
Sara Sousa Oliveira
Diretora do Diário da Lagoa
Liderei o Diário da Lagoa durante 18 quentes meses de pandemia. Foram meses duros, difíceis e inigualáveis, como todos nós nos recordamos, e sublinho que escrevi três adjetivos similares seguidos, propositadamente. Anos depois, volto agora a assumir as funções de diretora deste jornal num contexto global bem diferente mas com o mesmo sentido de missão e responsabilidade. Não é uma missão fácil, liderar um jornal, já o afirmei no passado. Mas também é bom voltar a sentir de perto o pulso do papel. E, nesta nova fase, seguimos renovados: o lema “Notícias que contam” ganha mais destaque, porque de facto, é de notícias que contam que se faz o Diário da Lagoa.
Numa redação pequena, todas as ajudas contam: a contribuição consciente dos leitores que decidem ajudar, assinando o jornal e pedindo para o receber em casa, a escrita dos cronistas que decidem abraçar a causa, e a vontade de nos ler dos nossos leitores que, mês após mês, procuram a nova edição do Diário da Lagoa nos lugares por onde o deixamos, na Lagoa e fora dela. É desta matéria que somos feitos: de pluralidade, resiliência e ação. Não nos deixamos levar pelo imediatismo do acontecimento mas antes pela sua profundidade e proximidade com o açoriano comum. Levar “histórias que contam” às pessoas, a quem efetivamente pára para nos ler, contando-as, mostrando-as e na melhor das hipóteses, podendo ter o privilégio de tornar as suas vidas melhores, se isso for possível.
A Lagoa está no centro da ilha, mas o centro da ilha não é a Lagoa. Por isso, histórias de cá e de lá são bem-vindas. Todos queremos saber quem é, o que se passa e o que traz quem nos é próximo, mas até a proximidade é relativa, no mundo global em que vivemos. Não temos todos de mostrar o mesmo, nem todos de ir atrás do mesmo. Gostamos de fazer diferente. E é isso que vamos continuar a fazer. Darei, por isso, o meu melhor para que continuemos a despertar a vontade de ler em quem nos procura.

Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa
Em dezembro de 2019, assumimos um compromisso: dar continuidade a este projeto até que o jornal alcançasse, pelo menos, uma década de existência. Hoje, olhamos para trás com o orgulho de quem não só cumpriu essa meta, como a superou. Consolidámos um espaço de referência na nossa comunidade, somando já 12 anos de história pautados pela defesa da Verdade e da Liberdade.
A minha jornada na liderança deste periódico intensificou-se em julho de 2021, quando assumi a direção editorial. Antes disso, já trabalhava arduamente como responsável pela editora proprietária, prestando apoio à nossa jornalista Sara Sousa Oliveira e a todos os que dedicam o seu tempo a acreditar, connosco, que é possível. Da Sara, recebi um projeto alimentado por uma esperança renovada e uma visão de futuro clara: as notícias que contam.
Desde o início, o nosso trabalho tem sido um verdadeiro laboratório de media. Decidimos inovar, arriscar e, acima de tudo, aprender com os desafios que o jornalismo de proximidade nos impõe. E aprendemos que o jornalismo só é pleno quando compreendemos que ele não é, nem pode ser, um negócio, pois na verdade é um serviço público que exige altruísmo e a entrega constante de quem o faz — um compromisso para com todos aqueles que nos leem, aqui nas ilhas ou na nossa diáspora.
É, assim, com o sentimento de dever cumprido que anuncio a minha saída das funções de diretor. Passo agora o testemunho à Sara, que assume a direção para voltar a liderar os destinos editoriais deste projeto. Natural de Santa Cruz, na Lagoa, a Sara conta com mais de uma década de experiência em órgãos de comunicação social nacionais, além de estar na estrutura do Diário da Lagoa há seis anos.
Como ela costuma referir, gosta “mais de ouvir do que de falar” e “as pessoas são sempre a melhor parte das histórias” que cruzam o seu caminho. “O entusiasmo de poder contar o que acontece” à sua volta é o que a move. Assim, o jornal volta a ter a sua liderança e uma abordagem diferente, mas que, na minha modesta e suspeita opinião, só tem a ganhar.
Quanto a mim, manter-me-ei na editora, mas noutras funções. Somos uma família que luta diariamente para “pôr o pão na mesa”, como tantas outras no mundo. As nossas origens são humildes e tudo o que conquistámos foi fruto do esforço e da educação que os nossos pais nos deram — valores que transmitimos hoje aos nossos dois filhos, por isso somos responsáveis por projetos de pessoas para pessoas, porque somos, na sua essência, uma família.
Nesta nova fase, a Sara assume a responsabilidade pelos projetos jornalísticos e eu ficarei focado na área de comunicação e marketing. Embora o jornalismo seja um serviço público, o marketing garante os recursos necessários para que a nossa redação permaneça livre e totalmente independente de pressões externas. Trata-se de assegurar a viabilidade para que o rigor informativo continue a ser a nossa única bússola.
O jornal continua em boas mãos, fiel às suas raízes e adaptado aos desafios dos novos tempos. Agradeço a confiança de todos os colaboradores, leitores e amigos que me acompanharam nesta direção. Seguimos juntos. Obrigado a todos!