
Maria João Pereira
Farmacêutica
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde é definida como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”. Ou seja, quando qualquer uma das necessidades descritas não está satisfeita, o indivíduo não está completamente saudável.
Esta definição relembrou-me um tema ainda pouco abordado, talvez, por ser um pouco tabu: a obesidade. Sim, é uma doença crónica, que não afeta só o corpo, podendo também vir a afetar a saúde mental e social.
A obesidade caracteriza-se pela acumulação excessiva de gordura corporal que traz um impacto negativo na saúde e na qualidade de vida do doente. De um modo simplista, esta doença surge quando ingerimos mais calorias do que aquelas que gastamos, de forma consistente, levando a um aumento de peso. No entanto, as suas causas são complexas e multifatoriais, envolvendo fatores genéticos, ambientais, socioeconómicos, comportamentais e psicológicos.
Tal como outras doenças crónicas, a obesidade está associada a complicações graves, entre as quais o desenvolvimento de diabetes, hipertensão arterial, osteoartrite, depressão, ansiedade, enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, apneia do sono, entre outras.
Apesar de todo o conhecimento e estudo que já existe à volta desta patologia, a obesidade ainda não é amplamente reconhecida e tratada como uma doença. Continua a existir a ideia de que excesso de peso é sinónimo de saúde, sendo ignorados todos os riscos que ele traz consigo. Além disso, o termo “obeso” ainda é considerado ofensivo, o que dificulta a aceitação da condição como doença e, consequentemente, o seu tratamento.
O tratamento passa, primaria e essencialmente, pela alteração do estilo de vida e uma reeducação alimentar. No entanto, para que essas intervenções sejam eficazes, é necessário aceitar e reconhecer a doença e combater a desinformação. Procurar ajuda, tanto de um profissional de saúde como de um especialista do exercício físico pode ser um bom começo.
Vai muito além do que é um corpo socialmente aceite ou bonito (seja lá o que isso for). Trata-se de saúde, prevenção da doença e qualidade de vida. A esperança média de vida dos portugueses está a aumentar – devemos começar a cuidar do futuro do nosso corpo agora.
Acredito que a educação e o combate ao estigma podem mudar vidas. O nosso corpo é o nosso lar até ao fim. Que tal escolhermos 2025 para ser o ano em que começamos a cuidar melhor de nós próprios?