
Armando Rodrigues, 38 anos, gestor de profissão, com formação técnica em marketing, natural da Fajã Grande, na ilha das Flores, e residente nas Lajes das Flores, ambas nos Açores, exerce atualmente funções como vice-presidente do município de Lajes das Flores, cargo que assumiu em 2024, depois de ter atuado como vereador nas autárquicas em agosto de 2023.
Num momento em que o concelho procura reforçar a sua capacidade de atrair investimento, gerar emprego, diversificar a economia local e consolidar a sua afirmação cultural e turística no contexto regional, a autarquia tem vindo a apostar em instrumentos de apoio direto aos empreendedores, na dinamização de eventos de projeção externa, na qualificação dos serviços locais e na criação de oportunidades para fixar população jovem.
Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, Armando Rodrigues detalhou as principais políticas municipais implementadas nas áreas do comércio, indústria, empreendedorismo, cultura, juventude, desporto, emprego e turismo, explicando de que forma Lajes das Flores tem procurado afirmar-se como um território competitivo, atrativo para investir e capaz de gerar novas oportunidades económicas e sociais num território insular situado no extremo ocidental da Europa.
DL: Quais foram os principais resultados alcançados nas áreas do comércio e da indústria no concelho de Lajes das Flores nos últimos anos, e que medidas concretas foram implementadas para atrair investimento e dinamizar o tecido empresarial local?
Nos últimos anos, o município de Lajes das Flores tem orientado a sua estratégia de desenvolvimento económico para a valorização e apoio ao microempresário, reconhecendo que o tecido empresarial da ilha, e em particular do município, é composto essencialmente por microempresários. Esta realidade tem norteado as opções políticas e os instrumentos de apoio disponibilizados à comunidade. Um dos pilares centrais desta política é o apoio consolidado aos futuros empreendedores através da Incubadora de Empresas das Lajes, estrutura que presta um serviço completo e integrado a quem pretende criar ou desenvolver o seu negócio, acompanhando os empreendedores desde a fase de conceção até à alavancagem efetiva das suas atividades. Com o objetivo de promover a fixação de empresas no concelho e tirar partido da localização estratégica do porto da ilha, o município tem investido na criação de zonas industriais, gerando condições de instalação e operação adequadas para diferentes tipologias de atividade económica. No domínio da atração de investimento, o município tem procurado construir uma rede de apoio acessível a todos os potenciais investidores, assegurando as condições necessárias para que possam concretizar os seus projetos. Em paralelo, a manutenção dos impostos municipais no valor mínimo legalmente permitido constitui uma medida deliberada e estrutural de incentivo à fixação de pessoas e empresas no território.
DL: De que forma a autarquia tem estruturado a política cultural do concelho, e que impacto têm tido as iniciativas promovidas na valorização da identidade local e na atração de visitantes?
A cultura tem sido, para este executivo, um instrumento privilegiado de abertura de horizontes, em particular para as gerações mais jovens. Tendo em conta a realidade geográfica e as limitações naturais no acesso a experiências culturais diversificadas, quando comparadas com outros territórios do país, o município de Lajes das Flores tem procurado criar oportunidades que compensem essa distância e enriqueçam o quotidiano da comunidade. A política cultural do concelho assenta igualmente num forte compromisso com a integração social, num território que acolhe residentes de várias nacionalidades. A promoção de iniciativas culturais inclusivas tem funcionado como fator de coesão, aproximando comunidades e reforçando o sentido de pertença ao lugar. Entre os exemplos mais concretos desta aposta, destaca-se a residência artística, um evento que decorre habitualmente durante as férias da Páscoa e que convoca dois formadores especializados para trabalhar, ao longo de uma semana, as diferentes expressões artísticas com as crianças da ilha. O processo culmina na apresentação de um espetáculo criado pelos próprios participantes, tornando cada edição numa experiência única de criação e partilha. Outro marco incontornável da agenda cultural municipal é a Festa do Emigrante, que chega à sua 39.ª edição com um papel cada vez mais consolidado na vida da ilha. Este evento tem permitido trazer à Ilha das Flores artistas de renome nacional e internacional, promovendo a cultura e a identidade local, mas gerando igualmente um impacto económico significativo para o concelho, ao dinamizar o comércio, o alojamento e os serviços durante o período da sua realização.
DL: Que estratégias têm sido adotadas nas áreas da juventude e do desporto para promover a fixação de jovens no concelho e incentivar estilos de vida ativos e participativos?
No domínio da juventude, o município tem desenvolvido um conjunto de iniciativas pensadas especificamente para os mais jovens, com o objetivo de lhes proporcionar experiências enriquecedoras e diversificadas. O ATL municipal constitui um dos pilares desta aposta, disponibilizando cinco oficinas abertas não apenas às crianças inscritas no serviço, mas também a outras que pretendam participar. Entre as áreas trabalhadas, destacam-se as oficinas de percussão musical, canto, pintura e gestão das emoções, todas dinamizadas semanalmente por formadores especializados. Estas atividades representam muito mais do que ocupação dos tempos livres, são momentos de descoberta, expressão e desenvolvimento pessoal num território onde o acesso a este tipo de experiências é, por natureza, mais limitado. No que respeita ao desporto, a autarquia tem apostado numa oferta variada, acessível e regular, capaz de incentivar estilos de vida ativos em diferentes faixas etárias. As caminhadas organizadas mensalmente pelo concelho promovem o contacto com a natureza e a convivência entre a comunidade, enquanto a aula gratuita de ioga, também com periodicidade mensal, coloca à disposição de todos uma prática de bem-estar sem qualquer barreira financeira. Anualmente, o torneio de voleibol de praia anima a época estival e os Jogos Desportivos Escolares reforçam o papel do desporto no percurso educativo dos jovens do concelho. Num plano de maior ambição e projeção externa, o município foi capaz de criar um dos maiores eventos de trail dos Açores: o “Farol Adventure Trail”, que, em 2027, chegará à sua quarta edição. Desenvolvido em parceria com os outros dois concelhos do Grupo Ocidental, este evento transcende a promoção de hábitos saudáveis para se afirmar também como um poderoso instrumento de promoção do destino e da ilha, com especial relevância por decorrer em abril, em plena época baixa, contribuindo assim para a diversificação e distribuição da atividade turística ao longo do ano.
DL: No domínio do empreendedorismo, que apoios ou programas têm sido disponibilizados para estimular a criação de novos negócios e que áreas identifica como prioritárias para investir em Lajes das Flores?
O empreendedorismo será, com toda a certeza, um pilar na estratégia de desenvolvimento do município de Lajes das Flores, onde temos procurado criar condições concretas e acessíveis para todos os que pretendam criar ou desenvolver um negócio no concelho. O principal instrumento de apoio é a Incubadora de Empresas das Lajes, que disponibiliza aos empreendedores não apenas espaço físico de trabalho, mas também um conjunto alargado de serviços de suporte nas áreas do marketing, da contabilidade, da gestão e de outras áreas igualmente sensíveis ao sucesso de qualquer projeto empresarial. Este acompanhamento integrado permite que os novos empresários se concentrem no desenvolvimento do seu negócio, com o apoio técnico necessário a cada etapa do processo.
A par do apoio em serviços, o município disponibiliza também apoio financeiro direto, comparticipando 50% do investimento total realizado pelos empreendedores, até um máximo de seis mil euros. Este instrumento assume particular relevância num território insular onde o acesso a capital e a financiamento tende a ser mais limitado, reduzindo o risco associado à criação de novos negócios e tornando a decisão de empreender mais sustentável. Para aqueles que se encontram ainda numa fase embrionária, com uma ideia, mas sem um projeto estruturado, o município coloca à disposição uma equipa multidisciplinar que acompanha o futuro empreendedor no processo de transformar essa ideia numa realidade empresarial viável. Este apoio permanente e personalizado demonstra o compromisso da autarquia em não deixar nenhum potencial de desenvolvimento por explorar. Lajes das Flores está, assim, preparada para receber e apoiar quem queira investir e construir o seu futuro no concelho – com estrutura, recursos e vontade de crescer em conjunto.
DL: Relativamente ao emprego, quais são hoje os principais desafios do concelho e que ações têm sido implementadas para criar oportunidades de trabalho e qualificar a população local?
O emprego é um dos domínios em que o município de Lajes das Flores tem intervindo de forma mais ativa e consistente, procurando responder aos desafios de um território insular com um mercado de trabalho naturalmente mais limitado. De forma direta, a autarquia tem sido um agente importante na criação de oportunidades de emprego, abrindo vagas em diversas áreas e promovendo estágios profissionais com uma taxa de contratação bastante positiva. Esta intervenção direta tem permitido integrar no mercado de trabalho um número significativo de pessoas, contribuindo para a estabilidade e qualificação da população local. Numa vertente mais indireta, mas igualmente estruturante, o município tem articulado as suas políticas de emprego com os instrumentos de apoio ao empreendedorismo. O apoio financeiro disponibilizado aos empreendedores inclui, como contrapartida, o compromisso de criação de pelo menos um posto de trabalho no concelho, gerando assim um efeito multiplicador que vai além do próprio projeto empresarial. Complementarmente, a criação de espaços comerciais tem atraído novas empresas ao território, que contribuem por sua vez para a geração de mais oportunidades de emprego local. O incentivo à criação de novas microempresas assume também um papel relevante neste contexto, na medida em que cada novo negócio representa, desde logo, uma oportunidade de autoemprego para o seu criador e, progressivamente, a possibilidade de gerar postos de trabalho adicionais à medida que a atividade se consolida. O conjunto destas medidas procura criar uma abordagem integrada ao emprego, que combina a intervenção direta da autarquia com o estímulo a um tecido empresarial local mais dinâmico, diversificado e capaz de criar as suas próprias oportunidades de crescimento.
DL: No setor do turismo, que ações de promoção têm sido levadas a cabo para posicionar Lajes das Flores como destino, e quais são, na sua perspetiva, as principais potencialidades ainda por explorar no concelho?
O turismo ocupa um lugar central na estratégia de desenvolvimento do concelho, não apenas pela sua dimensão própria, mas pelo efeito alavancador que exerce sobre todos os restantes setores da economia local – das pescas à agricultura, passando pelo comércio e pelos serviços. Numa ilha, é impossível dissociar as diferentes atividades económicas entre si, e uma política de turismo bem estruturada e ambiciosa é, inevitavelmente, uma política transversal a todo o território. A promoção do destino tem assentado em três momentos essenciais e complementares. O primeiro é a presença na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, a maior feira de turismo nacional -, onde o município participa em conjunto com Santa Cruz das Flores e o Corvo numa estratégia de promoção conjunta e alinhada, destacando os atributos partilhados pelo Grupo Ocidental e reforçando a identidade do arquipélago como destino de excelência. O segundo momento é o “Farol Adventure Trail”, prova de trail que acontece em abril e que traz mais de quatrocentas pessoas à ilha numa fase em que a atividade turística é ainda moderada. Para além do impacto direto em termos de visitantes, este evento é uma plataforma privilegiada de promoção do que de mais valioso o destino tem a oferecer: uma natureza única e de rara beleza. O terceiro momento é a “Festa do Emigrante”, um dos eventos mais duradouros e reconhecidos dos Açores, que marca a agenda regional e posiciona Lajes das Flores como referência cultural e de animação no arquipélago. Paralelamente a estes momentos de promoção, o município tem procurado manter uma agenda cultural ativa ao longo do ano, consciente de que a diversidade de experiências disponíveis é um fator determinante para prolongar a estadia de quem visita a ilha. Este é, aliás, um dos maiores desafios do setor: aumentar o número de noites por visita, transformando estadias curtas em experiências mais longas e economicamente mais relevantes para o conjunto da economia local. A sazonalidade é outro desafio que tem merecido atenção, tendo o município procurado incentivar a visita fora da época alta, distribuindo o fluxo turístico de forma mais equilibrada ao longo do ano. No que respeita às potencialidades ainda por explorar, o concelho tem margem de crescimento em diversas áreas, embora parte desse desenvolvimento dependa também do investimento privado, que será determinante para criar uma oferta mais diversificada, capaz de atrair diferentes perfis de visitantes e abrir novos mercados. Na minha opinião, a conjugação entre o esforço público de promoção e dinamização e a capacidade de resposta do setor privado será, em última análise, o fator decisivo para consolidar Lajes das Flores como um destino turístico de referência no contexto açoriano e nacional.

O “Azores Birdwatching Arts Festival” acontece nas Lajes do Pico, de 16 a 24 de novembro, para promover a prática da observação de aves e fomentá-la, de forma educativa, através da dinâmica criada por intermédio das artes.
A MiratecArts, em parceria com o Município das Lajes do Pico apresenta uma programação que chega às escolas do concelho e incentiva o público em geral a participar em saídas de campo e eventos culturais.
O programa artístico inclui uma extensa exposição de fotografia, em formato de bandeiras pelas ruas da vila baleeira, com o trabalho fotográfico de aves avistadas na ilha do Pico por André Vieira, Bruno Pereira, João Quaresma, Nuno Bicudo, Nuno Gonçalves, Olivier Coucelos, Pedro Madruga, Pedro Silva e Valter Medeiros.
A exposição de arte na Biblioteca Municipal Dias de Melo inclui os trabalhos de Jason Wheatley, Joana Castro, Márcia Ávila, Tran Nguyễn. Dois filmes fazem parte do programa: o vencedor do Óscar 2024, “O Rapaz e a Garça” do grande mestre japonês Miyazaki, e a animação para toda a família, “PATOS”, que encerra o programa em matiné, no domingo 24 de novembro, no Auditório Municipal das Lajes do Pico. Workshops de fotografia, escrita criativa e narração oral estão abertas a registo do público.
Programas em parceria com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves – SPEA, Asas do Mar – IOMA, Clube de Observação de Aves do Triângulo e a EBS das Lajes do Pico incentivam à observação e cuidado da natureza.
Na vertente de observação de aves, além de programa diário no Moinho do Juncal nas Lajes do Pico, os eventos acontecem nas ilhas Terceira, São Miguel e Faial, com equipamento providenciado pela ZEISS e a Loja Sniper Outdoor.

O Museu Municipal das Lajes das Flores recebe a apresentação teatral do projeto comunitário “A Costela de Lilith” de 27 a 29 de setembro, às 20h00 e ás 20h45. Trata-se de uma produção da 9’ Circos — Associação de Artes Circenses dos Açores, que envolve cerca de 30 mulheres inseridas em grupos da comunidade local, como o Grupo Coral da Lomba, a Filarmónica União Operária e Cultural Nossa Senhora dos Remédios da Fajãzinha, o Grupo de Teatro A Jangada, o Serviço de Desenvolvimento Agrário da Ilha das Flores e a comunidade estrangeira local.
Segundo nota de imprensa enviada pela organização, a “A Costela de Lilith” é uma iniciativa artística que visa explorar e celebrar a identidade feminina através do teatro e da comunidade. Inspirado no mito de Lilith e enriquecido pelas histórias individuais das mulheres participantes, este projeto tem como objetivo promover a participação e a integração destas na cultura, abordando questões relevantes como saúde mental, igualdade de género e inclusão social.
Através de laboratórios de dramaturgia, encenação, voz e corpo, as participantes tiveram a oportunidade de expressar as suas experiências e diferenças culturais, fortalecer a sua voz e criar uma obra teatral coletiva que reflita a diversidade e a riqueza da feminilidade.
O espetáculo é mais uma das iniciativas do projeto artístico, criado por Liliana Janeiro, no seguimento de oficinas realizadas na ilha do Faial, de São Miguel (Ponta Delgada e Ribeira Grande) e das Flores, entre os meses de abril e junho de 2022, que culminaram na edição do livro “A Costela de Lilith” pela Poesia Fã Clube. A obra trata-se de uma compilação dos poemas escritos individualmente e coletivamente pelas participantes nas referidas oficinas.
Agora, “A Costela de Lilith” vai transformar-se numa performance artística, que conta com a cenografia de Liliana Janeiro e Patrícia Soso, com o apoio de Gabriela Honeybud; dramaturgia de Ana Cózar e Liliana Janeiro; cenografia e figurinos de Rocio Matosas; produção de Liliana Janeiro e Margarida Benevides; coordenação local de Camille Farge e Isabel Tenente; e co-produção de Etxe — Escola de Artes, do Teatro Umano e do Coletivo Creativo das Flores.