Log in

Governo regional vai avançar com publicidade institucional e assinaturas nos jornais açorianos

© JP

Arranca ainda este mês “uma grande campanha” de publicidade institucional nas rádios e jornais dos Açores com vista a “sensibilizar a população para consumir informação regional” informou a Secretaria regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades.  

“Este é um programa há muito reivindicado”, reconhece Paulo Estêvão, que sublinha que o momento político atual, sem eleições de carácter partidário no horizonte, torna finalmente possível a entrada em vigor desta ação.

Para além disso, arrancará também em breve outro eixo do “Plano de Ação para os Media Açorianos” – a compra de assinaturas de jornais dos Açores, por parte do Governo Regional, para distribuição junto de escolas e IPSS.

“No total, fecharemos o ano com cerca de dois milhões de euros investidos no setor”, vincou o governante, lembrando os avanços financeiros e técnicos do novo Sistema de Incentivos aos Media Privados dos Açores (SIM).

O Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, deu hoje, 27 de outubro, início, na Escola Antero de Quental, em Ponta Delgada, à apresentação pública nas escolas da Região do Programa Nacional de Assinaturas Digitais para Jovens dos 15 aos 18 anos, realçando as várias concretizações no setor da comunicação social por parte do Governo dos Açores.

No que refere ao programa de assinaturas gratuitas de um órgão de comunicação social nacional e generalista, o governante sublinha que “informação fidedigna” é fundamental para uma democracia robusta, adiantando que uma equipa da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades vai percorrer as escolas dos Açores, incluindo as escolas profissionais, para apresentar esta medida e sensibilizar “alunos, professores e pais” para a adesão ao projeto.

Este programa tem como objetivo dotar os jovens entre os 15 e os 18 anos da assinatura de um órgão de comunicação social nacional, promovendo simultaneamente a literacia digital e a capacitação cívica, com benefícios diretos para a sua vida académica, profissional e pessoal.

No link Programa de oferta de assinaturas digitais para jovens – Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades – Portal estão mais informações sobre este Programa, uma das medidas desenhadas pelo Governo da República, com quem o Governo dos Açores tem tido permanentes contactos com vista à plena aplicação na Região das medidas nacionais.

A decorrer encontra-se também a última formação do ano de jornalistas por parte do Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR). No final do ano, terão recebido formação em economia e jornalismo de catástrofe cerca de 40 profissionais – as matérias foram definidas pelo CENJOR, em articulação com a delegação regional do Sindicato dos Jornalistas, cabendo ao Governo dos Açores assegurar a parte logística das formações.

A iniciativa da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades junto das escolas dos Açores tem a colaboração ativa da Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto, por via da Direção Regional da Educação, e da Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego, que tutela as escolas profissionais.

O peso da aprovação: quando “o mundo é um palco” também no digital

Hoje, as redes sociais fazem parte da rotina de muitas pessoas. Segundo especialistas, a necessidade de pertença e a sensação de recompensa diária, entre outros aspetos, podem fazer com que os seus utilizadores formem uma identidade virtual

Redes sociais provocam libertação de dopamina no cérebro, associada ao prazer, motivação e recompensa © DIREITOS RESERVADOS

“Antigamente, pensava-se o digital como paralelo ao real, um espaço separado. Hoje, já não há uma fronteira tão clara: real e virtual estão interligados”, destaca a vogal da Direção da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses (DRA-OPP), Carla Rocha. Torna-se assim relevante questionar o modo como estas plataformas podem fazer com que as pessoas construam uma identidade virtual quase performativa. À procura de uma resposta, o Diário da Lagoa (DL) pediu a opinião de dois psicólogos.

“Existem relações afetivas que começam no digital e consolidam-se no presencial; a identidade digital tem impacto na autoestima e na posição social no mundo offline”, continua Carla Rocha. O também vogal da Direção da DRA-OPP, Filipe Fernandes, partilha um episódio que teve lugar numa das suas consultas. “Há uns tempos, perguntei a uma utente quantos amigos sentia que tinha, com o intuito de explorar o seu mapa relacional”, começa por contar. E a resposta surpreendeu-o: “1492 amigos”, referindo-se às amizades no Facebook.

O que se sabe é, segundo Filipe Fernandes, que as redes sociais “geram um ciclo de recompensas diárias e superficiais, levando à libertação de dopamina no cérebro, associada ao prazer, motivação e recompensa”, explica ao DL. Por sua vez, Carla Rocha esclarece que estas plataformas, como ferramentas de comunicação, “não incentivam a comportamentos específicos”. O problema está no uso desadequado, bem como na maneira que “refletem a competição social e amplificam-na”, sublinha.

Segundo Carla Rocha, “a necessidade de pertença é fundamental para o ser humano” e acontece “tanto na vida real quanto na digital”. Assim, pode existir “uma tendência para moldar o comportamento em função da audiência, das suas expectativas ou aceitação externa” por parte dos utilizadores das redes sociais, acrescenta Filipe Fernandes. Numa tradução do inglês, “o mundo é um palco”, cita Shakespeare o psicólogo, pelo que uma identidade performativa pode representar uma “fusão do palco com a pessoa”. Contudo, salienta que “manter essa máscara digital é extremamente exaustivo”.

Casos particulares

Há situações em que a necessidade de aprovação é maior, como é o caso de inseguranças pessoais, baixa autoestima e um autoconceito disfuncional, exemplifica Filipe Fernandes. Além disso, processos ansiosos como o FOMO (fear of missing out), que significa “medo de ficar excluído”, podem “catalisar o desejo de agradar”. Na mesma linha de pensamento, Carla Rocha acrescenta que, “quando a pessoa passa tempo excessivo nas redes, podemos falar de um uso patológico”, o que pode ser uma “consequência de outros problemas psicossociais” como depressão, solidão ou falta de apoio próximo.

Filipe Fernandes dá conselhos para um uso adequado das redes sociais, entre os quais limitar a exposição e interação online, rever o tipo de contas que seguimos, definir limites para aquilo que partilhamos e manter o espírito crítico. Evitar o “tsunami de conteúdos que inundam os recetores cerebrais” é outra das suas recomendações. Tal como a alimentação, “convém mastigar aquilo que ingerimos e privilegiar aquilo que nos nutre”, compara. Para Carla Rocha, “para uma apresentação digital mais autêntica, importa partilhar experiências reais, desafios e aprendizagens, não só conquistas”.

No que toca aos mais novos, a psicóloga afirma que o acesso às redes sociais “interfere diretamente na construção da identidade, na regulação emocional e nas mentalidades sociais que desenvolvem”. Para combater riscos torna-se necessário um limite etário, que “precisa de vir acompanhado de práticas de mediação, educação digital e fortalecimento de vínculos offline”, diz ainda. Ainda assim, as redes sociais podem ser um “recurso relevante para a socialização em particular das pessoas com mais idade ou com dificuldades na mobilidade”, realça Filipe Fernandes.

Papel dos media

Os meios de comunicação social “contribuem para influenciar as perceções e as atitudes sobre os mais variados assuntos” e mesmo sobre “o que é considerado normal ou aceitável”, diz Carla Rocha, o que torna “fundamental que as temáticas abordadas sejam alargadas a tópicos que podem contribuir para informar e educar a população, nomeadamente sobre saúde psicológica”. Já para Filipe Fernandes, a sensibilização para uma presença mais autêntica no digital “cabe às pessoas” e não é da responsabilidade dos media, ainda que “o podem e devem fazer”.

Por outro lado, as narrativas mediáticas também podem “gerar riscos” nos casos em que “reforçam padrões irrealistas, que promovem a comparação e o julgamento”, continua Carla Rocha. Mas a chave está na “quantidade do consumo crítico e na qualidade e diversificação das fontes de informação”, destaca ainda. Importa também, na ótica da psicóloga, a colaboração entre os media e profissionais de saúde mental, de modo a informar o público sobre os “aspetos psicológicos subjacentes a diversas situações da atualidade”.

O que pensam leitores e jornalistas sobre a literacia mediática

Leitores e jornalistas consideram que a fronteira entre jornalismo e redes sociais é cada vez mais ténue. Ao Diário da Lagoa, Sofia Branco realça ainda que o jornalismo “dá todas as ferramentas para que a pessoa pense e tire as suas conclusões”

Leitores defendem a criação de mais iniciativas para promover a literacia mediática © CM LAGOA

Numa edição que trata o jornalismo, o Diário da Lagoa (DL) deu voz a leitores e jornalistas que, em conjunto, definiram literacia mediática. “É analisar e avaliar aquilo que [os media] nos colocam à frente”, começa o leitor Octávio Lima, ao que Adriana Rebelo, também leitora, acrescenta: “Inclui questionar, comparar fontes e distinguir entre factos, opiniões e possíveis manipulações.” O jornalista Vitor Tomé esclarece que são “competências que nos permitem analisar os conteúdos dos media de forma crítica e não um consumo passivo”. 

A presidente da direção da Associação Literacia para os Media e Jornalismo (ALPMJ), Sofia Branco, simplifica esta questão: “Precisamos de saber explicar a qualquer pessoa, tenha ela seis anos de idade ou noventa, o que é o jornalismo e como funciona, para que é que serve e qual a sua importância.” Apesar de achar que o progresso “pode ser lento” nesta área, mostra-se otimista. E prossegue: “Se ganharmos uma pessoa, para mim já é um sucesso.”

Em termos históricos, antes, “as pessoas só podiam consumir aquilo a que estavam autorizadas”, uma perspetiva que “não esconde uma forma de censura”, explica Vitor Tomé, também da ALPMJ. Depois, surgiu a ideia de que o importante seria preparar os cidadãos e não os proibir. Contudo, hoje, o jornalista considera que “a lógica de proibir está a voltar” no mundo. E, ainda, “com a inteligência artificial e o avanço exponencial da tecnologia, é muito difícil preparar todas as pessoas ao mesmo tempo e a todo o momento”, confessa.

João Freitas e Octávio Lima, que acompanham o DL há cerca de dez anos, defendem a criação de mais iniciativas, nas escolas e não só, para promover a literacia mediática. “Há 10 anos, usavam-se recortes de jornais nas aulas a propósito do tema que estava a ser abordado para os alunos debaterem”, recorda Octávio Lima sobre o tempo em que lecionava. Por sua vez, João Freitas reforça que “as pessoas têm de ser ensinadas a selecionar informação”, em vez de os media o fazerem por elas.

Redes sociais vs. jornalismo

Na ótica de João Freitas, hoje há mais tentativas de “criar informação falsa do que no passado”, pelo que a sua maneira de olhar para a informação é “sempre com alguma desconfiança”, diz ao DL. E especifica: “Até quem quer passar a informação de forma correta tem dificuldade.” No caso da Internet, os dados aparecem atualmente como verdade quando, antes, o que estava online era “à partida mentira”, opina.

Sofia Branco considera que sempre existiu manipulação de informação, mas que hoje ganhou “uma dimensão muito mais preocupante” com as redes sociais. E é precisamente nessas plataformas que se centra um dos problemas apontados pelos leitores e jornalistas: “O jornalismo está numa fase em que se deixa levar em demasia no ritmo das redes sociais e na forma como partilham conteúdos”, destaca. 

Mas há uma distinção que, segundo Sofia Branco, precisa de ser feita. Primeiro, que os jornalistas trabalham sob um código deontológico, ao contrário das redes sociais, que “não têm código ético de espécie alguma”, afirma. E continua a explicar: “Por mais críticas que tenham, todas legítimas e devem ser ouvidas, podem ter a certeza de que isto não é uma estrutura de engano, pelo contrário, é uma coisa que busca a verdade.”

“As redes sociais hoje dizem-nos como pensar. O jornalismo não é isso que deve fazer”, acrescenta. Por outro lado, o jornalismo “dá todas as ferramentas possíveis para que a pessoa pense e tire as suas conclusões”, sublinha a jornalista. Além disso, ainda que exista “mau jornalismo”, admite, realça que “as pessoas podem confiar numa estrutura acerca da qual se podem queixar, pedir correções, fazer direitos de resposta – toda uma série de garantias, enquanto cidadãos”.

O que torna uma notícia credível?

Quando uma órgão de comunicação social é o primeiro a publicar algo é ser recebido pelo público com alguma desconfiança © DIREITOS RESERVADOS

João Freitas acredita que o papel do jornalismo na formação de cidadãos informados é “determinante”. Homem da ciência, aplica um critério usado na sua área para avaliar se uma notícia é credível: a validação. “Para alguma coisa ser validada, ela tem de ser revista e reconhecida por várias entidades. Uma informação, para ser real, não pode aparecer só num jornal”, explica o leitor a sua perspetiva.

Noutro tópico, João Freitas considera que “há uma grande necessidade de pôr as notícias o mais depressa possível cá fora” mas que isso nunca deveria ser “à custa da validação da informação”. Em resposta, Vitor Tomé concorda com a afirmação, porém, diz ao DL que, “às vezes, o mais depressa não quer dizer que seja a notícia mais fiável”. 

Aliás, o que pode acontecer quando uma órgão de comunicação social é o primeiro a publicar algo é ser recebido pelo público com alguma desconfiança, uma vez que “as pessoas têm a sensação de que as primeiras versões das notícias são ao calha”, ou seja, sem a devida verificação. Segundo Vitor Tomé, este fenómeno pode “contribuir para o que se chama de evitar notícias ou news avoidance”.

Adriana Rebelo também acompanha o Diário da Lagoa desde a sua criação e vê o jornalismo como “um pilar da democracia”. Costuma verificar se a notícia vem de uma “fonte reconhecida e de confiança”, se cita fontes oficiais ou especialistas, e se apresenta dados concretos e não só opiniões. Além disso, à semelhança de João Freitas, procura cruzar a informação com outros órgãos de comunicação social para “confirmar se é consistente”, partilha com o DL.

Por sua vez, Octávio Lima acredita que os títulos das notícias são outro aspeto importante, uma vez que são “meio caminho andado para uma pessoa ser atraída e ler”, mas que podem ser “enganadores quando não condizem com o texto”, o que, na sua opinião, tem de ser confirmado com uma “leitura rápida” do texto antes de uma leitura mais profunda.

Desafio da confiança nos media

O jornalista Vitor Tomé vai mais além e acredita que “também cabe ao leitor, se quer saber diferentes pontos de vista, em vez de esperar que um mesmo jornal exprima todos”, procurar ler um determinado assunto em diferentes órgãos de comunicação, que terão perspetivas distintas. E acrescenta: “É necessário criar condições para que haja uma grande diversidade ao nível dos media.”

Este último tópico surge em resposta a um pensamento de Octávio Lima, que diz respeito aos artigos de opinião. “Muitas vezes, o tipo de colaboradores chamados para painéis não cobrem o espectro total da sociedade portuguesa”, salienta. Por sua vez, Vitor Tomé reage: “Nos painéis não pode estar toda a gente representada, não cabe, aliás. Não podem intervir todos ao mesmo tempo.”

Já a perspetiva de Eduardo Marques, que acompanha o DL há dois anos, é diferente: “Em Portugal, o jornalismo não está bom e a população não compreende a sua função.” Para o leitor, os media estão “alinhados a agendas políticas neoliberais” e, por isso, “já não há um jornalismo livre”. Além disso, considera que hoje “a maior parte dos media tradicionais estão completamente reféns de interesses económicos”. A esta questão, Sofia Branco responde: “Não acho de todo que a maioria dos jornalistas em Portugal estejam nessa situação. Acho que tentam dar o seu melhor, embora, obviamente, haja falhas.”

A Associação Literacia para os Media e Jornalismo procura desde 2019 apoiar professores e outros públicos em Portugal, ao oferecer ferramentas, recursos e metodologias que possam ser aplicadas em práticas de literacia mediática dentro e fora da escola, incluindo nos Açores. Este projeto tem jornalistas e académicos especialistas da área do jornalismo responsáveis pela formação de docentes, em sessões com componentes teóricas e práticas.

“Plano de Ação para os Media Açorianos” promete reforçar a qualidade editorial e do emprego para o setor na região

Governo dos Açores assinou protocolo com Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas © MIGUEL MACHADO/GRA

O “Plano de Ação para os Media Açorianos” foi apresentado esta terça-feira, 19 de novembro, no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, tendo por base uma estratégia que o Governo regional dos Açores diz ser desenhada para reforçar a qualidade editorial e do emprego para o setor na região.

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu à sessão e começou por dizer que se está a “dar passos no sentido de reforço, da manutenção e da qualidade da nossa comunicação social privada em cada uma das nossas ilhas”.

O governante justificou a necessidade da criação do Plano com o facto da comunicação social regional, que inclui as rádios, fazer parte da “identidade histórica” dos Açores e ter um “papel pedagógico” junto dos cidadãos em muitas vertentes. José Manuel Bolieiro disse, inclusive, que é objetivo do Governo regional contribuir para a sustentabilidade económica dos títulos açorianos.

O Governo dos Açores sublinha, ainda, que está garantido o “escrutínio” dos apoios concedidos e numa lógica de complementaridade com o Plano de Ação para a Comunicação Social, já apresentado pelo Governo de Portugal.

“O sucesso educativo também se faz através da leitura. O papel da comunicação social também é essencial nesta aprendizagem e acesso ao conhecimento”, prosseguiu José Manuel Bolieiro, abordando o destaque que o Plano dá às novas camadas da população e ao seu acesso a uma “comunicação social bem escrita, bem informada e com regras éticas e deontológicas”.

“Estamos a fazer mais e melhor. Não prescindo desta referência, que é justa. O quadro histórico era já insuficiente para garantir este apoio de sustentabilidade”, declarou ainda o presidente do Governo.

Projeto terá uma dotação orçamental de dois milhões de euros já em 2025

“Plano de Ação para os Media Açorianos” assenta em quatro eixos de intervenção © MIGUEL MACHADO/GRA

O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, apresentou no detalhe o Plano de Ação para os Media Açorianos e lembrou que o projeto terá uma dotação orçamental de dois milhões de euros já em 2025, sendo reforçado anualmente, até final da legislatura, em 200 mil euros.

Paulo Estêvão disponibilizou ainda aos profissionais do setor, nomeadamente aos gestores das empresas, os serviços da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades para apoios logísticos, técnicos ou burocráticos referente ao programa nacional.

O “Plano de Ação para os Media Açorianos” assenta em quatro eixos de intervenção: o Sistema de Incentivos aos Media (SIM), documento que irá a Conselho do Governo e posteriormente à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores; a compra de pacotes de publicidade institucional junto dos órgãos de comunicação social; a assinatura destes títulos, por aquisição da região, para distribuição em escolas e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS); e a formação de jornalistas dos Açores, em duas ações anuais, desdobráveis em dois grupos de formandos, com conteúdos definidos entre o Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (Cenjor) e a Direção Regional do Sindicato dos Jornalistas nos Açores.

Hoje foi também formalizado o protocolo com o Cenjor, tendo marcado presença na sessão o diretor do Centro, Miguel Crespo.

Até final do mês, a entidade vai apresentar em detalhe os conteúdos das formações a realizar em 2025, sendo que uma versará sobre matérias de cariz económico e financeiro e a segunda sobre a atuação dos jornalistas em cenários de catástrofe.

O “Plano de Ação para os Media Açorianos” destina-se a entidades privadas com sede, ou domicílio fiscal, conforme aplicável, na Região Autónoma dos Açores, que atuam como órgãos de comunicação social de âmbito regional ou local – em causa estão estações de rádio, canais de televisão e órgãos difundidos por meios digitais.

Paulo Simões diz que apoio às empresas de comunicação social promove um jornalismo “livre”

© HUGO MOREIRA

O deputado do PSD/Açores Paulo Simões afirmou que o programa de apoio extraordinário aos órgãos de comunicação social privados, apresentado pelo Governo regional e aprovado no parlamento, promove um “jornalismo livre, independente e robusto”.

O parlamentar social-democrata falava na Assembleia Legislativa dos Açores, durante o debate do diploma proposto pelo Governo da Coligação (PSD, CDS-PP e PPM).

Paulo Simões destacou o “declínio” observado no setor, tanto nos Estados Unidos da América como na Europa, “do qual os Açores não estão isentos e para o qual são necessárias soluções”.

“Durante uma crise económica – e infelizmente já enfrentamos várias ao longo dos anos –, toda a economia se retrai. A comunicação social não é exceção, pelo contrário, sofre ainda com maior intensidade”, afirmou.

Durante uma retração económica, “uma das primeiras medidas tomadas pelas empresas é cortar a publicidade em jornais e rádios, que sofrem com isso, além do aumento dos custos de produção e da inflação, que se somam às despesas de funcionamento”, explicou.

No entanto, tendo em conta a realidade insular, geográfica e demográfica, prosseguiu Paulo Simões, “a situação nos Açores é ainda mais aguda”.

“Estamos a falar de realidades micro. São Miguel, a ilha mais populosa, concentrando metade da população dos Açores, com cerca de 140 mil habitantes, tem pouca massa crítica”, lembrou.

Quanto se trata das restantes ilhas do arquipélago, o cenário agrava-se: “falamos de um microcosmo, há ilhas com cerca de três mil e quatro mil habitantes”, daí a importância de um programa de incentivos como o Governo da Coligação colocou em cima da mesa.

Paulo Simões lembrou que, “enquanto a maioria das empresas estão a recuperar dos danos causados pela pandemia, a comunicação social viu a sua situação a agravar-se” e que isso é um “facto indesmentível”.

“É preciso tomar pulso à comunicação social que está ligada às máquinas”, alertou o parlamentar social-democrata, acrescentando que “se não for a comunicação social regional, ninguém quer saber das nossas ilhas, a não ser que haja um furacão ou evento com alguém importante”.

“Nós somos esquecidos pelos órgãos de comunicação social do país. Cabe à comunicação social local e regional dar voz a quem nunca a teria. Esta é que é a realidade”, salvaguardou.

O deputado eleito pela ilha de São Miguel acrescentou que “não faltam efetivamente notícias nas redes sociais, mas essas notícias têm um custo de produção, pois são pagas pelas empresas de comunicação social “, apontando o dedo “à distribuição gratuita” que não suporta esses custos.

“Se não houvesse comunicação social, alguém saberia o que estava aqui a ser discutido”, questionou, sublinhando que, na sua ausência, “a escuridão é total e a democracia fica em risco”.

O parlamentar social-democrata condenou também “a pirataria promovida pela partilha gratuita de jornais e revistas que abundam nas redes sociais, com prejuízos diretos da ordem dos 40 milhões de euros, que fogem às empresas de comunicação social e ao fisco”.

Paulo Simões destacou, por fim, que “os incentivos à comunicação social não são originais do Governo regional, existindo programas desta natureza em países como o Canadá e a Noruega” sem que isso coloque em causa a isenção dos media.