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José Manuel Bolieiro recebe vice-presidente da Comissão Europeia para discutir futuro das verbas regionais

O encontro no Palácio de Santana entre o líder do Governo dos Açores e Raffaele Fitto marca um passo estratégico na defesa das Regiões Ultraperiféricas perante o novo quadro financeiro da União Europeia

© MIGUEL MACHADO/GRA

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu esta manhã, no Palácio de Santana, o vice-presidente executivo da Comissão Europeia para a Coesão e Reformas, Raffaele Fitto. A audiência de apresentação de cumprimentos, inserida numa deslocação oficial a Portugal que contempla Lisboa e o arquipélago, foca-se no diálogo sobre o futuro da política de coesão e na estratégia europeia para as Regiões Ultraperiféricas (RUP). Segundo nota enviada à redação pela Presidência do Governo Regional, este encontro assume uma importância crítica por ocorrer num momento determinante para a definição do próximo Quadro Financeiro Plurianual, que ditará os apoios europeus aos Açores nos próximos anos.

A visita é o culminar de um esforço diplomático iniciado no final de 2025, em Bruxelas, durante o High-Level Outermost Regions Forum, onde Bolieiro convidou formalmente o comissário europeu a visitar a Região. Para o líder do executivo açoriano, a presença de Fitto é um sinal de proximidade institucional. “Recebemos esta visita com grande apreço, pela atenção e compromisso que revela para com os Açores”, afirmou o presidente do Governo, que classificou o responsável europeu como “um verdadeiro aliado das Regiões Ultraperiféricas” e conhecedor profundo das especificidades e dos desafios que estes territórios enfrentam na atual fase de transição europeia.

Após a audiência inicial, a agenda prosseguiu com uma reunião de trabalho alargada a vários membros do Governo dos Açores, dedicada à apresentação da visão regional sobre as políticas e instrumentos financeiros da União Europeia. O programa da tarde reserva uma componente prática de visita ao terreno, com passagens pelo conjunto habitacional Trás-os-Mosteiros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e pelo Ecoparque da Ilha de São Miguel (MUSAMI), projeto cofinanciado pelo FEDER.

José Manuel Bolieiro sublinhou que este contacto direto com as obras permite evidenciar “o impacto concreto das políticas europeias na vida dos açorianos”, reforçando a necessidade de uma política de coesão forte e ajustada à realidade insular. O governante expressou ainda o seu reconhecimento pela disponibilidade de Raffaele Fitto em regressar futuramente para uma visita mais alargada a outras ilhas do arquipélago.

Deposição de resíduos em aterro na ilha de São Miguel diminuiu 36% em 2025

Aumento da reciclagem e o arranque da Central de Valorização Energética que já produz eletricidade para a rede pública foram decisivos para este resultado

© MUSAMI

A ilha de São Miguel registou um decréscimo de 36% na quantidade de resíduos sólidos urbanos (RSU) depositados em aterro sanitário durante o ano de 2025, em comparação com o ano anterior. Segundo dados enviados pela MUSAMI, foram depositadas 38,5 mil toneladas, um valor que reflete uma mudança estrutural na gestão de resíduos na ilha.

Este resultado deve-se a um conjunto de fatores destacados pela empresa, salientando-se a redução da produção total de resíduos, o aumento da valorização material e o encaminhamento de resíduos não valorizáveis para a nova Central de Valorização Energética (CVE). Os dados revelam que a entrada de resíduos indiferenciados no Ecoparque teve uma quebra de 9%, enquanto a recolha seletiva cresceu 14%. No que respeita à valorização material, que inclui a separação para reciclagem, reutilização e compostagem orgânica, registou-se um crescimento de 25%, esforço que permitiu preparar os materiais antes de qualquer destino final.

Um dos marcos de 2025 foi a entrada em funcionamento da CVE, em julho, na qual decorreram testes de processamento e carga. Ao longo deste período, a central rececionou mais de 19 mil toneladas de resíduos, tendo tratado efetivamente mais de 13 mil toneladas que, de outra forma, teriam como destino o aterro sanitário. Conforme sublinha a nota da MUSAMI, o processo de valorização energética permitiu ainda a produção de 1.358 MWh de energia elétrica, dos quais 1.016 MWh foram injetados diretamente na rede elétrica pública, sendo o restante autoconsumido pelas próprias instalações industriais.
Além da energia, o processo gerou 2.400 toneladas de escórias, que serão agora valorizadas na reciclagem de metais e como materiais para a construção civil.

Para a MUSAMI, estes indicadores marcam o início do processo de desativação progressiva do aterro sanitário da ilha, que em 2025 já viu a sua utilização ser reduzida de forma drástica, aproximando a região das metas europeias de economia circular.