
Teve início o primeiro dia da Novena dos Espinhos, presidida pelo reitor do Santuário e com a pregação a cargo do padre Gil da Silva, ouvidor da Lagoa, que assegurará os três primeiros dias desta caminhada espiritual. O sermão foi centrado na figura de Madre Teresa da Anunciada, cuja autobiografia será explorada ao longo de toda a novena, servindo de guia para a reflexão quaresmal proposta à comunidade.
Desde o início da homilia, o pregador lançou um convite: deixar-se conduzir pela “sabedoria dos simples”. Ao percorrer as primeiras páginas da autobiografia de Madre Teresa, surge “naturalmente” a pergunta: de onde lhe vem tanta sabedoria? A resposta encontra-se, antes de mais, no ambiente familiar e, de modo particular, na influência decisiva da sua mãe, afirmou o pregador, inspirado pela leitura da autobiografia da religiosa responsável pelo impulso do culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, com cerca de 130 páginas.
“Enquanto hoje se ensina os filhos e netos a ler, a dominar a matemática e a navegar no mundo digital, a mãe de Madre Teresa preocupava-se sobretudo em ensinar-lhe a servir a Deus. Incutia-lhe o gosto pelo Senhor e o desejo constante de ser melhor para O servir”, lembrou o presbítero, que é atualmente pároco no Livramento e no Cabouco. “Neste ambiente de fé simples e firme, cresceram as raízes espirituais de Madre Teresa, que desde pequena, relacionava-se ‘tu a tu’ com Deus e com Maria. À medida que crescia, pedia ajuda ao Senhor e inclinava-se diante d’Ele, num gesto de reverência que traduzia amor, respeito e consciência de serviço. Essa inclinação era também atitude interior: disponibilidade para servir os irmãos e cuidar de todos, com discrição e humildade, vivendo o Evangelho na lógica de que a mão esquerda não saiba o que faz a direita”, disse ainda.
O padre Gil da Silva sublinhou ainda que a solicitude de Madre Teresa “era enorme”. Ainda jovem, Teresa chegou a desejar casar com um homem rico, mas no mais profundo do seu coração desejava desposar Jesus Cristo. Mesmo quando teve um pretendente, rezava e pedia intercessão para discernir a vontade de Deus. Sempre tratou Jesus por “Senhor”, expressão que encerrava amor, ternura, carinho e profundo respeito. “Desde nova quis colocar a sua vida ao serviço d’Aquele que amava”, concluiu o pregador. A reflexão tornou-se também interpeladora para os fiéis presentes. “Muitas vezes queremos Jesus, mas pouco fazemos para O ter verdadeiramente. Fazemos orações piedosas, mas nem sempre estamos com Ele de coração e alma. Impõe-se, por isso, uma pergunta essencial: quando estamos com Deus, é por mero cumprimento ou porque desejamos verdadeiramente estar com Ele?”, questionou o sacerdote.
Neste tempo de Quaresma, a assembleia foi desafiada a fazer da memória de Madre Teresa um caminho de conversão: “Abraçar a sua memória para abraçarmos Aquele que ela amou”. O convite final foi claro: reconhecer o tempo que Deus concede, pedir força para não desistir e procurar maior humildade no serviço a Deus e aos irmãos, especialmente os mais vulneráveis.
A novena prossegue nos próximos dias, mantendo como fio condutor a autobiografia de Madre Teresa da Anunciada e a proposta de redescobrir, à luz do seu testemunho, a “sabedoria dos simples”. Serão ainda pregadores mais dois ouvidores de São Miguel: o padre Hélio Soares, dos Fenais da Vera Cruz, e o padre Jason Gouveia, ouvidor adjunto do Nordeste. A Festa dos Espinhos será celebrada na sexta-feira, dia 6. Durante a Novena, as visitas ao Coro Baixo estão interrompidas.
