
O município da Lagoa, na ilha de São Miguel, destaca-se atualmente como o concelho português com a maior proporção de construção de casas novas face ao parque habitacional existente. O dado, sustentado por estatísticas da Pordata e do Instituto Nacional de Estatística (INE), revela um crescimento robusto entre 2022 e 2024, consolidando o território como um caso de estudo no dinamismo imobiliário regional e nacional. Entre 2021 e 2023, o concelho registou a conclusão de mais 143 habitações familiares em comparação com o triénio anterior, atingindo uma densidade de 117,2 alojamentos por km2.
Para o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, os números são um sinal de vitalidade. “Estes indicadores confirmam a Lagoa como um concelho em crescimento, com uma oferta habitacional em expansão”, afirma o autarca em nota de imprensa enviada às redações, sublinhando que a estratégia local tem resultado num “mercado imobiliário dinâmico”. No entanto, por trás destes indicadores, os números revelam também desafios crescentes de acessibilidade. Embora a autarquia defenda que este cenário reforça a atratividade para famílias e investidores, a realidade dos preços sugere uma pressão inflacionista superior à dos seus vizinhos diretos.
Em 2024, o valor mediano da avaliação bancária na Lagoa atingiu os 1.291 euros por metro quadrado. Este indicador é fundamental para justificar o novo peso regional do concelho: apesar de estar abaixo da média nacional (1.662 euros), a Lagoa já se tornou o segundo município mais caro da sua zona de influência em São Miguel, superando o custo do imobiliário em concelhos vizinhos como a Ribeira Grande ou Vila Franca do Campo. Esta ascensão é explicada por uma subida acentuada de 23,4% nos valores de avaliação desde 2021, um ritmo que coloca o mercado local sob forte pressão.
A análise detalhada dos dados de transação expõe ainda o fosso entre o mercado de construção nova e o de casas usadas. Quem procura habitação nova no concelho enfrenta um preço mediano de 1.835 euros por metro quadrado, um valor substancialmente superior aos 1.248 euros pedidos pelas casas já existentes. Este diferencial de quase 50% indica que a nova oferta imobiliária está a entrar no mercado com preços que refletem um posicionamento de elite, distanciando-se progressivamente da realidade económica de muitas famílias locais.
Em suma, os dados confirmam que a Lagoa deixou de ser uma alternativa periférica para se tornar um motor de construção nova. Contudo, como refere o autarca lagoense, se por um lado a Lagoa é o “município com maior proporção de casas novas em relação às existentes”, o sucesso estatístico traz consigo o risco da gentrificação, uma vez que a valorização imobiliária em dois dígitos poderá, a curto prazo, comprometer a mesma acessibilidade que o município procura promover. Este risco é sustentado pelo fosso entre a valorização imobiliária e o poder de compra local: com os preços das casas novas a subirem num ritmo que ultrapassa largamente a evolução dos rendimentos médios nos Açores, a Lagoa enfrenta o desafio de evitar que a nova oferta residencial se torne exclusiva para segmentos de alto rendimento, alienando a população jovem e a classe média que o município pretende fixar.

O Plano e Orçamento do Município da Lagoa, na ilha de São Miguel, para o ano financeiro de 2026 foi aprovado sem votos contra na sessão da Assembleia Municipal, realizada esta quarta-feira, 10 de dezembro.
Com um valor global de receitas e despesas de cerca de 28 milhões de euros, o orçamento regista um aumento de 13% em relação ao ano em curso.
De acordo com uma nota de imprensa enviada pela autarquia, 18,4 milhões de euros serão alocados a diversas áreas de investimento. Estas incluem: acordos de execução com Juntas de Freguesia, apoios a instituições (socioculturais, desportivas, recreativas e escolas), e apostas estratégicas na habitação, ação social, saúde, cultura, educação, desporto, juventude, promoção turística, lazer e ambiente.
A autarquia destaca ainda investimentos no valor de 10,4 milhões de euros com apoio de fundos estruturais como o PRR – Plano de Recuperação e Resiliência (através da Estratégia Local de Habitação, Bairros Digitais e Mar 2030) – e o PO2030. Os restantes oito milhões de euros serão investidos em: Proteção Civil, Medidas de Mobilidade, Rede Viária, Segurança, Manutenção de Edifícios, Remodelação de Iluminação Pública, Água, Resíduos e Saneamento.
A Câmara da Lagoa refere também que continuará a reduzir a sua dívida de empréstimos, mantendo-se cerca de nove milhões de euros abaixo do limite de endividamento.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Frederico Sousa, com esta aprovação, o Município da Lagoa “reafirma o seu compromisso com uma gestão financeira responsável, orientada para o investimento estratégico e para a melhoria contínua da qualidade de vida da população”.
O autarca conclui que este “Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2026 representam um reforço significativo na capacidade de execução municipal, potenciando obras estruturantes, apoiando as instituições locais e garantindo a sustentabilidade financeira do concelho”.

Os deputados jovens municipais, representantes do 3.º ciclo e ensino secundário das escolas do concelho de Lagoa participaram, esta quarta-feira, 13 de novembro, numa reunião preparatória para a Assembleia Municipal Jovem (AMJ) que está marcada para o dia 22 de novembro, pelas 16h00, no Auditório Ferreira da Silva, na vila de Água de Pau.
A iniciativa será aberta a toda a comunidade e associa-se às comemorações do Dia do Poder Local, na Região Autónoma dos Açores, assinalado anualmente, a 26 de novembro. Contará com dois momentos de teatro, um do Grupo Faísca da Escola Secundária de Lagoa e outro dos alunos do 6ºA EBI Água de Pau.
Os jovens deputados foram recebidos pelo Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, que desafiou os alunos a assumirem a responsabilidade de, durante um ano, serem embaixadores das iniciativas e políticas de juventude do município, com o apoio do gabinete de juventude da autarquia.
De acordo com o autarca lagoense, a AMJ promove e estimula os jovens a participar na vida ativa do município, contribuído com sugestões de melhoria e identificando as suas preocupações relativamente ao concelho onde vivem ou estudam.
Na reunião preparatória, estiveram presentes dois representantes, acompanhados dos respetivos professores coordenadores, de cada ano letivo das escolas do concelho, nomeadamente da Escola Secundária de Lagoa, Escola Básica Integrada de Água de Pau e Escola Profissional INETESE de Lagoa. Este momento serviu para os jovens tomarem conhecimento das regras de funcionamento da Assembleia Municipal Jovem (AMJ) e partilharem os temas que irão levar a debate na mesma.
A Assembleia Municipal Jovem é uma iniciativa da Assembleia Municipal de Lagoa desenvolvida em conjunto com a Câmara Municipal de Lagoa, que pretende não só incentivar o diálogo entre os jovens e os membros da mesma, na procura das melhores soluções para as necessidades, tendo em conta os recursos disponíveis. Pretende também contribuir para a educação cívica, permitindo aos jovens integrar as suas preocupações pessoais com o bem comum, desenvolver junto dos jovens atitudes, competências e práticas de participação no presente e para o futuro, a fim de compreenderem a complexidade dos problemas, contribuindo construtivamente para a sua resolução e promover a cidadania ativa junto dos jovens.

DL: Os eleitores deram-lhe a razão e o voto de confiança. Como se sente como o candidato que atingiu a melhor votação de sempre do Partido Socialista (PS) na Lagoa?
Primeiro, o orgulho naquilo que foi feito, porque também é um reflexo do percurso até à data. Se não tivesse sido de sucesso, não acredito que os lagoenses dessem o voto de confiança. O reconhecimento por todo o trabalho que foi feito, daí a questão de um voto de confiança renovado e dando um reforço na votação. É sinal de que o intenso trabalho de toda a equipa da Câmara produziu efeitos. Nós queríamos mesmo marcar um ritmo, não em termos estratégicos, mas precisamente de um trabalho distinto, para justificar uma nova energia, uma renovação. Em terceiro lugar, uma nova responsabilidade, e se calhar é essa que pesa mais, não tanto pelos números, pois não se trata de uma competição, mas acima de tudo por ser um facto que nos traz muita responsabilidade para honrar tudo aquilo com que nos comprometemos e que habituamos os lagoenses nos últimos anos.
DL: Esperava uma vitória tão expressiva?
Não estava à espera de uma vitória tão expressiva, confesso que não era relevante para o objectivo, mas nunca escondi que gostava de ter uma maioria confortável para que não fossem bloqueadas as decisões nem em sede de câmara, nem em sede de assembleia. E também, se possível, ter a maioria das freguesias porque, naturalmente, são pessoas em quem temos confiança e uma relação de proximidade, uma visão comum. Portanto, achamos que agora temos todas as condições, como já tínhamos antes, para fazer um bom trabalho, só limitados pela nossa ambição, vontade e capacidade de trabalho. E, claro, pela parte financeira, como é lógico, que não é menos importante.
DL: Em 2021 o PS apresentou cerca de 90 ações previstas para 10 anos. Com este resultado considera que se trata, afinal, de um projeto para mais do que uma década?
Eu diria que os projetos têm de ser vistos a curto, médio e a longo prazo. Se há projetos estruturados como, por exemplo, uma ampliação do Tecnoparque ou um sistema de mobilidade que seja não conjuntural mas estruturante, um projeto de habitação — e estamos a falar de 200 a 300 habitações —, é natural que quatro anos seja curto. Agora, isso não quer dizer que de quatro em quatro anos não tenha que haver uma renovação e uma adaptação daquelas que são as linhas mestras desse projeto para que seja reavaliado.
Também acredito em ciclos mais curtos e não tenho medo nenhum de dizer isso. Um lagoense quando vota e demonstra o seu apoio, não passa necessariamente um cheque em branco e quer ver resultados, por isso é normal que também se dê uma perspetiva de planeamento estratégico. Às vezes o que falta no país é isto.
DL: A maioria do tecido empresarial na Lagoa é constituído por pequenas empresas. De que forma o “Lagoa Investe” poderá apoiar as pequenas empresas na Lagoa nos próximos tempos?
Esse é um bom exemplo de que nós temos que nos adaptar e renovar. O “Lagoa Investe” é um documento estruturante, já tem alguns anos, foi pensado para alavancar o Tecnoparque, mas entretanto foi evoluindo. Ainda recentemente, no anterior mandato, nós vimos aprovados na reunião de câmara e em discussão pública aquilo que é uma transformação do “Lagoa Investe”, que tinha a necessidade de ter eixos dedicados a pequenos empresários e empreendedores. Nesse sentido, alterámos o programa e agora vai ser possível haver um apoio para a criação de pequenos negócios, pequenas obras e aquisição de equipamentos. Será um apoio complementar àquilo que são os apoios comunitários, que estão muito mais vocacionados e planeados para grandes empreendimentos e investimentos. Portanto, estou convencido que vamos sentir alguma dinâmica nesse apoio.
Claro que temos limitações orçamentais, mas custa-me imenso que alguém que queira ser empreendedor e não o faça porque não tem capacidade financeira. Essa é uma aposta, criar condições não só de atratividade para o concelho como condições de estacionamento para os pequenos negócios e na instalação destes negócios, criar dinâmica e mobilidade. Acima de tudo, temos um pequeno instrumento, à nossa medida, que permite desbloquear aqueles primeiros passos num projeto de empreendedorismo, porque ser empreendedor também custa.
DL: Ao nível da segurança e vigilância, o que é que os lagoenses podem esperar?
Naturalmente, quando se fala de segurança, temos que considerar o reforço da capacidade operacional da própria PSP, que é uma competência nacional, e nisso somos solidários. Há sempre a necessidade, mas a verdade também seja dita, a PSP na Lagoa tem cumprido com os seus deveres e obrigações, não só no que diz respeito à manutenção da segurança e da prevenção rodoviária, mas acima de tudo na investigação criminal. A verdade é que a criminalidade tem baixado em termos percentuais, o que não quer dizer que não haja, pontualmente, problemas de insegurança, como pequenos furtos e violência doméstica, que é comum a todo o território. No caso da Lagoa, temos um índice relativamente mais alto que outros municípios que não são cidades. E eu diria que quanto maior é a cidade, quanto mais cresce, a tendência é que haja um crescimento da criminalidade, mas não de forma proporcional. Relativamente à videovigilância, já iniciamos dois processos formais. Um, na Baía de Santa Cruz, que foi indeferido. E colocámos outro formalmente, há três anos, para o Porto dos Carneiros. Ao fim de dois anos de avaliação, por parte da Comissão Nacional de Proteção de Dados e do Ministério da Administração Interna, também já nos veio o parecer favorável ao indeferimento, mas que ficou suspenso no sentido de, se houver uma alteração das circunstâncias, poder ser retomado. Ou seja, neste momento, qualquer projeto que venha a ser proposto para videovigilância tem passado por esse procedimento de consulta e aprovação. Nós já fizemos dois e não foram aprovados. O que revela que não temos um índice de criminalidade que justifique a videovigilância. Eu diria que é uma perspetiva de copo meio cheio ou copo meio vazio, mas vou encarar como copo meio cheio. Eu acho que é uma boa notícia o facto de ainda não ser possível aprovar sistemas de videovigilância. Mas estamos vigilantes se houver alguma alteração de circunstâncias ou aumento significativo de criminalidade que o justifique.

DL: E quanto à proposta da criação de uma Polícia Municipal?
Relativamente à Polícia Municipal, a perspetiva é diferente, não é uma questão de segurança, é uma questão de perceção de segurança e da presença no terreno, porque tem caraterísticas e funções distintas daquela que é a PSP. Portanto, cada vez mais, quando se cresce como cidade e com a introdução de novos elementos de atração e com a dinamização do espaço e comércio local, cada vez mais vai haver viaturas. O turismo e o Alojamento Local também contribuem, assim como a restauração para que haja mais viaturas. E só há três formas de ultrapassar isso. Uma é a disciplina, outra a criação de parques de estacionamentos e, depois, mais meios de mobilidade para limitar o uso do veículo automóvel. Caso contrário, vamos ter sempre um problema de disciplina de trânsito, e as novas dinâmicas, por exemplo, com as trotinetas, motociclos, viaturas de rent-car, estacionamento indevido, viaturas de emergência que precisam de ter vias desimpedidas, tudo isto são desafios que uma cidade vai ter principalmente nos próximos anos. Eu não tenho dúvidas que a disciplina é importante e se nós libertarmos a PSP dessas funções, ou pelo menos ajudarmos e complementarmos nessas funções, melhor. Já em termos de custos, primeiro não há uma urgência, depois tem de ser feita com muita coerência e responsabilidade. Desde que seja feita à nossa medida, com a dimensão útil para o município, parece-me que acaba por ser equilibrado, porque é o nosso objectivo criarmos um projeto que seja sustentável.
DL: A prometida rede de Minibus deverá avançar quando e de que forma?
Eu acho que a ideia foi disruptiva e, acima de tudo, teve um efeito positivo. Foi a primeira vez que um tema mobilizou uma discussão em mais de 80% da população dos Açores em torno de uma temática que não era abordada e que, para mim, parece importante: que é a mobilidade entre Lagoa, Ribeira Grande e Ponta Delgada.
Há um concurso público internacional que está a decorrer relativamente a uma renovação do modelo de transporte de passageiros terrestre em São Miguel, mas que nenhum dos três concelhos conhece. Já pedimos a consulta, pois não conhecemos a frequência e os processos, mas o facto é que esse problema não está resolvido.
Eu acho que, independentemente das cores partidárias, há capacidade de diálogo caso não seja possível resolver essa questão, num curto espaço de tempo, através do novo modelo de transporte de passageiros. Os três municípios têm todas as condições para se sentar, negociar e pensar num modelo alternativo.
Porque o que está aqui em causa é não só a mobilidade dentro dos três concelhos, mas igualmente uma capacidade de redução dos custos para as famílias. Há pessoas que têm um custo, não só com passes sociais, mas acima de tudo com a sua viatura, para ir para um ponto de partida. Podemos minimizar também o impacto do trânsito no próprio centro de Ponta Delgada.
Agora, o modelo pode ser discutido, se é feito através de uma empresa intermunicipal ou não e qual é a frequência, mas isso já são detalhes técnicos que, a avançar, são importantes. A boa notícia seria se realmente o novo modelo de transporte de passageiros viesse expurgar essa necessidade, ficava resolvido a nível regional, mas estamos expectantes. Eu estou sempre disponível para conversar.
DL: O que podem esperar os jovens lagoenses deste executivo?
Um empenho e um compromisso muito sério com o futuro dos jovens. E quando digo jovens, desde os adolescentes aos jovens já com uma família constituída. Desde logo, uma forte presença no âmbito da educação. Nós, se calhar, somos o município que tem uma maior relação com as nossas escolas, seja ao nível básico, integrado e até secundário. Temos uma ótima relação com todos os Conselhos Executivos e apoiamos tudo o que são iniciativas e desafios. Temos projetos disruptivos nessas escolas e depois queremos também fazer parte daquilo que é o futuro desses jovens, seja no ingresso no mercado de trabalho, atraindo novas empresas e novas oportunidades de emprego para que se fixem no concelho, como também criando condições para que possam estudar através do reforço das bolsas de estudante deslocado e de mérito, mas acima de tudo com perspetivas de futuro. E estamos a falar de habitação, mobilidade e apoio social para creches. Ninguém pensa em ter filhos se não tivermos creches e, portanto, a nossa maior responsabilidade é essa. Por outro lado, é indissociável a questão do desporto, queremos afirmar-nos com um município que é amigo do desporto, pois a prática desportiva é essencial. Portanto, educação, habitação, desporto e, acima de tudo, emprego, é o que os jovens podem esperar de nós.
DL: Que presidente deseja ser para os lagoenses em geral e que legado pretende deixar?
Eu diria que gostava que olhassem para mim, daqui a uns anos, da mesma forma que os lagoenses olham, por exemplo, para um presidente como o Eng. Luís Martins Mota.
Acima de tudo alguém que deixou uma marca, perspetivou o futuro e que foi um visionário. É o maior legado que posso deixar. Neste momento, mais do que falar, temos que honrar o voto de confiança expressivo dos lagoenses para que sintam que o seu tempo e confiança neste executivo valeram a pena. Acima de tudo que, mesmo cometendo erros, porque toda a gente comete erros, que as virtudes possam ser muito superiores aos erros e às fragilidades.

“É indissociável a Lagoa da minha infância” começa por contar ao Diário da Lagoa (DL). Frederico Furtado Sousa nasceu a 22 de junho de 1977. As suas primeiras memórias estão intimamente ligadas à Lagoa. Lembra-se do primeiro dia de escola, na Marquês Jácome Correia, no Rosário, “e até me lembro da mochila que usava na altura”, diz, a sorrir. Mas antes disso, tem memórias da primeira casa da família, perto da câmara municipal da Lagoa. E da família que tomou conta dele, antes de entrar para a escola, que se dedicava à lavoura. “A primeira ida no trator, a primeira ida às vacas, o primeiro contacto com campo e com o meu rural foi com eles até porque a minha família direta não tinha muito contacto com essa realidade”, diz.
Depois da escola, Frederico Sousa ia para a loja do avô materno, “em frente ao cineteatro lagoense”, que se chamava “Mundo Novo”. “Era uma loja que vendia de tudo, desde fruta, que também ia à Quinta, recolhia a fruta, na Guia e na Malaca, onde agora vivo, vendia fazendas, entre outras coisas”. Como a televisão só abria às seis da tarde, antes era tempo de estar na loja e de passear pelo Rosário.
Os verões eram passados entre a casa dos avós e as piscinas da Lagoa, onde aprendeu a nadar.
Quando passa para o quinto ano, vai então para Ponta Delgada, para a escola Canto da Maia, por ficar perto do serviço da mãe, a Segurança Social. Transitou depois para a escola Domingos Rebelo e é em Ponta Delgada que conclui os estudos até entrar na universidade.
Com 18 anos, decide ir estudar para Lisboa, onde se licenciou em Engenharia Civil pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Mais tarde, concluiu o mestrado em Engenharia Civil pela mesma universidade.
É em Lisboa, na margem sul, que tem a sua primeira experiência profissional, “numa empresa de construção civil de promoção imobiliária, eu era o único diretor de obra” conta ao DL. Compra a sua primeira casa, um apartamento, e começa a ser independente. “Foi muito bom porque, na altura, um engenheiro recebia muito acima da média. Para quem tinha vinte e poucos anos, tinha carro, tinha casa, tinha um ordenado que hoje era bastante”, diz.
Mas passados dois anos de trabalho no continente decide voltar às origens e regressa à Lagoa. Acabou por ter uma proposta de trabalho para a empresa Marques onde fica durante vários anos como diretor de obra.
Em 2014 é convidado por Vasco Cordeiro para exercer o cargo de Diretor Regional da Solidariedade Social até 2016. “Foram dois anos que marcaram e aprendi muito, muito, muito. Com uma equipe relativamente jovem na Direção Regional, tinha um senão, mas que depois acabou por ser uma agradável surpresa, foi o facto de ter que viver na Terceira durante esses dois anos e meio com dois filhos pequeninos, eles em São Miguel e eu na Terceira”, diz. Casado e pai de dois filhos, confessa ter sido difícil gerir tudo à distância.
Mas antes disso, tinha tido um primeiro contacto com a política ao integrar a Assembleia Municipal no mandato do engenheiro João Ponte. “Foi o primeiro grande contacto com o poder autárquico”, em 2013, como deputado municipal.

No final de 2016, passa a ser Diretor Regional das Obras Públicas e Comunicações do Governo de Vasco Cordeiro. Para Frederico Sousa “foram quatro anos muito interessantes que, por meio de uma pandemia, fomos nós que tivemos que fazer os primeiros cercos. Foi praticamente um ano de lidar com essa parte logística nas nove ilhas. Nós tínhamos nove delegações das obras públicas. Era uma máquina completamente diferente, com quase mil trabalhadores. E isso deu-me alguma capacidade diferente de gestão orçamental, de equipas e de uma visão transversal, mas que mantive sempre a relação com as nove ilhas, o que foi interessante”, assegura.
Depois de terminar esse ciclo, “coincidiu com a alteração do período legislativo aqui na autarquia e a Dra. Cristina Calisto convidou-me para fazer parte da sua equipa. E assim venho para a Lagoa”, explica. Passa a ser vice-presidente da autarquia e no final de 2024 passa a ser presidente da Câmara da Lagoa depois da renúncia do mandato de Cristina Calisto que assume o lugar de deputada regional do PS no parlamento dos Açores.
Em outubro passado, Frederico de Sousa foi a votos, pela primeira vez, e conquistou um resultado histórico para o partido no concelho. Foi eleito com 74,09 por cento dos votos.
É filho de pais ligados à política: o pai foi vereador na câmara da Lagoa e a mãe deputada na Assembleia Legislativa regional dos Açores. A política nunca lhe foi estranha e agora tem quatro anos pela frente naquele que foi o primeiro mandato para o qual foi eleito, no concelho onde nasceu e cresceu, a Lagoa.

O edifício dos Paços do Concelho recebeu esta quarta-feira, 22 de outubro, a cerimónia de tomada de posse dos eleitos locais para a Câmara Municipal e Assembleia Municipal da Lagoa, perante uma sala cheia e sob a orientação do presidente de Assembleia Municipal cessante, Rodrigo Oliveira.
Na ocasião, Frederico Sousa, que tomou posse enquanto presidente da autarquia lagoense, para um novo mandato que agora se inicia, dirigiu palavras de reconhecimento, destacando Rodrigo Oliveira “pelo trabalho exemplar desenvolvido como presidente da Assembleia Municipal”. Salientou, igualmente, que os vereadores, deputados municipais e os presidentes de Junta, Victória Couto e Adriano Costa terminam as suas funções “com o sentido de dever cumprido”.
O autarca agradeceu, ainda, aos vereadores da oposição, António Vasco Viveiros e Duarte Borges, pela “participação democrática e colaborativa que permitiu realizar um trabalho profícuo em prol da Lagoa, em que os interesses dos Lagoenses estiveram sempre em primeiro lugar”. Dirigiu, também, uma palavra de amizade e reconhecimento a todos os membros da Assembleia Municipal que não renovam o seu mandato.
Frederico Sousa endereçou, igualmente, uma palavra de reconhecimento para o novo presidente da Assembleia Municipal, Ricardo Martins Mota, referindo que é um exemplo de competência, seriedade, tolerância, dedicação e envolvimento social.
“Manifesto, também, gratidão e reconhecimento à equipa de trabalhadores municipais, que diariamente se dedicam ao serviço público, desempenhando as suas funções com empenho e competência”, enalteceu o presidente da Câmara Municipal.
Frederico Sousa sublinhou ainda que a missão é trabalhar em equipa e defender a Lagoa e os lagoenses, construindo “uma Lagoa que respeita o passado, mas perspetiva o futuro, aberta às famílias e aos jovens, que cuida dos mais velhos e se prepara para fixar as novas gerações”.
Frederico Sousa foi eleito, no passado dia 12 de outubro pelo Partido Socialista, com mais de 74 por cento dos votos. Reafirmou, por isso, que “esta é uma vitória de todos os que caminharam ao nosso lado e daqueles que nos desafiaram a ser melhores. A partir de hoje, os desafios são muitos, a responsabilidade é grande, mas a vontade de servir é ainda maior”, acrescentou o autarca, reforçando o compromisso de servir com rigor e transparência, atuar com eficiência e justiça e investir nas pessoas, que são o centro da ação municipal.
Para os próximos anos, Frederico Sousa elencou várias áreas de enfoque onde pretende desenvolver um “trabalho sério e comprometido, desde logo, apoiando as famílias, os jovens e os idosos, promovendo o desenvolvimento económico sustentável e preservando a identidade, cultura e património do concelho”.
Entre as prioridades para o novo mandato, o autarca na ocasião destacou medidas concretas para a habitação, a mobilidade, o desenvolvimento económico, o ambiente e o apoio social.
Por outro lado, afirmou que pretende desenvolver projetos em parceria com outras entidades, nomeadamente com o Governo regional, para que seja possível concretizar a reabilitação da Fábrica do Álcool, de forma a dinamizar aquele espaço; o reforço da segurança rodoviária, através de uma rede de sistemas de controlo de velocidade com radares; o alargamento da via da SCUT no troço de Santa Cruz e a construção de um novo acesso de forma a melhorar as acessibilidades nessa zona de expansão e a requalificação da Escola Básica e Integrada Padre João José do Amaral, com a passagem do pavilhão existente para municipal.
Ainda no âmbito da parceria com o Governo regional e na área social, Frederico Sousa salientou o reforço do apoio à infância e aos idosos, com o aumento de vagas em creche, ampliação do Lar de Santo António e a criação de uma resposta descentralizada em Água de Pau. Sublinhou, por fim, a importância de intensificar o combate às dependências e o aumento de resposta na habitação.

O Partido Socialista (PS) venceu na Lagoa as eleições autárquicas deste domingo, 12 de outubro, com 74,09% dos votos, um valor superior ao registado nas autárquicas de 2021 que se ficou pelos 62,63% dos votos. Ultrapassa também o resultado de 2017 em que obteve 70,17% dos votos.
Frederico Sousa continua como presidente da Câmara Municipal de Lagoa sendo esta a primeira vez que o candidato socialista foi a votos. O PS conseguiu eleger seis mandatos.
Em declarações à RTP Açores, no final da noite eleitoral, Frederico Sousa disse sentir “gratidão e uma enorme responsabilidade para poder cumprir” aquilo que se comprometeu e “honrar o voto de confiança dado pelos lagoenses que foi de forma expressiva, clara e esmagadora”.
O socialista disse ainda que, para além de “fazer cumprir o nosso manifesto”, a maior responsabilidade passa por “saber executar e executar bem os fundos comunitários”, será este “o principal objetivo e o principal desafio”. “Esperemos que no final desta missão, os lagoenses percebam que o voto foi bem empregue no nosso projeto e que encontremos uma Lagoa melhor e cada vez mais apetecível nos próximos anos”, salientou Frederico Sousa.
Na Lagoa, o PSD ficou em segundo lugar com 14,44% dos votos conseguindo conquistar apenas um mandato.
Em terceiro lugar ficou o Chega com 7,68% dos votos, seguindo-se o Bloco de Esquerda com 0,88% e a CDU com 0,40% dos votos.
O PS venceu em todas as juntas de freguesia do concelho da Lagoa. Lucrécia Rego continua como presidente da junta de Nossa Senhora do Rosário, Vanessa Silva é a presidente eleita para a junta de freguesia da Vila de Água de Pau. Em Santa Cruz, Sérgio Costa continua como presidente da junta de freguesia. No Cabouco, Mário Miguel é o novo presidente da junta e Paula Pacheco é a nova presidente da junta de freguesia da Ribeira Chã.

A apresentação pública das listas de candidatos do Partido Socialista (PS) para as eleições autárquicas na Lagoa, no dia 12 de outubro, realizou-se esta sexta-feira, 5 de setembro, no cineteatro lagoense Francisco d´Amaral Almeida, sob o lema “Lagoa com Futuro”.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pelo PS Lagoa, na sessão, o candidato à presidência da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, disse que a candidatura socialista “assenta em políticas públicas direcionadas para a habitação; emprego; juventude; captação de investimento; mobilidade urbana e intervenção social, que vão ao encontro das reais necessidades dos lagoenses e do desenvolvimento sustentável do concelho”.
A criação de uma rede de minibus intitulada “Urbana”, em articulação com os táxis; a ampliação do Tecnoparque para o desporto, a habitação e as empresas; a instalação dos Bombeiros na Lagoa; a construção de mais de 100 novas habitações a preços acessíveis; a criação da Polícia Municipal presente no terreno para o reforço da fiscalização e da segurança e a requalificação da Frente Marítima da cidade, foram alguns dos exemplos que o candidato do PS elencou das ações que pretende concretizar. Frederico Sousa apresentou, ainda, projetos que dependem da articulação com outras entidades, num espírito de cooperação, como é o caso da criação de um transporte de passageiros rápido entre a Lagoa, Ponta Delgada e a Ribeira Grande; a criação de mais uma creche na cidade; a reabilitação da Fábrica do Álcool; o reforço das respostas dedicadas aos idosos, nomeadamente na Vila de Água de Pau; uma rede de sistemas de radares para reforçar a segurança rodoviária e o alargamento da via Scut no troço de Santa Cruz.
Na ocasião, foi salientado que os cerca de 200 candidatos das listas são todos lagoenses, a maioria independentes, “pessoas competentes, sérias e com origem em diversos sectores da nossa sociedade, tendo todos em comum o amor pela Lagoa”. Entre os nomes apresentados, o candidato à presidência da Assembleia Municipal, Ricardo Martins Mota foi elogiado por Frederico Sousa como uma “pessoa séria, idônea e comprometida com a comunidade lagoense”. No seu discurso, Ricardo Martins Mota referiu que aceitou a sua candidatura com “o sentido de responsabilidade e humildade, em compromisso e missão”.
Frederico Sousa apresentou, igualmente, a mandatária da Juventude, Natacha Candé, jovem promessa do atletismo português, sublinhando que “sendo este um projeto vencedor contamos com os melhores”. O candidato deixou também uma palavra de agradecimento a todos os que compõem a lista da Assembleia Municipal e aos candidatos para as assembleias de freguesias, adiantando que conta com “pessoas conhecidas e conhecedoras da realidade das suas freguesias”, reconhecendo, também, o trabalho, dedicação e ato de coragem dos cinco candidatos às juntas de freguesia do concelho.
Frederico Sousa endereçou, igualmente, palavras de reconhecimento à mandatária Cristina Calisto, tendo a mesma referido que Frederico Sousa, “representa uma nova geração de autarcas, mas que carrega consigo valores sólidos, como: a honestidade, a proximidade e a entrega total à causa pública”, acrescentando que a Lagoa “é hoje um dos concelhos mais dinâmicos dos Açores, reconhecido pela combinação de progresso económico e justiça social”.
O candidato recordou por fim que o PS Lagoa apresentou, em 2021, cerca de 90 ações para 10 anos, afirmando que conseguiu concretizar “cerca de 80%, em apenas quatro anos”.
Frederico Sousa encerrou a sua intervenção reafirmando a sua total disponibilidade para ouvir e representar todos os lagoenses: “estou e estarei ao serviço da minha terra e da minha comunidade e conto convosco para que, possamos caminhar unidos, com coragem e determinação, rumo a uma Lagoa Com Futuro”.

A empresa multinacional Google, responsável pelo projeto transatlântico de cabos submarinos “Nuvem” e “Sol”, vai instalar-se no Tecnoparque, na cidade da Lagoa, construído um edifício de telecomunicações, que incluirá uma estação de receção de cabos (CLS). A informação foi avançada esta quinta-feira, 17 de julho, pela Câmara Municipal de Lagoa.
O gigante tecnológico irá instalar-se no Lote 32 B do Tecnoparque, uma área de cerca de 15 mil metros quadrados.
Segundo o presidente da autarquia lagoense, Frederico Sousa, “é com orgulho e sentido de responsabilidade que vemos confirmado que uma empresa como a Google, decidiu escolher instalar-se na Lagoa. Este é um sinal claro de que o nosso potencial e qualidade está a ser reconhecido, mas também, a nossa estabilidade institucional e o trabalho que temos desenvolvido em favor da sustentabilidade, da inovação e da captação de investimento, também reforçado pela presença do Nonagon e de outros investimentos de grande prestígio no Tecnoparque. Este marco histórico posiciona assim a Lagoa e os Açores como um polo estratégico no panorama tecnológico nacional e internacional”.
Em setembro de 2023, a Google anunciou o seu projeto “Nuvem”, um novo sistema de cabos submarinos transatlânticos que irá ligar Estados Unidos, Bermudas, Açores e Portugal. Com este projeto, a rede em todo o Atlântico será melhorada, sendo que o novo trajeto do cabo irá aumentar a diversidade das rotas internacionais e apoiar o desenvolvimento de infraestruturas de tecnologias da informação e comunicação para os continentes e países envolvidos, nomeadamente o universo Google Cloud. Um projeto entretanto reconhecido como relevante e de interesse público pelo Governo regional dos Açores.
A autarquia da Lagoa, em comunicado, salienta ainda que a instalação do complexo de telecomunicações na Lagoa “irá reforçar a capacidade de atratividade de novas empresas e oportunidade de novos negócios para a Lagoa e para os Açores, oferecendo uma rota alternativa para os sistemas submarinos transatlânticos, com menor latência e maior resiliência”.

“Já fiz muitas primeiras pedras, noutras funções, já fiz muitas inaugurações, noutras funções, mas esta é especial porque é a primeira vez que tenho a primeira pedra com máquinas a trabalhar e é assim que eu gosto, ou seja, não é uma cerimónia só formal, tiramos uma fotografia e nada acontece”. As palavras são do presidente da câmara municipal da Lagoa, Frederico Sousa, ditas na cerimónia de lançamento da primeira pedra para a construção de 36 novos apartamentos para habitação social no bairro da Longueira, em Santa Cruz, na Lagoa.
No local escolhido, no interior do bairro, as máquinas já escavaram boa parte da terra que foi retirada para terraplanar o espaço destinado à construção.
De acordo com a autarquia lagoense, serão construídos seis blocos de 18 apartamentos de tipologia T2 e outros 18 apartamentos de tipologia T3.

A obra, inserida no âmbito do PRR, Plano de Recuperação e Resiliência e da Estratégia Local de Habitação, vai custar quatro milhões e oitocentos e cinquenta mil euros com um prazo de execução de 12 meses.
No âmbito da mesma obra, vão ser criadas ruas e mais 60 lugares de estacionamento.
Frederico Sousa explica que as casas destinam-se ao arrendamento: “para arrendar a pessoas que vão morar nessas casas, pessoas que precisam de uma habitação digna”. O autarca reconhece que “o mercado não está fácil” e que é preciso “ajudar todos, desde os que têm menos possibilidades àqueles que, por via do mercado, têm a sua vida estabilizada, são jovens, estão a trabalhar, mas não conseguem ter uma habitação”.

“Vim de uma reunião com a senhora secretária de Estado da Habitação, para planear mais 90 casas para jovens lagoenses que trabalham, pois são pessoas que também precisam de ter uma oportunidade”, diz Frederico Sousa revelando que “é a intenção do município que nos próximos quatro anos seja possível termos pelo menos 200 novas casas da responsabilidade do município”.
A cerimónia contou com a presença de moradores do bairro da Longueira bem como das entidades oficiais, nomeadamente o presidente da mesa da Assembleia Municipal, Rodrigo Oliveira, do presidente da junta de freguesia de Santa Cruz, Sérgio Costa, vereadores da autarquia e do vigário paroquial da Lagoa, padre Rui Pedro Soares.