
A direção da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu-se com empresários do concelho da Ribeira Grande, no Teatro Ribeiragrandense, tendo sido identificados um conjunto de constrangimentos que afetam diretamente a atividade empresarial e o desenvolvimento económico local.
Entre as principais preocupações destacam-se as fragilidades ao nível das infraestruturas e acessibilidades, nomeadamente o estado de degradação de algumas estradas, a falta de iluminação e a inexistência de soluções de mobilidade adequadas às necessidades dos trabalhadores e das empresas. Foi igualmente sublinhada a importância estratégica da criação de um porto de cargas em Rabo de Peixe, essencial para reforçar a competitividade da economia da ilha.
No domínio do urbanismo, os empresários alertaram para a excessiva morosidade dos processos de licenciamento, ainda pouco digitalizados, e para a falta de previsibilidade associada à revisão do PDM, fatores que têm condicionado o investimento privado.
Foram também identificados problemas nas áreas do ambiente e qualidade urbana, designadamente ao nível da limpeza, gestão de resíduos e situações de poluição em zonas balneares, bem como preocupações crescentes com a segurança, defendendo-se o reforço do policiamento e a implementação de sistemas de videovigilância.
Ao nível económico, foi evidenciada a necessidade de maior dinamização do concelho, valorização dos recursos turísticos e qualificação dos recursos humanos, com particular destaque para a criação de oferta formativa ajustada às necessidades da construção civil.
Na área da energia, foi salientado o potencial da geotermia no concelho da Ribeira Grande, defendendo-se uma maior valorização deste recurso, bem como a remoção de entraves ao uso de soluções energéticas alternativas e mais sustentáveis.
Na sequência desta reunião, a direção da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada reuniu-se com o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, tendo apresentado as principais conclusões e preocupações dos empresários, num espírito de diálogo institucional e de procura de soluções conjuntas para os desafios identificados.

A recém-criada Casa dos Açores de Minas Gerais, no Brasil, presidida pelo luso-brasileiro Claudio Motta, vai promover a primeira “Missão Empresarial Minas Gerais – Açores”, entre os dias 20 e 24 de abril, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel. Estarão presentes empresários, investidores, instituições e autoridades numa “iniciativa de cooperação económica e empresarial entre Brasil e Portugal”. Ao longo de cinco dias, esta missão empresarial estabelece uma ponte entre Minas Gerais e os Açores, combinando encontros institucionais, promoção económica, valorização territorial e intercâmbio cultural, num modelo que reforça a cooperação entre o Brasil e a Região Autónoma dos Açores.
Segundo apurámos, a deslocação aos Açores surge como “desdobramento do primeiro Encontro Empresarial de Andrelândia, município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, situado a cerca de 280 km de Belo Horizonte, capital do Estado. Um evento que teve lugar no passado mês de fevereiro e que “representa um novo passo na estratégia de internacionalização da instituição, que se afirma como ponte ativa entre os dois territórios”.
“Mais do que um encontro empresarial, a missão pretende criar um espaço de intercâmbio de experiências, geração de oportunidades de negócio e reforço de parcerias duradouras, aproximando agentes económicos dos dois lados do Atlântico”, disse à nossa reportagem o presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais.
Ainda de acordo com este responsável, entre os principais destaques desta nova etapa está a “implantação da primeira representação institucional da Casa dos Açores de Minas Gerais em Andrelândia, bem como a estruturação de uma delegação internacional em Lisboa, reforçando a presença da instituição em território português continental”.
Nos últimos dias, a nossa reportagem conversou com José Andrade, diretor regional das Comunidades, que se mostrou interessado em auxiliar na ligação entre o Estado mineiro e a dinâmica das comunidades açorianas no arquipélago.
Sabemos que um dos objetivos da Casa dos Açores em Minas Gerais, além de promover as tradições, folclore, etnografia, usos e costumes dos Açores no Brasil, é também “alimentar e possibilitar novas interações no campo económico, beneficiando as relações comerciais entre os dois territórios”.
O arranque da missão está marcado para o dia 20 de abril, em Ponta Delgada, com reuniões institucionais entre os participantes e os membros do Governo Regional dos Açores. A delegação será recebida pelo Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, e pelo Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, num dia centrado no setor agrícola. A agenda inclui ainda um almoço institucional na Associação Agrícola de São Miguel, em Rabo de Peixe, e um encontro com o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, reforçando o diálogo com estruturas representativas do setor primário.
No dia seguinte, 21 de abril, a missão prossegue com uma visita técnica à UNILEITE – União das Cooperativas Agrícolas de Laticínios de São Miguel, nos Arrifes, permitindo o contacto direto com o modelo cooperativo açoriano. Ainda durante a manhã, decorre a cerimónia de criação da Delegação de Lisboa da Casa dos Açores de Minas Gerais, formalizada através da assinatura de um termo de cooperação no Azoris Royal Garden Hotel, em Ponta Delgada. A tarde inclui uma prova de produtos regionais promovida pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação e uma sessão de esclarecimento sobre oportunidades de investimento, com a participação de Camilo Moniz, da Ordem dos Economistas, e Emanuel Cordeiro, da Ordem dos Contabilistas. O dia encerra com a apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pela ação das Casas dos Açores”, da autoria do jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes, no Hotel Marina Atlântico.
A 22 de abril, a agenda institucional mantém-se com encontros dedicados às políticas públicas e incentivos ao investimento. A delegação reúne-se com o Secretário Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, e com a Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral. Durante a tarde, está previsto um encontro com o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, seguido de uma visita técnica ao Ecoparque de São Miguel, gerido pela MUSAMI, onde serão apresentados processos de gestão e valorização de resíduos.
O dia 23 de abril é dedicado à componente territorial e turística, com um percurso pela ilha de São Miguel que inclui passagens por Vila Franca do Campo, Vale das Furnas e Parque Terra Nostra, além de visitas à Queijaria Furnense e à Fábrica de Chá Gorreana, integrando a valorização dos produtos locais e do património natural. Em paralelo, decorre um programa institucional na ilha do Faial, com deslocação à cidade da Horta, onde está previsto um encontro com o presidente da Câmara Municipal, Carlos Ferreira, seguido de almoço institucional.
A missão encerra dia 24 de abril com uma visita ao Vale das Sete Cidades, no concelho de Ponta Delgada, e um almoço de encerramento oferecido pelo Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades. A programação termina com um momento cultural, com a apresentação do espetáculo “Quando o Mar Galgou a Terra”, encenado pela atriz brasileira Eleonora Marino Duarte, no auditório da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.
“Esta iniciativa reforça o nosso compromisso com a promoção do desenvolvimento económico, da cooperação internacional e da valorização das relações históricas entre Brasil e Portugal, através da interação com os Açores, abrindo novas oportunidades para o setor empresarial e consolidando uma ligação que se projeta no futuro”, finalizou Claudio Motta.

A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo agendou para o próximo dia 25 de março, pelas 18h00, no Auditório do Centro Cultural local, um encontro estratégico que vai reunir a autarquia com os empresários e representantes do tecido comercial de todo o concelho.
Esta iniciativa, que nasce de uma vontade expressa da presidente da câmara municipal, Graça Melo, surge num momento em que a proximidade entre o poder local e os agentes económicos se revela fundamental para a estabilidade do território. O principal propósito desta sessão é estabelecer um canal de comunicação direto e sem intermediários, permitindo que o executivo municipal ouça as preocupações reais de quem gere negócios na região, recolhendo contributos e sugestões que possam ser integrados na estratégia de desenvolvimento do município, ao mesmo tempo que se identificam com precisão as dificuldades mais prementes sentidas no atual contexto económico.
Mais do que uma mera reunião de auscultação, este evento pretende consolidar-se como um espaço de diálogo contínuo e de partilha de experiências, onde o município e o setor empresarial possam, em conjunto, desenhar soluções que promovam o fortalecimento da economia local e garantam um crescimento sustentável para Vila Franca do Campo. A autarquia faz questão de sublinhar o papel que as empresas desempenham na dinamização social e económica da região, reconhecendo publicamente a resiliência e a capacidade de adaptação que estes agentes têm demonstrado perante os desafios globais.
O investimento contínuo feito pelos empresários locais é visto pela câmara como um pilar essencial para a valorização do território, justificando-se assim a necessidade de uma parceria mais estreita e colaborativa.
A presidente da câmara municipal, Graça Melo, reforça esta visão de cooperação ao afirmar que o objetivo da autarquia é criar um ecossistema onde todos os que investem e geram postos de trabalho sintam que o município é um parceiro ativo, atento e verdadeiramente comprometido com a implementação de soluções concretas para os problemas do dia a dia.
Com esta iniciativa, Vila Franca do Campo reafirma a sua estratégia de apoio ao empreendedorismo e à fixação de empresas, apostando na transparência e no trabalho conjunto para enfrentar as volatilidades do mercado e potenciar as oportunidades de negócio que o concelho oferece. Este encontro marca assim um passo importante na definição de políticas públicas que não são apenas desenhadas nos gabinetes, mas que resultam do contacto direto com a realidade económica do terreno.