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Santana recebe XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia com mais de 200 animais

O certame, que decorre de 15 a 17 de maio no Recinto da Feira, alia a excelência da pecuária açoriana à animação musical com João Pedro Pais, num evento de entrada livre que celebra a identidade agrícola da ilha

© DIREITOS RESERVADOS

O setor agrícola micaelense volta a centrar as atenções no Recinto da Feira, em Santana, com a realização do XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia entre os dias 15 e 17 de maio. Segundo a nota de imprensa enviada pela organização do evento, o certame assume-se como um dos principais pontos de encontro para criadores e produtores da região, prevendo-se a participação de um total de 221 animais. Destes, 182 pertencem à raça Holstein Frísia, provenientes de 50 explorações leiteiras distintas, aos quais se juntam 15 exemplares da raça autóctone Ramo Grande, 10 da raça Aberdeen Angus e sete juntas de bois.

A abertura oficial das portas está agendada para as 12h00 de sexta-feira, dia 15 de maio, marcando o arranque de um programa que privilegia o apuro genético e o trabalho dos produtores locais. Durante a tarde de sexta-feira, o foco incidirá sobre as vitelas e novilhas, no âmbito do XVIII Concurso Juvenil e da primeira fase do concurso sénior. Já no sábado, 16 de maio, o recinto de Santana recebe as vacas em lactação, num momento de particular relevância técnica, a par dos julgamentos dedicados às raças Ramo Grande e Aberdeen Angus.

Para além da vertente competitiva e técnica, que inclui workshops direcionados para os profissionais do setor e exposições de bovinos, o evento foi desenhado para atrair o grande público e as famílias de toda a ilha de São Miguel. O recinto contará com animação infantil, uma zona gastronómica de “comes e bebes” e diversos momentos musicais. O grande destaque do cartaz de entretenimento é o concerto de João Pedro Pais, que subirá ao palco principal no sábado, às 22h30. Com esta iniciativa, a organização reforça o convite à comunidade para conhecer de perto a realidade agrícola regional, promovendo um evento de entrada livre que valoriza a herança rural e a vitalidade da pecuária açoriana.

Piscinas da Lagoa transformadas em palco pelo Tremor

Festival voltou a desafiar os limites geográficos da música ao ocupar o Complexo Municipal de Piscinas com o experimentalismo árabe-belga e os ritmos frenéticos do singeli tanzaniano

© CM LAGOA

As águas das Piscinas Municipais da Lagoa serviram de cenário, ao final da tarde de desta quinta-feira, 26 de março, para uma das propostas mais audazes da atual edição do Festival Tremor. Num esforço de descentralização cultural que carateriza o evento, a organização escolheu este complexo balnear pela sua profunda ligação à paisagem vulcânica, propondo uma experiência imersiva onde som e natureza se cruzam. Segundo a nota enviada às redações, a iniciativa, que contou com a parceria da Câmara Municipal da Lagoa, reforça o compromisso de criar momentos artísticos únicos fora dos circuitos habituais, aproveitando a relação direta deste espaço emblemático com o mar.

O cartaz na Lagoa dividiu-se em dois momentos. A tarde começou com os «Use Knife», um projeto que une o percussionista iraquiano Saif Al-Qaissy ao duo belga Kwinten Mordijck e Stef Heeren. A banda apresentou uma sonoridade que cruza vozes árabes e sintetizadores analógicos, num confronto entre a tradição e a eletrónica industrial, descrito pela organização como um “ritual poderoso e urgente”. Logo de seguida, o ritmo acelerou drasticamente com a prestação de «DJ Travella», que trouxe à Lagoa o singeli. Este género musical, nascido nos bairros populares da Tanzânia, carateriza-se por uma velocidade vertiginosa — chegando a atingir os 180 batimentos por minuto — e por uma energia crua que transforma espaços em pistas de dança futurista.

Esta ocupação das Piscinas Municipais destaca-se pela forma como o Tremor utiliza a arquitetura natural da ilha para potenciar as suas propostas. Ao integrar o experimentalismo europeu e os ritmos acelerados africanos num espaço de lazer quotidiano, o festival reafirma a sua identidade de exploração do território. Para os espetadores que encheram o recinto ao pôr do sol, a simbiose entre a “fúria” rítmica do singeli e o cenário das rochas vulcânicas da Lagoa ofereceu uma dimensão sensorial e identitária que define o espírito de proximidade deste festival.

Vila Franca do Campo celebra tradição e animação com a Feira da Páscoa no Açor Arena

Certame promete reunir artesanato, doçaria e atividades para toda a família. Inscrições para expositores estão abertas até à próxima semana

© CLIFE BOTELHO

O Pavilhão Açor Arena, em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, vai transformar-se no centro das celebrações pascais nos próximos dias 28 e 29 de março. A Feira da Páscoa, evento que já se tornou um ponto de referência no calendário local, regressa com uma proposta que combina o apoio à economia regional com momentos de lazer para todas as gerações. Segundo uma nota enviada pela organização à nossa redação, o certame pretende celebrar a quadra com “cor, tradição, dinamismo e animação”, oferecendo uma montra diversificada de artesanato, doçaria tradicional e produtos da terra.

O evento foi desenhado com um foco especial no público mais jovem, transformando o interior do pavilhão num espaço de diversão com insufláveis, mascotes, pinturas faciais e modelagem de balões. De acordo com a organização, a partilha será um dos pontos altos da iniciativa, estando prevista a oferta de ovos de Páscoa às crianças. No exterior do recinto, o espírito de feira mantém-se vivo com a instalação de carrosséis e as habituais bancas de algodão-doce e cachorros-quentes, garantindo um ambiente festivo que se estende por todo o complexo.

Para além da componente lúdica, a Feira da Páscoa assume-se como uma plataforma de dinamização para a comunidade e para os produtores locais. A organização sublinha que este será “um fim de semana pensado para reunir famílias, valorizar os nossos expositores locais e regionais, e dinamizar a comunidade, celebrando a Páscoa com entusiasmo e espírito de união”. Para garantir o conforto dos visitantes, o bar do pavilhão estará em pleno funcionamento durante os dois dias do certame.

Os artesãos e comerciantes interessados em participar na feira e escoar os seus produtos ainda o podem fazer. As inscrições para expositores estão abertas até ao próximo dia 18 de março, podendo ser formalizadas através do correio eletrónico ccultural@cmvfc.pt ou do contacto telefónico 296 582 862.

Do Torreão da Fajã: As Conversas da Autonomia, os croquetes e os salões de chá

Bruno Pacheco

Cinquenta anos de autonomia deveriam bastar para discutir o futuro dos Açores. Pelos vistos, vão servir sobretudo para organizar conferências, multiplicar sessões solenes e servir croquetes acompanhados de bules de chá em respeitáveis salões institucionais.

Não é propriamente uma surpresa. Sempre que chega a hora de celebrar algo importante na nossa vida política, há uma curiosa tendência a transformar a reflexão em cerimónia e o debate em protocolo. A autonomia, pelos vistos, também não escapou a esse destino.

Se a apresentação do programa oficial das comemorações dos 50 anos da Autonomia Constitucional já tinha servido de aperitivo para o que aí vinha — incluindo o debate sobre Autonomia e Comunidades, um evento escandalosamente marcado por propaganda laranja —, as chamadas Conversas da Autonomia, realizadas no Palácio dos Capitães-Generais, vieram apenas confirmar o que já era mais ou menos evidente: arriscamo-nos a ter comemorações pífias, em circuito fechado, destinadas sobretudo a falar sobre o que já fomos… e não sobre aquilo que queremos ser.

Do último encontro, e do que foi possível perceber pela comunicação social, registe-se uma honrosa exceção: a intervenção do diretor do TERINOV, que lembrou algo essencial — autonomia sem sustentação no conhecimento é apenas uma ilusão permanente.

Tudo o resto foi mais do mesmo. Até intervenções por encomenda tivemos.

Um programa perfeitamente inofensivo

As comemorações dos 50 anos da Autonomia parecem ter sido concebidas por um comité altamente especializado: especialistas em programas institucionais perfeitamente inofensivos.

Conferências. Sessões solenes. Exposições. Debates entre pessoas que já concordavam umas com as outras antes de começarem a falar.

Tudo muito digno. Tudo muito protocolar. Tudo muito… inofensivo.

Se alguém estivesse à procura de uma forma segura de celebrar meio século de autogoverno sem correr o risco de discutir seriamente o futuro da autonomia, dificilmente conseguiria fazer melhor. Voilá.

A autonomia como peça de museu

O curioso é que estas comemorações tratam a autonomia como se fosse uma relíquia histórica cuidadosamente guardada numa vitrina. Olha-se para ela. Admira-se. Lê-se a legenda. Mas parece que ninguém está particularmente interessado em perguntar se o objeto ainda funciona.

A autonomia dos Açores consolidou-se em 1976, no novo enquadramento constitucional português, mas a sua energia política começou a fermentar ainda antes, nos meses turbulentos de 1974 e 1975, quando se discutia intensamente como garantir autogoverno, em diferentes formatos e feitios.

Foi um tempo de debates intensos, tensões políticas e ideias novas. A autonomia não nasceu de um consenso morno. Teve direito à Guerra das Bandeiras, a discursos inflamados e a noites mal dormidas.

Passaram cinquenta anos. E surgiram novos desafios: dependência financeira estrutural (agravada nos últimos 5 anos); soberania energética num mundo instável; inverno demográfico em várias ilhas; a biodiversidade como ativo estratégica; e governação multinível na União Europeia.

E, no entanto, nas comemorações parece que ainda continuamos na fase do “foi muito importante naquela altura”. Como se o principal desafio da autonomia fosse recordar que ela existe.

Falta densidade política e civica

Falta densidade cívica. Falta ouvir quem percorre as arquinhas da vida. Falta sobretudo densidade política.

Porque o verdadeiro debate sobre a autonomia não é apenas histórico ou comemorativo. É um debate sobre poder: que poderes tem hoje a Região, quais são efetivamente exercidos e quais continuam condicionados pela prática política ou pela dependência financeira.

Mas, no fundo, talvez o verdadeiro problema seja outro. Enquanto organizamos conferências sobre a história da autonomia, vamos, discretamente, evitando discutir a sua realidade atual. Uma autonomia cada vez mais dependente financeiramente, cada vez mais condicionada por decisões tomadas fora do arquipélago e cada vez mais tratada como um capítulo administrativo da República (ver o caso do subsidio de mobilidade).

Celebrar a autonomia sem discutir o poder real que ela exerce hoje é um exercício confortável. Mas é também uma forma particularmente elegante de evitar a pergunta mais incómoda de todas: que autonomia temos hoje e que autonomia queremos realmente ter amanhã?

A autonomia não nasceu nos auditórios

Nasceu na rua, nas freguesias, nas cooperativas, nas associações e nas Casas do Povo. Nasceu de uma necessidade simples: os açorianos governarem o próprio destino. Por isso é estranho que, cinquenta anos depois, as comemorações pareçam concentrar-se sobretudo nos salões institucionais…e de chá.

Chegados aqui impõe-se a questão: E porque não fazer da celebração da Autonomia uma grande Assembleia Cidadã, desconcentrada e descentralizada? Da Fajã Grande as Santos Espíritos, todas as veredas e canadas dos nossos Açores têm de (deveriam) ser percorridas no âmbito destas comemorações. Todas…mas vamos ficar pelos salões.

‘Que autonomia temos hoje? Que autonomia precisamos amanhã? O que mudou na relação entre Lisboa e os Açores? Vamos andar sempre de mão estendida como nos últimos anos?…apenas algumas questões par as assembleias de cidadãos.

O que podia estar a acontecer

Se quiséssemos realmente aproveitar os 50 anos da autonomia para preparar o futuro, talvez estivéssemos a discutir coisas bem mais concretas.

A elaboração de um Livro Branco da Autonomia, por exemplo, que sistematizasse meio século de experiência autonómica e identificasse os caminhos para as próximas décadas; uma discussão séria, e sem as demagogias alaranjadas, sobre a revisão da Lei de Finanças das Regiões Autónomas; Um debate profundo sobre o pleno exercício dos poderes autonómicos, muitas vezes mais condicionados pela prática política do que pela própria Constituição. E, claro, as questões do mar e do… espaço.

Entre o croquete e a democracia

Nada contra os croquetes. Nem contra os salões de chá. Toda a civilização precisa dos seus rituais, mas a autonomia não pode ser pensada para viver dentro de um programa de eventos.

Talvez um aniversário de cinquenta anos merecesse algo mais do que uma sucessão de eventos em auditórios respeitáveis. Merece, sim, um arquipélago inteiro a discutir o seu futuro. Porque a autonomia não foi criada para ser comemorada. Foi criada para ser exercida.

E isso, sejamos claros, não acontece entre um discurso protocolar, um aperto de mão institucional e um prato de croquetes cuidadosamente alinhados numa bandeja de prata servidos num salão de chá…de um palácio ao virar da esquina.

Teatro micaelense celebra aniversário com concerto e visita guiada

© FERNANDO RESENDES

O Teatro Micaelense celebra o seu 74.º aniversário com um concerto, no dia 22 de março, pelo Conservatório Regional de Ponta Delgada e a Banda Militar dos Açores, e com uma visita guiada, no dia 31 de março.

Em 31 de março de 1951, o Teatro Micaelense abria as suas portas. Desde a primeira hora, a música conviveu com a dança, o teatro e o cinema. Na mesma noite, ouvia-se repertório clássico, obras mais ligeiras e música dos últimos filmes em exibição, agradando a todos os gostos. Reabrindo as suas portas em 2004, o Teatro voltou a esse espírito inclusivo e comunitário.

No concerto de dia 22 de março, poderá reviver o espírito de um programa dessa época, num concerto excecional, que reúne música de câmara, música para cinema e coros de zarzuelas. Músicos de toda a ilha – professores e alunos do Conservatório Regional de Ponta Delgada e a Banda Militar dos Açores – convidam-no a recuar no tempo e a revisitar o encanto dos primeiros tempos do nosso Teatro. A entrada é gratuita, sujeita ao levantamento de bilhete.

No dia 31 de março, o Teatro Micaelense abre as suas portas ao público em geral, com uma visita guiada especial. Percorrendo espaços públicos e bastidores, dar-se-á a conhecer a história e as estórias deste marco da vida cultural açoriana, desvendando também alguns dos segredos do quotidiano detrás do pano. A visita é gratuita e realizar-se-á em dois horários, às 15h00 e às 18h00. Os lugares são limitados. Para garantir o seu lugar deverá levantar bilhete na bilheteira do Teatro Micaelense.