
A Câmara Municipal de Ponta Delgada anunciou a promoção de uma iniciativa de educação ambiental focada na problemática do lixo marinho, destinada a envolver os alunos do nono ano de escolaridade da Escola Básica Integrada (EBI) dos Arrifes. Segundo a nota enviada pela autarquia, a ação está inserida no calendário do Programa Bandeira Azul 2026 e pretende sensibilizar as camadas mais jovens para a preservação dos ecossistemas costeiros da ilha de São Miguel. O programa arrancou no passado dia 16 de abril com uma sessão teórica de sensibilização dirigida a três turmas, momento este que serviu para enquadrar as causas e os impactos negativos dos resíduos que chegam ao mar, preparando o terreno para a intervenção direta no terreno.
A vertente prática desta ação decorrerá no próximo dia 27 de abril, também durante o período da manhã, tendo como cenário a Praia das Milícias. Durante a atividade, os estudantes não se limitarão à recolha de resíduos no areal; o exercício contempla igualmente a identificação e a contabilização rigorosa de tudo o que for removido. Esta metodologia permite aos jovens compreender, de forma científica e prática, quais são os tipos de detritos que mais afetam as zonas balneares do concelho. Para a autarquia, o objetivo central passa por reforçar a importância de comportamentos ambientalmente responsáveis e de uma gestão correta de resíduos, aliando o conhecimento académico à experiência cívica.
Esta iniciativa surge na sequência do trabalho desenvolvido em anos anteriores pela Câmara de Ponta Delgada. De acordo com os dados fornecidos pela autarquia, a edição de 2025 desta mesma ação resultou na recolha de 13 quilos de resíduos diversos. Entre os materiais encontrados no areal no ano passado, destacaram-se beatas de cigarro, azulejos, cordas, metais e fragmentos de plástico, ilustrando a diversidade de poluentes que ameaçam a biodiversidade marinha local.

A preservação do património natural dos Açores uniu, entre o passado dia 16 de março e esta sexta-feira, 27 de março, mais de 3.000 pessoas numa vasta agenda dedicada ao Dia Mundial da Floresta. A iniciativa, promovida pelo Governo regional dos Açores, através da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, mobilizou os Serviços Florestais das nove ilhas para um programa que incluiu desde plantações de espécies nativas a ações de educação ambiental junto de escolas e associações locais. Segundo a nota enviada pela tutela, o balanço final revela uma forte adesão da comunidade açoriana num compromisso coletivo pela proteção dos habitats naturais da região.
Para o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, a data representou “muito mais do que uma data simbólica”. O governante destaca que, ao longo destes dias, “milhares de crianças, jovens, professores, voluntários, escuteiros e parceiros locais juntaram-se em ações de plantação, sensibilização e aprendizagem ativa”, celebrando o valor insubstituível das florestas açorianas. As atividades focaram-se particularmente na valorização da floresta nativa (a laurissilva) e de espécies endémicas como o cedro-do-mato e o sanguinho, que constituem o habitat de aves emblemáticas como o priolo.
Em São Miguel, a mobilização contou com a realização de exposições, peddy-papers e palestras proferidas por guardas-florestais em diversos concelhos, incluindo Vila Franca do Campo e Ponta Garça, além de ações de repicagem de folhados e sensibilização sobre biodiversidade. Nas restantes ilhas, o cenário repetiu-se com contornos locais: em Santa Maria houve plantações no aeroporto; na Terceira, o Monte Brasil recebeu uma plantação simbólica com o Exército; na Graciosa, plantaram-se cerca de 600 árvores na Serra das Fontes; e em São Jorge, as atividades integraram-se no Festival da Reserva da Biosfera.
O programa estendeu-se ainda ao Pico, com o projeto “Floresta dos Sentidos”, ao Faial, com parcerias entre a Câmara Municipal da Horta e o Clube Automóvel, e às Flores, onde a Lagoa Branca recebeu novas espécies endémicas. António Ventura garante que a proteção da floresta continuará a ser uma prioridade, defendendo que “cada gesto, seja uma árvore plantada ou uma atividade de educação ambiental, representa um investimento no futuro dos Açores”, assegurando a herança natural para as próximas gerações.

DL: Quem é Alesio Santos?
Nasci em 1950. Moro na Lagoa da Conceição, Florianópolis, capital do Estado de Santa. A minha comunidade de origem açoriana não tinha luz elétrica na época, contavam muitas histórias de bruxas e lobisomens. A maioria dos partos era feito por parteiras, a medicina era o uso das plantas medicinais e a medicina das palavras as bezendeiras. Sou casado e a minha companheira é formada em gastronomia. Tenho três filhas, duas formadas em direito e a outra formada em arquitetura. A minha formação académica é em Licenciatura Plena em Estudos Sociais, formado pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Sou especialista em Educação Ambiental e Plantas Medicinais e funcionário aposentado da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
DL: Qual a sua ligação a Portugal e aos Açores?
Sempre valorizei a cultura dos descendentes de açorianos, sou cultivador e professor de plantas medicinais e plantas alimentícias não convencionais (pancs). Tenho interesse nas plantas medicinais usadas pelos açorianos. Já estive em Portugal, não fui aos Açores, mas tenho grande admiração pela cultura e pela linda paisagem açoriana. Temos na nossa ilha também uma linda paisagem. Contem com este amigo dos açorianos.
DL: Em que ano visitou Portugal?
Visitamos alguns países da Europa em 2020, pois tinha uma filha que trabalhava na Irlanda, e visitamos Portugal. O meu sonho é ficar em Portugal uns seis meses.
DL: Como descobriu o Diário da Lagoa?
Descobri o Diário da Lagoa, numa pesquisa sobre a cultura do arquipélago dos Açores. Como moro na Lagoa, mas no Brasil, o jornal interessou-me, principalmente nos conteúdos culturais, e pelo meu interesse em saber quais as plantas medicinais usadas pelos açorianos e saber se eram as mesmas plantas usadas pelos descendentes de açorianos do Brasil. Tenho uma grande amiga nos Açores que me mandou um livro sobre plantas.
DL: Como surgiu o seu interesse pelas plantas medicinais?
O meu interesse por plantas medicinais surgiu quando era agricultor, junto com os meus pais. Via as pessoas usarem plantas para diversas doenças. Eu, curioso, comecei a pesquisar sobre aquelas plantas e a plantar. A comunidade vinha à minha casa buscá-las, e as universidades para pesquisa de alunos procuravam-me. Hoje tenho uma grande coleção de plantas medicinais no meu Jardim Medicinal ou Farmácia Viva, como é chamado, passei a comprar livros e pesquisar e fiz uma pós-graduação em plantas medicinais.
DL: Como se tornou professor e cultivador?
Pelo meu interesse, pois a cura dos meus antepassados se dava pelas plantas e pela medicina das palavras das bezendeiras. Queria saber o que as plantas tinham que servia para aliviar sintomas e cura de muitas patologias, pois todas as culturas no mundo tinham no passado as plantas medicinais, hoje pouco valorizadas. Mas estão surgindo muitos fitoterápicos. Temos plantas com efeito de cura, segurança e eficácia melhor do que muitos remédios químicos. O cultivador conversa com as plantas, agradece ao colher, reza ao fazer a infusão, e esse ritual fascina-me.
DL: Referiu que a cura dos seus antepassados se dava pelas plantas e medicina das palavras das bezendeiras. Essa realidade ainda existe junto da sua comunidade ou é algo que esteja a perder-se com o tempo?
Ainda hoje temos algumas bezendeiras, mas já são velhinhas. Temos só uma bezendeira mais nova, que trabalha com plantas medicinais. Embora na medicina de hoje a base seja de farmácia e de laboratório, as plantas medicinais têm um uso intenso na cultura popular. Temos alguns fitoterápicos nas farmácias, como o caso do ACHEFLAN do laboratório Aché da nossa Erva De Baleeira (Cordia verbenacia), planta da beira de praia, que pode até estar nas farmácias de Portugal. As plantas medicinais estão no Sistema Único De Saúde (SUS), como PICS (Terapia Integrativa e Complementar em Saúde). São 29 PICS e as plantas medicinais uma delas temos na UFSC (Universidade Federal De Santa Catarina), uma disciplina optativa de plantas medicinais ofertada aos alunos/as dos cursos de saúde.
DL: Considera os jornais importantes, particularmente para as comunidades de descendência açoriana fora de Portugal?
Sobre a importância desse veículo de comunicação para valorizar a cultura dos descendentes de açorianos fora de Portugal, no Brasil, embora com pouco alcance, precisamos de socializar esse jornal, pois muitos são os elementos culturais que aparecem nele que também fazem parte dos nossos eventos culturais, principalmente as festas populares.
Quero ser o embaixador, na nossa comunidade, da valorização do jornal. Conhecer a beleza natural do arquipélago dos Açores e de todas as manifestações culturais é com certeza o objetivo de todos os descendentes de qualquer parte do mundo. A minha ancestralidade ainda mora aí, as nossas visitas de turismo sempre são para Portugal. Temos de colocar na programação uma visita ao arquipélago.
DL: Que mensagem gostava de deixar aos leitores do Diário da Lagoa?
Açorianos, nós te amamos. É muito importante o jornal escrito no mundo atual dos media digitais. Valorizem o vosso jornal que informa e reconhece o seu povo. Desejo muita paz e amor às famílias açorianas. Gratidão, povo amado.

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) vai reforçar a sua aposta na educação ambiental nos Açores e inicia o ano letivo de 2024/2025 com um programa escolar renovado cheio de novidades, segundo nota enviada pela associação.
No programa constam atividades relacionadas com a biodiversidade dos Açores, a evolução das espécies, as principais causas do declínio da biodiversidade, tais como as espécies exóticas invasoras, a poluição luminosa e o lixo marinho, assim como as ações que podem ser levadas a cabo para evitar este declínio, lê-se.
Este programa escolar implementado pelo Centro Ambiental do Priolo (CAP), um Centro Associado da Rede de Centros de Ciência da Região Autónoma dos Açores, associa-se também aos projetos de conservação desenvolvidos pela SPEA na região, o que é uma “mais-valia”. Estes projetos permitem inserir uma componente prática e científica às atividades que são passíveis de integrar nas disciplinas relacionadas com a Ciência e Cidadania, mas que poderão também complementar atividades propostas noutras disciplinas, como por exemplo, as relacionadas com a arte e a disciplina de inglês, explica ainda o comunicado.
“No ano letivo anterior, participaram no Programa Escolar do Centro Ambiental do Priolo perto de 2200 jovens nas 62 atividades realizadas o que nos deixa muito satisfeitos e com a certeza que a educação ambiental continua a ser um ponto de interesse dos docentes e que complementa os currículos escolares com casos de estudo locais” afirma Azucena de la Cruz, coordenadora da SPEA Açores, citada na mesma nota.
Nas mais de 30 opções propostas, as grandes novidades são a introdução de formações de professores de curta duração e ainda uma exposição itinerante “Por uma Noite com mais Vida”, que complementam as diversas ações organizadas na própria escola e adaptadas aos diferentes níveis de ensino ou atividades realizadas em visita ao Centro Ambiental do Priolo que incluem palestras e atividades lúdicas que podem ser solicitadas separadamente ou em conjunto, sendo a sua realização da responsabilidade dos técnicos da SPEA-Açores.
Os professores e docentes interessados podem encontrar o programa completo no site do Centro Ambiental do Priolo e devem fazer o registo das atividades pretendidas através de formulário próprio.