Log in

Sem fim

Beatriz Moreira da Silva

N’o amor da minha vida,
pelo meio do desastre;
Descobri que outrora já havia de ser para mim,
súbito e irreverente o meu descendente.

Sob percalços d’obstáculos,
na angústia do suspiro q’errasse;
Sobressais muito além do que previ,
profundo enérgico e com fome do mundo vens ser meu testemunho – o amor é mesmo assim.

Sob doces olhos expressivos,
eu sempre soube que eras destemido;
No abraço apertado de quem é pequeno mas age alto,
soas-me toque d’alguém que já não está aqui.

Na herança da bondade resiliente,
como quem vem com tudo sem precedente;
Chegou um furacão d’entro de mim,
reiterando o universo d’um amor sem fim.

Da tua mãe

Na prosa

Beatriz Moreira da Silva

De todas as verdades que se contam em prosa, há uma realidade paralela, que se cruza nos entre laços daquilo que escolhemos, porque no lado paralelo da vida, há quem nos salve e por vezes seguir em reta é o fim.

Como desde o início em diante seguíssemos sem pontos parágrafos, em estátuas congeladas sem sentido.

Na prosa, surgem emoções de um intrínseco mais ou menos inerente, eloquente, daquilo que nos está na garganta em nó. Como nos sonhos corremos entre forças que nos prendem e nunca há previsão da meta, como caímos de um precipício lentamente sem lesão, sem dor, mas com marca. Continuamos, porque entre viver na prosa e escrever prosa há sempre algo que nos separa, que nos distingue, que nos aflige em limites de caracteres. Como se a tinta acabasse em segundos dos anos que temos por escrever: Não é um dom! É ser humano! É saber as nossas fragilidades enquadradas nas de entre outros. É saber que será lido e revivido ao ritmo de cada um, em compassos diferentes, mas que toca no ponto mais profundo da alma ainda que emersa e desprovida.

Na prosa, somos psicólogos heterónimos. Suscitará sempre algo incomum aos olhos de quem não sabe sentir ou fingir, de quem questiona se imagina ou se sonha, se cala ou consente.

Em prosa, haverá sempre um sexto sentido, um arrepio, um suspiro que nos fará ficar em silêncio entre o texto e os holofotes.

De prosa se fazem pensamentos que temos no silêncio, comuns aos entre nós, porque só se erguem os vivos e quem já foi não volta mais.