
Com a chegada do verão europeu e a previsão de temperaturas elevadas em vários países, especialistas recordam que a fibromialgia pode sofrer alterações significativas nesta época do ano. Embora alguns doentes refiram uma diminuição da rigidez muscular com o calor, muitos relatam um agravamento da fadiga, perturbações do sono, dores difusas e dificuldades de concentração, fatores que comprometem a qualidade de vida e a autonomia nas atividades diárias.
A Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica tem defendido uma abordagem integrada da doença, considerando que cada doente “reage de forma distinta às alterações climatéricas”.
O presidente-fundador da Academia, o Professor Doutor José Luis Arranz Gil, tem sublinhado a importância de “aprofundar o conhecimento científico sobre a fibromialgia” e de promover uma “maior compreensão por parte dos profissionais de saúde e da sociedade”, contribuindo para um “diagnóstico mais célere e um acompanhamento mais adequado”.
“Durante o verão, a manutenção da qualidade de vida passa pela adoção de medidas preventivas simples, mas essenciais. A hidratação regular, uma alimentação equilibrada rica em frutas, legumes e alimentos com elevado teor de água, bem como a redução do consumo de bebidas alcoólicas e alimentos ultra-processados, podem ajudar a minimizar o impacto do calor no organismo. A prática de exercício físico deve privilegiar as primeiras horas da manhã ou o final do dia, evitando os períodos de maior exposição solar”, explicou José Luis Arranz Gil.
Por outro lado, as festas populares, romarias, arraiais e festivais de verão, muito presentes na tradição portuguesa e noutros países europeus, representam momentos de convívio importantes para as pessoas com fibromialgia, mas exigem alguns cuidados adicionais.
“Permanecer muitas horas de pé, caminhar longas distâncias, dançar de forma prolongada ou enfrentar multidões e elevadas temperaturas pode desencadear crises dolorosas e aumentar a fadiga nos dias seguintes. O planeamento da participação nestes eventos, com pausas para descanso, utilização de calçado confortável e acesso frequente a água, pode reduzir o risco de agravamento dos sintomas”, referiu este especialista.
Ainda segundo José Luis Arranz Gil, a gestão da fibromialgia passa também pelo “equilíbrio entre atividade e repouso”. Este responsável defende que “os doentes não devem abdicar da vida social, mas sim aprender a reconhecer os limites do seu organismo, evitando esforços excessivos que possam provocar dores persistentes ou episódios de exaustão física”.
“A preservação do bem-estar emocional e das relações sociais constitui igualmente um fator importante na gestão da doença”, disse.
Nos últimos anos, a Academia Portuguesa de Fibromialgia, com sede na Covilhã, região Centro de Portugal, tem reforçado a necessidade de “sensibilizar a população para uma patologia que continua a ser pouco compreendida”. A entidade tem promovido ações de formação e divulgação junto de profissionais de saúde e da sociedade civil, defendendo uma abordagem multidisciplinar que inclua medicina, fisioterapia, psicologia, nutrição e exercício adaptado.
“A preparação para o verão deve incluir hábitos regulares de sono, proteção contra o calor intenso, alimentação fracionada ao longo do dia e uma hidratação constante, fatores que podem contribuir para reduzir episódios de dor e fadiga. Para muitos doentes, pequenas adaptações na rotina permitem desfrutar das férias, das festas populares e dos momentos de lazer com maior conforto, preservando a qualidade de vida e reduzindo o risco de percalços associados à fibromialgia”, finalizou o presidente da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica.

José Manuel Bolieiro visitou as obras de reabilitação do Centro de Saúde do Nordeste, uma intervenção que representou um investimento de cerca de um milhão de euros e que permitiu reforçar a segurança, a funcionalidade e a eficiência daquela unidade de saúde.
O líder do executivo açoriano salientou a importância da obra, que veio resolver diversas patologias estruturais e construtivas identificadas no edifício, garantindo melhores condições para utentes e profissionais.
“Conseguimos, através desta requalificação, qualificar este centro de saúde no que diz respeito à sua segurança infraestrutural e também à utilização de soluções amigas do ambiente. Hoje temos melhores condições aqui para prestar cuidados de saúde e para trabalhar”, afirmou José Manuel Bolieiro.
A intervenção contemplou a reabilitação estrutural de elementos em betão armado, a correção de patologias construtivas, a recuperação de fachadas e coberturas, a renovação das redes de abastecimento de água e de combate a incêndios e a instalação de novos sistemas de produção e distribuição de águas quentes sanitárias.
Foram ainda modernizadas diversas infraestruturas técnicas essenciais e realizadas melhorias em áreas como a unidade básica de urgência, consultas externas, fisioterapia, radiologia e serviços administrativos.
A visita permitiu igualmente assinalar os resultados alcançados pelo Centro de Saúde do Nordeste, que continua a afirmar-se como uma estrutura essencial na prestação de cuidados de saúde à população do concelho. Em 2025, a unidade realizou 20.465 consultas de medicina geral e familiar, 7.066 atendimentos na unidade básica de urgência e 25.175 consultas de enfermagem. Foram ainda efetuadas 312 consultas de saúde oral, 2.367 sessões de fisioterapia, 466 consultas de nutrição, 704 consultas de psicologia, 535 exames de cardiopneumologia e 983 exames de radiologia, num total de 58.194 atendimentos.
O Centro de Saúde do Nordeste conta atualmente com 4.924 utentes inscritos, dos quais 4.883 têm médico de família atribuído, correspondendo a uma taxa de cobertura de 99,2%, um dos indicadores mais elevados dos Açores.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, destacou a evolução positiva registada na realização de juntas médicas no Serviço Regional de Saúde, evidenciando a melhoria progressiva dos tempos de resposta aos utentes em toda a região.
Desde 2024 até ao momento, foram realizadas mais de 25 mil juntas médicas nos Açores, das quais 3.595 apenas em 2026, números que refletem o esforço desenvolvido para recuperar pendências acumuladas e garantir maior rapidez na resposta aos cidadãos.
Os dados mais recentes indicam que o número de utentes em espera por junta médica reduziu 24% entre janeiro de 2025 e março de 2026, traduzindo uma evolução favorável na tramitação dos processos pelas unidades de saúde dos Açores.
Importa realçar que Ponta Delgada continua a ser o concelho com maior pressão ao nível dos pedidos de atestados multiusos, concentrando o maior volume de processos na região, realidade que acompanha a dimensão populacional e a procura registada naquela área geográfica.
Ainda assim, verifica-se atualmente que muitos concelhos apresentam apenas pedidos pendentes desde 2025, evidenciando a recuperação gradual das situações mais antigas e a melhoria do acompanhamento dos processos em várias ilhas.
Segundo a governante, esta evolução “resulta do trabalho desenvolvido pelas unidades de saúde da região, da reorganização dos serviços, da realização de juntas médicas extraordinárias e do reforço dos meios disponíveis sempre que necessário”.
Mónica Seidi destacou ainda a aprovação, em 2024, pela Assembleia Legislativa dos Açores, do diploma que adapta à região o regime de avaliação de incapacidades das pessoas com deficiência para acesso às medidas e benefícios legalmente previstos, substituindo um enquadramento legislativo em vigor desde 1999.
A alteração legislativa permitiu aumentar a capacidade de realização de juntas médicas, alargando a possibilidade de recrutamento de médicos para este efeito e reduzindo a pressão sobre os profissionais dos cuidados de saúde primários.

Maria Isabel Martins Vidal
Especialista em Neurologia na Unidade de Vertigem do Hospital CUF Açores
A vertigem e o desequilíbrio são sintomas frequentes na consulta de Neurologia e podem ser provocados por doença neurológica (central) ou do ouvido (periférico). Ambos os sintomas podem resultar de causas agudas, crónicas ou recorrentes.
Nas causas agudas, o AVC isquémico ou hemorrágico é a mais prevalente, representando uma urgência médica. Acompanha-se de vertigem súbita, com descoordenação dos membros e alteração do andar (como se o doente estivesse embriagado), dificuldade em articular palavras, visão dupla, dor de cabeça ou alteração da força muscular ou coordenação. Sendo o tratamento emergente, após a identificação das características do doente, pode ter indicação para terapias específicas, nomeadamente, através de medicamentos que ajudam a desfazer coágulos de sangue ou através da sua remoção através de intervenção cirúrgica.
Dentro dos quadros crónicos, as doenças que atingem o cerebelo – conhecido como o órgão do equilíbrio – podem provocar desequilíbrio progressivo, com instabilidade da marcha, movimentos de balanceio do tronco e uma sensação de visão como se o ambiente estivesse em movimento. Entre estas patologias, incluem-se tumores, doenças degenerativas (como a Doença de Machado Joseph), intoxicações (por exemplo, abuso de álcool ou antiepiléticos) e processos inflamatórios. O tratamento é individualizado perante a causa.
A Doença de Parkinson e outras condições semelhantes podem também provocar alteração do equilíbrio, sendo um motivo frequente de instabilidade postural com quedas recorrentes associadas a outros sinais neurológicos, como lentificação da marcha, rigidez, tremor e postura encurvada. O tratamento do parkinsonismo pode passar por remover medicações que induzem este problema ou por terapêutica específica.
O desequilíbrio crónico também pode estar relacionado com o nervo periférico, que é responsável pela sensibilidade à dor, temperatura e noção de posição de determinada parte do corpo no espaço. A Diabetes Mellitus e o abuso crónico de álcool são doenças frequentes que atingem os nervos e podem manifestar-se com sensação de formigueiro e/ou dor nas extremidades, com agravamento do desequilíbrio no escuro. O manejo da neuropatia (doença do nervo) pode passar pela correção de fatores de risco vascular, como o bom controlo da Diabetes e cessação alcoólica para evitar a progressão das queixas.
Dentro das causas de vertigem recorrente, a enxaqueca vestibular corresponde a episódios de dor de cabeça pulsátil, com sensibilidade ao som e/ou luz, náuseas e/ou vómitos, intensidade moderada a grave, acompanhada temporalmente de vertigem. O tratamento pode passar por medidas higieno-dietéticas e medicamentos que atuam nos dois sintomas.
Nestes casos, é fundamental existir uma investigação neurológica detalhada através de um exame clínico minucioso e de exames complementares de diagnóstico. Diferenciar causas de vertigem e desequilíbrio do ouvido ou do sistema nervoso é essencial para guiar o tratamento e o prognóstico do doente.

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, deu um passo decisivo na vanguarda da segurança hospitalar ao apresentar, no passado dia 13 de abril, o balanço final do projeto STOP Infeção 2.0. Segundo uma nota de imprensa enviada pela instituição hospitalar às redações, a unidade de saúde açoriana conseguiu eliminar totalmente as bacteriemias por cateter na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) entre 2022 e 2025. Este esforço de melhoria contínua não só elevou os padrões clínicos para níveis superiores à média nacional, como permitiu evitar 141 casos de infeção no triénio, traduzindo-se numa poupança direta de 439 mil euros para os cofres públicos da região.
O sucesso da iniciativa, que se enquadra no Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), assenta na aplicação da metodologia “Planear-Fazer-Estudar-Agir”. O desempenho mais notável foi registado na UCI, onde a taxa de incidência de bacteriemia associada a cateter venoso central caiu de 2,72% em 2022 para uns absolutos 0,00% nos últimos dois anos. No mesmo período, as infeções urinárias associadas a cateter baixaram 66,5% e as pneumonias associadas à intubação reduziram cerca de 45%. Mais do que estatísticas, estes números representam um impacto humano profundo, com a estimativa de 24 mortes evitadas graças à adoção de protocolos rigorosos, como o uso sistemático de checklists e a padronização de procedimentos clínicos.
Para além de salvar vidas, a eficiência do projeto STOP Infeção 2.0 refletiu-se na gestão de recursos, libertando 1.464 dias de internamento que seriam consumidos por complicações hospitalares. Este resultado é particularmente significativo dado que foi alcançado num período de grandes desafios organizacionais e escassez de recursos humanos, culminando no reconhecimento público dos resultados na Alfândega do Porto. A nota de imprensa do HDES sublinha ainda que a adesão total dos profissionais de saúde aos novos protocolos foi o fator determinante para consolidar esta cultura de segurança, reafirmando o compromisso da maior unidade de saúde dos Açores com a excelência dos cuidados prestados aos utentes.

Suzana Calretas
Coordenadora do Núcleo de Estudos das Doenças do Fígado
SPMI – Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
O fígado é um dos órgãos mais importantes do corpo humano, desempenhando centenas de funções essenciais à vida. A nível mundial as doenças do fígado representam um problema muito relevante de saúde publica, afetando milhões de pessoas e contribuindo para uma taxa de mortalidade elevada. Em Portugal o panorama não é muito diferente.
Durante décadas, o consumo excessivo de álcool e as hepatites virais foram as principais causas de doença hepática; continuam a sê-lo. No entanto, nos últimos anos tem emergido de forma clara uma nova realidade: atualmente um terço da população adulta vive com uma condição chamada doença hepática esteatósica associada à disfunção metabólica, tradicionalmente conhecida como fígado gordo não alcoólico (esteatose é o termo médico que define a presença de gordura no fígado). Existem várias causas possíveis, embora as mais frequentes sejam o excesso de peso, a diabetes, a hipertensão, o colesterol e/ou os triglicerídeos elevados, sendo o consumo de álcool um fator que por si só provoca esteatose e por outro lado agrava a doença hepática esteatósica associada à disfunção metabólica.
E ter um fígado gordo ou esteatose hepática, não é inócuo. Esta doença, muito ligada ao estilo de vida contemporâneo, pode permanecer silenciosa durante anos. A esteatose pode evoluir com o aparecimento inflamação (esteatohepatite), cicatrizes no fígado (fibrose) que, não sendo atempadamente diagnosticada e tratada pode evoluir para cirrose e até cancro do fígado.
O diagnóstico passa pela realização de uma história clínica que identifique os fatores de risco; análises (que numa fase inicial podem ser perfeitamente normais) e exames de imagem, como a ecografia abdominal e a elastografia hepática; só excecionalmente pode ser necessária a realização de uma biopsia hepática.
Se atentarmos às causas desta doença, facilmente se conclui que ter uma alimentação equilibrada, com menos açúcar, menos ultraprocessados e menos excesso calórico; praticar regularmente exercício físico; controlar o peso e evitar o consumo de álcool são medidas concretas que ajudam a prevenir e melhorar ou reverter uma doença já instituída. Há ainda outros cuidados que têm toda a relevância: controlar a diabetes, a dislipidemia e a hipertensão não protege só o coração, mas também o fígado. Cumprir a medicação prescrita, evitar drogas, não usar medicamentos ou suplementos sem necessidade e manter comportamentos sexuais seguros são outras formas de reduzir riscos e a agressão hepática.
A propósito do Dia Mundial do Fígado que se celebra no dia 19 de Abril, e cujo lema é “Hábitos simples, fígado mais forte” importa por isso relembrar: muitas das doenças hepáticas estão ligadas a hábitos do dia a dia, e pequenas escolhas diárias, implementadas de forma consistente, podem fazer toda a diferença.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, aprovou a adjudicação do procedimento concursal para a aquisição, instalação e manutenção de um sistema de cirurgia robótica destinado ao hospital do Divino Espírito Santo (HDES), investimento que reforça a modernização do serviço regional de saúde.
No âmbito da decisão agora tomada, foi adjudicada a aquisição, instalação e manutenção de um sistema de cirurgia robótica, pelo valor de 2,4 milhões de euros, e a aquisição, instalação e manutenção de uma mesa operatória emparelhável com sistema robótico, pelo valor de 114 mil euros.
O sistema a instalar no HDES corresponde ao modelo IS5000 – Intuitive da Vinci 5, o mais avançado sistema de cirurgia robótica de 5.ª geração, sendo o primeiro deste tipo a ser adjudicado em Portugal. Este equipamento incorpora mais de cento e cinquenta inovações tecnológicas, incluindo visualização tridimensional de alta-definição, maior precisão cirúrgica e tecnologia de ‘feedback’ de força, permitindo aos profissionais de saúde uma intervenção mais segura e eficaz.
Este avanço tecnológico traduz-se em benefícios diretos para os utentes, nomeadamente através da realização de cirurgias minimamente invasivas, com menor trauma, redução de complicações e tempos de recuperação mais curtos.
Para Mónica Seidi, “este investimento representa um passo decisivo na qualificação do serviço regional de Saúde, colocando os Açores na linha da frente da inovação tecnológica em saúde a nível nacional, com benefícios claros na qualidade dos cuidados prestados e na segurança dos utentes”.

Júlio Tavares Oliveira
Professor de PLNM
Licenciado em Estudos Portugueses e Ingleses
Pós-Graduado em Português Língua Não Materna
Uma década é muito tempo, são dez anos, mas uma década de serotonina pode parecer tempo a mais na vida de um jovem – na verdade, é o tempo necessário.
Nem por acaso, há uma década que operacionalizo a minha vida pessoal, e profissional, através de ajuda clínica especializada, ajuda que é principalmente para alguém que, devido a problemas de saúde diversos, permanece numa demanda – muitas vezes, bastante solitária – de mudar de vida.
Se não mudarmos de vida, a vida muda-nos. Então, toda a ajuda é bem-vinda
Quando fiz 18 anos, em 2016, devido a vicissitudes várias na vida, comecei a ser seguido clinicamente, e, mais tarde, por outro clínico, com quem estou desde 2018, devido sobretudo à prevalência de problemas ligados à ansiedade bastante desregulada, a episódios recorrentes de depressão, bastante cíclicos e incapacitantes, entre outros fatores que se devem, entre outras causas diversas, a um défice meu na produção do neurotransmissor essencial para a regulação do humor, do sono, do apetite e da digestão, e que pode ter um impacto significativo na saúde física e também mental – a Serotonina.
A falta de Serotonina, ou a sua redução, está intimamente ligado a problemas de saúde mental adjacentes, como: depressão, ansiedade, transtono obsessivo-compulsivo; transtorno de pânico; problemas no sono ou dificuldades digestivas.
Devido a essa “falta” permanente, a esse défice natural, comecei a tomar vários medicamentos, que me compensaram essa lacuna, entre outras – uns mais grandes e mais potentes do que outros, inclusive, e que tornaram, gradualmente, uma pessoa mais saudável mentalmente, mais operacionalizável, mas que, outrora sem peso a mais, ganhou um aumento abrupto de peso e excesso de problemas de saúde física, devido ao seu peso, até atingir mesmo a Obesidade (grau I).
Embora a minha saúde mental tenha melhorado imenso – e até estabilizado de forma positiva -, o que tenho é, contudo, crónico – a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), esta resultante por exemplo de um défice de serotonina. É algo que, na minha vida, tem sido recorrente e só tem sido efetivamente controlado, mas não definitivamente curado.
Hoje, 10 anos depois, com 28 anos, assinalo 10 anos de ajuda mental, de acompanhamento clínico especializado – de uma acompanhamento que, na verdade, acompanha tanta gente por esse país, que não se reconhece ou que se reconhece como precisando de ajuda.
Um conselho que dou a quem, como eu, tem algo crónico, para a vida, e que provavelmente precisará de alguma medicação, é este: faz por ti, cuida de ti, ajuda-te muito, quando sentires que precisas dessa ajuda tua, também.
Todavia, nem tudo é por via de medicamentos solucionável, apenas, embora ajudem. Uma coisa que a experiência, e a prática, me ensinou é que podemos regular os níveis de serotonina também fazendo exercício físico regular; atividades ao ar livre e com luz natural; controlando o stress; e comendo, por exemplo, alimentos ricos em triptofano.
Uma reflexão pessoal que deixo a todos os leitores: apenas há 1 mês, em dez anos inteiros de tratamento, é que comecei a trabalhar, realmente com vontade e afinco, na regulação da minha serotonina, não apenas por via medicamentosa, que já o faço há dez anos, mas por via também natural, ou seja, recomecei, de forma permanente, as caminhadas ou corridas ao ar livre, dois a três quilómetros por dia, bem como recomecei a comer de forma mais equilibrada e saudável.
Tudo leva o seu tempo a acontecer. E, agora, tento manter uma postura mais saudável, mais rica, menos dolorosa – também para mim, como para os outros que gostam de mim.

A iniciativa «Tratar o cancro por tu» desloca-se a Angra do Heroísmo no próximo dia 12 de março para uma sessão dedicada à literacia em saúde. Segundo comunicado enviado às redações, a temática central deste encontro na ilha Terceira será “Prevenção de cancro: principais fatores de risco”, contando com a participação de Manuel Sobrinho Simões, diretor do Ipatimup e considerado o mais influente patologista do mundo pela revista The Pathologist.
O evento, que terá lugar no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo às 18h30, contará ainda com as intervenções de José Carlos Machado, Nuno Marcos e João Sarmento, além da participação especial de Jorge Sequeira. De acordo com a nota de imprensa da organização, a moderação do debate estará a cargo dos jornalistas da Antena 1, Miguel Soares e Tiago Alves, sendo que cada sessão deste ciclo dará origem a um podcast disponível na RTP Play e plataformas de streaming.
Cinco anos após o arranque do projeto, o Ipatimup regressa à estrada para combater o aumento de novos casos de cancro na Europa. Elisabete Weiderpass, líder do IARC (ramo da Organização Mundial da Saúde dedicado à oncologia), sublinha a importância da clareza na comunicação: “Ao falarem diretamente com os cidadãos com clareza, empatia e verdade, [os cientistas] são essenciais para quebrar tabus e promover o acesso à informação”. Para a investigadora, o uso de linguagem acessível “permite que todos compreendam os riscos” e oferece ferramentas para que as pessoas possam “cuidar da sua saúde com autonomia”.
O anfitrião da iniciativa, Manuel Sobrinho Simões, defende que estas sessões são fundamentais para inverter as estatísticas atuais através da mudança de comportamentos. “A aposta no conhecimento das pessoas com doença neoplásica passa pela mudança do comportamento no sentido da prevenção e do diagnóstico precoce, sem abandonar a importância da complexidade no contexto da medicina personalizada”, afirma o patologista. Além de Angra do Heroísmo, o ciclo de 2026 percorre cidades como Évora, Viana do Castelo e Guimarães, mantendo a parceria com a Antena 1, RTP e Jornal de Notícias.

Maria João Pereira
Farmacêutica
A insulina é uma hormona naturalmente produzida pelo pâncreas e desempenha diversas funções essenciais no organismo: regula os níveis de glucose no sangue, promove o armazenamento de glicogénio nos músculos, estimula a produção de proteínas e lípidos e inibe a produção de glucose pelo fígado.
Na ausência de insulina ou quando esta não atua de forma eficaz, o indivíduo pode desenvolver Diabetes Mellitus (DM), uma doença metabólica crónica, caracterizada por níveis persistententemente elevados de glucose (açúcar) no sangue.
Existem, essencialmente, três tipos de DM:
A DM é frequentemente conhecida como a “doença dos 4 P’s”: poliúria (aumento do volume urinário), polidipsia (sede excessiva), polifagia (fome aumentada) e perda de peso involuntário. Para além destes sintomas, podem surgir visão turva e cansaço.
A longo prazo, podem desenvolver-se várias complicações, nomeadamente: retinopatia diabética, pé diabético, nefropatia diabética, doenças cardiovasculares (como AVC, problemas de circulação e enfarte), maior dificuldade em cicatrizar feridas, infeções recorrentes, disfunção sexual e problemas de saúde oral.
A DM tipo 2 pode, em muitos casos, ser prevenida através da adoção de um estilo de vida saudável, que inclua uma alimentação equilibrada, prática de exercício físico regular, manutenção de um peso adequado, evicção de substâncias nocivas (como o tabaco e o álcool) e vigilância dos níveis de pressão arterial e colesterol.
A DM tipo 1 não é prevenível, por se tratar de uma doença autoimune. Contudo, a adoção de medidas acima mencionadas contribui para um melhor controlo da doença. Neste caso, é necessária a administração de insulina, uma vez que o pâncreas deixou de a produzir.
Por sua vez, a DM tipo 2 pode, inicialmente, ser controlada com alterações de estilo de vida e, posteriormente, com medicação, muitas vezes oral. Em alguns casos, pode também ser necessária a utilização de insulina, dependendo da evolução da doença.
Viver com diabetes pode ser um desafio, mas não significa perder qualidade de vida. Com informação adequada, acompanhamento regular e adoção de hábitos saudáveis é possível manter a doença controlada e prevenir complicações, promovendo uma vida plena e equilibrada.