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Lagoa acolhe seminário pioneiro nos Açores sobre o papel do brincar na aprendizagem e os direitos das crianças

Iniciativa promovida pela autarquia e pela CPCJ local, no dia 11 de junho, serve também de palco para a apresentação do primeiro Plano Municipal de Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens da região

© CM LAGOA

O Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida vai ser o ponto de encontro para uma reflexão profunda sobre o desenvolvimento infantil, acolhendo no próximo dia 11 de junho, pelas 15h00, o seminário “O Papel do Brincar no Processo de Aprendizagem”. A iniciativa, que assinala as comemorações do Dia Internacional do Brincar, nasce de uma parceria entre a Câmara Municipal da Lagoa e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Lagoa. Segundo a nota de imprensa enviada pelas entidades promotoras ao Diário da Lagoa | Notícias que contam, o evento assume um caráter histórico para o arquipélago com a apresentação pública do Plano Municipal de Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens para o período 2026-2030, tornando-se o primeiro documento estratégico desta natureza a ser implementado na Região Autónoma dos Açores.

O encontro pretende mobilizar a comunidade lagoense e os profissionais que atuam na infância e juventude, sublinhando a urgência do trabalho em rede e da articulação institucional para garantir o bem-estar dos mais novos. Ao associar o seminário ao Dia Internacional do Brincar, a organização evoca diretamente o artigo 31.º da Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas, que eleva o ato lúdico ao estatuto de direito fundamental. O debate colocará em evidência como as atividades recreativas são cruciais no desenvolvimento das capacidades motoras, sensoriais e cognitivas, funcionando como alicerces indispensáveis para o sucesso escolar e para a estabilidade emocional das crianças.

A apresentação das linhas mestras do novo plano estratégico municipal ficará a cargo da vereadora da Câmara Municipal, Graça Costa. O painel de debate será moderado pela presidente da CPCJ de Lagoa, Edite Preto, e trará à discussão os contributos técnicos do neuropsicólogo João Lopes e da psicomotricista Filipa Chalin, especialistas convidados para abordar o impacto direto das experiências lúdicas no crescimento saudável e na capacidade de aquisição de novos conhecimentos.

O seminário é direcionado a toda a população do concelho, com especial enfoque em pais, encarregados de educação, docentes, profissionais de saúde, assistentes sociais e equipas de Casas de Acolhimento Residencial e CATL. A participação é totalmente gratuita, embora sujeita a inscrição prévia através de um formulário digital disponibilizado no portal oficial da autarquia e nas redes sociais das instituições organizadoras, num convite aberto à comunidade para fortalecer as dinâmicas de proteção local.

Lagoa inicia elaboração de plano municipal para os direitos das crianças e jovens

Reunião entre autarquia e instituições locais identificou prioridades como o combate à violência doméstica, negligência parental e indisciplina

© CM LAGOA

A Câmara Municipal da Lagoa, na ilha de São Miguel, promoveu uma reunião de trabalho para a preparação do Plano Municipal de Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens do Concelho. O encontro, que contou com a presença da vereadora da ação social, Graça Costa, reuniu diversas entidades com intervenção direta nas áreas da infância e juventude para recolher contributos técnicos que servirão de base à redação do documento final.

De acordo com a nota enviada pela autarquia ao Diário da Lagoa, a reunião teve como objetivo auscultar os parceiros sociais e refletir sobre os desafios atuais no território lagoense. A intenção do município é sistematizar a colaboração já existente entre os serviços, clarificando o papel de cada instituição para garantir intervenções mais concertadas. Durante os trabalhos, foram analisadas problemáticas específicas, nomeadamente estratégias de prevenção e combate à violência doméstica, à negligência parental e a comportamentos de indisciplina em contexto escolar e social.

Graça Costa destacou, na ocasião, que este plano pretende aprofundar o conhecimento sobre a realidade das famílias e dos jovens no concelho. “Este processo poderá contribuir para um melhor acompanhamento das situações existentes e para o reforço do trabalho em rede entre as várias entidades”, afirmou a autarca, referindo que muitas destas instituições já desenvolvem trabalho nesta área de forma informal.

A elaboração do plano contou com a participação de representantes de várias instituições, incluindo a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Lagoa, o Centro Sócio Cultural da Atalhada, a APAV, as escolas EBIs de Água de Pau e Lagoa, a Escola Secundária da Lagoa, a Universidade dos Açores, além de equipas de saúde escolar e de enfermagem do Centro de Saúde local. Com esta iniciativa, a autarquia refere que procura definir as linhas de ação pública para a infância e juventude através de um modelo de trabalho em parceria com as forças vivas da comunidade.

Luís Garcia salienta que acolhimento familiar é “prioridade coletiva” que exige mais do que apenas leis

Durante a apresentação da campanha “Acolher é Proteger”, Luís Garcia destacou o novo regime jurídico da região, mas alertou: para proteger as nossas crianças, “a lei, por si só, não é suficiente”. É preciso recursos, formação e o envolvimento de todos

Presidente do parlamento açoriano destaca o acolhimento familiar como “prioridade coletiva” © ALRAA

O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, defendeu esta manhã, em Ponta Delgada, que o acolhimento familiar é “uma prioridade política e social estruturante na região”, destacando a relevância da aprovação, este ano, de um novo regime jurídico adaptado à realidade açoriana. Durante a apresentação da campanha “Acolher é Proteger”, o líder do parlamento sublinhou que “a proteção destas crianças e jovens não pode ser fragmentada; deve ser assumida como uma prioridade coletiva”, reforçando que esta é uma matéria que convoca todos à ação, desde os decisores políticos aos cidadãos comuns.

Ao analisar o novo enquadramento legal, Luís Garcia considerou que este contribui para introduzir “uma maior organização, transparência e rigor” na gestão das vagas e no acompanhamento das famílias, mas deixou um alerta importante sobre os desafios práticos da sua implementação. Para o presidente da ALRAA, “a lei, por si só, não é suficiente”, defendendo que a sua plena concretização exige obrigatoriamente “recursos adequados, formação especializada e acompanhamento técnico permanente”, sem esquecer a necessidade de existir “uma sociedade informada e sensibilizada para esta realidade”.

Na mesma ocasião, o representante do parlamento açoriano fez questão de dirigir uma palavra de reconhecimento às instituições e profissionais que atuam nesta área, muitas vezes em contextos “exigentes e emocionalmente complexos”. Luís Garcia concluiu sublinhando que este trabalho é “essencial” para o futuro do arquipélago, precisamente pelo “enorme impacto que tem na vida de tantas crianças e jovens” que dependem deste sistema de proteção para crescerem num ambiente seguro e familiar.