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Convento de Santo António recebe lançamento do livro “Um Valonguense nos Açores”

Um novo talento emerge nos Açores, mas nem tudo foram flores no caminho. José R. Pinto Guimarães, nascido em Valongo mas radicado na Lagoa, revela a sua veia poética no próximo sábado

José R. Pinto Guimarães nasceu a 8 de maio de 1958 em Valongo mas escolheu a Lagoa para viver © CLIFE BOTELHO

O Convento de Santo António, na freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, recebe no próximo sábado, 2 de agosto, pelas 21h00, o lançamento do livro “Um Valonguense nos Açores”, de José R. Pinto Guimarães.

A entrada é livre e, no final, será servido um cocktail oferecido pelo restaurante Q’énosso. As flores que o autor não dispensa e que estarão a embelezar a sala são uma oferta do Jardim Campo. Foi, assim, através de apoios privados que o autor diz que conseguiu publicar a obra.

José R. Pinto Guimarães, autor de poesia, reformado e natural de Valongo, onde nasceu em 8 de maio de 1958, está radicado na cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, Açores. Segundo o prefácio do seu livro, “encontrou na escrita poética a expressão de uma vida marcada por experiências profundas, desafios e reencontros”.

“Poeta desde sempre, só agora, com o apoio da sua companheira e o acolhimento dos Açores, teve a coragem de publicar o seu primeiro livro”, lê-se na nota da obra.

O Diário da Lagoa (DL) esteve à conversa com o escritor na Praça de Nossa Senhora da Graça, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, onde revelou que o primeiro contacto com o arquipélago açoriano aconteceu em 1998, tendo ao longo dos anos tido a oportunidade de viajar pelas diferentes ilhas até se estabelecer em definitivo mais recentemente.

O autor conta que a obra só foi possível graças “a alguma criatividade”, ou seja, aos patrocínios de empresários locais, açorianos e de Valongo, a quem dedica alguns poemas em agradecimento.

A ideia partiu da sua companheira: “Ela é que me influenciou a escrever o livro. Ela é que me deu a ideia dos patrocínios. Ela é, portanto, tão importante quase como eu neste livro.”

No entanto, José R. Pinto Guimarães crítica a falta de apoio das entidades públicas locais e regionais, mostrando-se prejudicado pela alteração de última hora do local de lançamento. Inicialmente, a apresentação estava prevista para o Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida.

A alteração deveu-se ao facto do Cineteatro Lagoense ter entrado em obras, o que leva o escritor a reclamar: “Imagine-se o transtorno que isto é, e o prejuízo a nível de venda de livros”, enquanto salienta que vive uma vida humilde e sem capacidade para grandes despesas.

“Traz consequências, porque eu gastei, do meu miserável orçamento, muito dinheiro em cartazes”, diz, enquanto lamenta que só foi informado “a oito dias do evento”.

Sobre a solução, revela que já chegou a um entendimento com a autarquia lagoense, mas faz questão de alertar para que, no futuro, mais ninguém sofra a mesma situação.

José R. Pinto Guimarães contou-nos a sua história de vida, a de um lutador que venceu a batalha contra o cancro por quatro vezes.

“Eu sou lutador, é assim que me reconhecem. Não viro a cara à luta”, atira quando questionamos como conseguiu manter a garra pela vida que demonstra.

No próximo dia 4 de agosto, dois dias depois, o livro será apresentado também na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, às 21 horas, com entrada livre. E a 19 de setembro, em Valongo, no continente, na terra natal do autor.

Não perca a reportagem completa sobre o autor e lançamentos na edição de setembro do DL.

Lagoa vai ter três novos projetos comunitários

© CM LAGOA

Este sábado, 12 de julho, decorreu na junta de freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, a apresentação pública de “três projetos fulcrais para esta freguesia, mais precisamente um Centro Comunitário dos Remédios; um Centro Comunitário e Sede de Escuteiros de Santa Cruz e um edifício de Apoio ao jardim do convento de Santo António”, refere a Câmara Municipal de Lagoa em nota de imprensa.

Nos Remédios, a antiga escola primária vai ser requalificada e transformada num centro comunitário, em que irá integrar valências sociais e uma cafetaria. Este espaço irá dar apoio à comunidade local e vai contemplar uma sala para aluguer, nomeadamente para eventos para os lagoenses. Existirá também um gabinete de apoio à junta de freguesia e contará com um espaço de cafetaria, para servir a população e colmatar a falta que existe neste lugar.

O polidesportivo de Santa Cruz, vai ser, igualmente, requalificado, passando a ser um Centro Comunitário e Sede de Escuteiros da freguesia. Assim, será construído um edifício de dois pisos, em que os balneários serão reabilitados, mas continuarão a ser de acesso público e existirá, também, uma sala de apoio para a comunidade. Será, ainda, entregue a sede ao Agrupamento 1290 de Santa Cruz, para realizarem as suas atividades. Dada a proximidade com o convento de Santo António, este projeto já se encontra validado pela Direção Regional da Cultura garante a autarquia lagoense.

No jardim do convento de Santo António será construído um edifício de apoio, sendo para tal requalificado o antigo posto de artesanato, em que será também edificado um espaço de cafetaria, com esplanada com vista para o mar, onde está previsto um serviço de refeições ligeiras. Esta intervenção contempla ainda a construção de novas instalações sanitárias que ficarão abertas à comunidade e uma sala de apoio a atividades sociais e recreativas. Está também prevista a ampliação do parque infantil existente.

A intenção da Câmara Municipal de Lagoa e da junta de freguesia de Santa Cruz passa por avançar em breve com essas três intervenções que “são estruturantes para Santa Cruz, pois promovem a coesão e dignificam a freguesia através de um desenvolvimento sustentável, em prol da comunidade, nomeadamente das famílias, crianças, jovens e seniores do concelho”, conclui a autarquia.

Lagoa recebe Wave Jazz Ensemble no convento de Santo António

© DIREITOS RESERVADOS

O claustro do convento de Santo António, na freguesia de Santa Cruz, cidade da Lagoa, vai receber o concerto Wave Jazz Ensemble, que terá lugar no próximo dia 18 de julho, pelas 21h30.

Segundo comunicado da Câmara Municipal de Lagoa, a iniciativa acontece no âmbito das comemorações dos 25 anos do Festival AngraJazz.

“Trazendo a magia do jazz a um dos sítios mais emblemáticos do concelho, este espetáculo promete uma noite envolvente, marcada por ritmos sofisticados e melodias intensas, numa simbiose perfeita entre a história do espaço e a liberdade criativa do género musical”, refere a autarquia lagoense na nota de imprensa.

O Wave Jazz Ensemble é um quinteto composto por músicos do panorama jazzístico nacional: Paulo Borges no trompete, Rui Melo no saxofone, Antonella Barletta no piano, Antero Ávila no baixo elétrico e Nuno Pinheiro na bateria.

Este concerto integra-se na programação cultural da autarquia da Lagoa que justifica como “uma oportunidade única para o público local e visitantes usufruírem de um momento artístico de elevada qualidade, num cenário intimista e histórico”.

A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço.

Festas em honra de Santo António foram um sucesso em Santa Cruz

© DL

As festas em honra de Santo António voltaram a abrilhantar o concelho da Lagoa, ao trazer muita alegria, brilho e centenas de pessoas à freguesia de Santa Cruz. 

A Junta de Freguesia de Santa Cruz em parceria com a Câmara Municipal de Lagoa, prepararam um programa festivo diversificado, com o intuito de continuar a enaltecer esta festa e divulgar o que de melhor se faz na freguesia. 

O cartaz das festas contou com várias atuações de artistas/grupos locais e ainda, artistas nacionais, nomeadamente, os “Sons do Minho” e o Tony Carreira.

Considera-se os pontos altos destas festividades, os Casamentos de Santo António e o tradicional, Desfile de Marchas Populares, que levam centenas de marchantes à rua, a entoar cânticos ao Santinho Popular. 

Este ano, a Feira de Artesanato realizou-se no interior do Jardim dos Frades, o que possibilitou a divulgação dos trabalhos de alguns artesãos locais e dos arredores, que contribuíram para de alguma forma, enriquecer o recinto da festa, com a diversidade de trabalhos expostos. 

A Junta de Freguesia voltou a desafiar a população de Santa Cruz, a decorar as suas varandas, através da iniciativa “Varandas Populares”, foi notório o empenho e dedicação da comunidade, houve uma maior adesão a este projeto, que muito nos orgulha, por envolver as pessoas na decoração e embelezamento da freguesia para os dias de festa.

Lagoa tem dois novos campos de padel

© DL

Foram inaugurados dois campos de padel junto ao Polidesportivo na freguesia de Santa Cruz, na cidade da Lagoa. Trata-se da proposta vencedora do Orçamento Participativo da Lagoa em 2024.

Os novos campos desportivos, localizados no coração de Santa Cruz, junto ao convento de Santo António, passam a disponibilizar uma infraestrutura moderna e acessível para a prática de padel.

Segundo comunicado da autarquia lagoense, trata-se de um investimento autárquico realizado com o apoio dos funcionários da Câmara Municipal, que cumpriram com êxito a missão de disponibilizar esta prática desportiva já no início do verão.

Como forma de iniciar esta modalidade na Lagoa, entre os dias 10 e 15 de junho, no recém-inaugurado campo de padel, irá decorrer a primeira edição do Torneio de Padel de Santo António, um evento a cargo do Clube de Ténis Cidade da Lagoa, em parceria com a Câmara da Lagoa e da Junta de Freguesia de Santa Cruz.

O torneio será disputado nas variantes pares masculinos e pares mistos e irá acolher entre 8 e 16 pares, nas duas variantes, em jogos que serão disputados ao final do dia. Serão atribuídos prémios aos dois primeiros classificados do quadro principal de cada variante e do quadro de compensação, caso se dispute.

Projeto pioneiro nos Açores quer transformar Janela do Inferno em trilho único na região

Alunos da Universidade dos Açores recolheram dados junto da população. Um dos principais objetivos do projeto é melhorar a relação da população do lugar dos Remédios com o seu trilho que é procurado por centenas de turistas

Professor e investigador Eduardo Marques apresentou o resultado do trabalho dos alunos nos Remédios© CLIFE BOTELHO

Chama-se “Trans-Lighthouses, Para além do verde: Faróis de soluções transformadoras baseadas na natureza para comunidades inclusivas”. Trata-se de um projeto de investigação à escala europeia e que, nos Açores, é liderado pela Universidade dos Açores em consórcio com outras entidades locais e com um único local a estudar: os Remédios da Lagoa, mais concretamente, tudo o que inclui e envolve o trilho da Janela do Inferno, localizado naquele lugar lagoense, para onde são atraídos, diariamente, centenas de turistas, em época alta. “A ideia é que este nosso trilho, o trilho da Lagoa, não seja só um trilho, queremos que possa ser um trilho diferente, diverso, único, na região dos Açores e que possa ser uma solução para outros problemas sociais complexos”, começa por explicar Eduardo Marques, professor e especialista em serviço social na Universidade dos Açores (UAc), ao Diário da Lagoa (DL). A conversa com o DL decorreu no lugar dos Remédios, na primeira assembleia participativa do projeto, no passado dia 17 de maio, dia em que foi inaugurada também uma exposição onde constam testemunhos, fotografias, desenhos e grafismos feitos pelos alunos de Serviço Social da UAc. Foram 35 os estudantes que andaram pelos Remédios a falar com os residentes, utilizando uma metodologia designada como “walkthrough”. 

“A ideia é ter vários faróis para iluminar a governança e novas políticas públicas na Europa, ter luzes que nos apontem caminhos, que nos iluminem para podermos desenvolver uma outra economia e outras políticas baseadas na participação, numa governança colaborativa entre as várias partes que encontramos num território, designadamente as organizações públicas. Pode ser o governo, podem ser as autarquias, as empresas, a universidade e depois todo o setor social”, explica Eduardo Marques. 

José Raul Medeiros, um dos moradores mais conhecidos dos Remédios, senão o mais conhecido, gostou de se ver no desenho que os alunos de Serviço Social fizeram dele e da esposa, e que está exposto na Casa da Água, nos Remédios. “Gostei mas mesmo que eu não estivesse ali, estava na mesma todo satisfeito com aquilo que está acontecendo”, diz ao DL. Contudo, José Raul Medeiros admite que são muitos os moradores dos Remédios que nunca fizeram o trilho da Janela do Inferno e não o conhecem. A mesma ideia tem Eduardo Marques. “A maior parte, ou um grande número de pessoas, está de costas voltadas para o trilho, nunca foi ao trilho, apesar de viver aqui na proximidade do trilho”, considera o professor. Ainda assim, ele é procurado por centenas de pessoas e isso impacta a zona que o circunda.

Combater o desemprego utilizando a natureza

Projeto pretende transformar o trilho numa solução baseada na natureza para um turismo sustentável © CLIFE BOTELHO

Eduardo Marques explica quais são os principais objetivos deste projeto pioneiro nos Açores. “A ideia é perceber como é que um ativo, um recurso importante, a «Rota da Água – Janela do Inferno», pode alavancar um processo de uma relação mais positiva com o trilho de forma a que também que a comunidade pudesse ter benefícios dessa relação com o trilho”, justifica. O responsável acrescenta que se pretende “transformar o trilho numa solução baseada na natureza para um turismo sustentável. Nós podemos inspirar-nos na natureza e no seu funcionamento para resolver problemas sociais complexos”. E dá exemplos: “como é que se resolve problemas de desemprego, como é que nos podemos inspirar, basear na natureza para resolver problemas de emprego versus desemprego, como podemos melhorar a saúde — temos soluções desde os anos 60 implementadas no Japão que são os parques de terapias da natureza que reduzem o stress, reduzem a tensão arterial — portanto, podemos utilizar a natureza para nos curar, para ser integrada nos sistemas de saúde, podemos integrar a natureza como dimensão da arte e cultura”. 

Para o presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, “cabe-nos a nós, pessoas dos Remédios, junta de freguesia, câmara municipal, tirar proveito dessa avaliação”, ou seja, de todo o “Trans-Lighthouses”. O projeto, inclui várias fases, tem tido contributos da comunidade dos Remédios e pretende melhorar a vida de quem lá vive, sempre em consonância com um desenvolvimento harmonioso e respeitador do ambiente envolvente.

Na assembleia participativa que decorreu nos Remédios, a população foi convidada a deixar sugestões © CLIFE BOTELHO

A autarquia lagoense bem como a junta de freguesia de Santa Cruz, e ainda o CEFAL – Centro de Educação e Formação Ambiental de Lagoa ou o OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores são alguns dos parceiros locais deste projeto europeu. Para o presidente da junta de Santa Cruz, Sérgio Costa, “tudo aquilo que fica registado e aquilo que fica em arquivo é muito importante não só para agora mas também para aqueles que vêm à frente” mostrando-se disponível para “o que for necessário”. 

“Acreditamos que só de uma forma colaborativa e interinstitucional poderemos desenvolver os territórios de uma forma sustentável e mais harmoniosa e sempre com o envolvimento da população local”, considera Eduardo Marques, responsável pelo projeto.

Na primeira assembleia participativa que decorreu nos Remédios, a população foi convidada a deixar ideias de negócio, sugestões e propostas para a requalificação de espaços bem como está convidada a conhecer o trilho, num passeio conjunto que deverá acontecer em agosto.

Os Remédios serão “talvez a primeira comunidade a ter um orçamento participativo de base local”, avança Eduardo Marques, que estará entre os cinco mil e os 10 mil euros.

Tiago Marques: a liberdade de levar a música a vários horizontes

Tiago Marques é natural de Portugal continental, mas encontra casa onde está a música. É dono do projeto Oboé com Asas e esteve no Mini Tremor no convento de Santo António na Lagoa

© CARLOS MELO

O músico vem do município de Ourém e o seu percurso musical inicia numa banda filarmónica, já aos oito anos. “Foi o meu primeiro contacto com a música”, diz Tiago, que começou a tocar oboé e bateria desde criança, passando também pelo conservatório, onde tocou piano. 

A sua admiração pelo oboé inicia na banda filarmónica, “fiquei fascinado com o som”, explica, acrescentando que, nessa altura, ainda não era uma decisão tomada, a de seguir esse caminho. O artista começou por “explorar” e chegou a fazer parte “das típicas bandas de escola” durante a adolescência, onde tocava bateria, não deixando o oboé de lado. 

Os seus estudos foram feitos no conservatório e, a dada altura, Tiago ponderou ser veterinário. É durante essa época que vem para os Açores realizar um ano sabático. “Fi-lo na Terceira, em Angra do Heroísmo, porque lá tinha veterinária”, explica ao DL. 

Após um tempo, o artista percebe que seguir música era efetivamente o seu caminho, e realiza “provas” para as “Escolas Superiores de Música, de Lisboa e do Porto”. Acaba por escolher ingressar na Academia Nacional Superior de Orquestra, “na Metropolitana, em Lisboa”, onde tocava “oboé clássico”.

“Quando acabei, não sabia muito bem o que fazer…”

© CARLOS MELO

Após terminar os estudos, Tiago revela ter ainda incertezas sobre o futuro. Aos 24 anos começa por trabalhar numa “escola de artes ligada ao Festival de Músicas do Mundo”. Confessa que foi por esta altura que se começou a organizar em volta do oboé. Durante quatro anos lá ficou, e também montou com amigos um grupo onde tocavam instrumentos “ditos populares e eruditos”. Chegaram a fazer concertos e a tocar “no Festival de Músicas do Mundo”. Os próximos quatro anos da sua vida seriam passados no Brasil.

Tiago viaja para São Paulo, “a princípio”, à procura “do que fazer com a sua vida”. O artista tem aí a oportunidade de interagir com músicos do Circuito de Improvisação Livre de São Paulo, de gravar CDs instrumentais com outros artistas e teve ainda um trabalho de coordenação artístico-pedagógica para o maior projeto sociocultural do Brasil, o “Guri”. O não querer “viver numa cidade grande” foi um dos principais motivos que o fizeram regressar a Portugal.

De volta aos Açores

© CARLOS MELO

Após o Brasil, é no Faial que escolhe passar os próximos tempos, de onde partia, “todos os sábados”, de barco, até às Lajes do Pico para dar aulas de oboé.  Cria ainda o grupo de improvisação B.I.F (Bando de Improvisação do Faial), para a “criação de música em tempo real, com linguagem gestual” e lança uma pequena obra intitulada de “Cryptoneveda”. Tiago passou também por São Miguel, onde tocou na Sinfonietta de Ponta Delgada, durante uma semana.

É em São Jorge que vive atualmente, há três anos, e acredita que seja onde vá ficar. Neste momento, dá aulas a “algumas filarmónicas” e trabalha na elaboração do projeto que pretende levar a outras ilhas: a “Caravana dos Sons”, que consiste no transporte da sua música, a vários sítios, na sua carrinha. “A questão é que o município não precisa de montar a estrutura. Eu levo-a toda comigo”, explica.

Foi em abril que Tiago regressou a São Miguel e levou ao Mini Tremor, na Lagoa, o seu projeto “Oboé com Asas”. Tiago diz influenciar-se pelo ambiente onde toca e, mais do que isso, pelas expressões das pessoas que o ouvem.

Move-se pela liberdade que lhe traz a música e, num futuro próximo, deseja poder “tocar mais”, levando a sua arte a mais horizontes.

“Varandas Populares” em Santa Cruz da Lagoa

Durante os festejos dos Santos Populares as varandas são tradicionalmente decoradas. Junta de Freguesia apela à decoração com objetivo de envolver a comunidade nos preparativos das festas

© DL

A freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, dá início esta segunda-feira, 9 de junho, às Festas de Santo António que se realizam até ao dia 15 de junho.

Este ano, durante os festejos dos Santos Populares as varandas são tradicionalmente decoradas com elementos festivos como grinaldas, festões, bandeiras, balões e lanternas de papel. A decoração inclui também manjericos, flores, sardinhas e outros adereços típicos desta época.

© DL

A Junta de Freguesia, à semelhante do ano passado, promove novamente a iniciativa “Varandas Populares”, que consiste em apelar à decoração das varandas com adereços alusivos aos santos populares, de forma a envolver a população na decoração destas e contribuir para que a freguesia fique mais colorida na altura das festas, em honra de Santo António.

O objetivo é envolver a comunidade mais jovem e sénior, nos preparativos das festas populares.

A abertura das festas acontece esta segunda-feira, pelas 17h00, com a distribuição gratuita de sardinhas e pão de milho e da atuação do grupo Doce Sinfonia, sendo o ponto alto deste primeiro dia, o concerto dos Sons do Minho, às 22h30, finalizando com a atuação do DJ Ricky.

Casamentos de Santo António 2025

Durante o mês de junho, na freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, decorrem as maiores festas populares da cidade de Lagoa. Desde 2017 que a Junta de Freguesia de Santa Cruz promove a iniciativa “Casamentos de Santo António”, que permite o casamento de vários casais.

No dia 12, pelas 17h00, quatro casais irão contrair o sacramento do matrimónio, sob a bênção do santo casamenteiro, nomeadamente: Liliana Cordeiro e Dino Correia, Lina Silva e João Silva, Linda Pavão e João Botelho, Cátia Vital e Gualter Tavares.

Após a cerimónia religiosa, no adro do Convento de Santo António, haverá a partilha gratuita do bolo comunitário, bem como o tradicional brinde aos noivos de Santo António.

A realização deste evento, conta com a colaboração de vários patrocinadores locais e dos arredores que proporcionam aos noivos uma experiência única e inesquecível.

É de referir que a oportunidade de casar numa data tão especial, com o apoio da comunidade e o simbolismo da tradição, torna este momento ainda mais significativo.

Obras da nova orla marítima da Lagoa devem arrancar ainda este ano

Prolongamento do passeio marítimo da cidade vai implicar alterações de trânsito e torna grande parte da costa da Lagoa mais acessível e pedonável

© MAQUETE CM LAGOA

A nova frente de mar da Lagoa, na ilha de São Miguel, divide-se em duas fases para execução da obra. “Fomos obrigados a fazer uma separação da empreitada porque os fundos comunitários vão ter dois eixos distintos, onde esta empreitada pode se encaixar. Um está relacionado com as alterações climáticas e o outro com a mobilidade e a requalificação urbana”, começa por explicar Frederico Sousa, presidente da Câmara Municipal de Lagoa (CML) ao Diário da Lagoa (DL).

A primeira fase, cuja abertura do aviso do PO 2030, aconteceu em outubro passado, vai incidir na proteção da orla costeira e no melhoramento dessas mesmas zonas. Na zona do Portinho de São Pedro, no Rosário, vai ser criado um novo pontão, para proteção da área, com cerca de 60 metros. A rua do Calhau d´Areia vai ser ampliada, vai ter dois sentidos, um passeio e ciclovia, bem como uma zona com árvores. 

“A segunda fase da obra vai implicar a requalificação de toda a zona do Porto dos Carneiros. Vamos proceder à estabilização daquele talude todo, até às piscinas, todo aquele talude tem uma infra-escavação pela força do mar,e vamos aproveitar, além da estabilização, para criar uma plataforma suspensa para o passeio e a ciclovia” na rua da Cidade de New Bedford, até às piscinas da Lagoa, explica o autarca. Também a zona do bar das piscinas da Lagoa vai ter alterações, bem como a zona envolvente, num projeto feito pelas própria autarquia. 

O passeio marítimo passa também pelas piscinas municipais. “Vai ser feito um enrocamento, com um passadiço que só vai ser pedonal e ciclovia, portanto não vai ter viaturas”, explica o presidente da CML. 

Na zona da Relvinha, “há um misto entre requalificação urbana e proteção costeira e depois na rua final, junto à poça da Ralhoa, há dois projetos que se interligam, um prometido pelo Governo regional com um pontão para proteção das forças de sudoeste, para proteger aquilo que é o projeto da zona norte da Baía de Santa Cruz”, diz Frederico Sousa. 

O presidente da CML sublinha que em todo o processo, houve o cuidado de não alterar demasiado a paisagem: “tivemos muito cuidado com os projetistas, e a indicação que demos foi a de ser uma intervenção muito cuidada e pouco musculada com um misto de urbanismo, mobilidade, integração arquitectónica e engenharia”. 

A expectativa da autarquia é arrancar com as duas fases da obra “este ano, esse era o ideal mas depende das duas candidaturas, uma já formalizada e a outra com o aviso por abrir. Diria que se tudo corresse como era normal, este ano teríamos tudo candidatado e as empreitadas em andamento”.

Para além das seis casas que foram adquiridas e demolidas pela autarquia, junto ao Portinho de São Pedro, está prevista a demolição de mais uma casa junto à Baía de São Cruz, “é a única”, garante o presidente. 

Edifício da lota com nova vida

Autarquia pretende dar nova vida ao edifício da lota da Lagoa © MAQUETE CM LAGOA

A CML quer requalificar e remodelar o edifício da lota junto ao Porto dos Carneiros. “Ainda estamos a pensar, mas acho que tem de ser um equipamento concessionado, de uma área complementar à restauração porque já há bons restaurantes naquela zona”, explica Frederico Sousa. O autarca reforça a ideia de que é preciso melhorar as acessibilidades dentro da cidade da Lagoa e para isso é essencial criar “um eixo sul-norte para a rotunda do Nonagon onde as pessoas que estão no Tecnoparque podem vir diretamente, através de um único eixo até à orla marítima. Já temos projeto feito, temos a negociação feita com os proprietários e a intenção é de se conseguir até ao final do ano, início do próximo, avançar com essa ligação do Nonagon ao bairro [de São Pedro]”.

Para além de melhorar as acessibilidades dentro da cidade, um dos objetivos futuros da autarquia passa também por ligar Lagoa e Ponta Delgada através de uma via pedonal/ciclável. “Concluídas todas essas fases, primeira e segunda, e também o troço do Nonagon, nós estamos a falar de mais ou menos seis quilómetros, desde a Baía de Santa Cruz até à fábrica da Prolacto. Acho que vai ser uma relação interessante entre as duas cidades e, acima de tudo, acabamos por ter uma relação mais, na minha opinião, mais orgânica entre todos os pontos”. 

Sobre a possibilidade de criar uma marina na Lagoa, Frederico Sousa, não vê, para já, necessidade de tal. “Gostava, e eu espero, que a Lagoa possa ter um ponto de paragem, não necessariamente de varagem, ou seja, ter um local onde os barcos possam parar, onde têm condições de parar, ficar, ir ao restaurante”, nota o autarca. E isso pode ser uma possibilidade a desenvolver junto ao porto dos Carneiros ou até mesmo na Caloura. 

Sobre a proteção da orla costeira na zona da baía de Santa Cruz, a autarquia diz desconhecer o estado do processo. “Tem havido recorrentemente nos planos e orçamentos do Governo Regional, a inscrição de uma intervenção em Santa Cruz, que nós não conhecemos”, diz o presidente da CML. 

Contactado pelo DL, a secretaria regional do Mar e das Pescas explica que “ a DROP [Direção Regional das Obras Públicas] procedeu à aquisição de serviços para a realização do levantamento topo-hidrográfico de toda a baía, que seria indispensável à elaboração dos projetos de execução, tendo sido executado, estando essa fase inicial concluída”. De acordo com o diretor regional de Políticas Marítimas, “a DROP [Direção Regional das Obras Públicas] solicitou uma estimativa de preço, numa consulta preliminar de mercado, que apontava um custo de cerca de 49.000,00 € + IVA para a elaboração de um projeto de execução para a solução de construção de um pontão”. 

Sobre o prazo para avançar com a obra, a mesma fonte não indica quando irá acontecer esclarecendo apenas que não está “previsto que a intervenção venha a ocorrer no corrente ano”.