
O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, participou na sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, realizada na Assembleia da República, em Lisboa.
A cerimónia voltou a assinalar uma das datas mais marcantes da história de Portugal, evocando o fim de décadas de ditadura e o início de um caminho sustentado na liberdade, na democracia e na participação dos cidadãos na vida pública.
As comemorações deste ano decorrem num contexto simbólico, ao coincidirem com os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e da autonomia regional, dois marcos que resultam diretamente do processo democrático iniciado com a Revolução dos Cravos.
José Manuel Bolieiro tem sublinhado que o 25 de Abril “abriu um novo horizonte histórico”, ao restabelecer a liberdade e criar condições para que a autonomia dos Açores pudesse ser afirmada em democracia. Neste âmbito, destaca a Constituição de 1976 como “um momento fundador”, por reconhecer “com clareza e densidade” a autonomia político-administrativa do arquipélago.
Segundo o governante, esse enquadramento permitiu dotar a região “de órgãos de governo próprio e de um espaço institucional legítimo” para afirmar as suas especificidades e defender os seus interesses.
José Manuel Bolieiro tem igualmente defendido que o 25 de Abril representa “uma conquista democrática em Portugal e nos Açores”, cuja memória deve continuar a mobilizar a sociedade para a defesa da liberdade, da participação cívica e do aprofundamento da autonomia.

Alexandra Manes
Aos Açores compete ter a noção mínima e não aplaudir aqueles que põem o mundo em chamas só porque depois aparecem com um balde. Assim deve ser, em qualquer contexto, mas neste momento particular da nossa tímida história, talvez seja importante falar às claras, citando a coragem dos nossos vizinhos ibéricos.
Neste caso, é sobre a emboscada à SATA, o assunto da Ryanair e do Subsídio que agora é Mecanismo, que escrevo. Após anos de péssima gestão e de empurrões sucessivos, em nome de problemáticas constitucionais e integridades territoriais, voltamos, mais ou menos, à estaca zero, com o acréscimo de termos perdido mais umas quantas valências associadas à nossa acessibilidade. O Governo Regional é, em primeira instância, o grande culpado, e os partidos que o sustentam não possuem qualquer legitimidade para se fustigar, por terem tentado interromper a enchente a meio da inundação que criaram.
Na verdade, e contrariamente à realidade da Madeira, o caso açoriano, ao abrigo da extrema bem direita que o sustenta, foi preparado propositadamente, para que se possam manobrar negociações entre o setor privado, o semipúblico e o grande buraco que lhes interessa que cresça. Para a governança neoliberal da Secretaria das Finanças, que anda de mãos bem dadas à Senhora Secretária da Mobilidade “Só Para Alguns”, a realidade que almejam criar é cada vez mais evidente.
Está é cada vez mais selvagem. Mas os neoliberais continuam a achar que o conseguem domar, até porque normalmente quando se afastam dos cargos há uma posição a abrir na direção das empresas e fundações de amizade do peito.
A realidade é esta: a SATA é um problema alimentado pelas forças mais conservadoras da sociedade civil açoriana, que se entrelaça partidariamente.
A SATA é um problema porque querem que seja, da mesma maneira que o Subsídio de Mobilidade só levantou comichão quando foi preciso usar o umbiguismo institucional do centralismo lisboeta para escudar os erros a nível local. Lisboa, claro está, responde sempre ao repto de nos oprimir. Mas isso não pode legitimar os partidos açorianos, que agora surgem de balde na mão, para apagar uma parte ínfima do fogo que vão ateando na Região.
A acessibilidade não pode ser a bandeira de governos que, sistematicamente, se vão esquecendo de partes dos seus territórios. De pouco ou nada nos serve a organização de encontros e eventos na ilha das Flores, quando as estimativas mais simpáticas apontam para anos de trabalho até que volte a ter uma operacionalidade mínima no seu porto comercial. Apregoar aos sete ventos as virtudes do setor espacial em Santa Maria não servirá para nos fazer esquecer os barcos que para lá deixaram de operar, ou as milícias políticas que continuam a destruir a sua sustentabilidade orçamental interna.
A reconquista de algumas das coisas boas que o Subsídio nos trazia, limitando-se essencialmente a repor o que já antes acontecia, é apenas um placebo para a população, e uma forma de granjear alguns votos, principalmente para os que temem perder o seu lugar. A remodelação está ali à espreita, e as facas serão longas. Não haverá Mecanismo que salve da incompetência.
Termino, relembrando a data histórica de 1974, a qual Sophia Andresen tão bem nos descreve “Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo“. 25 de Abril, sempre!

O prazo de candidaturas para a atribuição, através de concurso público, de 144 lotes infraestruturados para a construção de habitação foi prorrogado até ao dia 24 de abril, anunciou a secretaria regional da Juventude, Habitação e Emprego.
As candidaturas devem ser apresentadas nos termos que estão identificados e explicitados no anúncio publicado em Jornal Oficial e disponível para consulta no sítio da Direção Regional da Habitação (DRH) na internet, onde está também disponível o formulário de candidatura.
Os interessados podem apresentar a sua candidatura devidamente instruída até ao dia 24 de abril, inclusive, no serviço de atendimento da DRH, sito à Rua Dr. João Francisco de Sousa, n.º 30, 9500-187, Ponta Delgada, nos dias úteis, entre as 8h30 e as 14h30; nos postos de atendimento da RIAC – Rede Integrada de Apoio ao Cidadão;
por correio registado e com aviso de receção para a DRH, ou através do endereço de correio eletrónico da DRH – geral-drh@azores.gov.pt.
Os beneficiários dos lotes pagarão entre 5% a 45% do valor do lote, de acordo com os seus rendimentos, e podem ainda beneficiar, cumulativamente, de uma comparticipação até cinco mil euros, a fundo perdido, para a aquisição de projetos de arquitetura e especialidades, bem como de um apoio à autoconstrução até 75 mil euros, em função da composição e rendimento do agregado familiar e da tipologia da habitação.
Estes 144 lotes, dos quais 114 na ilha de São Miguel, 14 na ilha das Flores, 10 na ilha de São Jorge e seis na ilha de Santa Maria, destinam-se à construção de habitação própria permanente.

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada considera (CCIPD) “imperativo adotar instrumentos de política pública que mitiguem as desvantagens competitivas” associadas à insularidade dos Açores e ao facto da Ryanair ter deixado de voar para a região.
Em comunicado, a CCIPD entende ser necessário “assegurar níveis adequados de conectividade aérea e garantir a sustentabilidade do setor turístico, que constitui um dos principais motores da economia regional”.
Para tal, dá como exemplo as ilhas Canárias que “implementaram um programa de desenvolvimento de voos no âmbito territorial da Região Ultraperiférica das Canárias para 2013-2026”, que assenta num “regime público de incentivos à criação e operação de novas rotas aéreas internacionais, baseado em mecanismos concorrenciais e transparentes”.
É um programa que “visa apoiar a abertura de rotas diretas, reduzindo o risco inicial para as companhias aéreas através de incentivos financeiros proporcionais à capacidade oferecida”, pode ler-se na missiva.
Sublinha que “este regime foi formalmente enquadrado e aprovado pela Comissão Europeia, no âmbito das regras de auxílios de Estado, designadamente ao abrigo das diretrizes relativas a aeroportos e companhias aéreas, que valida a sua compatibilidade com o mercado interno e reconhece a sua contribuição para o desenvolvimento económico de uma região ultraperiférica”.
De resto, acrescenta a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, “o anúncio do vice-presidente executivo da Comissão Europeia para a Coesão e Reformas, Rafaelle Fitto, de que irá apresentar um novo pacote legislativo para responder às especificidades das regiões ultraperiféricas, onde se incluem os Açores, é inequivocamente uma oportunidade que não pode ser desperdiçada pelo governo regional e que permitirá enquadrar adequadamente o imprescindível programa de captação de novos operadores e rotas aéreas”.
“Face ao impacto económico negativo decorrente da perda de conectividade aérea nos Açores, torna-se urgente e estratégico avaliar a implementação de um programa análogo ao modelo das Canárias, devidamente adaptado à realidade regional, que permita incentivar a criação de novas rotas, reforçar a competitividade do destino e assegurar a sua integração nos principais mercados emissores internacionais. Tal medida constitui não apenas uma resposta conjuntural à atual perda de oferta aérea, mas uma opção estrutural de política pública alinhada com as melhores práticas europeias e com os instrumentos já reconhecidos e aprovados pelas instituições comunitárias”, finaliza o comunicado.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, destacou os resultados do relatório do primeiro trimestre de 2026 do serviço de apoio ao doente deslocado em Lisboa, sublinhando o papel determinante deste serviço no apoio aos utentes dos Açores.
Entre 1 de janeiro e 31 de março de 2026, o serviço acompanhou um total de 253 processos, dos quais 87% resultaram de novos encaminhamentos efetuados pelos hospitais da região, evidenciando a crescente procura e a relevância deste serviço como resposta de primeira linha no apoio aos doentes deslocados.
Destaca-se ainda o reforço do alojamento protocolado, que passou a disponibilizar oito quartos, distribuídos por três apartamentos, aos quais se acrescenta um apartamento com um quarto adaptado para acolher doentes com mobilidade reduzida, equipado com cama articulada, cadeira amovível para banho e rampa de acesso à casa de banho.
O apartamento com quarto adaptado destina-se, prioritariamente, a utentes com limitações funcionais significativas, nomeadamente ao nível da mobilidade e autonomia, bem como a situações clínicas que exijam condições específicas de acessibilidade e segurança, sendo a sua atribuição efetuada com base em critérios clínicos, funcionais e sociais devidamente avaliados.
De acordo com Mónica Seidi, estes dados “demonstram o compromisso do Governo dos Açores em garantir uma resposta integrada, humanizada e eficaz aos doentes deslocados, assegurando não apenas o acesso aos cuidados de saúde, mas também o apoio social, emocional e logístico necessário durante todo o processo”.

O presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu esta segunda-feira, 19 de janeiro, à cerimónia de entrega de 13 novas habitações multifamiliares na Urbanização de São Brás, na ilha Terceira, numa iniciativa que o governante classificou como a concretização de um compromisso público orientado para o bem-estar social.
Segundo uma nota enviada pelo Governo regional, este novo empreendimento, integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), representou um investimento total de 2,4 milhões de euros e irá beneficiar 13 agregados familiares, num total de 42 pessoas. José Manuel Bolieiro sublinhou, na ocasião, que a responsabilidade do seu executivo passa por “fazer acontecer o desenvolvimento do bem-estar social, o apoio às pessoas e às famílias”, reforçando que estas são o “fim principal da missão governativa”.
As habitações, que incluem tipologias T2, T3 e T4, foram atribuídas em regime de arrendamento com opção de compra, permitindo que os arrendatários adquiram o imóvel após um ano de contrato. Este modelo pretende conferir maior estabilidade às famílias, tendo o concurso público registado uma elevada procura com 257 candidaturas. De acordo com a nota enviada pelo Governo regional, o líder do executivo destacou que a habitação é uma prioridade “absolutamente cristalina”, sendo um fator determinante para a felicidade e para os projetos de vida dos açorianos. “A habitação tem-se afirmado cada vez mais como uma das prioridades”, afirmou o presidente, apontando o PRR como uma “alavanca” distintiva para acelerar as respostas públicas nesta área.
No que diz respeito ao balanço da execução do PRR Habitação na ilha Terceira, o Governo dos Açores informou que todos os procedimentos já foram lançados, somando um investimento final de aproximadamente 25,1 milhões de euros. Atualmente, na ilha, contabilizam-se 37 casas concluídas e 39 em fase de construção, além de 192 intervenções de reabilitação entre obras terminadas e em execução. A nível de todo o arquipélago, os procedimentos para 767 respostas habitacionais já se encontram lançados, envolvendo um investimento global de 65 milhões de euros.

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, destacou na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, esta terça-feira, 14 de outubro, a importância do recente ato eleitoral autárquico como “mais um momento” da democracia feito “pela vontade do Povo”.
“O Povo decidiu. Está decidido. Vida longa à Democracia e ao Poder Local”, referiu o governante, agradecendo a todos os que participaram no processo eleitoral, desde os que integraram listas de candidatura até aos que asseguraram o funcionamento das eleições.
O líder do executivo açoriano sublinhou o valor da participação cívica, afirmando que “a democracia se faz com o envolvimento de todos”, e elogiou os açorianos pela forma ordeira e responsável como exerceram o seu direito de voto.
José Manuel Bolieiro salientou ainda que o Governo regional dos Açores “não participa na dialética de quem ganhou e de quem perdeu”, afirmando que essa análise cabe aos partidos, e reiterou o compromisso de “trabalhar com zelo e imparcialidade com todos os autarcas, em prol do desenvolvimento dos Açores inteiros, de cada concelho e de cada freguesia”.
O presidente do Governo regional destacou igualmente os resultados alcançados em várias áreas de governação: na saúde, a arrancar, lembrou que se realizaram “mais 35% de atos médicos do que em 2019” e que a cobertura de médico de família aumentou para 91%.
Na educação, salientou que o marco histórico de 2025, ano em que “os alunos açorianos superaram a média nacional nos exames nacionais”. No emprego, referiu que a taxa de desemprego atingiu 3,9%, “a mais baixa desde 2007”, e que o rendimento médio dos trabalhadores cresceu 26% desde 2019.
O governante apontou também os progressos sociais, nomeadamente a redução de mais de 60% dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção e o aumento do Complemento Regional de Pensão, que “mais do que duplicou desde 2020”.
“Os Açores estão melhores. Melhor na saúde, na educação, no apoio aos idosos e às crianças, na habitação, no emprego, na economia e no rendimento das famílias”, afirmou.
Concluindo, José Manuel Bolieiro apelou à continuidade do esforço coletivo e à confiança no futuro, destacando: “o nosso compromisso tem de ser trabalhar todos os dias para que os Açores sejam referência em qualidade de vida, justiça social e oportunidades para os jovens”.
O líder açoriano terminou felicitando os autarcas eleitos e reafirmando o compromisso de “cumprir juntos o desafio do progresso dos Açores, todos e com todos, sem que ninguém fique para trás”.

O evento, que contou com a participação de especialistas, empresas e entidades públicas e privadas, centrou-se na partilha de boas práticas e nos desafios ligados aos pilares ESG (Environmental, Social and Governance). A governante, em representação do presidente do Governo dos Açores, destacou a importância de instrumentos estratégicos regionais.
Na sua intervenção, Berta Cabral frisou que a região possui a Cartilha de Sustentabilidade dos Açores e a Política de Sustentabilidade do Turismo dos Açores, que considera “fundamentais para orientar investimentos e decisões empresariais”.
Entre os temas discutidos nas jornadas, mereceram particular atenção a economia circular, a mobilidade elétrica, a gestão sustentável de frotas empresariais, o acesso a financiamento para projetos responsáveis e a relevância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como referência para as políticas.
A secretária regional salientou a posição única do arquipélago, afirmando que “os Açores têm condições únicas para assumir-se como um laboratório vivo de soluções sustentáveis”. Exemplificou esta visão com iniciativas no setor energético, os avanços na certificação de destino turístico e os projetos de mobilidade elétrica.
A governante reforçou o papel ativo da região na matéria: “Mais do que alunos exemplares, temos sido verdadeiros agentes de mudança, com uma corrente dinâmica de grande capilaridade, que se estende às nossas nove ilhas e a todos os quadrantes da nossa sociedade.”
A responsável pelo Turismo recordou, ainda, o reconhecimento internacional da estratégia de desenvolvimento regional. A conquista do Nível Ouro na certificação EarthCheck, como “Destino Turístico Sustentável”, é, segundo Berta Cabral, “um reconhecimento internacional que valida a estratégia de desenvolvimento turístico e que coloca a Região como exemplo de referência no mundo, que internamente importa reconhecer e valorizar sem qualquer inibição”.
O encerramento das jornadas terminou com um apelo à ação coletiva e ao envolvimento de todos os setores: “Precisamos de todos – empresas, instituições públicas, comunidades e cidadãos – para transformar os compromissos em resultados concretos, garantindo que a sustentabilidade seja o motor do nosso desenvolvimento económico, social e ambiental.”

André Silveira
A caminho do quinto ano de mandato, o governo regional liderado por José Manuel Bolieiro chega a uma encruzilhada previsível, mas para a qual nunca pareceu preparado. Nascido da oportunidade e não da estratégia, este executivo, montado numa coligação tão complexa quanto frágil, revelou-se incapaz de resolver os problemas estruturais herdados de 24 anos de socialismo atlântico. Pior do que isso, alguns desses problemas agravaram-se e outros novos surgiram, consequência de uma governação sem rumo claro, ancorada numa gestão diária de danos e numa constante fuga para a frente. Na verdade, com mais semelhanças do que diferenças com a anterior era. O mais preocupante é a falta de uma ideia de médio longo prazo do que se pretende para os Açores, tudo é no imediato, ou melhor, dentro do ciclo eleitoral correspondente.
A lista de sucessos é curta, irrelevante e desproporcional face à longa lista de fracassos acumulados. O mais grave é que são precisamente os problemas mais estruturantes que permanecem insolúveis. Os tais que foram herdados, mas passados quase 5 anos, mais de uma legislatura, este governo não soube ou não quis resolver. A SATA continua a sua lenta agonia, adiada em indecisões, planos de reestruturação e promessas que ninguém mais leva a sério. A cada dia que passa, a companhia degrada-se operacionalmente e financeiramente, alimentando um buraco sem fundo que arrasta consigo a credibilidade do governo. O processo de privatização está inquinado de credibilidade, e isso só por si é a certidão de que o desfecho não poderá ser bom.
As contas públicas estão fora de controlo. A despesa corrente cresce sem critério, o Serviço Regional de Saúde consome recursos em ritmo descontrolado e sem resultados visíveis na melhoria do acesso ou da qualidade. A decisão de construir um hospital modular no pós- incêndio do HDES revela-se agora mais um fracasso a juntar à extensa lista. Um projeto que, além de se tornar um sorvedouro de recursos públicos, carrega consigo contornos de contratação pouco transparentes e processos que levantam fundadas dúvidas, tanto na sua conceção como na execução. Em vez de resolver os problemas estruturais da saúde na Região, limitou-se a acrescentar mais opacidade e despesa à já insustentável máquina pública açoriana, sendo que há a intenção de aumentar o custo corrente do SRS com a construção de um grande hospital central, cuja justificação é difícil de encontrar, a não ser o próprio ego do Sr. Presidente e a sua vontade de ter uma obra de regime.
A máquina pública inchou de forma descontrolada, ilustrado pelo aumento obsceno e continuado de cargos de nomeação política, muitos deles atribuídos não por mérito ou competência, mas como moeda de troca para assegurar fidelidades e manter frágil coesão entre partidos e facções internas da coligação. Esta proliferação de nomeações redundantes, em vez de reforçar a capacidade de decisão e execução governativa, agravou a ineficiência do aparelho de Estado e tornou ainda mais opaca e onerosa a gestão pública regional.
O tão prometido Plano de Recuperação e Resiliência revelou-se uma oportunidade perdida para transformar a economia regional. O caso paradigmático do Capital Participativo Açores é exemplo disso: quase irrelevante o investimento relevante concretizado, nenhuma empresa transformada, nenhum impacto estrutural. Um embuste técnico e político, vendido em comunicados e conferências de imprensa, mas ausente da realidade económica açoriana.
O sistema de transportes de carga aérea e marítima continua atolado nos mesmos problemas de há uma década. Previsibilidade, fiabilidade e custos competitivos são palavras ausentes do vocabulário governativo quando se fala de logística regional. Falta coragem para afrontar poderes instalados. O resultado está à vista: dificuldades de abastecimento, preços inflacionados e uma economia insular ainda mais fragilizada. Enquanto isso, os estudos sucedem-se.
Ao contrário do que a propaganda do governo insiste em propalar, e raramente desmentida pela oposição, o crescimento económico mantém-se anémico e a convergência com o país é marginal. Até 2023, os Açores continuaram a divergir nos principais indicadores de desenvolvimento, com particular incidência na atratividade de investimento privado e na criação de emprego qualificado. A crise de acesso à habitação agravou-se, conjugada com uma preocupante escassez de mão de obra em quase todos os sectores, e o governo limitou-se a assistir, entre anúncios de medidas que nunca saíram do papel e programas inócuos.
A prometida reforma da administração pública, necessária para modernizar serviços e reduzir o peso excessivo do Estado na economia açoriana, permanece por fazer. Mesmo que haja, neste momento, genuína vontade política, a verdade é que não existe capacidade real de intervir sobre um aparelho tão pesado e desorganizado. A enorme massa salarial e os compromissos político-partidários acumulados tornam qualquer tentativa de racionalização financeira e modernização estrutural quase inviável. O monstro administrativo que se criou ao longo de décadas alimenta-se de si próprio e resiste ferozmente a qualquer proposta de mudança, tornando-se hoje um obstáculo maior do que nunca à sustentabilidade financeira da Região e à sua modernização governativa. Este governo, refém das lógicas partidárias e da necessidade permanente de gerir equilíbrios frágeis, não tem nem a coragem nem os meios para enfrentar essa realidade.
Este foi anunciado como o governo da transparência, prometendo romper com práticas opacas e devolver aos açorianos a confiança nas instituições. No entanto, a quase totalidade da sua atuação está coberta por uma névoa densa de credibilidade, onde decisões estruturais e processos fundamentais permanecem envoltos em reservas e desconfiança. A própria governação levanta legítimas dúvidas de transparência, sendo a não entrega atempada, como exigido por lei, das contas da SATA na Assembleia Legislativa Regional apenas mais um capítulo deste filme previsível de ocultação e fuga ao escrutínio.
Chegados a este ponto, a coligação que prometia estabilidade e alternativa transformou-se numa amálgama disforme de interesses de circunstância. A insustentabilidade desta solução não é só política, é financeira, administrativa e social. E começa a ser uma ameaça séria à própria autonomia regional.
Os raros sucessos alcançados são tão menores e tão pouco relevantes que confesso sentir algum constrangimento em os referir. Uma ou outra inauguração, uma medida avulsa, um ou outro quilómetro de estrada, um prémio sem consequência. Nada que marque, nada que transforme, nada que defina um caminho, muito menos que coloque a Região num caminho de pujante convergência.
José Manuel Bolieiro precisa de fazer uma reflexão séria e honesta sobre o que quer e, sobretudo, sobre o que ainda pode fazer. Dadas as circunstâncias, não é credível que tenha essa força ou capacidade. A história do seu percurso e a forma como chegou até aqui sustentam essa conclusão. O tempo da dúvida terminou. Os Açores não podem continuar à deriva, merecem mais e melhor.

Russell Sousa
Presidente da JS Açores
Deputado do PS na ALRAA
O desporto devia ser um dos pilares da nossa autonomia. É no desporto que se educa, que se forma, que se integra. É no desporto que muitos jovens encontram um propósito e onde os Açores se projetam para lá do nosso mar. Mas, com este Governo Regional, o desporto tem sido deixado para segundo plano. Não é tratado como prioridade, não está no centro das decisões e os sinais estão à vista de todos: clubes a fechar secções, promessas que não se cumprem, infraestruturas esquecidas e um sentimento crescente de injustiça entre todos os que, dia após dia, se dedicam ao desenvolvimento desportivo da nossa Região.
Um exemplo claro disto é o do Marítimo Sport Clube de São Pedro, que viu a sua equipa sénior de hóquei em patins — a única dos Açores a competir na 2.ª divisão nacional — ter de fechar portas. A equipa resistiu uma época inteira sem apoio financeiro, confiando numa promessa do Governo Regional. Essa promessa ficou por cumprir. A palavra dada não foi honrada. E um clube com décadas de história ficou abandonado, sem respostas nem ajuda.
Mas infelizmente, este não é caso único. Veja-se o que se passa com o Complexo Desportivo do Lajedo. Um espaço público envolto em total silêncio. Ninguém sabe ao certo quem pode usar, quais os critérios, nem que protocolo existe. E isso é grave. Numa Região que se quer justa e transparente, não pode haver segredos sobre o que devia estar ao serviço de todos. O desporto tem de ser gerido com regras claras, com equidade e com respeito por todos os clubes e atletas.
E depois temos o caso do Centro de Estágios de Ponta Delgada, encerrado desde 2020. O Governo prometeu que reabriria em setembro de 2024, que estaria disponível para associações e clubes desportivos. Mas já estamos em junho e não há obras, nem calendário, nem sequer informações. Nada. E mais uma vez, quem paga são os atletas, os dirigentes e as equipas que continuam a precisar de espaços com condições para treinar e competir.
Perante tudo isto, temos mesmo de parar para pensar: que futuro queremos para o desporto açoriano? Que caminho estamos a seguir? O que dizemos a quem, muitas vezes de forma voluntária, dá o seu tempo, a sua energia e o seu coração a uma associação ou a um clube?
Hoje são cada vez menos os dirigentes com vontade de continuar. A burocracia, os atrasos nos apoios, a falta de reconhecimento e o sentimento de abandono tornam tudo mais difícil. Precisamos de fazer mais. Precisamos de os ouvir, de os apoiar, de os valorizar.
O desporto é isto: é compromisso com as pessoas, é formação, é oportunidade. E não pode continuar a ser tratado como um extra, como algo que se resolve com promessas vagas ou com palmadinhas nas costas. O desporto precisa de verdade, de justiça e de visão.
Infelizmente, este Governo não tem dado sinais de nada disso. Não tem cumprido o que promete. E, em vez de unir, divide. Mas os açorianos não são indiferentes. Veem, sentem e, mais tarde ou mais cedo, vão exigir respostas.
Porque sem verdade, sem justiça e sem visão, não há futuro possível. E o desporto, tal como os Açores, merece muito mais.