
É humorista, nasceu na Buraca, em Lisboa, há 41 anos onde viveu nos seus primeiros 30 anos de vida. De formação é engenheiro informático, mas no seu sítio online diz que quanto ao curso: “para desgosto dos meus pais, apenas utilizo para atualizar este site”. Foi há mais de uma década que criou o blogue «Por falar noutra coisa» com a finalidade de “escrever coisas”. Desde então já soma mais de 40 milhões de visualizações e já deu origem a vários livros publicados. Além da stand up comedy, deu-se a conhecer através de uma série de sketches para a SIC Radical, num programa para a TVI, numa rubrica nas manhãs da Antena 3, num podcast, através das crónicas para o SAPO 24, entre outros. Guilherme Duarte já tem passagem marcada para atuar no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no próximo dia 24 de abril, pelas 21h30. Trata-se do novo espetáculo intitulado Matrioska, por isso quisemos saber mais sobre o humorista numa troca de perguntas e respostas.
DL: Como começou a veia artística?
Não sei precisar, foi um bocadinho por acaso, já depois dos trinta que me comecei a interessar por escrever algumas coisas nas redes sociais e num blogue que tinha criado apenas para me entreter enquanto procurava um emprego depois de me despedir do trabalho de consultor informático há uns meses. Fui ganhando o gosto pela escrita de humor e a coisa foi ganhando forma, atraindo algum público e, pouco a pouco, tornou-se algo mais presente no meu dia a dia.
DL: Conte-nos sobre o seu primeiro espetáculo.
Foi um bocado por acaso, nunca quis fazer stand-up comedy. Fiz um curso de escrita de humor que no final tinha uma atuação, nunca foi a minha intenção subir a palco, mas lá me convenceram. Não correu muito mal, apesar dos nervos, e fui fazendo aqui e acolá, em alguns bares, mas só passados dois anos, talvez, é que comecei a levar mais a sério e a preparar o que viria a ser o meu primeiro espetáculo a solo.
DL: Como descreve o humor?
O humor no geral? Ou o meu humor? Se for no geral é complicado, é apenas e só o que nos faz rir. O meu humor varia um pouco, gosto de pegar em temas considerados mais sensíveis e conseguir levar o público a rir nesses temas que podem ser desconfortáveis. Mas depende dos dias e dos contextos, o que faço em palco é bastante diferente do que faço noutras plataformas.
DL: Como se sente em palco?
Tem dias. Já me divirto bastante, algo que era impossível nos primeiros espetáculos onde era só ansiedade e pressão, agora já consigo transformar essa ansiedade em vontade de fazer mais e dar o melhor de mim ao público. Já me consigo soltar e ser cada vez mais eu mesmo em cima do palco.
DL: Como lida com as críticas?
Da mesma forma que lido com os elogios, não dando muita importância e tentando que isso não influencie o que eu quero fazer. Claro que prefiro elogios a críticas, sabem bem no momento e afagam o ego, mas temos de relativizar para não ficarmos presos ao que o público gosta e não deixar que isso afecte quando estou a criar algo novo. Mas gosto de responder a quem vai para as minha redes sociais criticar o meu trabalho ou ofender-me, sempre foi uma imagem de marca desde início, não porque lhes esteja a dar importância mas porque me diverte e sei que diverte quem depois vai ler os bate bocas.
DL: Fale sobre o seu atual espetáculo que terá lugar em São Miguel.
É o meu quarto espetáculo a solo, o segundo que levo a São Miguel. O conceito é tentar encaixar vários tipos de humor no mesmo espetáculo, desde humor de observação, mais nonsense até a um mais negro. Há toda uma narrativa que conduz os espetadores por essas várias camadas do humor e tem corrido bastante bem, para minha surpresa, já que estava um pouco menos confiante neste espetáculo do que no anterior, por ser algo diferente do que é costume ver-se num espetáculo de stand-up. Mas eu tenho-me divertido bastante a fazer e o feedback do público tem sido bastante positivo, por isso é aparecerem que, à partida, pelo menos o preço do bilhete há de valer.