
O Comando Regional da Polícia de Segurança Pública (PSP) dos Açores, através do seu Núcleo de Armas e Explosivos, levou a cabo durante o mês de março um conjunto de ações de fiscalização destinadas a garantir a tranquilidade pública e a prevenir o uso ilícito de armamento na região. Segundo uma nota de imprensa enviada pela autoridade policial, as intervenções focaram-se na monitorização rigorosa de processos de titulares de armas de fogo, na verificação das condições de segurança nas residências dos proprietários e no cumprimento das obrigações legais impostas para o uso e porte de armas no domínio público.
No decorrer destas operações, a PSP detetou e apreendeu duas armas de fogo curtas (especificamente dois revólveres) que se encontravam em situação ilegal, desprovidas do obrigatório manifesto ou registo. A par destas apreensões, a ação policial resultou ainda na entrega voluntária a favor do Estado de onze armas, entre as quais três pistolas, dois revólveres e seis espingardas. Estas entregas ocorreram após ter sido verificado que os atuais detentores não possuíam autorização legal para a sua posse, optando por prescindir das mesmas.
A atividade operacional não se esgotou na fiscalização administrativa. No âmbito de uma investigação criminal conduzida pela esquadra de Investigação Criminal da PSP de Ponta Delgada, o Núcleo de Armas e Explosivos recebeu também uma reprodução de arma de fogo de posse proibida e uma arma de ar comprimido de aquisição livre. A autoridade recorda, a propósito desta última, que o seu uso e porte estão estritamente limitados ao interior de propriedade privada e a locais devidamente autorizados para o efeito.
Com estas intervenções de cariz preventivo, a PSP salienta que reafirma o seu compromisso na salvaguarda da integridade física e do património dos cidadãos, sublinhando que o objetivo central destas ações é consolidar o bem-estar social e a proteção dos direitos fundamentais da comunidade açoriana.

João Medeiros
Dirigente Sindical – ASPP/PSP
Na semana que tivemos conhecimento das transferências entre comandos, ficamos a saber que virão 20 polícias para os Açores, ao contrário dos 70 polícias, prometidos pela MAI a alguns meses. A própria MAI, a DNPSP e o CRAcores tinham finalmente assumido o que a ASPP vem a denunciar há vários anos, o défice de 200 polícias nos CRAcores.
Dito isso, vamos a alguns factos e números que demonstram que a nossa realidade insular deverá ser vista com outros olhos pela DNPSP e pelo MAI. Ora vejamos, o CRAcores, neste caso a PSP nos Açores, está distribuída por nove ilhas, entre mais de três dezenas de esquadras, destacamentos de forças especiais e vários serviços, o reforço agora publicado (20 polícias) dilui se facilmente pelas ilhas, não sendo um reforço efectivo. Para além deste facto os inúmeros elementos de baixa e outros elementos que irão ao longo do ano para a pré-aposentação, tudo aliado ao envelhecimento do efectivo, irão desfalcar ainda mais o efectivo.
Longe vai o tempo em que os jovens açorianos viam a PSP como o seu futuro, eram dezenas/centenas que concorriam à PSP, sabendo à partida que passado um ano de formação viriam para suas “casas”. Atualmente os poucos que concorrem, arriscam-se a ficar em Lisboa vários anos, obrigando a ficar longe do seio familiar, com custas financeiras enormes, aliadas aos baixos salários, custas estas que não suportariam se estivessem em “casa”. Após estes anos vindos de Lisboa, alguns ainda se arriscam a ficar mais uns anos nas Flores, não menosprezando esta linda ilha. Estão em Lisboa mais de uma centena de polícias à espera da sua vez de regresso às ilhas. Que diferença faziam estes 100, apesar de não serem suficientes, eram bem melhores dos 20 que agora virão. Longe vai o tempo em que os reforços anuais eram a volta de 50/60 elementos policiais. Ademais trabalhar em esquadras/instalações sem condições mínimas exigíveis, exemplos das esquadras de Nordeste, sede da divisão de Ponta Delgada e a tão falada esquadra da Ribeira Grande, que aguarda a construção das novas instalações há cerca de 15 anos, estando os polícias a trabalhar em dois corredores do quartel dos bombeiros.
Ao longo dos anos a PSP, ganhou valências, nas áreas de investigação, fiscalização, etc… e agora mais recentemente nos controlos fronteiriços, aeroportos, fazendo diminuir o já diminuto efetivo das ditas esquadras genéricas. Nos Açores são muitas esquadras com efetivo policial reduzido, trabalhando nos mínimos dos mínimos, havendo polícias a trabalhar isolados e esquadras que fecham durante horas para a resolução de ocorrências. Aliado às constantes alterações das dinâmicas sociais, o aumento do turismo, o flagelo das drogas sintéticas e o aumento criminal que daí advém, não se adivinham tempos fáceis para a PSP nos Açores.
Apesar de todas estas dificuldades, os polícias nos Açores têm vindo cumprir a sua missão com toda a dignidade e responsabilidade, não descurando a segurança dos açorianos. Mas não estará na hora de todos olharem para a PSP nos Açores de outra forma, olhando para a nossa realidade insular?