
A ilha de São Miguel prepara-se para ser o epicentro do escutismo regional com a realização do XVI Jamboree Açoriano. O grande encontro infantojuvenil vai decorrer entre os dias 20 e 28 de julho.
Organizado pela Junta de Núcleo de São Miguel, o evento adota este ano o tema “Uma Aventura do Corisco”. A escolha é uma clara alusão e homenagem ao termo pelo qual são conhecidos os naturais e residentes da maior ilha do arquipélago.
De acordo com a notícia avançada pela agência Igreja Açores, a iniciativa vai transformar o Campo de Lagos, situado na ouvidoria de Vila Franca do Campo, num espaço de partilha, animação e forte sentido de comunidade.
Sob o lema “Nove rumos – um destino”, o certame pretende desafiar os participantes dos 71 agrupamentos existentes nas nove ilhas dos Açores. O objetivo é levar os jovens a vivenciarem uma jornada marcada pela criatividade, pela amizade e pela superação de desafios.
A organização, descrita na folha informativa do evento como um verdadeiro “poderio” de micaelenses, desenhou um programa que exalta a identidade açoriana e promove experiências únicas para as centenas de participantes esperados.
Para além da dinâmica regional, a edição deste ano assume um caráter profundamente histórico e emotivo para o escutismo local. A atividade vai coincidir com as comemorações das bodas de ouro do Agrupamento de Vila Franca do Campo.
Paralelamente, celebram-se também as bodas de prata do Agrupamento dos Escuteiros Marítimos de São José. Fica, assim, o mote para um tributo a décadas de dedicação ao serviço comunitário e à formação das novas gerações nas ilhas.

Terminou o “TOURO26”, o exercício de proteção civil sismo-vulcânica que, entre os dias 28 e 30 de maio, envolveu os concelhos de Vila Franca do Campo, Ribeira Grande e Povoação. De acordo com a nota de imprensa enviada pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) à nossa redação, a operação teve como objetivo central testar e avaliar a capacidade de resposta das forças de socorro perante um cenário de crise natural. Com a conclusão dos três dias de trabalhos, as entidades e os agentes de proteção civil locais finalizaram um treino operacional que utilizou como base histórica a crise sísmica registada em 2005 no Vulcão do Fogo, simulando ocorrências que exigiram a intervenção e coordenação de equipas com diferentes valências no território vilafranquense.
Ao longo do exercício, o concelho registou manobras complexas desenhadas para reforçar a preparação e a resiliência das populações locais perante riscos desta natureza. O programa, promovido pela tutela da Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, dividiu-se entre uma componente formativa e a vertente prática. Após as sessões de apresentação e os workshops temáticos conduzidos por especialistas do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e do SRPCBA, o foco centrou-se nos exercícios “LIVEX”. Nestas operações de campo, que mobilizaram meios humanos e materiais nas vias públicas do concelho, foram testadas a evacuação de localidades, a montagem de zonas de concentração e apoio à população, bem como intervenções técnicas em cenários de estruturas colapsadas.
A realização do “TOURO26” em Vila Franca do Campo envolveu uma estreita cooperação entre o Município local e uma vasta rede de parceiros institucionais. Estiveram empenhados os Corpos de Bombeiros de São Miguel, o Comando Operacional dos Açores, a Cruz Vermelha Portuguesa, a PSP, a GNR, a Autoridade Marítima Nacional, o IPMA, o CIVISA, o Laboratório Regional de Engenharia Civil, o Instituto de Segurança Social dos Açores e diversas Direções Regionais. Todo o desempenho operacional no terreno foi acompanhado por um grupo de observadores externos (composto por elementos da ANEPC, do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa e do Serviço Regional de Proteção Civil da Madeira), com o intuito de avaliar a eficácia dos procedimentos e consolidar a cultura de prevenção na região.

A campanha nacional de recolha de alimentos promovida pelo Banco Alimentar entre hoje, sexta-feira, e domingo, está a decorrer nos Açores, nas ilhas de São Miguel e da Terceira, numa altura em que ambos os Bancos Alimentares se deparam com um crescimento significativo do número de pedidos de cabazes. Entre 2025 e 2026, em São Miguel a subida foi de cerca de 12% e na Terceira cerca de 10%. Os números são avançados pelas direções do Banco Alimentar que estão preocupadas sobretudo com as crianças.
“De 2025 para 2016 houve um aumento de pedidos e famílias apoiadas: passámos de 866 famílias (2463 pessoas) para 1020 famílias (2742 pessoas) sendo que distribuímos, já este ano, cabazes de emergência a 50 agregados, abrangendo 140 pessoas, das quais 42 eram crianças menores de 10 anos”, avançou ao Sítio Igreja Açores Luís Águeda, responsável pelo Banco Alimentar da ilha Terceira, desde março deste ano.
Em São Miguel, atualmente são 700 as famílias apoiadas mensalmente pelos cabazes do Banco Alimentar de São Miguel e o que se verifica, segundo Luísa César, é que as dificuldades são sobretudo reveladas por famílias que trabalham.
“Os pedidos chegam todos os dias: chegam das associações e do Instituto de Segurança Social, com situações de comprovada carência, de baixos rendimentos, de pessoas empregadas que não têm condições para pagar todos os encargos mensais e garantirem uma alimentação digna do agregado familiar” avança a responsável que, desde o início da criação do Banco Alimentar, está na sua direção.
“Nós procuramos entregar cabazes com qualidade e quantidade que ajudem as famílias. A parte da alimentação tem de ser uma preocupação real pois tem havido um aumento dos preços dos produtos e o que estamos a verificar é que a qualidade da alimentação é muito deficitária em termos de fruta e proteínas; há muitos alimentos que são necessários a uma alimentação saudável que não estão acessíveis a quem tem parcos rendimentos e isso gera doenças que depois tornam os encargos da família e do estado muito maiores”, refere deixando um apelo.
“Todos devemos tentar ajudar na medida das nossas possibilidades para que estas famílias sejam aliviadas e possam também ter uma alimentação digna e tanto quanto possível saudável”, refere a dirigente num apelo a que se possa ultrapassar a fasquia das 21 toneladas de alimentos que é o mínimo necessário para fazer face a todos os pedidos na maior ilha do arquipélago.
A campanha de rua, que é feita duas vezes no ano – na primavera e no Natal –, conta com a colaboração de cerca de 1300 voluntários nas duas ilhas. Estão a ajudar nas lojas mas também nos armazéns onde fazem a separação dos alimentos.
“Sem esta força não nos seria possível levar por diante esta campanha” refere Luís Águeda que juntamente com a nova equipa estuda formas de recrutamento de voluntários, envolvendo escolas e centros de convívio.
Para Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, “as campanhas de recolha de alimentos são muito importantes para angariar produtos básicos e para mobilizar toda a sociedade. Em particular, numa altura em que a situação continua muito difícil para muitas famílias, em resultado do impacto da instabilidade internacional que provocou um aumento do preço dos produtos alimentares e da energia e que tem gerado muita apreensão sobretudo junto das famílias mais vulneráveis”, refere uma nota da organização partilhada na página online do Banco Alimentar.
“A ajuda alimentar prestada nos lares, no apoio domiciliário, creches, jardins infantis e ainda nos cabazes entregues a famílias acompanhadas é determinante e integra também a certeza de que não estão sós. Muitas são as famílias que graças a esta ajuda conseguem ultrapassar situações pontuais de aperto e dar a volta à vida, sem que falte o mínimo para dar de comer aos filhos” refere ainda a dirigente.
No ano passado, os 21 Bancos Alimentares ajudaram cerca de 370 mil pessoas com carências alimentares comprovadas em parceria com mais de 2.400 instituições sociais, refere ainda a organização.
Atualmente, existem 21 Bancos Alimentares em funcionamento em Portugal, incluindo na Madeira, contando com equipas permanentes reduzidas e uma vasta rede de voluntários que asseguram grande parte das campanhas e ações de apoio.
Para participar nesta campanha, basta aceitar um saco do Banco Alimentar e colocar nele bens alimentares, de preferência não perecíveis (como leite, conservas, massa, arroz, azeite, açúcar, farinha, entre outros), entregando-o aos voluntários à saída. Os produtos serão depois encaminhados para os armazéns do Banco Alimentar de cada região, onde são pesados, separados e acondicionados para serem entregues às entidades beneficiárias. A distribuição começa de imediato, garantindo que tudo chega à mesa de quem mais precisa.
O Banco Alimentar foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar contra o desperdício e prestar apoio a quem mais precisa de se alimentar, em parceria com instituições de solidariedade e com base no trabalho voluntário. Existem atualmente 21 Bancos Alimentares (nas zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira, Oeste, Portalegre, Porto, S. Miguel, Santarém, Setúbal, Terceira, Viana do Castelo e Viseu). A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares representa e congrega a rede dos Bancos Alimentares a nível nacional e internacional.

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) vai assinalar, no próximo dia 27 de maio, o Dia Nacional da Agricultura com uma iniciativa de grande escala inteiramente dedicada às crianças. De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização, o evento vai reunir mais de 3.000 alunos de diversas escolas da ilha de São Miguel, proporcionando-lhes uma experiência enriquecedora de aproximação ao mundo rural fora do contexto tradicional da sala de aula.
Esta ação é promovida em parceria com o Governo dos Açores e com a Confederação dos Agricultores de Portugal. O evento conta ainda com a colaboração de várias entidades públicas, privadas e cooperativas da região, unidas no propósito de sensibilizar os mais novos para a relevância estratégica do setor primário.
O principal objetivo da iniciativa é dar a conhecer às novas gerações a importância crucial que a atividade agrícola desempenha na economia regional dos Açores, bem como o seu papel determinante na sustentabilidade e na preservação do território e da paisagem açoriana. Ao longo de todo o dia, os milhares de alunos do ensino básico terão a oportunidade de participar em diversas atividades educativas, interativas e lúdicas, concebidas especificamente para a sua faixa etária, que incluem ainda o contacto direto com animais da quinta.
Com a organização deste dia festivo e pedagógico, a AASM refere em comunicado que reitera o seu compromisso na promoção e valorização da agricultura junto dos cidadãos do futuro. A associação sublinha ainda que este evento pretende não só quebrar barreiras entre o meio urbano e o meio rural, mas também incentivar uma maior proximidade e empatia entre a comunidade escolar e o quotidiano dos produtores agrícolas da região.

Chama-se Rostyslav Ruslanovich Hutsol, é natural da cidade de Podilsk, na Ucrânia, tem atualmente 21 anos e vive em Portugal há quatro. Já visitou os Açores, a convite de Álvaro Borges, um amigo açoriano natural de Água de Pau e, nesta entrevista, o jovem fala da sua experiência e partilha a sua visão sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
DL: Como é que foi chegar a Portugal sozinho? Foi um percurso difícil?
Não foi difícil, mas foi estranho e, ao mesmo tempo, muito interessante. Cheguei a Portugal numa espécie de autocarro, juntamente com uma família e com outra senhora mais velha. Eram todos refugiados, tal como eu. O que tornou esta experiência mais interessante foi ter ajudado esta senhora, que já tinha alguns problemas de memória, durante a viagem.
DL: Como foi tomada a decisão de sair da Ucrânia?
Saí da Ucrânia por causa da guerra. O meu pai disse-me que tinha um amigo em Portugal e que o melhor seria vir viver para cá, porque ainda não sabíamos o que iria acontecer. Ele contactou esse amigo, que disse que não havia problema. Nos primeiros tempos, fiquei a viver com ele e com a sua família, em Leiria.
DL: Como foi o processo de equivalência escolar, tendo em conta que ainda tinha 17 anos? Chegou a matricular-se numa escola?
Acredito que tenha sido um processo normal. O amigo do meu pai ajudou-me com os documentos necessários e acompanhou-me à Câmara Municipal de Leiria, passando a ser o meu responsável. Não foi necessário matricular-me numa escola, porque vim na qualidade de refugiado. Cheguei a Leiria em maio, fiquei por lá durante algum tempo e, depois, concorri ao curso de Tradução da Universidade de Lisboa. Já estudava tradução na Universidade de Kiev quando a guerra eclodiu e estava decidido de que essa era a minha área. Quando cheguei a Portugal ainda não sabia falar português, mas tive a oportunidade de ter aulas em inglês, o que me ajudou muito. Estou, atualmente, no quarto ano da licenciatura.
DL: A sua família continua na Ucrânia?
Sim, a minha família ainda lá vive. Estão bem, vivem longe da linha de batalha. Mas há muitas famílias que, mesmo estando em zonas de batalha, preferem ficar, porque têm ali a sua vida toda.
DL: Já voltou à Ucrânia desde que começou a viver em Portugal?
Sim, estive lá em 2023.
DL: Conhecendo agora os dois países, encontra muita diferença entre os valores de Portugal e da Ucrânia?
Acho que os políticos ucranianos tentam adotar muitos valores da União Europeia, mas reparo que muitas ideias aceites em Portugal não são tão bem recebidas pelo meu povo, por exemplo, os direitos da comunidade LGBTQIA+ ou a entrada de trabalhadores estrangeiros. Os ucranianos são muito patriotas, ainda mais com a guerra.
DL: O Álvaro Borges trouxe-lhe aos Açores em 2023. Quando visita o arquipélago, o que mais o fascinou?
Apaixonei-me pela natureza, principalmente pelas cascatas e pelas florestas. Senti-me numa nova realidade, rodeado de novas pessoas e de uma arquitetura tão diferente da de Lisboa. Os Açores abriram um mundo novo para mim. Voltei em dezembro de 2024 e 2025, sempre durante o Natal. Na segunda vez que voltei, fui até reconhecido por algumas pessoas. Senti que estava numa aldeia onde as pessoas se conhecem todas e notei que há muita ligação entre todos. Fiquei surpreendido, pela positiva, com o facto de as famílias nos Açores serem muito unidas.
DL: Qual foi a sua reação ao saber que o Álvaro tinha ido à Ucrânia e de que forma essa visita o marcou?
Fiquei surpreendido pela positiva e senti muito orgulho dele. Quando ele voltou, tive interesse em perguntar-lhe as diferenças e semelhanças entre os nossos povos, quis saber o que ele tinha aprendido, como foi a sua experiência e o que sentiu sobre a minha cultura e o meu povo. Do que me contou, o que mais me surpreendeu foi o facto de o Álvaro não ter tido medo quando lá esteve.
DL: Em fevereiro deste ano, Álvaro Borges reuniu-se com a embaixadora ucraniana em Lisboa e ela agora vem aos Açores. O que sentes em relação ao que se tem conquistado para unir estes dois povos?
É muito bom que o Álvaro tente abrir esta porta sobre a Ucrânia, porque, na minha opinião, os açorianos não têm muitas informações sobre o que se passa em geral na guerra. Acho que as pessoas não percebem a dinâmica histórica entre a Rússia e a Ucrânia; muitos até acreditam que somos o mesmo povo, e outros têm uma imagem da Rússia muito diferente da realidade. A Rússia é um país forte, mas não de forma tão exagerada como descrevem aqui.
DL: Qual é a sua visão, enquanto ucraniano, sobre o conflito?
É muito difícil de descrever, porque vocês aqui não estão em guerra e torna-se complicado de perceber. Quando eu cheguei a Portugal, no início, dava por mim a pensar: “Isto está a acontecer, isto é mesmo real, não é um sonho”. Agora, a guerra causa-me tristeza, mas também esperança de que o futuro será melhor. Ainda tenho esperança de que vamos conseguir alcançar a paz nas melhores condições para a Ucrânia.
DL: Acredita na possibilidade de um acordo entre a Rússia e a Ucrânia?
Na minha opinião, há uma possibilidade, mas muito baixa. Na história moderna, já tivemos acordos com os russos, mas eles violaram-nos sempre. É por esta razão que tenho muitas dúvidas sobre um possível acordo. Em Portugal, muitos pensam que, se se entregar a Ucrânia à Rússia, a Rússia ficará satisfeita, mas a verdade é que o país iria procurar outro ato agressivo.
DL: Como olha para o seu futuro?
Agora é um pouco difícil de decidir por causa da guerra. Num cenário ideal, gostava de voltar para a Ucrânia, mas não sabemos como será o futuro. Se a guerra não acabar, acho que a probabilidade de eu ficar em Portugal é muito alta. Também gostaria de morar nos Açores.
DL: Que mensagem gostaria de deixar aos leitores?
Acho que o nível de apoio dos açorianos aos ucranianos é alto, mas acredito que, se querem saber mais sobre a nossa história, devem fazer mais pesquisas sobre nós e sobre a história da relação entre a Rússia e a Ucrânia, não se baseando apenas na informação diária dos media.

A Delegação dos Açores da Associação de Solidariedade Social dos Professores, sediada em Ponta Delgada, acolheu a sessão de abertura das comemorações do 45.º aniversário da instituição, um momento marcado pelo reconhecimento oficial do impacto comunitário e social daquela que é a maior estrutura de solidariedade docente no país. De acordo com a nota informativa enviada pela autarquia micaelense, a vereadora com o pelouro da Ação Social da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina do Canto Tavares, fez questão de sublinhar a relevância histórica da associação, apontando que esta “soube crescer, adaptar-se e afirmar-se como a maior instituição de solidariedade de professores em Portugal, desenvolvendo uma ação abrangente nas áreas social, cultural, científica, recreativa e humana, sempre orientada pela valorização das pessoas, pela promoção da cidadania ativa e pelo fortalecimento dos laços comunitários”.
A governante municipal destacou o forte pilar humanista da instituição e a vasta rede de proximidade construída ao longo de quase meio século de existência através de núcleos distribuídos pelo Continente, Açores e Madeira. Focando a sua intervenção na vertente de intertextualidade e ligação comunitária promovida pelas atividades de envelhecimento ativo, Cristina do Canto Tavares referiu que “a associação promove não apenas a preservação da memória coletiva dos professores, mas também a transmissão de conhecimento, valores e experiências entre gerações”, sustentando que, no fundo, “um professor não tem idade”. O contributo local da Delegação Regional dos Açores, que no ano transato assinalou as suas bodas de prata, foi igualmente alvo de rasgados elogios por parte da vereadora, que endereçou palavras de profundo reconhecimento e mérito à presidente da estrutura em solo açoriano, Eduarda Viveiros, pelo trabalho direcionado à inclusão e convívio dos docentes aposentados.
As celebrações do aniversário da ASSP prolongam-se até ao próximo sábado na ilha de São Miguel sob o lema “(Re)encontros e Desafios”, preenchendo a agenda local com uma programação de cariz marcadamente cultural, que engloba conferências, visitas guiadas e apontamentos musicais. O arranque do programa ficou pautado pela partilha de conhecimento académico, incluindo uma palestra conduzida pelo professor Avelino Meneses dedicada ao tema “A Autonomia dos Açores (um processo)”, e uma dissertação sobre a “Flora Autóctone dos Açores”, a cargo do investigador Teófilo Braga. O evento inaugural encerrou com uma nota artística e literária, corporizada num momento de declamação de poesia protagonizado pelos professores Fátima Sousa e José Carlos.

O presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Frederico Sousa, acompanhado pelo vice-presidente, Nelson Santos, entregou votos de congratulação a duas equipas da Associação Juvenil Clube Operário Desportivo (AJCOD). Segundo uma nota de imprensa enviada pelo município, o reconhecimento surge na sequência dos resultados alcançados pelas equipas nos respetivos campeonatos regionais.
No escalão de sub-18 feminino, a equipa conquistou o título de campeã regional no passado dia 3 de maio, na Lagoa, tendo garantido a participação na Taça Nacional, agendada para os dias 23 e 24 de maio, em Vila Real. Já a equipa sénior masculina, após vencer o campeonato de São Miguel, obteve o título de campeã regional numa prova realizada na cidade da Horta, a 10 de maio, assegurando o acesso ao campeonato nacional da primeira divisão masculina na próxima época.
Durante o ato oficial, Frederico Sousa afirmou que “estas conquistas refletem a qualidade desportiva das equipas da AJCOD, bem como o trabalho desenvolvido pelas respetivas equipas técnicas, evidenciando igualmente a dinâmica e o crescimento da modalidade no concelho da Lagoa”. O autarca acrescentou que “estes resultados representam um enorme orgulho para o concelho da Lagoa e demonstram o excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela AJCOD, pelos atletas, equipas técnicas e direção do clube. São conquistas que resultam de dedicação, espírito de equipa e perseverança”.
Na mesma ocasião, o presidente da autarquia adiantou que a Câmara Municipal “continuará a apoiar o movimento associativo e desportivo do concelho, reconhecendo o importante papel que os clubes desempenham na formação dos jovens, na promoção de estilos de vida saudáveis e na projeção do nome da Lagoa a nível regional e nacional”. De acordo com o documento camarário, estes desempenhos pretendem contribuir para a promoção e valorização do desporto local e para a afirmação do concelho no panorama desportivo regional.

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu à cerimónia de abertura do XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, um evento central para a lavoura micaelense que decorre no Parque de Exposições de São Miguel, na Associação Agrícola em Santana.
O líder do executivo aproveitou o momento de proximidade com a comunidade rural para destacar a relevância deste certame, promovido pela Associação Agrícola de São Miguel, afirmando que o evento se tem afirmado “pela quantidade e pela qualidade”, conquistando ao longo dos anos “credibilidade, confiança e prestígio”.
Na sua intervenção, José Manuel Bolieiro defendeu a importância do trabalho conjunto entre agricultores, associações e instituições, sublinhando que “o sucesso não se faz a pedido, faz-se trabalhando” e através da procura de soluções “em parceria”. Na ocasião, o governante aproveitou também para elogiar o Comendador Jorge Rita, a quem se referiu como “uma referência” no setor agrícola regional pela sua experiência e capacidade de representação.
No plano dos apoios concretos ao setor, que enfrenta os impactos do atual contexto internacional e o consequente aumento dos custos de produção, o governante anunciou que a Comissão Europeia avançará com a reserva agrícola destinada a apoiar os agricultores face ao encarecimento dos fertilizantes, permitindo aos Estados-membros recorrer a fundos comunitários. “Cá estaremos nós vigilantes, reivindicativos e acompanhando esta solução”, garantiu o presidente do Governo.
Adicionalmente, foi revelado que estarão abertas as candidaturas para a reconversão de explorações de produção de leite para produção de carne nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, seguindo-se o arranque das candidaturas para o apoio à compra de sementes de milho e sorgo. Esta última medida integra a estratégia regional de reforço da autonomia alimentar animal, sendo que os Açores já atingiram os 14.500 hectares dedicados a estas culturas.
O executivo açoriano anunciou também uma majoração de 30% nos apoios previstos para compensar os impactos das intempéries na produtividade e garantiu uma resposta direta à subida do gasóleo agrícola. “O Governo assume amortizar até 10 cêntimos a subida do preço do gasóleo”, anunciou Bolieiro.
O XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia conta este ano com a participação de 221 animais, integrando ainda no seu programa workshops técnicos, exposições e momentos de animação para toda a comunidade.

O setor agrícola micaelense volta a centrar as atenções no Recinto da Feira, em Santana, com a realização do XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia entre os dias 15 e 17 de maio. Segundo a nota de imprensa enviada pela organização do evento, o certame assume-se como um dos principais pontos de encontro para criadores e produtores da região, prevendo-se a participação de um total de 221 animais. Destes, 182 pertencem à raça Holstein Frísia, provenientes de 50 explorações leiteiras distintas, aos quais se juntam 15 exemplares da raça autóctone Ramo Grande, 10 da raça Aberdeen Angus e sete juntas de bois.
A abertura oficial das portas está agendada para as 12h00 de sexta-feira, dia 15 de maio, marcando o arranque de um programa que privilegia o apuro genético e o trabalho dos produtores locais. Durante a tarde de sexta-feira, o foco incidirá sobre as vitelas e novilhas, no âmbito do XVIII Concurso Juvenil e da primeira fase do concurso sénior. Já no sábado, 16 de maio, o recinto de Santana recebe as vacas em lactação, num momento de particular relevância técnica, a par dos julgamentos dedicados às raças Ramo Grande e Aberdeen Angus.
Para além da vertente competitiva e técnica, que inclui workshops direcionados para os profissionais do setor e exposições de bovinos, o evento foi desenhado para atrair o grande público e as famílias de toda a ilha de São Miguel. O recinto contará com animação infantil, uma zona gastronómica de “comes e bebes” e diversos momentos musicais. O grande destaque do cartaz de entretenimento é o concerto de João Pedro Pais, que subirá ao palco principal no sábado, às 22h30. Com esta iniciativa, a organização reforça o convite à comunidade para conhecer de perto a realidade agrícola regional, promovendo um evento de entrada livre que valoriza a herança rural e a vitalidade da pecuária açoriana.

A tradição voltou a sair à rua no concelho da Lagoa com a celebração da 30.ª edição do Concurso de Maios, cujos resultados foram oficialmente divulgados. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Lagoa, a edição deste ano registou uma forte adesão da comunidade, contando com a participação de 16 “maios” que representaram o tecido associativo, institucional e o brio individual dos lagoenses. O grande vencedor da edição de 2026 foi o CATL de Santa Cruz – Centro Social e Cultural da Atalhada, que conquistou o júri e o público, garantindo o 1.º lugar e um prémio monetário de 300 euros.
A classificação final do certame resultou de um modelo de votação misto, combinando a avaliação técnica de um júri convidado com o escrutínio popular realizado através da rede social Facebook, incentivando a interação digital com os costumes ancestrais. No pódio, seguiram-se Graça Domingues, que alcançou o 2.º lugar (250 euros), e a Família Andrade, que garantiu a 3.ª posição (200 euros). O top 5 ficou completo com Marcelo Borges, no 4.º posto, e o CATL O Borbas – Rosário, em 5.º lugar.
A lista de participantes refletiu a diversidade geográfica e social do concelho, incluindo desde a Creche Bem Me Quer e a Escola Secundária da Lagoa até agrupamentos de escoteiros e centros sociais de Água de Pau e do Cabouco. Em comunicado, a autarquia lagoense fez questão de enaltecer o esforço coletivo para a manutenção desta herança cultural, sublinhando “o empenho, a criatividade e a dedicação de todos os participantes, que contribuíram para manter viva esta tradição popular profundamente enraizada na cultura local, valorizando o espírito comunitário e a preservação das tradições associadas à celebração dos Maios”.
Com três décadas de história, o Concurso de Maios consolida-se no calendário cultural da Lagoa como um evento que cruza gerações. Para o município, a iniciativa continua a afirmar-se como uma “referência cultural e participativa”, cumprindo o papel de mobilizar a identidade popular em torno da construção destas figuras emblemáticas que marcam o início da primavera na ilha de São Miguel.