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Obras da nova orla marítima da Lagoa devem arrancar ainda este ano

Prolongamento do passeio marítimo da cidade vai implicar alterações de trânsito e torna grande parte da costa da Lagoa mais acessível e pedonável

© MAQUETE CM LAGOA

A nova frente de mar da Lagoa, na ilha de São Miguel, divide-se em duas fases para execução da obra. “Fomos obrigados a fazer uma separação da empreitada porque os fundos comunitários vão ter dois eixos distintos, onde esta empreitada pode se encaixar. Um está relacionado com as alterações climáticas e o outro com a mobilidade e a requalificação urbana”, começa por explicar Frederico Sousa, presidente da Câmara Municipal de Lagoa (CML) ao Diário da Lagoa (DL).

A primeira fase, cuja abertura do aviso do PO 2030, aconteceu em outubro passado, vai incidir na proteção da orla costeira e no melhoramento dessas mesmas zonas. Na zona do Portinho de São Pedro, no Rosário, vai ser criado um novo pontão, para proteção da área, com cerca de 60 metros. A rua do Calhau d´Areia vai ser ampliada, vai ter dois sentidos, um passeio e ciclovia, bem como uma zona com árvores. 

“A segunda fase da obra vai implicar a requalificação de toda a zona do Porto dos Carneiros. Vamos proceder à estabilização daquele talude todo, até às piscinas, todo aquele talude tem uma infra-escavação pela força do mar,e vamos aproveitar, além da estabilização, para criar uma plataforma suspensa para o passeio e a ciclovia” na rua da Cidade de New Bedford, até às piscinas da Lagoa, explica o autarca. Também a zona do bar das piscinas da Lagoa vai ter alterações, bem como a zona envolvente, num projeto feito pelas própria autarquia. 

O passeio marítimo passa também pelas piscinas municipais. “Vai ser feito um enrocamento, com um passadiço que só vai ser pedonal e ciclovia, portanto não vai ter viaturas”, explica o presidente da CML. 

Na zona da Relvinha, “há um misto entre requalificação urbana e proteção costeira e depois na rua final, junto à poça da Ralhoa, há dois projetos que se interligam, um prometido pelo Governo regional com um pontão para proteção das forças de sudoeste, para proteger aquilo que é o projeto da zona norte da Baía de Santa Cruz”, diz Frederico Sousa. 

O presidente da CML sublinha que em todo o processo, houve o cuidado de não alterar demasiado a paisagem: “tivemos muito cuidado com os projetistas, e a indicação que demos foi a de ser uma intervenção muito cuidada e pouco musculada com um misto de urbanismo, mobilidade, integração arquitectónica e engenharia”. 

A expectativa da autarquia é arrancar com as duas fases da obra “este ano, esse era o ideal mas depende das duas candidaturas, uma já formalizada e a outra com o aviso por abrir. Diria que se tudo corresse como era normal, este ano teríamos tudo candidatado e as empreitadas em andamento”.

Para além das seis casas que foram adquiridas e demolidas pela autarquia, junto ao Portinho de São Pedro, está prevista a demolição de mais uma casa junto à Baía de São Cruz, “é a única”, garante o presidente. 

Edifício da lota com nova vida

Autarquia pretende dar nova vida ao edifício da lota da Lagoa © MAQUETE CM LAGOA

A CML quer requalificar e remodelar o edifício da lota junto ao Porto dos Carneiros. “Ainda estamos a pensar, mas acho que tem de ser um equipamento concessionado, de uma área complementar à restauração porque já há bons restaurantes naquela zona”, explica Frederico Sousa. O autarca reforça a ideia de que é preciso melhorar as acessibilidades dentro da cidade da Lagoa e para isso é essencial criar “um eixo sul-norte para a rotunda do Nonagon onde as pessoas que estão no Tecnoparque podem vir diretamente, através de um único eixo até à orla marítima. Já temos projeto feito, temos a negociação feita com os proprietários e a intenção é de se conseguir até ao final do ano, início do próximo, avançar com essa ligação do Nonagon ao bairro [de São Pedro]”.

Para além de melhorar as acessibilidades dentro da cidade, um dos objetivos futuros da autarquia passa também por ligar Lagoa e Ponta Delgada através de uma via pedonal/ciclável. “Concluídas todas essas fases, primeira e segunda, e também o troço do Nonagon, nós estamos a falar de mais ou menos seis quilómetros, desde a Baía de Santa Cruz até à fábrica da Prolacto. Acho que vai ser uma relação interessante entre as duas cidades e, acima de tudo, acabamos por ter uma relação mais, na minha opinião, mais orgânica entre todos os pontos”. 

Sobre a possibilidade de criar uma marina na Lagoa, Frederico Sousa, não vê, para já, necessidade de tal. “Gostava, e eu espero, que a Lagoa possa ter um ponto de paragem, não necessariamente de varagem, ou seja, ter um local onde os barcos possam parar, onde têm condições de parar, ficar, ir ao restaurante”, nota o autarca. E isso pode ser uma possibilidade a desenvolver junto ao porto dos Carneiros ou até mesmo na Caloura. 

Sobre a proteção da orla costeira na zona da baía de Santa Cruz, a autarquia diz desconhecer o estado do processo. “Tem havido recorrentemente nos planos e orçamentos do Governo Regional, a inscrição de uma intervenção em Santa Cruz, que nós não conhecemos”, diz o presidente da CML. 

Contactado pelo DL, a secretaria regional do Mar e das Pescas explica que “ a DROP [Direção Regional das Obras Públicas] procedeu à aquisição de serviços para a realização do levantamento topo-hidrográfico de toda a baía, que seria indispensável à elaboração dos projetos de execução, tendo sido executado, estando essa fase inicial concluída”. De acordo com o diretor regional de Políticas Marítimas, “a DROP [Direção Regional das Obras Públicas] solicitou uma estimativa de preço, numa consulta preliminar de mercado, que apontava um custo de cerca de 49.000,00 € + IVA para a elaboração de um projeto de execução para a solução de construção de um pontão”. 

Sobre o prazo para avançar com a obra, a mesma fonte não indica quando irá acontecer esclarecendo apenas que não está “previsto que a intervenção venha a ocorrer no corrente ano”.