
O último debate público sobre o futuro do património da SINAGA realizou-se a 22 de março. A sessão serviu para cimentar a ideia de que aquele espaço deve albergar um museu sobre a agroindústria de São Miguel, uma intenção que já tinha sido veiculada pelo Governo Regional e pela Câmara Municipal.
Mas os restantes desígnios da autarquia para aquele espaço de 5 hectares numa localização privilegiada de Ponta Delgada não reúnem o mesmo consenso, começando pela central intermodal. Vários cidadãos questionaram se aquela seria a melhor solução, dados os constrangimentos de trânsito. Também a construção ou não de lugares de estacionamento causou discórdia. Mas a autarquia quer que aquele seja um local onde quem chega de fora de Ponta Delgada, possa fazer ali o transbordo para a rede de mini bus, ou para outros autocarros.
Outra intenção do executivo camarário é que se avance com soluções de habitação, pública e privada, naquele local. Os terrenos da SINAGA em Santa Clara permitiriam, assim, responder a dois grandes problemas da cidade: a habitação e a mobilidade.
Além do núcleo museológico, é ponto assente que devem ser criados espaços verdes. De resto, está tudo em aberto. Comércio, oficinas, ateliers, bares e restaurantes, espaços para desporto, ou um centro intergeracional estão entre as propostas deixadas pelos participantes.
A comissão técnica avaliadora, liderada pela Ordem dos Arquitectos, e que integra as autarquias de Ponta Delgada e da Lagoa, vários departamentos governamentais e a Ordem dos Economistas, deverá entregar a sua recomendação para a requalificação das fábricas da SINAGA até ao final deste ano. Depois disso, é o Governo quem tem a decisão final.
Até lá, a Fábrica do Açúcar poderá ser usada pontualmente. A Ordem dos Arquitectos admite até pequenas intervenções que evitem a degradação daquele espaço.