
Maria João Pereira
Farmacêutica
Muitos já ouviram falar de esclerose múltipla (EM), mas poucos realmente sabem do que se trata. É uma doença crónica que afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo, manifestando-se principalmente entre os 20 e os 40 anos, com maior incidência no sexo feminino.
A EM é uma doença neurológica, auto-imune e inflamatória caracterizada por uma perda de mielina nos neurónios (células nervosas). A mielina é responsável pela transmissão de impulsos nervosos e na falta dela, estes ficam comprometidos, afetando a comunicação entre o cérebro e o corpo, podendo esta tornar-se mais lenta ou até mesmo falhar.
Conhecida como a “doença das 1000 caras”, a EM apresenta diversos sintomas que variam de acordo com o indivíduo e com a evolução da doença. Entre os sintomas mais comuns destacam-se a dificuldade na marcha, fadiga, dormência ou formigueiros ao longo do corpo, problemas na visão (perda de visão total ou parcial, visão turva e/ou visão dupla), dor, , espasmos, fraqueza, problemas na bexiga, alterações cognitivas como a perda de memória, alterações emocionais (a nível do humor e depressão). Além desses, existem outros sintomas menos comuns e secundários aos primeiros.
É uma doença complexa de etiologia desconhecida, mas sabe-se que fatores ambientais e genéticos têm influência no seu desenvolvimento. Entre os fatores de risco destacam-se o défice de vitamina D, a obesidade, o tabagismo e a exposição a alguns vírus, que podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença.
Atualmente, estão descritos três tipos principais de EM, de acordo com a evolução:
Apesar de não existir cura, o tratamento da EM é feito com fármacos modificadores da doença, isto é, fármacos que são capazes de atrasar a evolução natural da doença, diminuindo o número de surtos e minimizando a progressão da incapacidade.
Conhecer a doença é fundamental para apoiar quem convive com ela. É essencial distinguir o que é a EM da pessoa que a carrega, uma vez que se trata de uma doença que traz desafios diários invisíveis aos olhos dos outros. Com o tratamento adequado, apoio e compreensão é possível manter a qualidade de vida e a esperança.
Ninguém está sozinho nesta caminhada – com conhecimento e empatia, todos podemos fazer a diferença.