
Quem sou eu?
Sou um exagero ambulante. Como pessoa, sou o caos organizado pelo amor, uma tempestade que se acalma quando encontra um olhar sincero. Como escritor, sou a tentativa de transformar esse caos em palavras que respirem, que gritem, que amem. Escrevo porque só assim me sinto inteiro. Há quem viva a vida a tentar sobreviver; eu escrevo para tentar viver melhor. A minha escrita é um reflexo do que sou: imperfeito, apaixonado, intenso. Quero que cada palavra minha faça alguém sentir, mesmo que seja raiva, porque pior do que sentir algo é não sentir nada.
O que o Benjamin me ensinou?
Ensinou-me que o amor não precisa de explicação. Que ser pai é desaprender a viver sozinho, porque, a partir do momento em que nasce um filho, já não existimos apenas para nós. Ele ensinou-me que a vida é feita de detalhes pequenos que, no fundo, são enormes. Que um sorriso pode salvar um dia inteiro. Que um abraço pode ser casa. Que o tempo passa depressa demais e que estar presente é a única forma de realmente viver. Com ele aprendi a amar de forma incondicional, a aceitar que o erro faz parte do crescimento e que amar alguém é desejar que seja sempre maior do que nós.
Como surgiu a escrita?
Surgiu como tudo o que é inevitável: sem aviso. Eu era um miúdo que se encantava pelas palavras, que descobria na literatura uma forma de fugir e, ao mesmo tempo, de me encontrar. Sempre escrevi para tentar compreender a vida, para tentar organizar o caos dentro de mim. Inspiro-me na vida, que é o maior livro já escrito. Nos olhares que se cruzam sem se verem. Nos amores que nascem sem se entenderem. Nas dores que ninguém vê, mas que estão lá. Escrevo porque, se não escrevesse, sentiria que não estava a viver por completo.
Como lido com críticas?
Mal, como qualquer ser humano. Dói sempre saber que alguém não gostou do que escrevemos, porque cada palavra que coloco no papel vem de mim. Mas aprendi que as opiniões são como os ventos: algumas ajudam a navegar, outras apenas fazem barulho. Nem todas merecem ser escutadas. Algumas são construtivas e ajudam-me a crescer; outras são apenas ódio disfarçado. Não posso escrever para agradar a todos, porque, se o fizesse, deixaria de escrever para mim. E a única forma de ser verdadeiro é escrever sem medo, aceitando que nunca vamos ser unânimes – e ainda bem.
Sobre “O Hospital de Alfaces”
É um livro sobre o que nos salva. Sobre o absurdo e o essencial. Sobre o que parece estranho, mas é profundamente humano. É uma viagem ao improvável, mas que, no fundo, é muito mais real do que parece. Fala de um hospital onde a cura acontece de formas inesperadas, onde a esperança se veste de surpresa. Foi um dos livros que mais me desafiaram a escrever, porque me obrigou a questionar tudo aquilo que damos por garantido. No fundo, é um livro sobre o que significa realmente estar vivo – e o que estamos dispostos a fazer para continuar a estar.
Ser escritor é ser intenso
Sempre. Porque escrever é arrancar o coração e colocá-lo em cada palavra. Sem intensidade, a escrita é um corpo sem alma. Ser escritor é viver em extremos: ou se sente tudo, ou não se sente nada. Escrevo com todas as células do meu corpo, porque não sei fazer de outra forma. Cada texto é um mergulho sem saber se há água. Cada livro é um grito que espero que alguém escute. Escrever é sentir tudo ao mesmo tempo e tentar transformar isso em algo que faça sentido. É loucura, é amor, é necessidade. Ser escritor é ser vivo em dobro.
O efeito dos meus livros nas pessoas
Saber que um livro meu aproxima pessoas é um dos maiores presentes que posso receber. A escrita é um abraço em forma de palavras. É uma ponte entre quem lê e quem sente. Saber que “Prometo Falhar” serviu para fortalecer a vossa amizade enche-me de gratidão. A literatura tem esse poder incrível: faz-nos sentir menos sozinhos. E, no fundo, todos escrevemos – e lemos – para isso: para nos encontrarmos no outro. Obrigado por partilhares essa história comigo.
Os meus emojis para si.
Porque palavras às vezes são demasiado pequenas. Um emoji pode ser um afago, um “estou aqui”. E estou. Mesmo sem saber quem és, soube que as palavras precisavam de um toque extra, de um sinal silencioso de que eram para ti. Porque escrever não é apenas colocar palavras no mundo – é fazer com que alguém se sinta visto. E se, de alguma forma, esses emojis foram um empurrão, fico feliz. Talvez a literatura seja isso: um conjunto de pequenos empurrões na direção certa.
A nova geração e a escrita
Escrevem como vivem: intensamente, com urgência, com sangue. E isso é maravilhoso. A literatura precisa sempre de novas feridas e novas curas. Vejo uma geração que já não tem medo de se expor, que não quer apenas contar histórias, mas senti-las. Isso faz-me acreditar que a escrita nunca vai morrer, porque enquanto houver quem queira transformar dor em arte, a literatura continuará a respirar. Cada época tem os seus escritores, e cada escritor tem o seu tempo. O importante é continuar a escrever, a arriscar, a encontrar novas formas de fazer com que as palavras nos salvem.
O meu futuro
Continuar a escrever. Continuar a amar. Continuar a falhar. Porque é falhando que prometo continuar. O futuro, para mim, é um livro que ainda não escrevi. Sei que quero continuar a ser alguém que acredita no poder das palavras, que não tem medo de errar, que vive com intensidade. Quero escrever histórias que façam alguém sentir-se menos sozinho, que sirvam de abrigo, de espelho, de impulso. Não sei onde estarei amanhã, mas sei que estarei sempre onde a escrita me levar. Enquanto houver algo para contar, eu estarei aqui.
Poderia descrever um tanto sobre o Pedro, ou poderia ser só mais um Pedro, mas nunca será um resumo. O Pedro, além de escritor e orador, foi dos muito poucos que me deu conforto na escrita e, só por isso, tem todo o meu respeito e admiração.
A humanidade que é escassa em muitos, transborda no Pedro.
Obrigada Pedro.