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Museu do Pico acolhe sessões de curtas do Montanha Pico Festival

© DIREITOS RESERVADOS

Às terças-feiras, neste primeiro mês do ano, o Montanha Pico Festival acontece no Auditório do Museu dos Baleeiros, pólo do Museu do Pico.

Produções portuguesas, documentários estrangeiros e uma noite a dar a volta ao planeta é a oferta da décima segunda edição do único festival em Portugal dedicado à cultura montanhosa através da sétima arte.

As sessões acontecem às 21 horas com entrada livre. No dia 13, o programa inclui filmes de Joana Saraiva Marques, Nuno Pimentel, Luís Sequeira, entre outros, com o foco em zonas montanhosas de Portugal. No dia 20, o programa é dedicado a documentários em língua inglesa, incluindo o último trabalho do austríaco Lukas Berger, “The Unlimited World”, produzido por Mário Gajo de Carvalho, que já apresentou obras em festivais anteriores. A 27 de janeiro, curtas da Espanha à Turquia, do Irão à Índia, transportam-nos numa viagem de imagens a circundar o planeta, incluindo pela primeira vez no Pico um filme de Tajiquistão.

“A parceria da MiratecArts com o Museu do Pico é uma oportunidade de apresentar trabalhos artísticos que nem sempre encontram meio de chegar ao público,” admite o diretor artístico Terry Costa. “No Montanha Pico Festival, as audiências da ilha têm assim a chance de ver imagens e histórias de cantinhos do mundo por vezes desconhecidos. Esta é uma forma de educar-nos através das artes, de conhecer o planeta através de curtas-metragens.”

O Montanha Pico Festival continua até 29 de janeiro, às terças no Auditório do Museu dos Baleeiros, às quintas-feiras no Auditório Municipal das Lajes do Pico e no fim de semana de 23 a 25 de janeiro no Auditório da Madalena.

Museu da Emigração Açoriana comemora 20 anos de atividade

© CM RIBEIRA GRANDE

O programa comemorativo do 20.º aniversário do Museu da Emigração Açoriana teve início no passado dia 9 de setembro, com inauguração da exposição comemorativa “20 anos de Museu de Emigração Açoriana”. Sob o tema “20 anos de emoções guardadas” o Museu da Emigração Açoriana celebra, até 30 de setembro, 20 anos de atividade com um programa variado.

De acordo com nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Ribeira Grande, o momento da inauguração contou com a apresentação, no concelho, do livro de Pedro Almeida Maia, “Condenação – A história de um gangster açoriano na América”. No arranque das comemorações, houve também espaço para uma palestra por Onésimo Teotónio d’Almeida sobre “Museus, Memória – Memórias e Esquecimentos”, para o testemunho dos presidentes de Câmara cujos mandatos se realizaram desde a fundação do Museu, e ainda para a atuação, em jeito de concerto comemorativo, do artista luso-açoriano Frank Rod Jr.

As restantes atividades desenrolam-se durante o mês de setembro, nos dias 23 e 30 de setembro. Para o primeiro destes dois dias, está reservado mais uma apresentação de um livro relacionado com a temática “Monumentos ao Emigrante” de Daniel Bastos e Luís Carvalhido, que irá contar com apresentação de Onésimo d’Almeida. Inaugurar-se-á, igualmente, a exposição fotográfica “Monumentos ao Emigrante” e ainda poderá ser assistido o concerto comemorativo de Clayton e Cátia. No dia 30 de setembro, será apresentada a obra de Eduardo Medeiros, “175 anos de Portuguesas nas Bermudas”, inaugurando-se também a exposição “Açores-Bermudas” e o concerto de João Moniz.

A autarquia ribeiragrandense, salienta ainda que todos os sábados serão palco, entre as 10h e as 17h, de animação infantil e familiar com a iniciativa “Pequenos viajantes”.

Fundado a 9 de setembro de 2005, o Museu da Emigração Açoriana tem desempenhado o papel da memória e da história das gentes e dos fluxos migratórios açorianos que se iniciaram no séc. XVIII e que tiveram enorme expressão a partir de meados do séc. XX. Do vasto espólio, constam peças que simbolizam e retratam a busca de novas oportunidades em novas terras.

Tapete de flores em Água de Pau pretende envolver a comunidade

© CM LAGOA

As festas em honra de Nossa Senhora dos Anjos decorrem na vila de Água de Pau de 4 a 17 de agosto. Segundo nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal de Lagoa, pretende-se, através do Museu de Lagoa – Açores, apelar à participação da comunidade da freguesia para a elaboração do tradicional tapete de flores do Núcleo Museológico da Mercearia Central – Casa Tradicional.

O objetivo desta iniciativa é envolver a comunidade pauense para manter viva uma tradição identitária, religiosa, profana e popular da vila de Água de Pau. Tradicionalmente e em forma de homenagem à padroeira da vila, os residentes enfeitam o caminho por onde passa a procissão, elaborando tapetes coloridos pelas ruas.

Nesse âmbito, a autarquia avança que a intenção é criar um grupo comunitário para a elaboração do tapete de flores na praça da República, em frente ao Núcleo Museológico Mercearia Central – Casa Tradicional que organiza a iniciativa. “Será dada, assim, a oportunidade a quem não reside no caminho por onde passa a procissão de prestar, desta forma, a sua homenagem a Nossa Senhora dos Anjos”, refere a autarquia lagoense em comunicado.

Este ano, para além da feitoria do tapete de flores, serão igualmente decoradas três janelas do referido núcleo museológico. Os interessados poderão efetuar a sua inscrição até ao dia 30 de julho, diretamente no Núcleo Museológico da Mercearia Central – Casa Tradicional, que se situa na praça da República, em Água de Pau.

Palácio Bettencourt: pedra sobre pedra

Alexandra Manes

O que pensam os partidos de direita sobre cultura? A ignorância nesta matéria torna-se cada vez mais trágica, principalmente numa altura em que o país conta com os seus destinos entregues a quem parece não saber o que significa tal palavra.

Sem cultura, não há identidade. Sem identidade, não há pensamento livre. Sem pensamento livre, não há futuro. E é esse o caminho que a Aliança Democrática vai traçando, lá como cá. Bolieiro já nos explicou o que considera valer a cultura.

Depois das comédias passadas, é com o bailinho da verba em orçamento, mesmo tentando misturar tudo com a educação e o desporto, que qualquer olhar mais atento percebe que para a cultura não vai nada, nada, nada.

Hoje é sobre património cultural que me importa escrever. Em pleno coração do Património Mundial, no centro classificado de Angra do Heroísmo, em lote adjacente à Sé Catedral, na Rua da Rosa, localiza-se o Palácio Bettencourt, imóvel de interesse público, centenário e com um valor patrimonial de destaque no que ainda resta da cidade pós-sismo de 80. As suas origens parecem estar meio perdidas na neblina dos séculos, mesmo que se saiba que no século XIX era já um edifício de destaque na paisagem urbana.

Este nobre edifício que já teve vários usos, nomeadamente o de Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo durante mais de sessenta anos, necessita de obras na expectativa de que seja dignificado com uma utilização que todo o seu valor lhe permite.

Ao ler um artigo de Isabel Soares Albergaria, publicado a 1/5/24, no Açoriano Oriental, fica claro de que houve a intenção de que se desenvolvesse um projeto de musealização desse palácio, adaptando-o a um programa de artes decorativas, projeto esse que chegou a ser formalizado em 2021 pelo Museu de Angra do Heroísmo. Alguém sabe da resposta a esse projeto?

O que soube foi que a sra. Secretária da Educação, Cultura e Desporto terá decidido que era ali que iria instalar a sua Secretaria Regional, avançando com obras no sentido de requalificar os espaços.

Empreitadas no centro de Angra, com grandes gruas e camiões de betão, já todas as pessoas se habituaram a ver. De vez em quando, para pequena vitória dos patrimonialistas, lá aparece uma que é devidamente acompanhada. Mas, segundo o que me fizeram chegar, não é este o caso. A obra na Rua da Rosa é promovida pela autoridade máxima da cultura regional, e, pelo que se apura por aí, não conta com fiscalização e proteção do seu património histórico ou arqueológico.

É, provavelmente, uma das maiores desgraças dos últimos anos. Até posso compreender que uma profissional da área da educação não perceba o crime que se pode cometer ao avançar com esses trabalhos sem o devido acompanhamento, mas nunca poderei compreender os motivos que levam a avançar, sem impunidade nem consulta dos técnicos verdadeiramente competentes que integram o quadro da direção regional.

No Pico, acaba de fechar uma parte do Museu do Vinho, por falta de condições. Na Horta, chove na Casa Manuel de Arriaga. Em São Miguel, sobrevive-se sem reservas e condições. Nas Flores, há muito que se aguarda verba para dar dignidade aos seus Museus. Em Santa Maria, um núcleo construído há pouco tempo prepara-se para ruir a qualquer instante. E tantos outros exemplos que ficam esquecidos para que se possam avançar com o Palácio Bettencourt. Demasiados, para o que se pede a quem trabalha na direção regional de Cultura.

Enquanto avançam as obras no Palácio Bettencourt, e os colegas vão sobrevivendo com baldes de água e esfregonas, a Secretaria nem se digna a salvar o que resta daquele património. Da Divisão de Serviços do Património não se conhece pronúncia oficial. Por este andar, da cultura, qualquer dia, só restarão vaidades e fachadas.