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Otacílio Soares: “Acordo Mercosul-União Europeia poderá abrir uma nova etapa nas relações económicas entre Portugal e o Brasil”

Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, Otacílio Soares, destaca o impacto do Acordo Mercosul-UE, o papel de Portugal como porta de entrada na Europa e o potencial de cooperação no espaço da CPLP

Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira © AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS

Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), defende que a forte proximidade histórica, cultural e linguística entre Portugal e o Brasil deve ser convertida em relações económicas ainda mais concretas, capazes de gerar mais investimentos, parcerias, negócios e desenvolvimento para ambos os países.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, parceira do Diário da Lagoa – Notícias que contam, o responsável abordou o papel da CCILB na aproximação entre empresas, investidores e instituições portuguesas e brasileiras, destacando os processos de internacionalização, os setores com maior potencial de cooperação, o posicionamento de Portugal como plataforma de entrada no mercado europeu e as oportunidades de criação de uma rede económica no espaço da língua portuguesa.

Qual tem sido o papel da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira no reforço das relações econômicas e empresariais entre Portugal e o Brasil?
A Câmara procura transformar a proximidade histórica e cultural entre Portugal e o Brasil em relações empresariais concretas. Os dois países têm uma ligação muito forte, mas isso, por si só, não é suficiente para gerar negócios. É preciso aproximar as empresas certas, facilitar o acesso à informação e ajudar os empresários a compreender as particularidades de cada mercado. Nesse sentido, a CCILB atua como uma ponte entre empresas, investidores, associações empresariais e entidades públicas dos dois países. Promovemos encontros, missões, seminários e contactos institucionais, sempre com o objetivo de criar relações de confiança e oportunidades que possam se transformar em investimentos, parcerias e novos negócios. Nosso papel também é ajudar a reduzir a distância prática entre os dois mercados. Embora falemos a mesma língua, existem diferenças na legislação, na tributação, na cultura empresarial e na forma de negociar. Muitas vezes, uma orientação correta no início evita erros, custos e perda de tempo.

Neste período de férias de verão, na Europa, e de inverno, na América do Sul, que ações estão sobre a mesa em termos empresariais por parte da CCILB para aproximar os dois territórios?
O período de férias pode ser um bom momento para refletir e planear. Muitas decisões empresariais importantes começam justamente quando temos mais tempo para avaliar novos mercados, rever estratégias e pensar com um pouco mais de tranquilidade. Na CCILB, estamos trabalhando na preparação de novas iniciativas para o segundo semestre, com encontros empresariais, ações de networking, seminários e atividades voltadas à internacionalização. Também estamos fortalecendo nossos comités, que permitem tratar de forma mais especializada temas como tecnologia, inovação, turismo, comércio exterior, sustentabilidade, arbitragem e investimentos. Queremos ampliar a aproximação com câmaras de comércio, federações empresariais e entidades de promoção de investimentos dos dois países. A ideia é que essas relações institucionais resultem em agendas práticas, com empresas interessadas, oportunidades identificadas e acompanhamento posterior. Também continuaremos dando atenção ao Acordo Mercosul-União Europeia, que poderá abrir uma nova etapa nas relações económicas entre Portugal e o Brasil. Precisamos preparar as empresas, especialmente as pequenas e médias, para entenderem as oportunidades e as exigências desse novo cenário.

De que forma a CCILB apoia empresas portuguesas e brasileiras nos processos de internacionalização, entrada nos respectivos mercados e criação de parcerias?
O primeiro apoio é ajudar a empresa a compreender o mercado no qual pretende entrar. Internacionalizar não significa apenas encontrar um cliente ou distribuidor. É necessário conhecer a legislação, os aspetos tributários, os canais de distribuição, os custos logísticos, a concorrência e a cultura empresarial local. A CCILB procura orientar as empresas e aproximá-las de profissionais, entidades e potenciais parceiros que possam apoiá-las em cada etapa. Não substituímos os especialistas, mas ajudamos o empresário a encontrar as pessoas certas e a chegar ao mercado com mais segurança. Também promovemos encontros empresariais, missões e eventos setoriais, nos quais as empresas podem apresentar seus projetos, conhecer potenciais parceiros e estabelecer relações de confiança. Esse trabalho é especialmente importante para as pequenas e médias empresas, que nem sempre possuem estrutura própria para fazer uma prospeção internacional. Entendemos que o trabalho da Câmara não termina na apresentação entre duas empresas. Sempre que possível, procuramos acompanhar a evolução dos contactos e contribuir para que uma primeira conversa possa se transformar em uma parceria efetiva e duradoura.

Que setores apresentam, atualmente, maior potencial para aprofundar o comércio, o investimento e a cooperação empresarial entre os dois países?
Existem oportunidades em diversos setores. Tecnologia, inovação, energia, infraestrutura, turismo, agronegócio, alimentos e bebidas, saúde, setor farmacêutico, construção civil, mercado imobiliário, logística e serviços financeiros estão entre as áreas com maior potencial. Portugal desenvolveu competências importantes em energias renováveis, turismo, tecnologia, engenharia, gestão de infraestrutura e serviços. O Brasil, por sua vez, possui escala, recursos naturais, capacidade industrial, produção agroalimentar e um mercado consumidor muito expressivo. Quando essas competências são combinadas, surgem oportunidades interessantes para os dois lados. Também vejo grande potencial na economia digital, na inteligência artificial e nos serviços prestados internacionalmente. São áreas nas quais a dimensão geográfica deixou de ser uma barreira tão relevante. O setor de alimentos e bebidas merece atenção especial. Portugal tem produtos de grande qualidade e o Brasil oferece um mercado amplo, embora ainda existam desafios tributários, logísticos e regulatórios. Em sentido inverso, produtos brasileiros podem utilizar Portugal como ponto de entrada e de valorização no mercado europeu.

Como pode Portugal assumir-se como plataforma de entrada das empresas brasileiras na União Europeia e, em sentido inverso, apoiar as empresas portuguesas interessadas no mercado brasileiro?
Portugal reúne condições muito favoráveis para ser uma plataforma de entrada das empresas brasileiras na União Europeia. Há proximidade cultural, facilidade de comunicação, segurança jurídica, boa infraestrutura, profissionais qualificados e acesso a um mercado europeu com centenas de milhões de consumidores. Mas Portugal não deve ser visto apenas como uma porta de entrada. Pode ser uma base para a estruturação, gestão e expansão das operações brasileiras na Europa. Uma empresa pode instalar aqui sua sede europeia, adaptar produtos às normas da União Europeia, contratar profissionais e desenvolver uma estratégia para outros mercados. No sentido inverso, o Brasil oferece às empresas portuguesas escala e acesso a um dos maiores mercados do mundo. É também uma plataforma para outros países da América do Sul. Naturalmente, o mercado brasileiro exige preparação. É necessário compreender a tributação, a regulamentação, as diferenças regionais e a dinâmica comercial do país. A CCILB pode contribuir justamente nessa ligação, aproximando empresas e instituições e ajudando a identificar parceiros locais confiáveis. Em uma internacionalização, escolher bem os parceiros é tão importante quanto escolher o mercado.

De que forma a CCILB tem ampliado a sua atuação à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e que oportunidades identifica no espaço económico da CPLP?
A Língua Portuguesa é um património comum e também pode ser um ativo económico. A CPLP reúne países em diferentes continentes, com recursos, mercados e necessidades muito diversos. Essa diversidade cria oportunidades em áreas como infraestrutura, energia, agricultura, saúde, educação, tecnologia, turismo e serviços financeiros. A CCILB vem procurando ampliar o diálogo com representantes diplomáticos, instituições e empresários dos demais países de Língua Portuguesa. Nosso objetivo é contribuir para que Portugal e o Brasil também funcionem como pontos de conexão para negócios com a África, a Ásia e outras regiões onde a língua portuguesa está presente. Ainda existem desafios importantes, como financiamento, logística, segurança jurídica e conhecimento dos mercados locais. Por isso, é fundamental trabalhar com instituições confiáveis e projetos bem estruturados. Mais do que imaginar um mercado único, devemos construir uma rede económica de língua portuguesa, baseada em informação, confiança, mobilidade empresarial e cooperação. Há um potencial muito grande que ainda não foi plenamente aproveitado.

Quais são as prioridades da CCILB para os próximos anos e que iniciativas estão previstas para aproximar empresários, instituições e investidores de Portugal, do Brasil e dos restantes países da CPLP?
Nossa prioridade é tornar a Câmara cada vez mais útil para seus associados e para as empresas que desejam atuar entre esses mercados. Isso significa oferecer informação relevante, promover encontros objetivos e criar condições para que as relações institucionais gerem resultados empresariais. Pretendemos fortalecer os comités setoriais, ampliar as missões empresariais e realizar eventos sobre temas estratégicos, como o Acordo Mercosul-União Europeia, inovação, tecnologia, sustentabilidade, turismo, comércio exterior, investimentos e arbitragem. Também queremos aumentar a cooperação com câmaras de comércio, federações empresariais, universidades, embaixadas, agências de promoção de investimentos e entidades de apoio à internacionalização. Essa articulação é essencial para dar escala e continuidade às iniciativas. Outro objetivo é ampliar a presença da CCILB junto aos países da CPLP, aproximando empresários e investidores e identificando projetos concretos de cooperação. Em resumo, queremos uma Câmara aberta, dinâmica e próxima das empresas. Portugal, Brasil e os demais países de língua portuguesa possuem relações históricas muito fortes. Nosso desafio é fazer com que essa proximidade se traduza, cada vez mais, em investimentos, empregos, inovação e desenvolvimento para todos.

Here we go again

Álvaro Borges

A 17 de junho de 2026, os EUA e o Irão assinaram um memorando de entendimento que estabelecia um prazo de 60 dias para alcançar um acordo de paz e reabrir o Estreito de Ormuz. Esse memorando levou a um alívio nos mercados financeiros em todo o mundo. Trump afirmou nesse dia: “É um memorando de entendimento e, se eu não gostar, voltaremos a disparar contra eles, a largar bombas”.

A 8 de Julho, Trump ameaçou e cumpriu o que tinha dito. Os EUA lançaram novos ataques contra alvos iranianos, após ataques a navios, e este retaliou contra bases militares americanas na região. O bloqueio naval dos EUA ao Estreito voltou. Bahrein, Kuwait, Egipto, Jordânia e Emirados Árabes Unidos condenaram os ataques iranianos.

O memorando estava morto à nascença e não passava de uma farsa para acalmar os mercados por três semanas.

Os juros da dívida soberana da Zona Euro voltaram a subir. O preço do petróleo bruto voltou a subir. Os mercados já antecipam novos aumentos das taxas de juro pelo Banco Central Europeu, o que irá traduzir-se em prestações da habitação ainda mais elevadas.

Até que ponto os EUA estão dispostos a ir? A maioria da opinião pública americana considera que os elevados custos económicos com este conflito são injustificados. Muitos analistas consideram que o mundo vive mergulhado no caos, na incerteza e numa roda sem eixo, sem qualquer perspetiva de negociações de paz. Os americanos continuam a tentar, embora não se perceba o alcance do sucesso, desgastar e enfraquecer economicamente o Irão para que, numa posição de fraqueza, se sinta obrigado a negociar.

O mundo está preso numa instabilidade e incerteza económica, e isto pesa na carteira de todos nós, sendo os mais pobres os mais prejudicados. Resta saber até onde tudo isto poderá chegar. Não é necessário beber toda a água do mar para saber que ela é salgada.

Câmara de Comércio ausculta empresários de Vila Franca do Campo e aponta caminhos para o desenvolvimento económico

Em reunião com a autarquia local, a direção da CCIPD apresentou as principais preocupações do tecido empresarial, destacando a urgência na segunda fase da zona industrial, a falta de mão-de-obra e a valorização da marina

© CM VILA FRANCA DO CAMPO

A direção da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) deu continuidade à sua nova estratégia de proximidade concelho a concelho, com uma visita oficial às empresas associadas de Vila Franca do Campo. A iniciativa, inserida no plano de ação para as ilhas de São Miguel e de Santa Maria, arrancou com uma reunião empresarial no Centro Cultural local, unindo empresários de diversos setores para identificar os principais desafios e oportunidades do desenvolvimento económico daquela região.

Segundo o comunicado enviado pela direção da CCIPD à nossa redação, os empresários sublinharam a urgência de uma estratégia integrada que articule habitação, ordenamento do território, captação de investimento e a fixação de população. Foi igualmente apontada a necessidade de acelerar a aprovação de projetos no centro histórico, através de uma maior articulação com a Direção Regional da Cultura, e de combater os constrangimentos, morosidade e falta de previsibilidade nos processos de licenciamento.

Entre as reivindicações mais estruturantes, o tecido empresarial destacou a urgência em acelerar a conclusão e disponibilização da segunda fase da zona industrial de Vila Franca do Campo, considerada um passo essencial para o crescimento das empresas e atração de novos capitais. A par disso, a persistente escassez de mão-de-obra qualificada e as dificuldades de recrutamento motivaram pedidos para o reforço da formação técnica e profissional direcionada para as reais necessidades locais.

As infraestruturas e a mobilidade também estiveram no centro do debate. Os empresários apontaram falhas nos transportes públicos e na acessibilidade interna em algumas freguesias, além de exigirem investimentos na remodelação do saneamento básico e na valorização das praias do concelho. No campo económico, foi defendida a valorização da economia do mar e do turismo náutico, com destaque para a urgência em aumentar a capacidade da marina de Vila Franca do Campo, reforçar as obras de manutenção e desenhar um plano de valorização económica daquela infraestrutura.

Após a auscultação, a direção da CCIPD reuniu-se com a presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo para apresentar estas conclusões e debater medidas de competitividade. Ambas as partes coincidiram na importância do trabalho conjunto e manifestaram total disponibilidade para manter um diálogo próximo e permanente. Em nota, a direção da associação empresarial reafirmou que o concelho possui condições muito relevantes para reforçar a sua atratividade assente no mar, turismo, agricultura, património e cultura, sendo fundamental criar condições para transformar este potencial em emprego e investimento.

Professor da Universidade dos Açores defende: “imigração deve ser vista como mais-valia social, cultural e económica” para os Açores

Especialista, Paulo Fontes, defende visão integrada da imigração e alerta para a necessidade de valorizar as qualificações de quem escolhe os Açores

© AGÊNCIA INCOMPARÁVEIS

Paulo Fontes, professor da Universidade dos Açores, destacou a necessidade de repensar o papel das migrações nas políticas públicas regionais, defendendo uma abordagem mais abrangente e integrada. Declarações dadas à margem do 4.º Fórum das Migrações, uma iniciativa promovida pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades do governo dos Açores nas ilhas do Corvo e das Flores, entre os dias 8 e 10 de abril, reunindo especialistas, académicos, instituições, associações, autoridades, membros da sociedade civil e imigrantes residentes no arquipélago para “debater os desafios e oportunidades das migrações nos territórios ultraperiféricos”.

Ao longo da nossa conversa, o docente alertou para a visão redutora que muitas vezes é atribuída aos imigrantes, afirmando que não se deve “olhar só para os imigrantes como alguém que vem colmatar uma falta de mão de obra, porque isso é sinal que a economia não funciona bem”.

Segundo este especialista, essa realidade revela fragilidades estruturais, uma vez que “não valoriza certas profissões e não paga bem certas profissões, por isso é que até os locais não as querem exercer”.

Apesar disso, reconhece que, numa fase inicial, os imigrantes podem responder a necessidades concretas do mercado de trabalho. No entanto, defende que o verdadeiro desafio está em ir além dessa lógica.

“A ideia é, sim, os imigrantes chegarem numa primeira fase para colmatar essas necessidades, mas nós devemos valorizar esses imigrantes, porque vamos todos enriquecer com eles”, referiu.

Na sua opinião, essa valorização passa pelo reconhecimento efetivo das competências e experiências trazidas por quem chega.

“Valorizar as suas qualificações, reconhecê-las em Portugal, valorizar as suas experiências e aquela inovação que eles podem trazer para valorizar a nossa economia e a nossa sociedade”, afirmou.

Neste sentido, Paulo Fontes reforça que não devemos “ver só os imigrantes como um recurso económico, que vem pontualmente colmatar certas falhas pontuais da economia”, mas sim como “alguém que social, culturalmente e economicamente vem ser uma mais-valia”.

Questionado sobre a realidade açoriana, o professor considera que a região já demonstra sinais positivos, embora haja margem para evoluir.

“Penso que valorizam, mas poderão valorizar mais, a nossa reflexão vai nesse sentido”, sublinhou, destacando ainda o anúncio recente de uma estratégia regional para a integração dos imigrantes como um passo relevante.

O académico enquadra esta abertura à imigração na própria história dos Açores, lembrando que o território tem raízes profundamente marcadas pela mobilidade humana.

“Nós emigramos, saímos daqui durante pelo menos uns quatro séculos”, disse, acrescentando que “o povoamento destas ilhas é fruto também de imigrantes que vieram”, uma vez que “os Açores nasceram do encontro de quatro culturas, entre flamengos, portugueses, espanhóis e franceses”.

Essa herança histórica, associada a períodos de dificuldades económicas e sociais, levou a uma forte diáspora.

“Fomos marcados por situações difíceis, pobreza, dificuldades de vida e saímos em massa dos Açores”, salientou. Hoje, porém, o cenário inverteu-se: com o desenvolvimento alcançado sobretudo após o 25 de Abril e a autonomia política regional, os Açores conseguiram “evoluir, desenvolver a região e hoje somos uma terra próspera, desenvolvida e atraímos imigrantes de outras paragens”.

Paulo Fontes concluiu dizendo que “os Açores hoje recebem mais pessoas do que mandam para fora”, o que considera “positivo”.

“É um sinal de que nós estamos mais evoluídos e que essas pessoas podem vir ajudar a evoluir ainda mais a região”, finalizou.

Empresários levam preocupações à Câmara da Ribeira Grande

© CCIPD

A direção da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu-se com empresários do concelho da Ribeira Grande, no Teatro Ribeiragrandense, tendo sido identificados um conjunto de constrangimentos que afetam diretamente a atividade empresarial e o desenvolvimento económico local.

Entre as principais preocupações destacam-se as fragilidades ao nível das infraestruturas e acessibilidades, nomeadamente o estado de degradação de algumas estradas, a falta de iluminação e a inexistência de soluções de mobilidade adequadas às necessidades dos trabalhadores e das empresas. Foi igualmente sublinhada a importância estratégica da criação de um porto de cargas em Rabo de Peixe, essencial para reforçar a competitividade da economia da ilha.

No domínio do urbanismo, os empresários alertaram para a excessiva morosidade dos processos de licenciamento, ainda pouco digitalizados, e para a falta de previsibilidade associada à revisão do PDM, fatores que têm condicionado o investimento privado.

Foram também identificados problemas nas áreas do ambiente e qualidade urbana, designadamente ao nível da limpeza, gestão de resíduos e situações de poluição em zonas balneares, bem como preocupações crescentes com a segurança, defendendo-se o reforço do policiamento e a implementação de sistemas de videovigilância.

Ao nível económico, foi evidenciada a necessidade de maior dinamização do concelho, valorização dos recursos turísticos e qualificação dos recursos humanos, com particular destaque para a criação de oferta formativa ajustada às necessidades da construção civil.

Na área da energia, foi salientado o potencial da geotermia no concelho da Ribeira Grande, defendendo-se uma maior valorização deste recurso, bem como a remoção de entraves ao uso de soluções energéticas alternativas e mais sustentáveis.

Na sequência desta reunião, a direção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu-se com o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, tendo apresentado as principais conclusões e preocupações dos empresários, num espírito de diálogo institucional e de procura de soluções conjuntas para os desafios identificados.

HDES elimina infeções graves nos Cuidados Intensivos e poupa mais de 439 mil euros

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) alcançou resultados históricos na segurança do doente entre 2022 e 2025, conseguindo erradicar as bacteriemias por cateter na UCI e evitar a perda de 24 vidas através do projeto STOP Infeção 2.0

Sónia Carreiro (à esq.) – Enfª da Unidade Local do PPCIRA ; Ana Cristina Pimentel (ao centro) – Diretora dos Serviços Farmacêuticos do HDES; Verónica Amaral (à dtª) – Enfª coordenadora da Unidade Local do PPCIRA © HDES

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, deu um passo decisivo na vanguarda da segurança hospitalar ao apresentar, no passado dia 13 de abril, o balanço final do projeto STOP Infeção 2.0. Segundo uma nota de imprensa enviada pela instituição hospitalar às redações, a unidade de saúde açoriana conseguiu eliminar totalmente as bacteriemias por cateter na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) entre 2022 e 2025. Este esforço de melhoria contínua não só elevou os padrões clínicos para níveis superiores à média nacional, como permitiu evitar 141 casos de infeção no triénio, traduzindo-se numa poupança direta de 439 mil euros para os cofres públicos da região.

O sucesso da iniciativa, que se enquadra no Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), assenta na aplicação da metodologia “Planear-Fazer-Estudar-Agir”. O desempenho mais notável foi registado na UCI, onde a taxa de incidência de bacteriemia associada a cateter venoso central caiu de 2,72% em 2022 para uns absolutos 0,00% nos últimos dois anos. No mesmo período, as infeções urinárias associadas a cateter baixaram 66,5% e as pneumonias associadas à intubação reduziram cerca de 45%. Mais do que estatísticas, estes números representam um impacto humano profundo, com a estimativa de 24 mortes evitadas graças à adoção de protocolos rigorosos, como o uso sistemático de checklists e a padronização de procedimentos clínicos.

Para além de salvar vidas, a eficiência do projeto STOP Infeção 2.0 refletiu-se na gestão de recursos, libertando 1.464 dias de internamento que seriam consumidos por complicações hospitalares. Este resultado é particularmente significativo dado que foi alcançado num período de grandes desafios organizacionais e escassez de recursos humanos, culminando no reconhecimento público dos resultados na Alfândega do Porto. A nota de imprensa do HDES sublinha ainda que a adesão total dos profissionais de saúde aos novos protocolos foi o fator determinante para consolidar esta cultura de segurança, reafirmando o compromisso da maior unidade de saúde dos Açores com a excelência dos cuidados prestados aos utentes.

José Manuel Bolieiro recebe vice-presidente da Comissão Europeia para discutir futuro das verbas regionais

O encontro no Palácio de Santana entre o líder do Governo dos Açores e Raffaele Fitto marca um passo estratégico na defesa das Regiões Ultraperiféricas perante o novo quadro financeiro da União Europeia

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu esta manhã, no Palácio de Santana, o vice-presidente executivo da Comissão Europeia para a Coesão e Reformas, Raffaele Fitto. A audiência de apresentação de cumprimentos, inserida numa deslocação oficial a Portugal que contempla Lisboa e o arquipélago, foca-se no diálogo sobre o futuro da política de coesão e na estratégia europeia para as Regiões Ultraperiféricas (RUP). Segundo nota enviada à redação pela Presidência do Governo Regional, este encontro assume uma importância crítica por ocorrer num momento determinante para a definição do próximo Quadro Financeiro Plurianual, que ditará os apoios europeus aos Açores nos próximos anos.

A visita é o culminar de um esforço diplomático iniciado no final de 2025, em Bruxelas, durante o High-Level Outermost Regions Forum, onde Bolieiro convidou formalmente o comissário europeu a visitar a Região. Para o líder do executivo açoriano, a presença de Fitto é um sinal de proximidade institucional. “Recebemos esta visita com grande apreço, pela atenção e compromisso que revela para com os Açores”, afirmou o presidente do Governo, que classificou o responsável europeu como “um verdadeiro aliado das Regiões Ultraperiféricas” e conhecedor profundo das especificidades e dos desafios que estes territórios enfrentam na atual fase de transição europeia.

Após a audiência inicial, a agenda prosseguiu com uma reunião de trabalho alargada a vários membros do Governo dos Açores, dedicada à apresentação da visão regional sobre as políticas e instrumentos financeiros da União Europeia. O programa da tarde reserva uma componente prática de visita ao terreno, com passagens pelo conjunto habitacional Trás-os-Mosteiros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e pelo Ecoparque da Ilha de São Miguel (MUSAMI), projeto cofinanciado pelo FEDER.

José Manuel Bolieiro sublinhou que este contacto direto com as obras permite evidenciar “o impacto concreto das políticas europeias na vida dos açorianos”, reforçando a necessidade de uma política de coesão forte e ajustada à realidade insular. O governante expressou ainda o seu reconhecimento pela disponibilidade de Raffaele Fitto em regressar futuramente para uma visita mais alargada a outras ilhas do arquipélago.

Escrever direito por linhas tortas

João Vieira Paim

Dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Nada parece mais torto que o que vai na cabeça de Trump — ou é o que dizem —, mas nada é mais direito que afundar barcos cheios de cocaína e de assassinos traficantes de droga; nada é mais direito que agarrar num ditador sanguinário e afastá-lo das suas vítimas para sempre; nada é mais direito que os prisioneiros (centenas ou milhares deles) do tal ditador da pseudo-esquerda nazi — alguns deles portugueses, abandonados há anos — serem libertados por medo da assim chamada sucessora do ditador sanguinário.

O resto se verá, e poderá não ser tão positivo como até agora, ou poderá ser só money, oil, etc. Mas as narrativas sobre as razões reais da intervenção na Venezuela talvez devessem ser analisadas pelo comentador a quem chamavam “What if?”, em português: “E se?”.

E se a intervenção tivesse sido sugerida, com força de ter de ser, pelo Pentágono e pela CIA, depois de muita recolha de informação que provava a existência na Venezuela de três ameaças reais a menos de 1.200 km da Flórida, nos EUA?

E se os chineses estivessem a recolher milhares de toneladas por mês de coltan, terras raras e outros minerais fundamentais para a guerra e dominância tecnológica, enviados em bruto para refinação na Colômbia e reenviados para a China com rótulos ligeiramente alterados para fugir às sanções?

E se os russos estivessem implantados de pedra e cal na Venezuela, depois de terem fornecido todo o tipo de armas ofensivas e defensivas e mantendo centenas de instrutores comandados pelo general Oleg Makarevich — assassino que, na Ucrânia, mandou bombardear a barragem cuja destruição inundou cidades e matou muita gente?

E se os iranianos tivessem, por exemplo na Venezuela, uma fábrica de drones capazes de atingir a Flórida?

E se, além de dar um “chuto” nos três principais inimigos dos EUA, ainda pudesse vir bastante petróleo? Esta foi a que convenceu D. Trump, sempre pronto para umas negociatas. Como as outras eram complicadas para ele explicar, focou-se só no oil e nos direitos humanos.

E escrevendo Deus novamente direito por linhas tortas, Trump atacou o Irão — aliás, não, atacou foi o fanatismo religioso que vem fazendo da vida do Irão e dos iranianos um inferno sobre a Terra. Esperemos que não parem até que o último daqueles velhos assassinos em nome de tudo, menos de Deus, esteja enterrado numa vala comum.

A hipocrisia deste mundo sujo logo se expandiu em reclamações de que tal é contra a Lei Internacional. A lei imunda que permitiu o massacre de 30.000 manifestantes desarmados sem a “lei” para os proteger… E a inútil ONU ainda se atreve a “condenar”, como se fosse alguma coisa decente com capacidade para condenar o que quer que seja, e não cúmplice dos mais abjetos regimes terroristas deste mundo ao sentar-se ao lado deles e dar-lhes um reconhecimento e uma participação que estes regimes não devem ter. Não admira que Putin queira moldar uma igual, mas ainda mais à sua imagem.

Que os iranianos se possam livrar de quem os chacinou. Da mesma maneira que o único nazi bom é um nazi morto, estes nazis religiosos devem desaparecer sem deixar rasto. E que o dinheiro do petróleo possa, finalmente, financiar uma vida melhor para os iranianos, em vez do terrorismo internacional e das vidas de luxo daqueles assassinos religiosos.

Quanto à participação de Portugal ou, melhor, dos Açores, esta vem de longe… Salazar foi o primeiro que “expropriou” os terrenos da Base aos terceirenses e colocou a Força Aérea a pagar rendas que eles próprios escolhiam, sem o acordo dos proprietários. E continuaram depois do 25 de Abril (tanta coisa má que devia ter acabado no 25 de Abril, mas que continuou), apenas fazendo umas propostas de compra por valores miseráveis, dando a entender que quem não aceitasse ficava com as rendas ilegais do “Botas”, que até já tinha partido.

Nós pusemos uma ação de despejo da Aerogare construída ilegalmente ao Estado Português, ao Governo Regional e à Força Aérea; finalmente perderam e foram forçados a pagar o triplo do que estavam oferecendo antes. Mas, durante dezenas de anos, serviram para tudo: aeroporto militar e civil (pouco, ao princípio). Vimos todas as intervenções, desde o bloqueio de Berlim à Guerra dos Seis Dias, em que os caças eram munidos e pintados com as cores de Israel na pista, à vista de todos.

Há meses que a atividade era anormal: desde os reabastecedores a treinarem missões aos F-35 a passarem em linha a 700 km/h em frente à Aerogare Civil. Só quem fosse muito crédulo acreditaria que nada de novo se passava.

Esperemos que os iranianos consigam livrar-se desta gentalha e da sua falsa religião medieval, e que saibam, finalmente, que podem, de quatro em quatro anos ou coisa parecida, mandar para o lixo quem não lhes agradar a governar. Mas o que eles dizem e fazem é muito diferente; não estou muito otimista, nem na Venezuela — que passou de moda com a desastrada intervenção no Irão —, onde já não se fala dos 30.000 mortos nem da eliminação da “Gestapo” local.

Hoje os combustíveis sobem de preço no Continente, mas porquê, se se trata de petróleo comprado há três meses ou mais (informação deles, não minha)? Se um merceeiro — para não dizer um hipermercado —, face ao iminente desaparecimento ou encarecimento de algum dos bens que tem à venda, se aproveitar para subir os preços do que tem em stock com base no que os “futuros” vão ser, acho que comete o crime de especulação e pode, no limite, ir parar à cadeia. Mas o Estado pode fazer isso à vontade, ainda lhe chamando “desconto” com bastante hipocrisia?

E nem se fala de fazer o honesto, que seria eliminar a metade do preço dos combustíveis que são impostos (nem lhes quero chamar impostos, que normalmente são algo para os cidadãos terem serviços). Sabem o que pagam esses “impostos”? Milhares de entidades e pessoas privilegiadas que não foram referendadas, mas impostas pela tenebrosa CE e aumentadas pelos nossos políticos, especialistas em transformar a corrupção em direito só para alguns. Vão desde a Quercus e os seus minutos de conselhos aos revestimentos das casas, energias e outras facilidades dos mais ricos (não sou eu que o digo, são as estatísticas), sabendo-se que estas “corrupçõezinhas” ambientais nunca chegarão aos mais pobres — para não falar dos “carritos” elétricos e dos milhares de milhões estourados a subsidiar o turismo de massas (ou “prostituição forçada”, como lhe chamo).

E ainda falam do que é cumprir Abril?

Governo regional trava subida dos combustíveis com descida do imposto em abril

Governo regional reduz ISP em abril para travar escalada nos combustíveis e admite reativar o programa Credithab para apoiar famílias com o crédito à habitação

© HUGO MOREIRA

O executivo açoriano vai avançar com uma redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) para mitigar o impacto da escalada de preços nos combustíveis. Segundo a nota de imprensa enviada pela Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, a medida terá efeitos práticos já na próxima atualização de preços, agendada para o mês de abril, servindo de amortecedor face à instabilidade dos mercados internacionais e ao conflito no Médio Oriente.

Durante o anúncio feito na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o secretário regional Duarte Freitas explicou que o objetivo central desta intervenção é “conter a subida do preço dos combustíveis”, procurando aliviar a pressão financeira que recai atualmente sobre as famílias e as empresas açorianas, incluindo a comunidade da Lagoa, onde os custos de transporte e produção têm impacto direto na economia local.

Paralelamente à questão energética, o governante revelou que o executivo está atento à volatilidade das taxas de juro e ao seu reflexo no orçamento das famílias. Duarte Freitas admitiu estar a “equacionar a possibilidade de reativar” o programa Credithab, caso se verifiquem aumentos anormais nos encargos bancários, garantindo assim um mecanismo de apoio para quem enfrenta maiores dificuldades em suportar os custos com a habitação.

No que concerne ao custo de vida, a nota oficial confirma ainda um reforço na fiscalização dos bens essenciais: a monitorização de preços, que tinha passado a ser trimestral, regressa ao modelo mensal. Esta alteração permitirá, segundo o secretário Rregional, “reagir mais rapidamente a qualquer variação anormal” nos preços, garantindo uma proteção mais eficaz dos consumidores num período marcado pela forte instabilidade económica.

N9V celebra quarto aniversário com crescimento recorde e mais de 10 mil clientes nos Açores

Plataforma de e-commerce do Grupo Bensaude triplicou o número de utilizadores desde 2022 e oferece portes gratuitos até 15 de março

© BENSAUDE DISTRIBUIÇÃO

O N9V, o centro comercial online direcionado em exclusivo para o mercado açoriano, assinala este mês o seu quarto aniversário com indicadores de crescimento expressivos que consolidam a sua presença no quotidiano das nove ilhas. Desde 2022, o projeto viu o seu volume de clientes registados triplicar, superando atualmente a barreira dos 10 mil utilizadores. De acordo com a nota enviada pelo Grupo Bensaude, a plataforma regista agora uma média de mil encomendas mensais provenientes de todo o arquipélago, refletindo uma mudança nos hábitos de consumo regionais.

Para assinalar a data, a marca lançou uma semana especial dedicada aos consumidores, com a oferta de portes de envio em todas as compras efetuadas até ao dia 15 de março. Esta estratégia de proximidade visa reforçar a confiança de um público cada vez mais digitalizado. “Cerca de 2.500 clientes realizam compras recorrentes e, nos inquéritos efetuados, cerca de 70% avaliam positivamente a experiência”, destaca o diretor de e-commerce da Bensaude Distribuição, Marco Santos, sublinhando que o serviço tem conseguido responder à crescente exigência de rapidez e conveniência dos açorianos.

A plataforma disponibiliza atualmente cerca de 20 mil artigos, divididos por 14 categorias que incluem desde alimentação e higiene até eletrónica e vestuário. Um dos pilares do projeto é a promoção da economia regional, dando destaque a produtos e marcas exclusivas do arquipélago, além de conteúdos de inspiração gastronómica através de um blogue dedicado a receitas típicas. Segundo Marco Santos, o N9V assume-se como uma resposta concreta aos desafios da insularidade, garantindo que “qualquer pessoa, de Santa Maria ao Corvo, pode aceder aos mesmos produtos e aos mesmos preços praticados nas lojas físicas”, transformando o ato de comprar através do telemóvel num novo padrão de consumo para as famílias ilhéus.