
O corpo de um homem de 59 anos foi encontrado, na tarde desta quarta-feira, 29 de janeiro, junto ao ilhéu de São Roque, em Ponta Delgada. As causas que estiveram na origem da ocorrência são, por enquanto, desconhecidas.
Na sequência de um alerta recebido pelas 17h18, através do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada (MRCC Delgada), foram de imediato mobilizados para o local elementos da Capitania do Porto, do Comando Local da Polícia Marítima de Ponta Delgada e tripulantes da Estação Salva-vidas. A operação contou ainda com o apoio dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, da Viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV), bem como da Polícia de Segurança Pública e da Polícia Judiciária.
À chegada ao local, as equipas de socorro confirmaram que a vítima se encontrava numa zona de difícil acesso. O corpo foi retirado da água pelos tripulantes da Estação Salva-vidas e, posteriormente, encaminhado para terra.
O óbito foi verificado no local pela Delegada de Saúde e, após o contacto com o Ministério Público e a realização das diligências devidas pela Polícia Judiciária, o corpo foi transportado para a morgue do Hospital do Divino Espírito Santo. Foi também ativado o Gabinete de Psicologia da Polícia Marítima, tendo o Comando Local da Polícia Marítima de Ponta Delgada tomado conta da ocorrência.

Na próxima quinta-feira, dia 7, às 10h00, o Ilhéu de Vila Franca do Campo vai receber uma equipa de investigadores da área da biologia, arqueologia, história, museologia e património natural, numa visita que servirá de arranque para um projeto que visa a “valorização e interpretação do património cultural e natural deste espaço”, segundo comunicado. Na origem desta iniciativa está o arqueólogo Diogo Teixeira Dias, cuja tese de doutoramento se centra na musealização do ilhéu enquanto paisagem cultural.
Diogo Teixeira Dias, de 35 anos, é natural de Coimbra, mas vive nos Açores desde os 25 anos. Neste momento é doutorando em Património Cultural e Museologia na Universidade de Coimbra e quer criar condições para ser construído um centro interpretativo para o Ilhéu de Vila Franca do Campo, à semelhança do que existe no Faial, com o Vulcão dos Capelinhos, e nas Furnas.
Note-se que o Ilhéu de Vila Franca do Campo está encerrado para banhos devido a resultados negativos na qualidade da água. “A situação atual de interdição catalisou este processo, mas também veio reforçar a pertinência de apresentar uma alternativa da fruição do ilhéu além da balnear”, explica Diogo Teixeira Dias ao Diário da Lagoa, ao mesmo tempo que destaca: “O ilhéu tem um conjunto de bens de interesse histórico, arqueológico, cultural e etnográfico.”
Além disso, o arqueólogo acredita que muita gente tem a ideia de que o ilhéu é uma “paisagem intocada” quando, na verdade, “é profundamente humanizada”, uma vez que a vegetação que hoje existe naquele espaço foi “praticamente toda lá plantada”, exemplifica, o que “enriquece as histórias que podemos contar sobre ele e não o desvaloriza”.
O projeto, para o qual já foram realizadas visitas de observação, conta com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo. Nesta visita técnica prevê-se que marquem também presença representantes de instituições académicas, incluindo da Universidade de Coimbra e da Universidade dos Açores, e culturais regionais e nacionais.