
A Feira “Vem Brincar e Ser Criança” acontece na Praça do Rosário, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, a 1 de junho, para comemorar o Dia Mundial da Criança. No primeiro dia do mês a animação infantil vai alegrar a Praça do Rosário, a partir das 14h00, até às 18h00. A presença da Oficina das Brincadeiras oferece aos mais pequenos: Pinturas faciais, Tattoos e Glitters; Modelagem de Balões; Bijuteria; Brincar com as cores; Dedoches; Ciência; Conheces os Direitos da Criança?; Cerâmica – Faz a tua mão!; Oficina do Doce; Reciclart; Tesoura Mágica; Jogos Tradicionais e Registaqui.
Também para animar a tarde, as crianças podem desfrutar do circuito de pulas pulas que vai estar na principal praça da cidade da Lagoa e da pista de karts. As duas mascotes Minnie e Mickey vão estar igualmente na praça até às 15h30.
Destaque ainda para o espetáculo de Clown “Derrepente em Viagem!” às 15h00, para depois dar lugar, pelas 17h00, à peça de teatro “Os Quatro Músicos de Bremen”, no Cineteatro Lagoense Francisco Amaral D´Almeida, pelo grupo “Vamos Fazer de Conta”. Os bilhetes vão estar disponíveis gratuitamente na bilheteira das 14h00 às 16h45, mas o levantamento terá em conta a lotação do espaço.
Já no dia 2 de junho, a Junta de Freguesia leva a iniciativa, através da disponibilização de pula pulas, nos seguintes locais: Creche O Pardal; Creche O Girassol; CATL CSC São Pedro; CATL O Borbas; CATL CSC Atalhada e ainda na Praça de São Pedro.

O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, presidiu na cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, à dedicação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no passado dia 11 de maio, e na celebração alertou para o problema da perseguição religiosa, sobretudo dos cristãos, em muitos lugares do mundo.
Segundo nota publicada pela agência de notícias Igreja Açores, no seu sítio online, D. Armando Esteves Domingues começou por referir que: “esta igreja tem uma história belíssima e ela é, em cada pedra, a expressão da fé dos que aqui passaram”, mas “a dedicação solene não é uma obra material, não é o melhoramento material mas algo espiritual de todos os que se deixam contagiar por Jesus e depois vão anunciá-Lo para o meio do mundo”.
“Há tantos cristãos, nossos irmãos, impedidos de construir ou de entrar em igrejas, que não podem dizer juntos que crêem neste Deus que a todos acolhe, que não podem rezar, sentar-se e converter-se juntos, que não podem rezar fora das suas casas. Teremos consciência disto ou estamos instalados?” alertou o bispo da diocese açoriana.
“Temos de desaparecer para que fique Cristo”, afirmou, referindo-se a esta celebração de dedicação.
“Nela somos todos benzidos; falamos de todos os sinais de louvor a Deus mas o mais importante para Ele são as pessoas”, disse deixando um apelo: “oxalá aqui nasça comunidade”.
“Depois da missa começa a missão e a religião prova-se no serviço generoso prestado ao homem, sobretudo aos irmãos pobres e abandonados”, salientou enquanto depositou, debaixo do altar, uma relíquia da beata e mártir Maria do patrocínio de São José, uma espanhola que morreu em 1936, inicio da guerra civil espanhola, com 33 anos, quando defendia a sua virgindade.
“Vivemos aqui ritos e gestos muito expressivos”, disse D. Armando Esteves Domingues indicando que a “casa é de todos” e a “iniciativa vem sempre de Deus”.
A celebração da dedicação decorreu da conclusão da primeira fase das obras de restauro da capela-mor da igreja e no início das comemorações do centenário da atual imagem de Nossa Senhora do Rosário, a ser celebrado em outubro de 2026.
Participaram os diversos movimentos paroquiais, as autoridades civis da cidade da Lagoa e a filarmónica Lira do Rosário. O templo, com 252 anos de construção, é dedicado a Nossa Senhora do Rosário.

D. Armando Esteves Domingues, bispo de Angra, vai presidir à solene dedicação da igreja paroquial de Nossa Senhora do Rosário, no próximo dia 11 de maio, pelas 11 horas, informa o Conselho para os Assuntos Económicos da paróquia lagoense.
A celebração da dedicação decorre da conclusão da primeira fase das obras de restauro da capela-mor da igreja e no início das comemorações do centenário da atual imagem de Nossa Senhora do Rosário, a ser celebrado em outubro de 2026.
Participarão os diversos movimentos paroquiais, as autoridades civis da cidade da Lagoa e a filarmónica Lira do Rosário.
O templo, com 252 anos de construção, será dedicado a Nossa Senhora do Rosário, e consagrado o seu altar.
Em nota enviada, indica-se que “a dedicação de uma igreja é uma celebração solene e única, presidida pelo Bispo, toda ela profunda em ritos e sinais, que manifestam a presença e a santidade de Deus, do próprio lugar, sobretudo do altar da celebração da Missa, e de todo o povo santo que nele é Igreja viva e Templo do Senhor. Sobre o altar da celebração serão depositadas Relíquias da Mártir Beata Maria do Patrocínio de São José, carmelita, Virgem e Mártir, espanhola, nascida em 1903, e martirizada em 1936 quando defendia a sua virgindade de dois usurpadores. Recordam-nos o antigo costume dos primeiros cristãos de celebrar a Eucaristia sobre os túmulos dos mártires, aqueles que levaram ao máximo o exemplo de Cristo, que por nós deu a vida”.

A Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário promove no próximo dia 2 de março o já habitual Corso de Carnaval.
Algumas das ruas da cidade da Lagoa, nomeadamente na freguesia do Rosário, vão encher-se de muita cor e alegria, com a passagem do tradicional desfile que conta com a participação de várias entidades e instituições lagoenses.
O corso tem saída marcada para as 16h00, partindo da Praça da Senhora da Graça, sendo que todos os participantes devem se reunir, no final, na Praça do Rosário.
Entre as instituições confirmadas, até ao fecho desta edição, estão a Associação de Pais da EBI de Lagoa, o CATL O Borbas, o Centro Social e Cultural da Atalhada, o Centro Social e Cultural de São Pedro, a Banda Filarmónica Lira do Rosário, uma turma da Escola Francisco Carreiro da Costa e outra da Escola Secundária de Lagoa.
A principal praça da mais jovem cidade açoriana vai ser palco também neste dia de muita animação infantil, bem como da distribuição de malassadas, finalizando com a atuação do grupo musical lagoense Doce Sinfonia.

A relação de João Ponte com a música começou muito cedo. Aos cinco anos, já se destacava no Coro Vozes de Maria, onde iniciou a sua formação artística. Esse foi apenas o primeiro passo de uma jornada que o levaria a explorar diferentes instrumentos e técnicas vocais. Além do coro, também se dedicou ao estudo do trompete no Conservatório e ao piano.
João sempre teve um ambiente familiar favorável à música. Cresceu num contexto em que a igreja e o coro desempenhavam um papel central, o que o motivou a buscar mais. “A música sempre foi um hobby para mim, uma maneira de fugir à realidade, de me desconectar”, revela. Embora nunca tenha visto a música como uma profissão no início, o talento e a dedicação começaram a dar frutos.
Durante a semana, é formador na Escola Profissional de Nordeste, tendo já passado por diversos estabelecimentos de ensino. É também professor de canto e técnica vocal e de coro na Academia de Música da Povoação. Nos fins de semana, é organizador de eventos. Para além destas atividades, aposta na sua carreira como solista, participando em vários eventos. É também membro de várias academias e instituições culturais, nomeadamente a academia Musical de Lagoa.
Além da sua formação na música, João também investiu na sua educação académica. A sua paixão pela comunicação era evidente desde os tempos de escola, quando começou a escrever um blog. João, inicialmente, sonhava ser hospedeiro de bordo. No entanto, a sua vida tomou rumos diferentes. Após licenciar-se em Comunicação Empresarial, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, em 2019 seguiu para o mestrado em Comunicação, Redes e Tecnologias, também no Porto. Porém, nunca abandonou a música. Ainda em 2016, frequentou o Conservatório de Vozes e Artes Performativas do Porto, no Curso de Canto e Técnica Vocal.
Foi nesse ambiente que João começou a integrar diversos coros, como o Coro Litúrgico Universitário do Porto, o Magma Gospels, Vocare Gospel Choir, entre outros. Esses projetos deram-lhe visibilidade como intérprete e abriram portas para a sua carreira solo.
Foi também naquela cidade do norte que o cantor açoriano teve oportunidade de ser por duas vezes protagonista do musical “Beauty and the Beast”, apresentado no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, destaca João Ponte.
A atuação em 2023, como solista na gala de aniversário do Jornal LusoPresse, em Montral, no Canadá, foi também outro momento importante na sua carreira, mas no seu portfólio constam dezenas de atuações como cantor.

Para o jovem tenor lagoense, a música é uma forma de liberdade: “a música significa poder ser livre. Posso criar o que quiser, sem ter que seguir uma linha rígida”, afirma. Esse desejo de liberdade é o que o impulsiona a explorar diversos estilos e formatos dentro da música, como ópera e musicais.
João também se destaca no teatro musical, uma área que começou a explorar mais recentemente, em parte graças ao trabalho com a professora Isabel Maia e o diretor Paulo Ferreira. “Foi aí que as portas realmente começaram a se abrir para mim no meio artístico”, comenta.
Quando questionado sobre com que área mais se identifica, João Ponte responde de forma sincera: “não me conseguiria desprender de nenhuma delas. Vivo da música, mas o trabalho como formador dá-me uma segurança financeira.” Acredita que o equilíbrio entre as várias atividades é o que o permite viver de forma mais intensa e gratificante.
João Ponte observa na sua carreira multifacetada como uma forma de se manter em constante evolução: “não tenho um único caminho. A música, os eventos, o ensino, tudo isso ajuda-me a crescer e a desafiar-me”.
Apesar da sua idade, o jovem cantor diz-se grato por tudo o que conseguiu até aqui e pela oportunidade de explorar tantas áreas: “em 26 anos, já fiz tanta coisa, e sou muito grato por isso”.
O cantor também reconhece a responsabilidade que essa notoriedade traz. A ligação com sua cidade é forte, e ele sente que tem de representar a sua comunidade de forma digna. “Ser natural do Rosário tem me dado muito peso nos ombros, mas no bom sentido. Sinto que tenho uma responsabilidade para com a minha terra”, afirma. É também a Lagoa que lhe tem proporcionado várias oportunidades na música, destaca ainda o cantor.
Com um futuro promissor pela frente, João Ponte continua a viver a música como uma verdadeira forma de expressão e liberdade.

A Junta de Freguesia do Rosário vai dinamizar a quarta edição do concurso “Carta ao meu Amor”. Os interessados em participar devem escrever uma carta romântica e criativa, indicando no fim o seu nome e contacto. Num envelope fechado, deve deixar a carta na caixa do concurso, localizada na Junta de Freguesia do Rosário, até 13 de fevereiro. O concurso destina-se a maiores de idade e residentes no Rosário. As seis cartas mais criativas serão premiadas, nomeadamente com uma noite em hotel (1.º lugar), massagem para casal (2.º e 4.º), e jantar para duas pessoas (3.º, 5.º e 6.º lugares).
A Junta de Freguesia do Rosário continua a apostar em formações de desenvolvimento pessoal gratuitas para a população. Novamente com a formadora Brigitte Cabral, fundadora da Unloose, a nova sessão aconteceu no passado dia 31 de janeiro, nas instalações da Junta de Freguesia e teve como tema “O narcisismo pode estar mais perto do que imagina”. A sessão de desenvolvimento pessoal ajudou os participantes a identificar sinais e a aprender a cuidar de si em relações desafiantes.

A igreja de Nossa Senhora do Rosário, junto à principal praça da cidade da Lagoa, recebe o concerto de Ano Novo no próximo dia 3 de janeiro, pelas 20h30. O acontecimento cultural assinala a entrada no novo ano na freguesia.
No mês passado, em plena quadra natalícia, a presidente de Junta, Lucrécia Rego, visitou e distribuiu chocolates pelos grupos de catequese da paróquia e, também, percorreu algumas ruas da freguesia acompanhada por vários personagens de desenhos animados, onde conta ter havia tempo para “muitos abraços e sorrisos” com a população da freguesia.
Ainda na praça, a Pista de Gelo continua a ser atração principal para o público em geral, pois está disponível até ao próximo dia 5 de janeiro, das 18h30 às 22h00. Para ATL´S, outras associações e grupos continua até ao dia 6 de janeiro, das 14h00 às 18h30.
Na rua do Espírito Santo, o cine-auditório Lira do Rosário continuará a disponibilizar todos os domingos, pelas 17h00, as sessões de cinema, num serviço gratuito, por parte de José Castelo Borges. O lagoense, natural da freguesia de Nossa Senhora do Rosário, foi homenageado pela Câmara Municipal da Lagoa, no mês passado, tendo a autarquia avançado que neste ano de 2025 pretende aprovar uma medalha de mérito a José Castelo. A tradição das sessões de cinema na Lagoa, em 2025 mantém-se também com a projeção de filmes no cineteatro lagoense Francisco D´Amaral Almeida, num complemento às matinés de domingo do cine-auditório da banda Filarmónica Lira do Rosário.

A Praça de Nossa Senhora do Rosário encheu-se para receber a Noite do Pãozinho e Chá Quentinho, no passado dia 26 de outubro. No serão, animado pelo grupo 100 Sentido, a população pôde saborear chá, bem como pão quente, acompanhado por vários condutos à disposição.
Para comemorar o Natal, serão muitas as atividades que vão acontecer na freguesia do Rosário. No dia 7 de dezembro, pelas 18h30, terá lugar a abertura da iluminação e parada de Natal. Dá-se depois a abertura das lojas natalícias e da Casinha do Pai Natal com figuras da Disney. Pelas 20h30 acontece a abertura da pista de gelo e bumper cars, para de seguida acontecer o espetáculo do Clube de Patinagem de Santa Cruz. Vai decorrer também animação com “ Os duendes de Natal” e ensemble de saxofones da Estrela D’Alva.
A animação festiva vai continuar no dia 8, ainda com passeios de lagarta, de pónei, atividades infantis diversas, atuação do Grupo Som do Vento, do Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz, entre outros eventos.
A 21 de dezembro, pelas 21h00, a igreja de Nossa Senhora do Rosário recebe “Uma memória de Natal em concerto”. Já em 2025, a 3 de janeiro, também na igreja do Rosário, tem lugar o concerto de ano novo, pelas 20h30.

Contar isto, de uma maneira ou de outra, trará, aos presentes leitores, uma ligeira sensação de abandono. Ainda assim, este conto passa-se no Verão de 2001, na casa dos meus avós maternos, por baixo de um Sol abrasador. Situando-me, eu, no espectro temporal de me ver, assim, de súbito, desprovido das mais vivas sensações soalheiras, fui, por força, impelido, pelo meu Avô António Tavares a caminhar rua abaixo – e, por entre passeios, vi-me sozinho. O objetivo – dizia, repetidamente, o meu Avô – era o de chegar ao STOP, e de parar aí. Mas, naquele lugar a meio caminho, a minha súbita abstração numa qualquer sensação de insegurança impôs-se e tive de fugir, rapidamente, para trás – para os braços do meu Avô. Tentaremos noutra altura; noutro dia, de novo.
E chegou, passados dois dias, a chance de voltar a tentar: o objetivo, esse sempre o mesmo, era o de chegar, sozinho, sem mão ‘amarrada’ à minha, ao sinal de trânsito mais próximo, no final da rua. Seria uma vaga esperança, que me inundava o peito e se confundia com o chilrear dos melros nas árvores, que me fariam anuir a outra tentativa. Ninguém mais o faria por mim, senão o meu avô António; afinal, quem é que perde o seu precioso e magnânimo tempo a tentar fazer alguém chegar ao sinal de trânsito mais próximo? Ninguém no seu perfeito juízo; só o meu Avô, suficientemente “louco” para isso. Seria, de novo, nessa noção de que as pessoas são os momentos; e os momentos fazem as suas, as nossas, pessoas que me voltaria de novo para o meu Avô, a meio do trajeto, e correria para os seus braços. A chorar e com medo da solidão daquele trajeto de abandono. O meu Avô, apertando-me os braços com as duas mãos e pondo-se de joelhos, firme pronunciava que, no dia seguinte, voltaríamos a tentar. E lá, a meio da tarde, daquele Verão de 2001, voltávamos a tentar; a falhar e a ruir o nosso próprio caminho, entre um trajeto tão inseguro. E foram assim, continuamente, com mais ou menos choro, e muitas ansiedade, se passando dias e dias. Afinal, a maioria, naquele tempo e lugares, e perante aquele contexto, já havia desistido. Mas o meu Avô não, ele continuava, sempre, seguro na sua de que, um dia, haveria sozinho de chegar ao sinal de trânsito ao final da rua. Seria a uma sexta-feira que, voltando da escola, o meu Avô me propôs, calmo e com muita serenidade, que tentássemos de novo. Com a mão – a minha – segura à dele, propôs, então, que fosse, passo a passo, como quem se não segurava a nada e caminhava sobre uma ponte quase a ruir, até ao sinal de STOP, no fim da rua. Parecendo-me, quase a desistir daquela missão, um objetivo nada palpável, nem real, fui, interiormente, passo a passo, até dar o primeiro passo daquele longo trajeto. A meio dele, senti uma sensação, lá está, de solidão despovoada, de abandono e de insegurança que, num clima de ansiedade precipitando-se sobre os meus braços, pernas, peito, garganta e, sobretudo, a minha mente, consistiam no cenário de tentação absoluta em voltar para os braços do meu Avô. Mas não voltei. Segui, passo a passo, um passo de cada vez, em frente. E, aí, a escassos dois metros de distância do STOP (um recorde mundial já batido, para mim), e quase a desmaiar de ansiedade, parei. Pensei, para mim, que aquilo, ali, não teria significado nenhum para ninguém, senão – ao menos – para o meu Avô, que o queria deixar contente e orgulhoso de mim. E dei mais um passo sobre a corda ténue e trémula do destino. Aí, tornei a parar, parecendo-me tarde de mais para conseguir, e alternando na incerteza, nova, daquele sucesso tão perto, ouço o meu Avô ao longe: – “Está quase, só mais um bocadinho!” Fecho os olhos. Tremo. E prossigo. Cheguei, ao fim de dois meses de tentativas, ao STOP. O meu avô, ao meu toque no sinal, corre ao meu encontro e, com um forte abraço, selámos a nossa eterna amizade.
Fiquei a conhecer o meu avô nesse momento, e, agora, quero que todos o conheçam como eu o conheci também. Um homem absolutamente confiante no seu neto e que, talvez, e não desistindo dele, o tivesse feito avançar tanto no seu Caminho.
Com o seu falecimento, no passado dia 26 de Novembro de 2024, ficou um vazio difícil de preencher na minha vida. Terei, como ele me ensinou, de caminhar sozinho daqui para a frente. Mas na certeza, absoluta, de que ele me continuará, sempre, a guiar.

Padre André Furtado
As palavras são poucas, para expressar tudo aquilo que hoje sinto no meu peito. Hoje a nossa comunidade reúne-se à volta do mesmo altar que há 41 anos atrás, viu um filho ilustre desta terra oferecer o santo sacrifício da missa pela primeira vez. A história do ano 1983 volta a ser vivida na nossa terra.
Meus Amigos: louvado seja o nosso bom Deus. Dou início a este agradecimento citando São João Maria Vianney: O padre não é para si. Não dá a si mesmo a absolvição, não administra a si mesmo os sacramentos. Ele não é para si, é para vós, povo de Deus. Neste fim de tarde, não há melhor forma de dar graças a Deus pelo dom da vida e do sacerdócio do que estando reunidos à volta do altar – celebrando a Santa Missa: ela própria é ação de graças por tudo o que ele fez por mim e faz por cada de um de nós. Foi Deus, que me chamou e me predestinou, na minha forma de ser, para cuidar dos seus bens e amuniciar a todos a salvação. Posso assim dizer que foi Deus que lançou sobre mim o seu olhar, olhou para a minha miséria e me chamou, ao longo de vários anos e continua a chamar-me: e hoje e sempre quero estar reclinado no peito de Jesus, como diz o lema para o meu ministério, extraído do exemplo e do testemunho do evangelista João: In sinu jesu
O caminho não foi e nem será fácil – obrigado a todos os que nunca duvidaram e sempre me apoiaram desde do primeiro dia – mas sei que terei sempre um lugar para reclinar; caminho este que continuarei a trilhar, na certeza de que é Cristo que me conduz. Muitos foram os que contribuíram para que hoje eu pudesse subir a este altar e oferecer pela primeira vez a santa missa, e realizar este sonho. É bom sonhar, e nunca se proíbe alguém de sonhar. No dizer do poeta “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”.
Neste sentido, sou grato a D. Armando, pela amizade e por me admitido ao sacramento da ordem e a todo o presbitério aqui presente, mas também o ausente, pelo acolhimento e amizade. Quero caminhar convosco e juntos, animados pelos Espírito Santo, trabalharemos por uma melhor fraternidade para levarmos o santo povo fiel até Deus. A fim de sermos uma Igreja que acolhe todos, sem exclusões, porque todos somos filhos de Deus. Não fiquemos pela superfície na forma de rezar ou até mesmo de celebrar; excessivamente preocupados ora com a nobreza ora com a simplicidade no culto divino ao invés de nos convertermos cada vez mais, importa sim um coração bom, humilde e generoso. Sejamos realmente Igreja. “Pobres sempre os tereis, mas nem sempre me tereis convosco.” – disse Jesus sobre a pecadora que lhe ungiu os pés com o perfume caro.
Aos sacerdotes que por cá passaram e aos meus párocos que contribuíram para a minha formação: Pe. João Leite, Pe. António Varão, que partiram para a eternidade, Pe. Silvano, Pe. Nelson Vieira, Pe. João Miguel, Pe. Rui Silva, aqui presente obrigado pelo vosso testemunho de amizade. Perdão pelas vezes em que não fiz melhor.
Ao Seminário de Angra, às equipas formadoras, funcionários e seminaristas. Obrigado por tudo. Mas deixai-me salientar dois nomes, a quem devo pedir desculpa, aos meus diretores espirituais- ao Pe. Gregório pelos cabelos que lhe fiz perder, por ter dado cabo de sua paciência; e ao Pe. Nelson pelas noites mal dormidas. Mas obrigado pela vossa paciência, misericórdia, ternura, testemunho e dedicação a nós enquanto seminaristas.
Um obrigado às comunidades da ilha terceira que ao longo do meu percurso no seminário me acolheram: São Bento, Terra Chã e 5 Ribeiras, Posto Santo, Fonte do Bastardo e Porto Martins.
Aos meu colegas e amigos de jornada ao Gonçalo Brum, o Leonel e Rui: ups: Pe. Leonel e Pe. Rui Pedro. Obrigado pela vossa amizade; perdão por algumas vezes não ter sido melhor convosco. Ficará para história, 7 anos + 1, longas e maravilhosas histórias, e deixa-me fazer referência a algumas: longos serões a traduzir latim “é cma água… mas tudo mal”; vários teste ad hoc por andarmos na galhofa; um lagarto apanhado e lançado no quarto do Rui; um objeto não identificado que cai na testa do Rui; serões de chá com bolos levedos; aulas não concluídas, ups…. Se o padre Cipriano cá estivesse, iria dizer neste momento: eles estão bem é no sofá: Obrigado Pe. Cipriano, Pe. Ângelo que contribuiriam para a nossa formação e que já não estão entre nós. E muitas mais histórias ficam por contar, mas ficam registadas na nossa memória e muitas mais iremos escrever, de uma turma unida.
Um agradecimento amoroso e profundo á minha família, aqui presente e que nos vê pelas redes sociais. Obrigado pelo vosso amor e compreensão. Sem vós não seria o que sou hoje. Muito mais poderia dizer, mas hoje só digo isto: obrigado! Aos meus padrinhos de ordenação diaconal e presbiteral, obrigado por tudo. Pelo apoio, pelo ombro amigo… onde muitas vezes sentistes o meu cansaço e desânimo.
A esta comunidade que é a minha comunidade, sob a proteção da Senhora do rosário, o meu obrigado. Obrigado pela vossa presença e apoio ao longo desta caminhada. Um obrigado também à comunidade da nossa Matriz de Lagoa, a ambas agradeço a oferta. O cálice que hoje foi elevado, foi oferta das nossas comunidades: Santa Cruz e Rosário. Bem como as galhetas – uma oferta anónima. Um obrigado a todos os que, mesmo de forma anonima contribuíram para a confeção deste novo conjunto de tolhas que ficam para o serviço litúrgico da nossa igreja. Um obrigado pela ornamentação e limpeza da mesma.
Obrigado à Câmara Municipal de Lagoa e Junta de Freguesia do Rosário, pelo apoio na logística da missa nova e pela ornamentação do tapete para a procissão, bem como a todos aqueles que me acompanharam em procissão desde da minha casa até a nossa igreja, de modo especial às Bandas filarmónicas: Lira da Estrela – Candelária e Lira Nossa Senhora do Rosário.
Um agradecimento especial ao Pe. Eurico, pela amizade e estima. Obrigado pela organização da liturgia. Neste sentido estendo o agradecimento ao Afonso (seminarista), pela organização da música, pelas composições e harmonizações que fez para este dia. E acrescento ainda o Rogério e a Mariana Almeida pelas suas respectivas harmonizações. À professora Cármen Subica que dirigiu e preparou o coro composto pelo nosso orfeão, pelo coro da Matriz de Lagoa, pelo Coro de Nossa Senhora das Candeias, e amigos e esta pequena orquestra. A todos estes homens e mulheres, jovens e adolescestes: Obrigado pela vossa dedicação para este dia, e pelo vosso serviço prestado na animação litúrgica. Como disse Santo Agostinho, doutor da graça: quem canta reza duas vezes. Amigos, que a vossa vida seja sempre escrita numa pauta com tom maior… e quando começar a modular para tons menores… temos sempre uma borracha para reescrever em tom maior.
Agradeço aos meus queridos acólitos: do Rosário, Santa Cruz e da Zona Oeste PDL. Estendo este agradecimento a toda a Zona Oeste da Ouvidoria de PDL, pelo acolhimento e amizade a começar pelo senhor ouvidor Pe Marco Sérgio e sacerdotes da Zona Oeste: Pe Nuno Maiato e Pe. João, mas de forma especialmente afetuosa ao pe Nuno Maiato que me acolheu neste ano de estágio. E sublinho três das minhas seis comunidades: Feteiras, Candelária e Ginetes – foram as primeiras. Obrigado pelo vosso carinho e estima, ao longo deste ano de estágio e por estarem presentes neste dia tão especial para mim: Obrigado
Não posso deixar de passar este dia sem agradecer a todos os meus professores desde da pré até ao meu secundário: mas de forma especial a um professor que foi importante na minha decisão de entrar no seminário: Prof. Vítor Simas, a todos o meu muito obrigado.
Um agradecimento, aos catequistas que contribuíram para o meu crescimento na fé: Ana Medeiros e Lurdes, Antonieta, Graça Borges, Ana Rego, Márcia Raposo, Lucrécia e Eduarda, Leonor, José Reis, Luísa e Marco. Ao grupo de romeiros, aos coros: vozes de Maria, Orfeão, grupo de jovens, bem como a todas as associações escolares, culturais, recreativas e desportivas da nossa cidade de Lagoa que ao longo dos tempos contribuíram para a minha formação humana.
A todos, os benfeitores conhecidos e desconhecidos, obrigado pelo vosso apoio quer material, quer espiritual.
Sei que o Senhor não me chama para fazer coisas grandes ou ter grandes ideias. Sei que se serve de mim para ser seu instrumento no meio dos homens. O Senhor não conta com as minhas qualidades e capacidades que são poucas. E isto porque para ser padre é não é ser eu, mas ser Cristo e tornar Cristo presente no meio de nós. Oferecer a santa missa, administrar os sacramentos, anunciar o Santo Evangelho com toda a sua pureza íntegra e radicalidade. É a missão que Deus me confia agora. Tornar Cristo presente no meio dos homens. Ser um outro Cristo em Cristo. Desejo ardentemente ser esta ponte entre Deus e os homens. Ponte pela qual os homens se reconciliam com Deus, ponte por onde as almas chegam até Deus e nele encontrem felicidade. Para cumprir tão exigente missão, sou chamado a orar sem desfalecer. Orai também por mim para que eu seja um sacerdote santo e fiel enfim um sacerdote completamente configurado com Cristo.
Assim Deus me ajude e a Sua e nossa mãe aqui invocada, a Senhora do Rosário, interceda por mim a fim de que tudo concorra para maior gloria de Deus, nosso Senhor.