
Até ter um ano e meio, Susana Couto não desconfiou que o filho Rodrigo fosse diferente. Mas a partir dessa idade, foi alertada pela mãe, que trabalhava há muitos anos com crianças, que o Rodrigo “talvez fosse autista”. “Os comportamentos começaram a alterar a forma dele lidar, por exemplo, com os brinquedos, com os legos, com os carrinhos. Ele deixou de fazer legos em construção para alinhar, começou a ter as estereotipias das mãos, começou a não olhar para nós quando nos chamávamos, fixava-se muito nos desenhos animados, na televisão, e nós pensávamos que era distração, mas não, já era aquela abstração. E foi também demonstrando alterações ao nível da alimentação”, conta Susana Couto. Na alimentação, o cenário mudou de figura drasticamente, tendo deixado de comer vários alimentos de um dia para o outro. O diagnóstico final só chega aos três anos, depois de uma ida a uma clínica no Porto. “É o autista que está em todos os livros, por isso ele é não verbal, atualmente já fala um bocadinho, algumas palavras soltas, faz frases muito simples, de necessidades básicas, e foi diagnosticado com um nível mais elevado de autismo à data, neste momento será o nível dois”, explica a mãe de Rodrigo, que descreve o momento em que soube do diagnóstico: “parecia que estávamos no meio de uma linha de um comboio a alta velocidade e o comboio veio por ali fora. De um lado foi um alívio, por outro lado foi, sei lá, começar a viver um mini filme de terror, foi equiparado a um luto” com uma série de perguntas a surgirem sobre a indefinição do futuro do filho.
Sendo uma condição sem um tratamento específico, seguiram-se as inúmeras terapias. Houve uma altura da vida de Rodrigo que Susana e o marido gastavam “mais de mil euros por mês em terapias para ele”. “Não há tratamento, não há, não tem uma resposta, não tem uma pastilha, um medicamento que lhe seja dado e que melhore. Não tem uma terapia que nos digam assim, esta terapia vai resultar, porque não há. Porque cada criança é uma criança e uma terapia que resulte muito bem com um, não quer dizer que se repita e vai resultar muito bem com outro. É sempre uma experiência, todas as vezes que se inicia uma terapia nova, é sempre uma experiência”, diz Susana Couto ao Notícias que contam. Esta mãe queixa-se da falta de apoios, por parte do Estado. A mesma queixa tem Natércia Amaral, mãe de Jaime, também autista, de nível um. “No sistema de saúde não temos apoio nenhum, porque ele é artista, o que eles me dizem, é que é muito leve. A nível de escola, até agora, tive terapia da fala, psicomotora e apoio pedagógico e psicóloga. Agora, na Domingos Rebelo, a escola nova para onde ele vai, não sei o que é que nos vão dar, mas o alerta é que, em princípio, não vai ter nada disso” lamenta Natércia Amaral. Esta mãe demorou até perceber a condição do filho que foi identificada, pela primeira vez, quando ele entrou para o primeiro ano. Revela que o mais difícil foi ter de lidar com as reações de terceiros. “O maior impacto na família foi eu estar a inventar um rótulo para o meu filho. Para a restante família, eu estava a inventar um rótulo para o meu filho, as pessoas não acreditavam”, assegura a mãe de Jaime. “ Ainda hoje em dia é um bocadinho difícil. Ele já tem 11 anos, vai fazer 12 agora em outubro, e ainda muita gente me diz, ele ‘não tem cara’. Magoa”, confessa Natércia Amaral.
Para ajudar estas mães, Silvina Marques, enfermeira especialistas em saúde mental e psiquiátrica teve uma ideia: criar um grupo de apoio, que funcionasse na Associação Portuguesa Perturbações Desenvolvimento Autismo (APPDA), nos Açores, em Ponta Delgada, onde mães e pais pudessem desabafar, trocar ideias, experiências e impressões sobre as suas jornadas.
“Um dos estudos que eu fiz de investigação foi sobre a esperança dos pais, mães de crianças de comportamento do espectro de autismo. Sempre que falava com as mães, porque acabaram por ser só mães, todas diziam que tinham necessidade, principalmente as que tinham recebido mais recentemente o diagnóstico, de estar com outras mães que estivessem passadas ou estivessem a passar pela mesma experiência, porque só percebem o que elas sentem ou só se sentem compreendidas quando falam com alguém que esteja na mesma situação”, diz Silvina Marques. E foi assim que decidiu criar um grupo de apoio na APPDA que conta atualmente com 40 inscritos. “As mães estão sempre muito sobrecarregadas, porque para além da vida, do dia-a-dia, das tarefas do trabalho e daquilo que é a rotina do dia-a-dia, ainda têm as necessidades específicas, as terapias específicas da criança. Não podem fugir muito da rotina, têm aqueles horários muito controlados, exatamente para dar o melhor ambiente à criança” realça a enfermeira para quem o “poder político não olha como deve ser para estas famílias”.
Sobre o factor inclusão as mães destas crianças têm perspetivas semelhantes. “Inclusão é uma palavra escrita num papel, para mim, no meu caso. Acredito que pode haver outros casos, no meu caso não senti inclusão “, assegura Natércia Amaral. “Eu senti a exclusão na escola quando o Rodrigo deixa de estar inscrito numa turma regular, porque o Rodrigo, até ao segundo ano, esteve inscrito numa turma regular. E quando passa para o ensino ocupacional senti que a escola não estava a dar-lhe o estímulo que ele precisa”, diz Susana Couto.

Os desafios são muitos. E as perguntas sem resposta ainda mais. A estas mães preocupa-lhes sobretudo o futuro dos filhos. E que caminho farão sem os pais.
Para ajudar estas famílias, existe a APPDA Açores. Fundada há 23 anos, a associação explica que a sua missão “passa pela educação, capacitação, apoio às famílias, sensibilização da comunidade e defesa dos direitos das pessoas com autismo. Mas entendemos esta missão de uma forma mais abrangente: não basta garantir que uma pessoa frequenta a escola ou tem acesso a determinado serviço. É necessário criar condições para que possa comunicar, fazer escolhas, desenvolver a sua autonomia, participar na comunidade e construir um projeto de vida com dignidade”. Nas respostas que deu por escrito ao Notícias que contam, a APPDA diz que nos Açores “o acesso a respostas especializadas continua a ser desigual” sendo uma região dispersa por nove ilhas. “Atualmente, disponibilizamos consultas de diagnóstico, apoio psicológico e psicopedagógico,
consultoria às famílias e acompanhamento aos pais, cuidadores e outros familiares, para além da resposta desenvolvida através do Centro de Atendimento e Acompanhamento de Reabilitação Social para pessoas com deficiência e incapacidade (CAARPD). Temos também o Grupo de Ajuda Mútua Promotor de Esperança (GAMPE), uma parceria com a Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM), dirigido aos pais, que constitui um espaço de partilha, apoio e reflexão entre famílias”, refere a associação.

No âmbito do acompanhamento de proximidade aos projetos de intervenção social desenvolvidos no concelho, a vereadora da área da ação social da Câmara Municipal da Lagoa, Graça Costa, visitou a Quinta da Malaca, na freguesia do Cabouco, onde conheceu de perto o trabalho desenvolvido pela BioKairos, uma valência da cooperativa KAIRÓS – Cooperativa de Incubação de Iniciativas de Economia Solidária.
A visita permitiu acompanhar as iniciativas implementadas pela BioKairos, que tem vindo a promover respostas concretas de inclusão social e profissional, através de ações de formação, emprego apoiado e projetos comunitários. Estas ferramentas contribuem para a capacitação de pessoas em situação de vulnerabilidade, criando oportunidades para a construção de percursos de vida mais autónomos, dignos e sustentáveis.
A cooperativa KAIRÓS integra o Centro de Intervenção Social – TEAR, um projeto promovido pela autarquia em articulação com diversas entidades parceiras e equipas técnicas. O TEAR nasceu com o propósito de reforçar a resposta social no concelho, assegurando um acompanhamento direto e de proximidade a pessoas e famílias em situação de maior vulnerabilidade, dando resposta a problemáticas sociais que, até agora, careciam de uma intervenção mais eficaz e integrada.
Na vertente da integração socioprofissional, a parceria estabelecida com a KAIRÓS assume particular relevância, refletindo uma aposta no empreendedorismo inclusivo e na economia social como instrumentos de promoção da inclusão, da autonomia e da participação ativa na comunidade.

O Pavilhão Professor Jorge Amaral, no lugar dos Remédios, volta a ser o epicentro do desporto regional este sábado, dia 11 de abril. Coincidindo com as celebrações do feriado municipal, o recinto acolhe o Torneio de Judo Cidade da Lagoa, uma organização do Judo Clube da Lagoa (Judolag) que conta com o apoio direto da autarquia lagoense e da Associação de Judo do Arquipélago dos Açores. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, a prova mobilizará mais de 150 pessoas, entre atletas, técnicos e equipas de arbitragem, consolidando o judo como uma das modalidades com maior expressão e número de praticantes no concelho.
A competição, que cumpre a sua quarta edição consecutiva naquele pavilhão, terá lugar durante o período da manhã e será dividida em três momentos distintos de acordo com as idades dos judocas. O primeiro grupo a entrar no tatami será composto pelos atletas nascidos a partir de 2017, seguindo-se o escalão dos jovens nascidos entre 2014 e 2017. O encerramento das competições caberá aos atletas nascidos a partir de 2013, englobando escalões que vão desde os benjamins aos juniores. O evento culminará com a entrega de troféus, cerimónia que contará com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Nelson Santos.
A edição de 2026 traz consigo uma novidade de relevo na vertente da inclusão: a participação de atletas de desporto adaptado, provenientes do clube anfitrião e da Academia de Judo Samurai. No total, marcarão presença quatro emblemas da ilha de São Miguel: o Judolag, o Judo Clube de Ponta Delgada, o Clube de Judo da Ribeira Grande e a Academia de Judo Samurai. Esta iniciativa surge num momento de particular reconhecimento para o concelho, que foi recentemente galardoado com o título nacional de “Destino Desportivo do Ano”, prémio que distingue a estratégia local de valorização da atividade física e o papel fundamental de eventos desta natureza na dinamização da economia e comunidade do lugar dos Remédios.

O Pavilhão da Escola Secundária de Lagoa foi o palco da fase regional dos Açores do Campeonato Nacional de Karate, realizada no passado dia 28 de fevereiro. Destinada aos escalões de Infantis, Iniciados e Juvenis, a competição incluiu ainda a vertente de ParaKarate, numa organização da Federação Nacional de Karate – Portugal, com o apoio da Associação Açoreana de Karate-do e Disciplinas Associadas e da Direção Regional do Desporto. Segundo a nota enviada à redação do Diário da Lagoa, o evento reuniu 181 atletas em representação de 15 clubes.
A edição deste ano ficou marcada pela estreia do ParaKarate em contexto regional, com a participação de Gustavo Moura (1.º lugar Juvenil Masculino) e Luciana Moura (1.º lugar Cadete Feminino), ambos do Clube de Karaté Shotokan da Povoação (CKSP). No plano coletivo, o Clube de Karate-do Shotokan de Angra do Heroísmo (CKSAH) foi o grande vencedor ao somar o maior número de títulos, com o atleta Henrique Silva (CKSAH) em evidência ao conquistar o ouro em Kata e Kumite.
Nas provas de Kata, em Juvenis Femininos, o pódio foi liderado por Carminho Laranjeira (1.º), seguida de Mariana Pires (2.º), Joana Castro (3.º) e Sofia Melo (3.º). Nos masculinos, Henrique Silva (1.º) venceu, com André Costa em 2.º, e Gabriel Vitorino e Gonçalo Almeida a dividirem o 3.º lugar. Nos escalões mais jovens, os títulos de campeão regional foram para Inês Oliveira (Infantil F), Miguel Silva (Infantil M), Clara Antunes (Iniciado F) e Mateus Pimentel (Iniciado M).
No Kumite (combate), os Juvenis Femininos disputaram várias categorias: em -45kg, Matilde Pacheco foi 1.º e Maria Franco 2.º; em -50kg, Mariana Pires venceu (1.º), seguida de Francisca Magalhães (2.º), com Petra Borges e Inês Cabral em 3.º; em -55kg, o ouro foi para Sofia Melo (1.º), a prata para Núria Peixoto (2.º) e os bronzes para Simone Resendes e Geovana Aquino (3.º); em +55kg, Maria Santos venceu (1.º), Maria Cruz foi 2.º, e Laura Magalhães e Dielin Ledea ficaram em 3.º lugar.

Nos Juvenis Masculinos em Kumite, os pódios ficaram assim definidos: em -40kg, Marcos Sousa (1.º), Baltasar Oliveira (2.º), Rafael Matos e Miguel Pacheco (3.º); em -45kg, Henrique Silva (1.º), André Ribeiro (2.º) e Dinis Gomes (3.º); em -50kg, Tiago Felêja (1.º), Rodrigo Oliveira (2.º) e Bernardo Costa (3.º); em -55kg, Gonçalo Almeida (1.º), André Costa (2.º), Isaac Almeida e Afonso Estevam (3.º); em -60kg, Santiago Cabral (1.º) e Francisco Miguel (2.º); e em +60kg, Martim Gabriel (1.º), Tomás Pacheco (2.º), Martim Pacheco e Severino Melo (3.º).
O evento reafirmou a vitalidade das artes marciais na região, servindo de apuramento para as fases nacionais.

A Associação CVA – Centro de Vida Autónoma dos Açores promoveu recentemente a palestra “Assistência Pessoal: a engenharia da autonomia – do ser ao destino”, um evento que serviu para debater o impacto da ausência de assistência a pessoas com deficiência e os seus efeitos práticos e psicológicos. A iniciativa contou com a presença da vereadora da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina do Canto Tavares, que, segundo uma nota enviada pela autarquia à nossa redação, reconheceu a importância dos testemunhos partilhados para “refletir e definir qual o caminho a seguir” no âmbito das políticas de inclusão.
A Associação CVA, que conta atualmente com 38 associados, foca a sua atividade no apoio a pessoas com deficiência através de um serviço de assistência pessoal. Esta ferramenta é apresentada como um recurso para a promoção da vida independente, disponibilizando apoio na realização das atividades diárias, de acordo com as necessidades e escolhas de cada indivíduo. Sobre o trabalho da associação, que conta com um ano de existência, a vereadora afirmou acreditar que a instituição “tem muito mais para dar à nossa sociedade”, deixando o compromisso de um apoio financeiro municipal para técnicos ou equipamentos assim que a CVA esteja constituída como IPSS.
Durante a sessão, foram também abordados os mecanismos públicos já existentes, com destaque para o Balcão da Inclusão de Ponta Delgada. Segundo a autarca responsável pela área social, este serviço “centraliza informações e garante respostas sociais às pessoas com deficiência ou com incapacidade do concelho”, visando contribuir para uma vida mais autónoma. Cristina do Canto Tavares referiu ainda medidas como o reforço do Fundo Municipal de Solidariedade Social e majorações em apoios ao arrendamento e bolsas de estudo para famílias que integrem pessoas com incapacidade.
O encontro terminou com um convite à participação cívica, tendo sido solicitado aos presentes o envio de contributos e sugestões para o Plano Municipal para a Igualdade e Não Discriminação da Câmara Municipal de Ponta Delgada. De acordo com a vereadora, a colaboração direta com quem lida com estas realidades é fundamental para a eficácia das decisões públicas, sublinhando que “só juntos conseguiremos definir políticas e chegar a soluções benéficas para todas as pessoas”.

A Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira, na cidade da Lagoa, disponibiliza ao público um novo acervo dedicado a pessoas com deficiência visual. Segundo nota de imprensa da Câmara Municipal, a coleção é composta por livros em braille e edições adaptadas para amblíopes.
O acervo inicial da Biblioteca Municipal integra 40 monografias e alguns periódicos, com uma seleção que abrange literatura infantil e obras de ficção para o público adulto.
A apresentação formal do novo material decorreu numa cerimónia que contou com a presença da vereadora com o pelouro da Educação e Cultura, Albertina Oliveira, representantes da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e uma turma de alunos da Escola Básica Integrada de Lagoa.
A vereadora Albertina Oliveira afirmou que este investimento reforça a função da Biblioteca Municipal como um “espaço democrático de conhecimento, onde a leitura e a cultura são direitos de todos”. A mesma responsável sublinhou que a iniciativa se alinha com políticas públicas que visam assegurar a acessibilidade e a inclusão.
A autarquia, citada na nota da Câmara, salienta que a introdução deste acervo é vista como o “início de um projeto contínuo” para a expansão progressiva da coleção, com o objetivo de a tornar mais representativa para todos os leitores.
Foi ainda destacado o papel da colaboração da ACAPO, considerada essencial para a divulgação do novo acervo e para a dinamização de futuras atividades na Biblioteca da Lagoa.

Aos 53 anos, Francisco Dutra, natural da ilha do Pico, tem se mostrado atento à propagação do consumo de drogas no arquipélago. Hoje, preside à Associação de Paintball dos Açores, entidade que promove não só este desporto, mas a interação familiar, o convívio, a inclusão e, com maior foco, o combate ao consumo de drogas, ao fazer com que os jovens da região vivenciem a disciplina promovida pelo desporto.
Dinamizador do projeto “Diga não à DROGA… Sim ao Paintball”, Francisco tem obtido sucesso ao promover eventos e torneios em diversas zonas, muitos deles gratuitos, possibilitando a participação dos jovens de todas as classes sociais, além de apostar num formato de pagamento para que alguns dos jovens possam “lucrar” algum dinheiro ao auxiliar nos trabalhos da associação durante os jogos.
Toda esta movimentação tem explicação, também, no passado de Francisco, já que esteve no exército, chegando a Sargento.
“O exército ajuda-nos a abrir os olhos em vários parâmetros. Um deles é a disciplina, acordar cedo, fazer a barba, lavar a roupa, passar a ferro. E uma coisa importante que é o espírito de equipa, que nós chamamos de espírito de corpo, uma missão para ser cumprida pelo grupo todo”, comenta Francisco que encontrou no desporto, através do Paintball, mais motivos para afirmar a importância do trabalho sem individualismos. Francisco recorda que a prática do Paintball “começou como uma brincadeira”.
“Não tinha nada para fazer aqui em São Miguel ao fim de semana. O meu filho tinha, na altura, cerca de nove anos”, confirma, enquanto explica que notava que as equipas de futebol contavam com atletas e não abriam espaço para pessoas acima do peso. Assim, o Paintball tornou-se numa forma de inclusão. Momento em que Francisco pôde incentivar o seu filho a participar ao seu lado numa prática desportiva que trazia a mesma adrenalina dos jogos de “combate”, semelhante aos simulados em computador.
“É um desporto que eu gosto, pois não é material de guerra, são apenas marcadores e o meu filho também gostava disso, porque tinha aqueles jogos no computador e passou da internet para realidade”, acrescenta Francisco, que acredita que a experiência “ajuda a desenvolver o espírito do ser humano física, psicológica e socialmente”. Além de manter o indivíduo na vida real, fora dos computadores.
“Vai ter que interagir em equipa, falar com pessoas, mesmo que não gostes daquela pessoa que está na tua equipa, tens que comunicar com ela, porque o objetivo é ganhar e conseguir conquistar a bandeira, conquistar aquela missão”, frisou Francisco, que recorda que qualquer faixa etária pode participar nos torneios.
Para alcançar este público, que se depara com “falta de tempo”, porque argumenta “já estou a jogar futebol”, para esquivar-se da prática do Paintball, a Associação de Paintball dos Açores tem divulgado as suas ações também junto das escolas.
“A primeira fase começou por nós e as escolas a oferecerem o nosso serviço, a nossa prestação. Porque o objetivo também não é só falar em droga, é também apresentar o Paintball como desporto. Neste momento, já temos escolas que entram em contacto connosco”, revela Francisco, que contou ainda que esse trabalho nas escolas passa por perceber as minúcias existentes, as condições de trabalho, se há ginásio disponível ou não, entre outros fatores.
Durante uma demonstração inicial nas escolas, é apresentada a vertente teórica, a segurança, o espírito de corpo e, depois, segue-se a prática. Como resultado, algumas pessoas mostram interesse em seguir no Paintball, como árbitros e monitores. Através dessa interação, Francisco garante que o desporto ajuda muitos jovens a afastarem-se das drogas. Por esta razão, há todo um trabalho, com a ajuda de profissionais vindos de Lisboa, para aumentar a oferta de formações e sessões.
A associação conta hoje com mais de mil sócios, sendo que 90% dos associados não pagam a cota. Apesar do número reduzido de pagantes, Francisco “não consegue dizer não” a um jovem que queira jogar, mas que não tem condições de pagar as cotas, “porque o objetivo da sessão é criar massa humana”.
Com data ainda por agendar, a associação está a preparar um torneio aberto à população no Campo de Jogos da Covoada, de entrada gratuita, com o apoio de um patrocinador da ilha do Pico, além da junta de freguesia local. O convívio vai permitir ainda a angariação de fundos para a associação.
“Sinto que este espírito de família se está a perder no arquipélago e nota-se mais nas ilhas mais distantes”, atestou.
Hoje, existem comissões e clubes em outras zonas que trabalham a promoção da prática do Paintball, com o apoio das juntas de freguesia e da própria associação, sempre com o olhar na proteção e desenvolvimento dos jovens do arquipélago.
Sobre o futuro, Francisco espera que os clubes “consigam ser independentes”, porém realça que “nunca vamos perder a ligação, pois a associação estará sempre presente”. Francisco recorda, por fim, que já investiu muito dinheiro em todo esse processo, tendo já criado comissões que viabilizam essas ações, com o apoio das Juntas de Freguesia.
“Estou otimista. Quem trabalha por gosto não cansa”, finaliza Francisco Dutra.

A Escola Secundária de Lagoa (ESL) recebeu ontem, 11 de fevereiro, dois novos equipamentos destinados aos seus alunos com necessidades educativas especiais: uma mesa de ping pong adaptada, oferecida pela Tecnovia, e um carrinho com pedais, doado pela associação Lions Clube da Lagoa. A iniciativa visa melhorar a mobilidade e a inclusão dos estudantes.
A entrega dos equipamentos contou com a presença de Rui Melo, Técnico Superior de Educação Especial e Reabilitação da escola, Jorge Botelho, presidente do conselho executivo da ESL, Primitivo Marques, presidente do Lions Clube de Lagoa, Miguel Carreiro, diretor financeiro da Tecnovia e Frederico Sousa, presidente da Câmara Municipal de Lagoa.
Rui Melo explicou ao nosso jornal a origem desta iniciativa: “Após analisadas as dificuldades que os alunos apresentavam, a ideia era conseguir alguns equipamentos que pudessem minimizar estas dificuldades”.

O técnico superior destacou ainda a rapidez na concretização do projeto: “Da ideia à concretização foi rápido, cerca de um mês”, elogiando também o envolvimento da comunidade e afirmou que “é um projeto para continuar”.
O presidente do conselho executivo da escola, Jorge Botelho, reforçou a importância dos novos equipamentos para os alunos com dificuldades motoras: “No pouco tempo que os equipamentos cá estão cá, já se consegue ver resultados muito interessantes em termos de mobilidade motora. Estamos muito satisfeitos e espero que possam contribuir mais”.
“É uma satisfação ver os alunos alegres, bem dispostos, a praticar desporto, de uma forma adaptada a eles”, expressa ainda o dirigente da secundária da Lagoa.
Por sua vez, Primitivo Marques, presidente do Lions Clube de Lagoa, associação que atua na área de solidariedade social, sublinhou o compromisso da associação: “Achamos muito interessante dar este apoio à escola. Vamos também adquirir um segundo carrinho para que haja maior competitividade entre as crianças que precisam.”

Miguel Carreiro, diretor financeiro da Tecnovia, enfatizou a responsabilidade social da empresa: “Os nossos jovens precisam de instrumentos para crescer e os jovens com necessidades especiais mais ainda. Faz todo o sentido participarmos neste tipo de iniciativa.” O diretor esclareceu ainda que “na Tecnovia sempre foi promovida a cultura de apoiar a nossa sociedade e o seu bem estar. A construção civil já é, por si só, uma via para esse bem estar”.
A Câmara Municipal de Lagoa também enalteceu a colaboração entre as entidades envolvidas. O presidente lagoense Frederico Sousa destacou a importância da interligação entre diferentes instituições: “Uma cidade ou um concelho só se faz quando há interligação entre essas entidades todas”.
A entrega dos equipamentos representa um avanço significativo para a inclusão e bem-estar dos alunos da Escola Secundária de Lagoa, reforçando a importância do apoio da comunidade na educação especial.