
A campanha de sensibilização rodoviária “Viaje sem Pressa”, que decorreu entre os dias 2 e 8 de junho, alcançou um total de 193 condutores em seis ilhas do arquipélago dos Açores. A iniciativa teve como principal missão alertar os automobilistas para os perigos da velocidade excessiva, apontada de forma sistemática pelas autoridades como uma das causas primordiais da sinistralidade nas estradas.
Segundo a nota de imprensa enviada à nossa redação, a operação foi promovida pela Polícia de Segurança Pública (PSP) em estreita colaboração com a Subdireção Regional dos Transportes Terrestres. As ações de fiscalização preventiva e pedagógica estenderam-se pelas ilhas de São Miguel, Terceira, São Jorge, Graciosa, Faial e Flores.
O foco das autoridades centrou-se na promoção de comportamentos responsáveis ao volante, incentivando os condutores a adotarem uma condução mais prudente e defensiva, com estrito respeito pelos limites de velocidade legalmente estabelecidos. Para além de visar a redução direta dos acidentes nas estradas regionais, a campanha procurou salvaguardar a integridade física de todos os utilizadores da via pública, dedicando especial atenção aos utilizadores mais vulneráveis, como são os casos dos peões e dos ciclistas.
A nível estatístico, a distribuição dos condutores abordados e sensibilizados pelas forças de segurança fixou-se em 55 na ilha das Flores, 48 no Faial, 45 em São Miguel, 20 na Terceira, 15 em São Jorge e 10 na Graciosa. De acordo com o balanço partilhado pelas entidades organizadoras, a ação registou uma recetividade muito positiva por parte dos cidadãos contactados nas estradas.
Esta campanha faz parte de um plano contínuo de intervenções estruturadas que visam robustecer a cultura de segurança e prevenção rodoviária na Região Autónoma dos Açores, apostando na consciencialização coletiva para diminuir o número total de ocorrências e, acima de tudo, proteger vidas humanas.

O Município da Ribeira Grande está a encetar diligências com o objetivo de garantir, a breve trecho, uma visita oficial do secretário-geral da Administração Interna ao concelho. O foco principal desta deslocação é a antiga esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP) da cidade, pretendendo a autarquia sensibilizar o responsável in loco para a urgência inadiável de uma resolução em relação à requalificação daquele edifício histórico.
De acordo com a nota de imprensa enviada pela autarquia à nossa redação, o presidente da Câmara Municipal, Jaime Vieira, tem promovido um conjunto de iniciativas e contactos formais para acelerar o processo burocrático em que o imóvel está envolvido.
A autarquia argumenta que mantém um forte interesse em ver o espaço reabilitado. Segundo a mais recente atualização solicitada à Direção de Serviços de Património e Planeamento de Instalações da Secretaria-Geral da Administração Interna, o projeto de requalificação encontra-se atualmente na sua fase final de revisão.
No entanto, o processo ganhou uma nova e alarmante urgência face aos mais recentes acontecimentos, nomeadamente um incêndio que deflagrou no edifício no início desta semana. Perante o sucedido, o executivo camarário avançou com o envio de engenheiros do município ao local para uma avaliação preliminar.
A autarquia pretende agora que o Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC) realize uma avaliação detalhada da estabilidade estrutural do imóvel. O cenário de uma intervenção radical já está em cima da mesa: caso não estejam reunidas as condições de segurança para os edifícios anexos e para os transeuntes, ou caso o processo de requalificação não seja acelerado como pretendido, a Câmara Municipal pondera demolir o espaço para evitar eventuais prejuízos futuros para quem reside ou circula na zona.
Para o executivo liderado por Jaime Vieira, a segurança de pessoas e bens é descrita como um princípio inabalável e fundamental que dita toda a atuação municipal. O objetivo passa por garantir uma resolução rápida que devolva condições operacionais e funcionais aos agentes da PSP que prestam serviço na malha urbana da Ribeira Grande, mas também salvaguardar a integridade e o direito à circulação segura de todos os cidadãos que vivem e trabalham nas imediações da antiga esquadra.

António Santos
Lic. Ciências Sociais
Presidente do Sinapol – Açores
Portugal acordou recentemente em choque com o cenário que mais parecia igual a um “filme de terror”, uma vez que a imprensa destacava o caso a uma mulher agredida e abandonada à sua sorte em plena A8.
Mas, enquanto o país se indigna com este e outros tantos casos mediáticos, assistimos noutras frentes a anúncios triunfalistas sobre a “baixa” da criminalidade. Como Presidente do SINAPOL e alguém com formação académica e policial para analisar estes fenómenos, sinto o dever de esclarecer, o que se celebra como vitória é, na realidade, uma verdadeira e perigosa armadilha estatística.
Exige-se, antes de mais, um maior profissionalismo político na apreciação e apresentação destes números. Ora, analisemos como exemplo, os crimes de violência doméstica (VD) na região, os quais não se resolvem com tabelas de Excel como muitos assim o pensam. A descida de 1061 para 989 ocorrências nos Açores, segundo o RASI, não espelha uma redução da violência, mas sim, “quiçá”, uma erosão da confiança no sistema. Quando os Açores apresentam uma taxa de criminalidade de 39,7‰ 1 (muito superior aos 26,5‰ da Madeira), celebrar uma descida residual é ignorar a “cifra negra” dos crimes que a APAV estima sere relativamente aos números que aparecem no papel, e isto porque, ao analisarem-se os registos policiais e os pedidos de ajuda solicitados à APAV, verifica-se que o número de registos é inferior, contudo, as associações de apoio como APAV, registaram um aumento do número de pedidos de apoio, revelando que a estatística indica que o crime não baixou, apenas a confiança nas autoridades judiciais ou a capacidade de resposta diminuiu.
Os Açores não podem, uma vez mais, ser relegados para a condição de apêndice estatístico ou de nota de rodapé no Terreiro do Paço. A nossa geografia arquipelágica, de descontinuidade territorial reconhecida, impõe desafios logísticos e operacionais que Lisboa teima em ignorar sistematicamente. É inaceitável que a Região continue a ser penalizada por um cálculo político cínico, que prioriza a densidade eleitoral em detrimento da necessidade efetiva de segurança.
Não sejamos ingénuos, este viés economicista já se reflete no anúncio feito relativamente ao reforço das Polícias Municipais de Lisboa e Porto, onde o peso dos círculos eleitorais dita a prioridade do investimento. O que o SINAPOL exige é que a segurança dos açorianos deixe de ser aferida pelo coeficiente de deputados eleitos e passe a ser garantida pela vulnerabilidade real do terreno. A proteção de uma vida em Santa Maria ou no Corvo deve ter o mesmo valor político que uma vida em qualquer avenida das cidades de Lisboa ou Porto. A segurança não é um privilégio de quem tem mais votos, é sim, um direito soberano de quem vive em toda a sua extensão de Portugal.
Se o Governo reconheceu, em 2025, a necessidade efetiva de um reforço do efetivo policial, é tempo de passar das palavras aos atos. O fluxo turístico crescente, que em ilhas como São Miguel exacerba as tensões sociais e o custo de vida, exige uma polícia robusta, formada e presente. Na Madeira, o turismo mais consolidado estabilizou indicadores nos Açores, o crescimento desregulado sem o correspondente reforço policial é um convite à insegurança.
O SINAPOL tem sido claro, o otimismo dos gráficos não coincide com o sentimento de quem vive nas ilhas. É preciso parar de usar a segurança como ferramenta de propaganda, já que os números oficiais são apenas a ponta de um icebergue de sofrimento que continua a crescer fora do alcance das métricas.
A insularidade não pode servir de desculpa para o abandono. Exigimos o cumprimento da promessa de reforço de efetivos feita em 2025 e reforçada na Lei do Orçamento de Estado de 2026, garantindo que os agentes nos Açores têm meios para responder à violência grave que atinge picos históricos desde 2015, como é o caso dos registos da VD.
Como cidadão qualificado para analisar este tipo de fenómenos, afirmo que anunciar descidas com “alegria” num território onde o crime contra as pessoas é dos mais altos do país é uma falta de respeito pelas vítimas.
Precisamos de menos comunicados de imprensa e de mais coragem para admitir a realidade. Os Açores exigem investimento, não apenas porque a lei o impõe, mas porque a dignidade das vítimas de violência que sofrem em silêncio no nosso arquipélago não tem preço, nem pode ser ignorada por conveniência parlamentar.
1 A análise foca-se na taxa por 1.000 habitantes. Foram cruzados os dados do INE com o RASI, e daí, percebe-se que, apesar da descida nominal, o risco de ser vítima de crime nos Açores (39,7‰) é quase 50% superior ao da Madeira (26,5‰).

Polícias da esquadra da PSP da Ribeira Grande levaram a cabo uma operação de combate ao tráfico de estupefacientes que culminou na detenção, em flagrante delito, de dois homens, de 47 e de 51 anos, na freguesia da Ribeirinha.
A investigação desenvolvida pela PSP, no âmbito de um inquérito criminal, permitiu apurar as circunstâncias em que os dois suspeitos detidos agiam para a concretização, articulada entre ambos, da venda de estupefacientes, heroína e substâncias sintéticas.
No decurso da operação, e com recurso aos adequados meios de obtenção da prova, foram apreendidos diversos objetos e utensílios utilizados na preparação, acondicionamento e distribuição de substâncias estupefacientes, bem como armas ilegais e munições de arma de fogo.
Paralelamente, foram apreendidas quarenta doses individuais de heroína e cento e trinta doses individuais de droga sintética.
Após serem presentes a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Ponta Delgada, ambos os arguidos ficaram em prisão preventiva, a aguardar os ulteriores termos do processo. No que respeita à brigada de investigação criminal da Ribeira Grande, no âmbito das suas competências de investigação e prevenção criminal, realizou, nos últimos dois anos, oitenta e quatro detenções em operações policiais, maioritariamente relacionadas com o tráfico de estupefacientes, visando a prevenção e repressão de atividades criminosas, tendo sido aplicada a cinquenta dos detidos a medida de coação de prisão preventiva.

Os agentes da brigada de investigação criminal da esquadra de Rabo de Peixe procederam, no final da semana passada, à detenção em flagrante de um indivíduo de 33 anos, suspeito da prática do crime de tráfico de droga. Segundo uma nota informativa do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública (PSP) dos Açores, a operação ocorreu na sequência de uma investigação em curso, culminando na abordagem ao suspeito num jardim público situado na freguesia do Pico da Pedra, no concelho da Ribeira Grande.
No momento da detenção, o homem encontrava-se a desenvolver a atividade ilícita em pleno espaço público, tendo-lhe sido apreendidas 17 doses de heroína e oito doses de uma substância ainda indeterminada, embora as autoridades suspeitem tratar-se de droga sintética. Além do estupefaciente, os agentes confiscaram 107 euros em numerário e uma trotinete elétrica, com um valor estimado de 300 euros, que seria utilizada como apoio à prática do crime.
Após ter sido submetido a primeiro interrogatório judicial perante as instâncias competentes, foram aplicadas ao arguido as medidas de coação de termo de identidade e residência (TIR), a obrigação de apresentações periódicas perante as autoridades e a proibição expressa de frequentar locais referenciados pelo consumo e tráfico de estupefacientes.

António Santos
Presidente do Sinapol – Açores
O Orçamento de Estado para 2026 (OE2026) parecia trazer, finalmente, uma lufada de ar fresco para as forças de segurança na Região Autónoma dos Açores. No seu Artigo 150.º, o documento é peremptório, o primeiro semestre deste ano ficaria marcado por um reforço efetivo de meios humanos, financeiros e materiais para o Comando Regional da PSP dos Açores.
Contudo, quase a meio do semestre, afinal uma vez mais, parece que a montanha pariu um rato. O “grande investimento” material materializou-se, há dias, na entrega de duas viaturas caracterizadas para as Equipas de Intervenção Rápida (EIR) em São Miguel. É este o reforço prometido? Duas viaturas numa única ilha para um dispositivo que se estende por 9 ilhas, 37 esquadras e 4 divisões policiais?
São já duas as décadas de promessas vazias. É urgente que a Direção Nacional da PSP e o Ministério da Administração Interna (MAI) entendam que os Açores são efectivamente um Comandos diferente, uma vez que tem uma particularidade arquipelágica que o distingue dos restantes Comandos de Policia espalhados pelo país, mesmo até do Comando localizado na Região Autónoma da Madeira. O reforço material é, sim, essencial para a operacionalidade e para o policiamento de proximidade, mas importa relembrar que este último não se faz sem polícias.
Há duas décadas que os sucessivos Governos da República alimentam o arquipélago com promessas que ficam sistematicamente aquém das necessidades. O cenário atual não dá esperança aos agentes que, diariamente, se esforçam no combate ao crime e na prevenção rodoviária, muitas vezes em condições que colocam em causa a sua segurança.
Enquanto os lóbis camarários de Lisboa e Porto exercem a sua influência habitual junto do Terreiro do Paço, surge agora a prioridade económica, a gestão aeroportuária.
Pelos corredores do Largo da Penha de França (endereço da Direção Nacional da PSP), já se ouve, que quase metade dos novos polícias que vão terminar a formação no mês de maio, serão canalizados para os aeroportos.
Embora o controlo de fronteiras seja uma missão nobre da PSP, a segurança das nossas populações (do Corvo a Santa Maria), não pode ser sacrificada em nome dos interesses das empresas que gerem os aeroportos. Não podemos aceitar que o policiamento nas esquadras locais seja a “sobra” do que resta após Lisboa, Porto e Faro servirem os seus interesses estratégicos.
Perante esta evidência de que o Governo Central continua a olhar para a segurança nos Açores como um acessório, impõe-se uma pergunta: onde está a voz do nosso Governo Regional?
Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores, não é aceitável que a Região siga a passividade de Lisboa. A segurança pública é um pilar da nossa Autonomia e da nossa coesão territorial. Aceitar que o “reforço” do Artigo 150.º se resuma a migalhas, é validar o esquecimento a que o dispositivo policial tem sido votado.
É hora de o Presidente do Governo Regional exigir de Lisboa um compromisso sério, nomeadamente um real reforço policial de modo a satisfazer as reais necessidades de efetivos em todo o dispositivo policial, de forma que as várias valências da PSP existentes na região, cumpram com a sua missão, e é também necessário que o investimento material chegue às 37 esquadras, e não apenas ao asfalto de Ponta Delgada.
É tempo de exigir que a farda da PSP nas nove ilhas seja efectivamente respeitada com meios e homens, pois a coesão de um arquipélago mede-se pela segurança de quem o habita e não pela passividade de quem o governa.

Dois homens, com 37 e 48 anos, ficaram em prisão preventiva por suspeitas da prática do crime de tráfico de estupefacientes, após terem sido detidos pela Polícia de Segurança Pública (PSP) na freguesia da Matriz, concelho da Ribeira Grande. A medida de coação, a mais gravosa do ordenamento jurídico português, foi aplicada pelo Tribunal de Ponta Delgada após o primeiro interrogatório judicial dos arguidos.
A operação policial foi o culminar de um inquérito criminal instaurado pelo Ministério Público da Ribeira Grande. Segundo as autoridades, a investigação teve origem em informações que indicavam a existência de uma residência na freguesia da Matriz utilizada como base para a comercialização de substâncias ilícitas. Com base nos indícios recolhidos e nos elementos de prova consolidados durante a fase de investigação, a esquadra da Ribeira Grande avançou para uma intervenção direta no local.
No decurso da diligência, os agentes da PSP surpreenderam os suspeitos em flagrante delito. Durante as buscas, foram apreendidas diversas doses de droga de variadas tipologias, além de comprimidos e vários utensílios diretamente associados à atividade de tráfico, como instrumentos de pesagem e preparação das substâncias.
Após a detenção, os dois indivíduos foram conduzidos ao Tribunal de Ponta Delgada para aplicação das medidas de coação. Perante a gravidade dos factos e os indícios apresentados, o juiz de instrução determinou que ambos aguardassem o desenrolar do processo em reclusão. O caso continua agora sob investigação para apurar a extensão da rede de distribuição e o impacto desta atividade na zona norte da ilha de São Miguel.

A tranquilidade da comunidade das Furnas foi abalada este domingo, 15 de fevereiro, com a notícia do desaparecimento de uma imagem de Santa Cecília do interior da Igreja de Sant’Ana. O alerta foi dado às autoridades durante a tarde, confirmando o furto de uma peça de arte sacra com elevado valor devocional e histórico, que se encontrava exposta no altar principal do templo, junto à imagem da padroeira.
A imagem em questão, datada do século XX, é uma escultura em madeira policromada a óleo com apontamentos dourados, medindo aproximadamente 50 centímetros. A peça, que representa a padroeira dos músicos, destaca-se ainda pelo seu resplendor em prata e pelo bom estado de conservação, fruto de uma intervenção de restauro realizada em 2013, em Braga, pelo especialista Domingos Rodrigues Silva.
O administrador paroquial, padre Valter Correia, lamenta profundamente o sucedido, classificando o furto como um “ato grave” que atenta contra a identidade da própria comunidade e fere o património religioso da ilha. No mesmo sentido, a Comissão de Festas expressa a sua consternação, sublinhando que o valor da imagem é imensurável para os fiéis, indo muito além do seu peso material ou financeiro.
Face à gravidade da situação e ao receio de novos incidentes, a Paróquia de Sant’Ana tomou a medida preventiva de retirar do interior da igreja várias outras imagens religiosas e objetos de culto. Esta decisão, segundo os responsáveis, visa garantir a segurança do espólio e evitar que o templo seja alvo de novas incursões criminosas.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) já esteve no local a proceder à recolha de informações e indícios que possam levar ao paradeiro da imagem. As autoridades apelam agora à colaboração da população e dos órgãos de comunicação social para evitar que a peça saia do território da Região Autónoma dos Açores ou seja introduzida no mercado ilícito de antiguidades. Qualquer informação relevante deve ser comunicada de imediato às forças de segurança.

Um homem de 47 anos ficou em prisão preventiva após ter sido detido pela Polícia de Segurança Pública (PSP) na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, no concelho da Lagoa, por fortes suspeitas da prática do crime de tráfico de droga.
De acordo com comunicado do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública dos Açores, a detenção foi efetuada por polícias da Brigada de Investigação Criminal da Esquadra da Lagoa, no âmbito de uma operação direcionada para o combate ao tráfico nos concelhos da Lagoa e da Ribeira Grande.
Após a recolha de elementos probatórios e com recurso a meios adequados de obtenção de prova, a operação policial permitiu apreender 162 doses individuais de heroína, 56 doses de haxixe e a quantia de 2400 euros em dinheiro, além de diversa parafernália relacionada com o crime em investigação.
O arguido foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo a Autoridade Judiciária determinado a aplicação da medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva, face ao quadro de ilicitude apresentado.

Nasceu em Lisboa, no Bairro de Alvalade, em 1978, mas foi nos Açores, mormente em São Miguel, que se estabeleceu profissionalmente, ilha onde ainda hoje reside e exerce a profissão de agente da PSP. Mas Bruno Oliveira também é conhecido pela sua profunda ligação ao futebol e pela dedicação a um part-time que deixa qualquer tipo de viatura como nova.
O resumo da infância vivida na capital portuguesa, antes de rumar à maior ilha dos Açores, é feito na primeira pessoa: “Cresci em Lisboa, num contexto simples, mas muito rico em vivências. Passei grande parte da infância na rua, a jogar à bola e a conviver com amigos do bairro, algo muito típico da época. Foi uma infância marcada por valores como o respeito, a entreajuda e a noção de responsabilidade, muito incutidos pela família. A cidade, com toda a sua diversidade social, ajudou-me desde cedo a perceber realidades muito diferentes”, recordou.
Embalado pelas recordações e com as memórias bem presentes, Bruno Oliveira mostrou ser um homem de convicções fortes, não tivesse ele decidido abraçar uma carreira na Polícia de Segurança Pública (PSP) bem cedo, inspirado pela missão de servir o bem comum.
“A ideia de ingressar na PSP começou a ganhar forma ainda jovem. Sempre tive um forte sentido de justiça e uma vontade genuína de ajudar os outros. O contacto com elementos da polícia e a perceção do papel fundamental que desempenham na sociedade foram determinantes. A estabilidade profissional também foi um fator importante, mas, acima de tudo, pesou a missão de servir a população”, disse.
Quem opta por esta via profissional não espera facilidades no dia a dia. E Bruno Oliveira sabe-o perfeitamente, não apenas pela exigência do serviço, mas, igualmente, pelo diferente tipo de pessoas com que tem que lidar nas mais diversas situações.
Daí reconhecer que o percurso na PSP tem sido “exigente, mas muito enriquecedor, tanto a nível profissional, como pessoal. O trabalho diário envolve contacto direto com o público, prevenção criminal e intervenção em ocorrências diversas”, especificou.
Não raras vezes, Bruno Oliveira lida com “todo o tipo de pessoas”, desde “cidadãos em dificuldade, vítimas, mas também suspeitos da prática de crimes”. É, assumiu, “um trabalho que exige equilíbrio emocional, capacidade de comunicação e tomada de decisão sob pressão”.
Na vida de um agente da PSP o risco está sempre presente. Bruno Oliveira reconhece-o sem rodeios. “Sim! Houve situações em que senti que o risco era real. Faz parte da profissão. Nessas alturas, o treino, a experiência e o trabalho em equipa fazem toda a diferença. O medo existe, mas aprende-se a controlá-lo e a agir com profissionalismo”.
A opção Açores foi como que por arrastamento devido à carreira profissional dos pais. “A ida para os Açores surgiu no âmbito da carreira profissional dos meus pais, através de uma oportunidade de colocação. Foi um desafio grande, não só a nível profissional, mas também pessoal. A adaptação a um novo contexto geográfico e social acabou por ser muito positiva e marcou-me profundamente”, adiantou.
Nos Açores, Bruno Oliveira também se dedicou ao futebol, primeiro como guarda-redes, depois como treinador de guarda-redes. Representou diversos clubes na ilha e, mais recentemente, esteve ao serviço do Operário na qualidade de treinador dos guardiões dos fabris. As recordações são, por isso, muitas.
“O futebol foi sempre uma paixão. Como guarda-redes vivi momentos muito intensos, de grande responsabilidade e superação. Mais tarde, como treinador de guarda-redes, tive a oportunidade de transmitir conhecimentos e ajudar jovens atletas a evoluir, o que foi extremamente gratificante. O futebol galvanizou alguns valores fundamentais como disciplina, resiliência e espírito de equipa”, reconhece.
Entretanto, no último ano, optou por fazer uma pausa para “reorganizar prioridades”. “A pausa prendeu-se, sobretudo, com questões pessoais. Nem sempre é fácil conciliar tudo e senti necessidade de abrandar e reorganizar prioridades. Não foi um adeus definitivo, mas sim um tempo para refletir e recuperar energia”, adiantou.
Pausa no futebol, mas não na pintura automóvel, outra das suas paixões, algo que foi “descobrindo ao longo do tempo”. Primeiro por “curiosidade”, mas depois, com o passar dos anos, “acabou por se tornar uma atividade que me dá grande satisfação. Gosto do lado prático e criativo da pintura automóvel, do cuidado com o detalhe e do resultado final. É uma forma de desligar do stress do dia a dia”, disse.