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D. Armando Esteves Domingues desenha roteiro de renovação e proximidade para a Páscoa nos Açores

Desde o apelo à superação do isolamento clerical na Missa Crismal até ao gesto simbólico de lavar os pés a sem-abrigos na Ceia do Senhor, o Bispo de Angra apresenta uma Igreja que se quer “fora do narcisismo” e centrada no serviço aos mais frágeis

© IGREJA AÇORES/CR

A Diocese de Angra vive a Semana Santa de 2026 sob a proposta de transformação de D. Armando Esteves Domingues: a busca pela vitória do “Homem Novo”. Nas mensagens e celebrações que marcaram os últimos dias em São Miguel e na Terceira, o prelado tem insistido que a Páscoa não pode ser um conjunto de ritos isolados, mas sim uma “peregrinação espiritual” que resulte numa mudança concreta de vida, assente na oração e, sobretudo, na caridade ativa.

Este percurso culminou esta quinta-feira, 2 de abril, com a celebração da Missa da Ceia do Senhor na Sé de Angra, onde o Bispo uniu o simbolismo do altar ao “chão da vida”, lavando os pés a 12 homens em situação de sem-abrigo acompanhados pela associação Novo Rumo.

Na manhã da passada terça-feira, durante a Missa Crismal, o Bispo já havia deixado um aviso ao clero e aos fiéis sobre os perigos do “narcisismo” e da autorreferência. D. Armando alertou para a tentação de uma “pastoral de sobrevivência” ou de isolamento, exacerbada pelos desafios da insularidade e pela falta de meios. Em contrapartida, propôs uma “fidelidade que gera futuro”, baseada na fraternidade presbiteral e na consciência de que o ministério sacerdotal só faz sentido se estiver mergulhado no povo e atento às suas feridas. Para o prelado, a unção recebida pelos padres deve ser o “óleo da alegria” que toca rostos concretos: idosos sós, famílias em dificuldade, migrantes e vítimas de abusos.

A dimensão social tem sido, aliás, o fio condutor de todas as intervenções deste período pascal. A Renúncia Quaresmal deste ano, destinada às populações afetadas por calamidades via Cáritas e Diocese de Leiria, reforça o apelo à compaixão que o Bispo detalhou na Ceia do Senhor. Ao ajoelhar-se perante os mais pobres, D. Armando recordou que a Eucaristia exige uma “gramática de Cristo”: aproximar-se, tocar e servir sem julgar. “A Eucaristia sem caridade é vazia”, afirmou, sublinhando que ser cristão nos Açores hoje passa por ser “pão que se reparte”, garantindo que a esperança da Ressurreição chegue efetivamente a quem mais precisa de sentir a ternura do “Bom Pastor”.

Segue-se agora a Sexta-feira Santa, com a celebração da Paixão do Senhor, incluindo a Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz e a Comunhão, às 15h00.

A Vigília Pascal, considerada “a maior de todas as vigílias do ano”, integra a Liturgia da Luz, da Palavra, Batismal e Eucarística, a partir das 21h00.

As celebrações culminam no Domingo de Páscoa, com missa de Páscoa às 11 horas. Todas serão presididas pelo bispo D. Armando Esteves Domingues.

 

Apresentado Plano que visa reduzir número de pessoas em situação de sem-abrigo

© SRSSS

Foi apresentado esta segunda-feira, 28 de julho, em Ponta Delgada o “I Plano Regional para a Inclusão da Pessoa em Situação de Sem Abrigo – PRIPSSA 2025-2030”. A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, presidiu à sessão.

De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social (SRSSS), o Plano apresentado assentou num estudo técnico prévio que tem como intuito reduzir o número de pessoas em situação de sem-abrigo no arquipélago dos Açores, contando com uma ação “preventiva” do Governo regional dos Açores e instituições.

“Tendo em conta aquilo que têm sido os outros planos, quer o Plano Regional para a Inclusão Social e Cidadania e o próprio programa para combater as dependências, a prevenção é a chave”, defendeu Mónica Seidi, falando no evento tido na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

Segundo a Secretaria Regional que tutela a pasta em causa, o Plano “irá mobilizar entidades públicas e privadas e tem como eixos estratégicos a intervenção, prevenção das situações de risco e gestão de recursos, o alojamento e habitação, o acompanhamento e reabilitação, inserção social e conhecimento e a comunicação e participação social”.

A SRSSS avança ainda que o documento será tornado público ‘online’, para recolha de contributos e sugestões, prevendo-se que a versão final possa estar concluída em setembro, seguindo depois para Conselho do Governo.

Ponta Delgada aposta na capacitação e formação no combate ao flagelo dos sem-abrigo

© CM PONTA DELGADA

A vereadora da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina do Canto Tavares, defende que “a capacitação e formação são a chave para os bons resultados no combate ao flagelo dos sem-abrigo”, segundo nota de imprensa enviada pela autarquia.

“Temos de apostar e muito na preparação e na habilitação dos técnicos, dirigentes e forças vivas da nossa sociedade, que lidam e são, diariamente, confrontados com dificuldades, exigências e pressões provenientes do crescente surgimento de pessoas com maior vulnerabilidade e/ou em situação de sem-abrigo no nosso concelho”, lê-se.

Cristina do Canto Tavares falava na abertura da ação de formação “Redução de Riscos e Minimização de Danos”, na passada semana, organizada pela autarquia de Ponta Delgada e ministrada pela Associação Crescer, que contou com a participação de 50 técnicos e entidades, desde IPSS a Juntas de Freguesia, que trabalham, diretamente com este público, segundo a mesma nota.

“É importante refletir, colocar dúvidas e aprender com os melhores! Para mim, a nível institucional e pessoal, é gratificante ver esta sala cheia de pessoas que querem crescer nas mais variadas formas de intervenção em benefício de uma sociedade melhor. Para mim é um orgulho saber que estamos a trabalhar todos para o mesmo objetivo”, realçou, citada na mesma nota.

A responsável pela área social do município também referiu que “esta é uma boa oportunidade para todos. É uma aprendizagem e um privilégio poder contar com uma associação, que tem provas dadas a nível nacional e uma vasta experiência no combate a este flagelo. A Associação Crescer é detentora de um conhecimento digno de ser partilhado e adaptado ao nosso contexto e é isso que pretendemos com esta iniciativa”.

“Esta é uma ação que irá incidir sobre novas metodologias de intervenção, cuja vertente teórica será explorada no decorrer desta manhã, onde poderão tirar dúvidas e levantar questões, e da parte da tarde haverá, no terreno, uma demonstração prática dos conhecimentos aprendidos”, frisou.

Autarquia de Ponta Delgada cria núcleo para apoiar pessoas sem-abrigo

© D.R.

A vereadora com o pelouro da Ação Social da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina Canto Tavares, assinou hoje protocolos de cooperação com 14 entidades parceiras, formalizando a criação do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA), segundo nota de imprensa remetida à redação.

Segundo o mesmo comunicado, o NPISA trata-se de uma “estrutura pioneira nos Açores que será coordenada pela autarquia com o objetivo de centralizar informações e promover respostas rápidas a pessoas que se encontram a viver na rua ou em situação de grave risco de exclusão social”.

“Articulação e cooperação são as duas palavras-chave fundamentais para que este núcleo possa atingir a sua finalidade: garantir melhores condições de vida ao nível da habitação, saúde, ocupação, bem-estar e projeto individual para a pessoa sem-abrigo”, afirmou a autarca, citada na mesma nota.

A vereadora falava na cerimónia de assinatura dos protocolos, que teve lugar no Centro Natália Correia, onde se deu também lugar à apresentação de um levantamento das pessoas que se encontram em situação de sem-abrigo no concelho.

O Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo propõe-se a acompanhar de perto o fenómeno dos sem-abrigo no concelho e a implementar continuamente estratégias de atuação em resposta às dificuldades identificadas pelas respetivas entidades parceiras, Juntas de Freguesia e também pela comunidade, de acordo com a autarquia.

Visa ainda garantir uma intervenção promotora de integração das pessoas na condição de sem abrigo, assim como coordenar, monitorizar e avaliar a Estratégia Integrada de Combate à Pobreza e Exclusão Social que a Câmara Municipal de Ponta Delgada já tem em marcha.

O NPISA de Ponta Delgada vai disponibilizar atendimento social, equipas técnicas de rua, núcleos de apoio local, distribuição alimentar, distribuição têxtil, respostas de apoio ao alojamento, apoio ocupacional e orientação para o emprego.

A vereadora explicou também que do NPISA fazem parte entidades que são “especialistas em programas de intervenção de rua”, bem como “parceiros promotores de programas ocupacionais para este tipo de população, da área da saúde e solidariedade social, Juntas de Freguesia, e também instituições que trabalham com dependências há muitos anos”.

Da rede de entidades parceiras do NPISA de Ponta Delgada fazem parte as Juntas de Freguesia de Santa Clara, São José, São Sebastião e São Pedro, o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) e o Instituto de Segurança Social dos Açores (ISSA).

O núcleo é também formado por Instituições Particulares de Solidariedade Social, nomeadamente pela ALTERNATIVA – Associação Contra as Dependências; Associação para a Inclusão Social – NOVO DIA; ARRISCA – Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural Açores; Casa de Saúde São Miguel – CSSM; Cáritas da Ilha de São Miguel; Centro Paroquial de Bem Estar Social de São José; Centro Social e Paroquial de São Roque; Instituto Margarida de Chaves; Mãe de Deus – Associação de Solidariedade Social; e SOLIDARIEDAR´ARTE.

O Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo de Ponta Delgada contempla, ainda, um Grupo de Voluntários “que é passível de ser integrado por qualquer munícipe ou pessoa interessada em constituir-se voluntária” acrescenta ainda a nota.