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Picowines Rali vai contar com 28 formações

© DIOGO BARCELOS/CRIATIVITY ISLAND

A realizar entre 18 e 19 de outubro, a 13.º edição do Picowines Rali, próxima etapa do Campeonato dos Açores de Ralis, organizada pelo Pico Automóvel Clube, vai contar com 28 formações “preparadas para alinhar à partida desta jornada”, segundo comunicado da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting. Lista de equipas inscritas foi publicada esta quarta-feira, 9 de outubro.

Os destaques vão para a presença dos protagonistas do campeonato, com Rúben Rodrigues, campeão absoluto em título e atual líder da tabela classificativa absoluta do campeonato, e Luís Miguel Rego, vice-campeão absoluto em título e atual segundo classificado, assim como vencedor das duas anteriores provas do campeonato, a partir para este rali no Pico com apenas dois pontos de diferença.

Na competição reservada às duas rodas motrizes, há mais em discussão, lê-se ainda: Henrique Moniz, atual líder da classificação e vencedor das duas últimas provas realizadas no campeonato, parte com pontuação igual para Rafael Botelho, “prometendo uma etapa intensa para ambas as formações no Picowines Rali”.

A federação destaca ainda outros aspetos nesta lista de inscritos: ambas a Team Além Mar e Team Lotus apenas apresentam um piloto neste rali, porquanto Bruno Amaral e Bruno Tavares não estão inscritos na prova a disputar na ilha do Pico.

Os campeões em título das duas rodas motrizes, Filipe Marques e Edgar Silva, voltam a tentar mais uma vez a sua sorte e intrometerem-se na luta pelos lugares cimeiros da sua competição. De Santa Maria, os pilotos Max Salvador e André Oliveira fazem estreia neste rali. Max Salvador está com um ponto de vantagem na classificação das duas rodas motrizes sobre Emanuel Garcia, também ele presente. André Oliveira, que foi o melhor mariense e terceiro nas duas rodas motrizes no “seu” Explore Santa Maria Rallye vem tentar impor o seu andamento neste sempre exigente Picowines Rali, pode ler-se, no mesmo comunicado.

O XIII Picowines Rali possui um itinerário composto por nove provas especiais de classificação, que começam a disputar-se na sexta-feira, 18 de outubro, pelas 20h30, com a disputa da prova especial “Largo Cardeal Costa Nunes/Areia Larga”. No sábado, 19 de outubro, está prevista a disputa das restantes oito provas especiais de classificação, com o rali a terminar pelas 17h30 com cerimónia de pódio a realizar na Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico.

Estradas da ilha Terceira voltam acolher caravana do campeonato dos Açores de Ralis

© ÁLVARO MIRANDA/CRIATIVITY ISLAND

É já no próximo fim de semana que se realiza mais uma prova do Campeonato dos Açores de Ralis. Trata-se da quarta das sete jornadas previstas para a edição deste ano, que as 56 formações inscritas vão ter de disputar. Com organização do Terceira Automóvel Clube, o XXVII Além Mar Rali 45.º Ilha Lilás, na Terceira, constitui-se como a próxima jornada.

Divulgada a lista de inscritos da prova terceirense, em nota de imprensa enviada às redações a organização destaca a participação dos protagonistas pelo ceptro absoluto de ralis este ano, nomeadamente as duplas Rúben Rodrigues/António Costa e Luís Miguel Rego/José Janela que são os atuais primeiro e segundos classificados absolutos, distando, à entrada deste rali, uns escassos oito pontos.

Presentes estão igualmente as duas formações que têm vindo a deter mais visibilidade nas últimas duas provas no que às viaturas de tração não integral diz respeito. Rafael Botelho/Rui Raimundo e Henrique Moniz, que neste rali se faz acompanhar pelo experiente Vitor Hugo, prometem voltar a esgrimir argumentos par animar a contenda pela competição, com o campeão de 2023 à espreita, uma vez que Filipe Marques e Edgar Silva também vão à Terceira e vão aproveitar ao máximo qualquer deslize dos homens da frente.

A organização faz nota ainda para a presença de António Dias/Miguel Azevedo, que trazem da Lousada um Volkswagen Polo R5 para fazerem mais um rali este ano, depois da participação no Rali Vinho da Madeira. Bruno Amaral e Paulo Silva voltam igualmente a marcar presença em mais uma prova deste ano. Também o micaelense Sérgio Silva volta a tirar da garagem o Subaru estreado na ilha do Faial este ano, para, com Roberto Pires, cumprirem este rali. O graciosense Cláudio Bettencourt também marcará presença, depois de um interregno feito em algumas provas de 2024.

A edição de 2024 volta a contar com 56 pontos de interesse numa luta que não se faz apenas pelo topo da tabela, mas por todas as classes e grupos, numa prova que se vai desenrolar por dois dias, com disputa de três provas especiais no primeiro dia: Ladeira Grande e duas passagens pela super especial citadina Clubauto. No dia seguinte serão oito as provas especiais a disputar, com dupla passagem, de manhã por Arrochela e Altares, e à tarde, por Cinco Ribeiras e Caminho de Cima. A segunda passagem por Caminho de Cima será o palco da powerstage.

O itinerário idealizado pela equipa do Terceira Automóvel Clube tem extensão cronometrada de quase 81 km, num total de 217,46 km.

Santa Maria Rallye recebe dupla da Madeira Competições

© MIGUEL FERNANDES

O Explore Santa Maria Rally acontece nos próximos dias 9 e 10 de agosto, próximo fim de semana.

A dupla de Madeira Competições, Ruben Santos e Nuno Pereira, vai arrancar a sua prestação no Campeonato dos Açores de Ralis (CAR), edição 2024 no Explore Santa Maria Rali, um regresso ao asfalto mariense cinco anos após a última presença, segundo comunicado da equipa.

A prova organizada pelo Clube Asas do Atlântico tem para o piloto natural da Madeira “um lugar especial na sua memória, pois foi nela que se estreou nas andanças dos ralis como navegador em 2004, e no ano seguinte como piloto. Ruben Santos conta novamente com o navegador Nuno Pereira, uma dupla que se mantém junta desde 2016”, lê-se, na mesma nota.

O regresso à competição e ao Peugeot 106 1.6 acontece em Santa Maria, depois de lograda a participação agendada pela equipa no Rali Ilha Azul no Faial.

Como salienta Ruben Santos, citado na nota de Madeira Competições, “continuamos a ter dificuldades em reunir o “budget” suficiente para levar avante o nosso projecto, a falta de apoios leva a que tenhamos que seleccionar as provas em que vamos participar durante a época”.

Sobre as expectativas da dupla para esta época, Rúben Santos acrescenta: “tenho noção das minhas capacidades e do carro que disponho, que é inferior aos atuais carros das duas rodas motrizes que estão a competir no Campeonato dos Açores de Ralis este ano, mas vamos fazer o nosso melhor já em Santa Maria e nas restantes as provas, tentando sempre terminar no melhor lugar possível e tendo sempre como meta o nosso grupo (X1), na qual vencemos nas duas ultimas épocas e queremos revalidar o titulo no grupo novamente”.

O XLIII Explore Santa Maria Rally conta com um trajecto de 78,46 quilómetros de especiais cronometradas, dividas pelos dois dias de competição. Duas provas disputam-se na sexta-feira, dia 9 de agosto, com dupla passagem pela super especial Explore Santa Maria e as restantes oito provas no sábado, dia 10 de agosto, com duplas passagens pelas especiais São Pedro/Santa Bárbara (PE 3/5), Picos/ Barreiros (PE 4/6), Ginjal/Anjos (PE 7/9) e Salto/Arrebentão (PE 8/10).

A prova desportiva está enquadrada no Campeonato dos Açores de Ralis e no Troféu de Ralis de Asfalto dos Açores e cumpre com os parâmetros da entidade federativa que rege a modalidade, a FPAK.

Gustavo Louro venceu o seu primeiro rali com apenas 19 anos e aos 50 recorda uma carreira de sucesso

Gustavo Louro diz que “o patamar do campeonato dos Açores de ralis em termos gerais está demasiado elevado”. Em entrevista ao DL, o piloto terceirense revela a admiração por Horácio Franco e recorda outros tempos

Gustavo Louro, 50 anos, ganhou o campeonato dos Açores de rali por 6 vezes © CORTESIA CLUBAUTO

Nasceu na freguesia da Conceição, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, em janeiro de 1974. Tem 50 anos feitos e ao longo da sua carreira de piloto ganhou o Campeonato dos Açores de Rali por seis vezes, tendo conquistado o primeiro rali com apenas 19 anos de idade. Os anos que se seguiram de uma longa carreira deixam saudades ao piloto e memórias. Teve como adversários pilotos como Horácio Franco, Licas Pimentel, Fernando Peres, Ricardo Moura, Bruno Thiry e Yves Loubet. 

DL: Como surge na sua vida a paixão pelo rali?
Cresci no meio dos carros, deste o tempo do meu avô que a minha família tinha oficinas e foram representantes de marcas de automóveis. Depois passou para o meu pai e para mim. Estivemos sempre ligados aos automóveis.

DL: Com apenas 19 anos conquistou a sua primeira vitória num rali com um carro inferior aos seus adversários. Como alcançou esse feito?
Os 19 anos era a idade mínima para se poder correr em ralis na altura e tínhamos que ter um ano de carta de condução. No primeiro ano, em que tirei a carta, fiz de carro zero em algumas provas e, depois, com 19 anos fiz a primeira prova do campeonato dos Açores de ralis aqui na Terceira. Foi interessante porque foi com a idade de 19, com o número 19 nas portas, sendo que vencemos por 19 segundos. Preparamos muito bem as coisas, tínhamos essa possibilidade e um carro de treinos muito semelhante ao de prova, um Renault 5 GT Turbo.

DL: Como conseguiu alcançar os seis títulos de campeão dos Açores?
Com muita dedicação, trabalho, esforço pessoal e financeiro, bem como com bons patrocinadores. Ao longo da minha carreira de 20 anos sem interrupções — nos seguintes tive interrupções —, tivemos a sorte e conseguimos estar mais ou menos no topo com carros da geração atual, dentro do que era possível ombrear de igual para igual com os outros pilotos concorrentes nos Açores.

DL: Qual era o piloto que mais admirava?
Dos mais aguerridos e com uma vontade e paixão muito grande foi o Horácio Franco. Para além da nossa amizade pessoal, foi um dos pilotos com quem gostei mais de correr e com quem tive momentos bonitos. Mas, claro, também tive outros concorrentes como o Licas Pimentel, o Fernando Peres e, numa fase final da minha carreira, apareceu o Ricardo Moura mas não tive muitas oportunidades de correr com ele. Foram estes os mais difíceis de bater.

DL: E dos pilotos estrangeiros?
Foram vários. Lembro-me do ano em que ficamos em segundo lugar da geral no rali dos Açores, em que nesse ano ganhou o piloto belga Bruno Thiry, que era muito bom na altura. Também cheguei a apanhar o Yves Loubet.

DL: Há alguma história que o tenha marcado mais?
Pela negativa, um Sata Rallye Açores em que podíamos ter vencido mas na penúltima classificativa — estávamos a liderar a prova com Fernando Peres em segundo lugar —  tivemos uma saída de estrada, na Tronqueira, onde caímos cerca de 30 metros. Felizmente não nos aconteceu nada, embora o carro tenha ficado um bocadinho destruído. Foi triste, pois podia ter vencido o rali na geral. Pelo lado positivo, principalmente o primeiro título, porque foi difícil mas conseguimos.

DL: Na altura existia rivalidade entre São Miguel e Terceira?
Sempre existiu e penso que vai continuar, no desporto principalmente. No que me diz respeito sempre me senti bem em São Miguel, sempre fui acarinhado por muitas pessoas, talvez porque tenha aparecido numa altura em que era muito novo e tentei sempre gerir as coisas desportivamente de uma forma clara e honesta. Nunca tive problemas com os meus adversários e acabei na altura por fazer família em São Miguel. Fiz grandes amigos, sempre fui muito bem recebido.

© CORTESIA CLUBAUTO

“Neste momento o patamar do campeonato de ralis
em termos gerais está demasiado elevado
para a nossa dimensão e poder económico.”

GUSTAVO LOURO

DL: Como encara a situação atual e o futuro do rali nos Açores?
Na minha opinião, neste momento o patamar do campeonato de ralis em termos gerais está demasiado elevado para a nossa dimensão e poder económico. Basta verificar que nos últimos anos há apenas dois pilotos, duas equipas que podem vencer o campeonato. Ou é um ou é o outro, porque o nível está muito acima do normal para a região. Se, por exemplo, acabassem com as quatro rodas motrizes para nivelar o campeonato todo a duas rodas, se aparecesse dez pilotos com hipóteses iguais a tentar vencer uma prova, penso que se ganhava a nível competitivo e desportivo. Talvez aparecesse novos valores.
Quanto ao futuro, sinceramente não vejo nada de muito positivo. Existem poucos pilotos com capacidade financeira. E, depois, toda a logística que é correr nos Açores, pois sai muito mais caro do que correr no Campeonato Nacional devido ao grande problema das deslocações das viaturas e de toda a estrutura. Se não existir um apoio por parte dos clubes e Governo regional, acho que será muito complicado.

DL: Não pensa em regressar ao ralis? 
A tempo inteiro é praticamente impossível. Primeiro, porque já não tenho nem 20, nem 30 anos. E, depois, em termos de estrutura é muito difícil porque é preciso patrocinadores muito fortes, carros que custam muito dinheiro hoje em dia. É muito complicado neste momento regressar a tempo inteiro.

DL: Como encara a situação atual e o futuro do rali nos Açores?
Na minha opinião, neste momento o patamar do campeonato de ralis em termos gerais está demasiado elevado para a nossa dimensão e poder económico. Basta verificar que nos últimos anos há apenas dois pilotos, duas equipas que podem vencer o campeonato. Ou é um ou é o outro, porque o nível está muito acima do normal para a região. Se, por exemplo, acabassem com as quatro rodas motrizes para nivelar o campeonato todo a duas rodas, se aparecesse dez pilotos com hipóteses iguais a tentar vencer uma prova, penso que se ganhava a nível competitivo e desportivo. Talvez aparecesse novos valores.
Quanto ao futuro, sinceramente não vejo nada de muito positivo. Existem poucos pilotos com capacidade financeira. E, depois, toda a logística que é correr nos Açores, pois sai muito mais caro do que correr no Campeonato Nacional devido ao grande problema das deslocações das viaturas e de toda a estrutura. Se não existir um apoio por parte dos clubes e Governo regional, acho que será muito complicado.

DL: Não pensa em regressar ao ralis?
A tempo inteiro é praticamente impossível. Primeiro, porque já não tenho nem 20, nem 30 anos. E, depois, em termos de estrutura é muito difícil porque é preciso patrocinadores muito fortes, carros que custam muito dinheiro hoje em dia. É muito complicado neste momento regressar a tempo inteiro.

DL: Mas se pudesse regressava?
Nunca digo que não a nada e, sinceramente, ainda tenho esse bichinho cá dentro, gosto muito de correr e, por isso, há cinco anos atrás fiz dois ou três ralis. E no ano passado também fiz um. E sempre que surge uma oportunidade com a empresa Clubauto, nós avançamos e estamos sempre prontos a dar o nosso melhor. Se me fizessem um convite, se as condições fossem minimamente parecidas com as dos pilotos da frente, eu aceitava de bom grado.

DL: Se encontrasse um jovem de 19 anos que ambicione ser um Gustavo Louro, o que lhe diria?
Que acredite em si mesmo, primeiro que tudo. E que se reúna, se possível, de bons parceiros e confie nas pessoas certas.