o evento, foram apresentados dados que revelam a presença de oito mil imigrantes nos Açores, provenientes de 100 países. O Brasil lidera, com quase 20% desse total, seguido por Alemanha, Estados Unidos, Espanha, China, Cabo Verde, Itália e Reino Unido. Dados recentes também apontam a existência de 1.341 alunos estrangeiros nas escolas públicas, sendo 338 brasileiros. Entre os 197 formandos nas escolas profissionais, 98 são cabo-verdianos.
No encerramento, José Andrade entregou certificados do “Curso de Português para Falantes de Outras Línguas” a 18 formandos, com idades entre 19 e 77 anos, de várias nacionalidades, residentes nos concelhos de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória. As aulas foram realizadas na ilha Terceira, com organização da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA). O projeto foi financiado pela Direção Regional das Comunidades.
Presente no evento, a presidente da Associação “Mais Lusofonia”, Sofia Lourenço, classificou o Fórum como “irrepreensível” e destacou os “testemunhos da comunidade que todos os dias trabalha e sente as migrações diretamente, promovendo e buscando o desenvolvimento para todos, das pessoas, independente do seu local de origem, raça ou credo”.