
A Universidade dos Açores promoveu, esta sexta-feira, dia 22 de maio, uma aula aberta subordinada ao tema “Serviço Social em Catástrofes: Consolidando a Prática Profissional no Contexto da DANA de Valência”. De acordo com a nota informativa enviada à redação do Diário da Lagoa, a iniciativa decorreu esta manhã, tendo reunido com sucesso estudantes, docentes e profissionais da área interessados em compreender os mecanismos de intervenção social e comunitária em cenários de extrema urgência e emergência humana.
A sessão contou com a participação especial da professora Ángela Carbonell Marqués, docente de Serviço Social na Universidade de Valência e especialista em Saúde Mental, que se encontra na região ao abrigo do Programa Erasmus+. A convidada internacional partilhou na primeira pessoa a experiência vivida e coordenada no contexto da DANA de Valência — o fenómeno meteorológico extremo que causou severos impactos sociais e perdas humanas na Península Ibérica —, promovendo uma reflexão profunda sobre os desafios da resposta psicossocial em situações de crise e a consolidação das práticas de Serviço Social quando as comunidades locais são severamente afetadas.
O encontro foi promovido no âmbito da unidade curricular “Intervenção em Contextos de Exclusão”, lecionada pelo professor doutor Eduardo Marques, que assumiu as funções de anfitrião e moderador do debate aberto à comunidade. O programa desta cooperação académica e científica integra-se ainda nas atividades do projeto TRANS-Lighthouses, aproveitando a escala de trabalho para estimular a reflexão crítica em torno de riscos e acidentes em trilhos naturais, uma problemática com forte pendor de proximidade e de crescente relevância para a salvaguarda de residentes e turistas na Região Autónoma dos Açores.
Além da componente letiva e do debate aberto ao público, a agenda da docente espanhola em solo micaelense prevê a realização de reuniões de trabalho com diversos stakeholders locais e visitas técnicas a espaços naturais emblemáticos. Entre as deslocações programadas, destaca-se a visita ao projeto-piloto sediado no Trilho da Água / Janela do Inferno, uma das infraestruturas de pedestrianismo de referência no concelho da Lagoa, permitindo a partilha mútua de conhecimentos sobre prevenção e intervenção comunitária em áreas de risco.

Sara Sousa Oliveira
Diretora do Diário da Lagoa
Liderei o Diário da Lagoa durante 18 quentes meses de pandemia. Foram meses duros, difíceis e inigualáveis, como todos nós nos recordamos, e sublinho que escrevi três adjetivos similares seguidos, propositadamente. Anos depois, volto agora a assumir as funções de diretora deste jornal num contexto global bem diferente mas com o mesmo sentido de missão e responsabilidade. Não é uma missão fácil, liderar um jornal, já o afirmei no passado. Mas também é bom voltar a sentir de perto o pulso do papel. E, nesta nova fase, seguimos renovados: o lema “Notícias que contam” ganha mais destaque, porque de facto, é de notícias que contam que se faz o Diário da Lagoa.
Numa redação pequena, todas as ajudas contam: a contribuição consciente dos leitores que decidem ajudar, assinando o jornal e pedindo para o receber em casa, a escrita dos cronistas que decidem abraçar a causa, e a vontade de nos ler dos nossos leitores que, mês após mês, procuram a nova edição do Diário da Lagoa nos lugares por onde o deixamos, na Lagoa e fora dela. É desta matéria que somos feitos: de pluralidade, resiliência e ação. Não nos deixamos levar pelo imediatismo do acontecimento mas antes pela sua profundidade e proximidade com o açoriano comum. Levar “histórias que contam” às pessoas, a quem efetivamente pára para nos ler, contando-as, mostrando-as e na melhor das hipóteses, podendo ter o privilégio de tornar as suas vidas melhores, se isso for possível.
A Lagoa está no centro da ilha, mas o centro da ilha não é a Lagoa. Por isso, histórias de cá e de lá são bem-vindas. Todos queremos saber quem é, o que se passa e o que traz quem nos é próximo, mas até a proximidade é relativa, no mundo global em que vivemos. Não temos todos de mostrar o mesmo, nem todos de ir atrás do mesmo. Gostamos de fazer diferente. E é isso que vamos continuar a fazer. Darei, por isso, o meu melhor para que continuemos a despertar a vontade de ler em quem nos procura.

A Escola Básica e Integrada (EB1/JI) de Foros, na Ribeira Grande, assinalou ontem os 50 anos da Autonomia dos Açores com uma cerimónia pública que uniu a comunidade escolar e entidades locais em torno da identidade açoriana. O evento serviu de palco para a apresentação de projetos artísticos desenvolvidos pelos alunos ao longo do ano letivo, reforçando o papel da educação na preservação da cultura regional. A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande, Jaime Vieira, do presidente da Junta de Freguesia da Conceição, Pedro Pavão, e do Reverendo Padre Nelson Vieira, além de docentes e familiares.
Durante a cerimónia, a coordenadora da escola, Minerva Oliveira, sublinhou a ligação intrínseca entre o desenvolvimento político da região e o ensino. “Celebrar a Autonomia é também celebrar a Educação”, afirmou a docente, reiterando que este marco histórico simboliza “a capacitação para o crescimento integral das nossas crianças como futuros defensores da região”. Como prova deste compromisso pedagógico, foi inaugurado um painel em azulejos, criado pelos estudantes, que retrata elementos icónicos do arquipélago.
Um dos momentos altos da celebração foi a estreia da canção “Açores, terra querida”, com letra e música da autoria do professor de Expressão Musical, Rui Correia. A obra foi acompanhada por um videoclipe realizado pelo próprio docente e editado por Éric Correia, que culminou numa atuação coletiva dos alunos. De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização do evento, o encerramento da sessão foi marcado pelo descerramento solene do painel, simbolizando a união entre a escola e a comunidade na promoção dos valores açorianos.

Os moradores da zona Socas, no concelho da Lagoa, decidiram quebrar o silêncio e tornar pública uma situação de degradação que, segundo os residentes, se tem agravado perante a ausência de respostas eficazes por parte do executivo municipal. Numa nota enviada ao Diário da Lagoa, os moradores denunciam um cenário marcado pela deposição ilegal de entulhos e resíduos domésticos, o abandono de cadáveres de animais em decomposição e a proliferação de silvas em terrenos que não recebem manutenção. Este quadro de insalubridade tem levado a um aumento preocupante da presença de ratos e outros vetores, colocando em causa a saúde pública de quem ali reside. Além das questões ambientais, a segurança é outro dos pilares da contestação, com a vizinhança a apontar a falta de iluminação pública em zonas habitacionais e de circulação como um fator crítico que urge resolver.
Os signatários do documento sublinham que, embora a recente validação do Plano Diretor Municipal (PDM) em 2025 tenha classificado grande parte da zona como área ecológica, essa proteção ambiental não deve ser utilizada como justificativa para o desinvestimento nas condições básicas de vida. No texto enviado, os residentes defendem que “a proteção ecológica deve caminhar lado a lado com a proteção das pessoas”, reforçando que o que pedem não é excecional, mas sim as “condições mínimas de dignidade e segurança que qualquer cidadão tem direito a esperar do seu município”. Os moradores manifestam ainda um sentimento de frustração perante o que descrevem como uma falta de resposta às sucessivas comunicações feitas anteriormente ao executivo, exigindo agora a implementação de um plano de intervenção urgente que inclua limpeza, desratização e o reforço da fiscalização ambiental para dissuadir comportamentos incivilizados.

A gravidade da situação já tinha sido exposta diretamente aos órgãos autárquicos antes da formalização do abaixo-assinado. De acordo com a ata da reunião ordinária da Câmara Municipal da Lagoa realizada a 26 de fevereiro de 2026, uma munícipe, moradora nas Socas, interveio no período aberto ao público para alertar sobre a insegurança na zona. Na ocasião, a moradora lamentou que as preocupações da vizinhança — que incluíam situações associadas ao consumo e tráfico de droga — não tivessem tido o devido seguimento no Conselho Municipal de Segurança. A moradora sublinhou que, por se tratar de uma área mais afastada do centro da cidade, a zona das Socas tem carecido de atenção nos últimos anos, revelando que os próprios moradores têm o hábito de contactar a PSP para registar a localidade como “zona problemática”.
Em resposta, o presidente da Câmara, Frederico Furtado Sousa, reconheceu a “característica particular” das Socas por ser uma zona de fronteira entre os concelhos da Lagoa e Ponta Delgada. O autarca assumiu na altura o compromisso de que a situação seria abordada na reunião do Conselho Municipal de Segurança agendada para março, com o objetivo de dar conhecimento das conclusões aos residentes.
O grupo de moradores solicita também que a Câmara Municipal proceda à notificação dos proprietários de terrenos privados ao abandono e que estabeleça um canal de diálogo estruturado com a comunidade para garantir o acompanhamento contínuo destas problemáticas. Apesar do tom crítico e da exigência de que o município cumpra o seu papel na defesa do interesse público, os moradores das Socas reafirmam a sua total disponibilidade para colaborar com as autoridades locais na procura de soluções e garantem que o abaixo-assinado, que reúne as assinaturas das famílias afetadas, será entregue nos Paços do Concelho nos próximos dias.
O Diário da Lagoa já contactou a Câmara Municipal, enviando um conjunto de questões sobre as medidas previstas para esta zona, e aguarda uma resposta por parte da autarquia.

O Pavilhão da Escola Secundária de Lagoa foi o palco da fase regional dos Açores do Campeonato Nacional de Karate, realizada no passado dia 28 de fevereiro. Destinada aos escalões de Infantis, Iniciados e Juvenis, a competição incluiu ainda a vertente de ParaKarate, numa organização da Federação Nacional de Karate – Portugal, com o apoio da Associação Açoreana de Karate-do e Disciplinas Associadas e da Direção Regional do Desporto. Segundo a nota enviada à redação do Diário da Lagoa, o evento reuniu 181 atletas em representação de 15 clubes.
A edição deste ano ficou marcada pela estreia do ParaKarate em contexto regional, com a participação de Gustavo Moura (1.º lugar Juvenil Masculino) e Luciana Moura (1.º lugar Cadete Feminino), ambos do Clube de Karaté Shotokan da Povoação (CKSP). No plano coletivo, o Clube de Karate-do Shotokan de Angra do Heroísmo (CKSAH) foi o grande vencedor ao somar o maior número de títulos, com o atleta Henrique Silva (CKSAH) em evidência ao conquistar o ouro em Kata e Kumite.
Nas provas de Kata, em Juvenis Femininos, o pódio foi liderado por Carminho Laranjeira (1.º), seguida de Mariana Pires (2.º), Joana Castro (3.º) e Sofia Melo (3.º). Nos masculinos, Henrique Silva (1.º) venceu, com André Costa em 2.º, e Gabriel Vitorino e Gonçalo Almeida a dividirem o 3.º lugar. Nos escalões mais jovens, os títulos de campeão regional foram para Inês Oliveira (Infantil F), Miguel Silva (Infantil M), Clara Antunes (Iniciado F) e Mateus Pimentel (Iniciado M).
No Kumite (combate), os Juvenis Femininos disputaram várias categorias: em -45kg, Matilde Pacheco foi 1.º e Maria Franco 2.º; em -50kg, Mariana Pires venceu (1.º), seguida de Francisca Magalhães (2.º), com Petra Borges e Inês Cabral em 3.º; em -55kg, o ouro foi para Sofia Melo (1.º), a prata para Núria Peixoto (2.º) e os bronzes para Simone Resendes e Geovana Aquino (3.º); em +55kg, Maria Santos venceu (1.º), Maria Cruz foi 2.º, e Laura Magalhães e Dielin Ledea ficaram em 3.º lugar.

Nos Juvenis Masculinos em Kumite, os pódios ficaram assim definidos: em -40kg, Marcos Sousa (1.º), Baltasar Oliveira (2.º), Rafael Matos e Miguel Pacheco (3.º); em -45kg, Henrique Silva (1.º), André Ribeiro (2.º) e Dinis Gomes (3.º); em -50kg, Tiago Felêja (1.º), Rodrigo Oliveira (2.º) e Bernardo Costa (3.º); em -55kg, Gonçalo Almeida (1.º), André Costa (2.º), Isaac Almeida e Afonso Estevam (3.º); em -60kg, Santiago Cabral (1.º) e Francisco Miguel (2.º); e em +60kg, Martim Gabriel (1.º), Tomás Pacheco (2.º), Martim Pacheco e Severino Melo (3.º).
O evento reafirmou a vitalidade das artes marciais na região, servindo de apuramento para as fases nacionais.

A Câmara Municipal da Lagoa oficializou, no edifício dos Paços do Concelho, a Agenda Cultural para 2026. A apresentação foi conduzida pelo presidente da autarquia lagoense, Frederico Sousa, acompanhado pela vereadora Albertina Oliveira, detalhando um plano composto por meia centena de eventos que abrangem áreas como o cinema, música, teatro, literatura e património histórico. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Município às redações, o documento agrega os principais eventos realizados de forma regular no concelho.
Sobre a estratégia para este ano, Frederico Sousa afirmou que a agenda “mantém-se consistente, contando com a parceria e o apoio de diversas instituições e associações lagoenses”. O autarca salientou ainda que o objetivo passa por reforçar a “valorização das tradições, da identidade local e do património”, adaptando a oferta às preferências do público, especialmente no que concerne aos eventos festivos que já integram o calendário local.
No que respeita aos equipamentos culturais, o plano prevê a continuidade da exibição regular de cinema no Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida e a dinamização do Auditório Ferreira da Silva, em Água de Pau. Para este último espaço, estão previstos oito eventos principais, incluindo concertos de Rita Rocha, a 1 de maio, e o espetáculo “Namasté”, com Inês Aires Pereira, a 31 de outubro, além de iniciativas de caráter gratuito em parceria com associações locais e a Sinfonietta de Ponta Delgada.
O calendário de verão inclui a 10.ª edição da Festa Branca do Convento, a 22 de agosto, e a Festa de Santo António, entre 9 e 14 de junho, que retoma o modelo de arraial aberto ao público com as tradicionais marchas e atuações de artistas como Toy e Augusto Canário. O Festival Lagoa Bom Porto e as festas em honra do Divino Espírito Santo, em Água de Pau, mantêm-se na programação. Uma das novidades inseridas para 2026 é o Cabouco AgroFest, agendado para os dias 4, 5 e 6 de setembro, dedicado à promoção do mundo rural e dos produtos locais na freguesia do Cabouco.
A vertente literária e de preservação da memória encerra as prioridades da agenda, com destaque para o lançamento da obra “Memória da Cultura Desportiva da Lagoa”, de Marcelo Borges, e a apresentação da edição completa da “Etnologia dos Açores”, de Francisco Carreiro da Costa, no dia 26 de junho.