
Maria João Pereira
Farmacêutica
No mundo atual, as drogas têm assumido um impacto crescente na sociedade. Apesar de todo o conhecimento já adquirido sobre os seus efeitos, o uso de substâncias psicoestimulantes continua a aumentar, representando um problema de saúde pública preocupante.
As drogas psicoativas são substâncias que atuam diretamente no sistema nervoso central, alterando a forma como os neurónios comunicam entre si, afetando a perceção, o humor, a consciência e o comportamento do indivíduo. Os psicoestimulantes são um subgrupo de drogas psicoativas que aumentam a atividade cerebral, elevando o estado de vigília, os níveis de energia e o humor. A cocaína, as anfetaminas, o ecstasy e as novas drogas sintéticas são exemplos de substâncias estimulantes.
Estas substâncias afetam, sobretudo, os sistemas de três neurotransmissores fundamentais:
Dependendo da droga em uso, o mecanismo de ação relativamente aos neurotransmissores será diferente e, consequentemente, também o efeito provocado. De entre os principais mecanismos de ação, destacam-se o aumento da libertação dos neurotransmissores e a inibição da recaptação dos mesmos, o que prolonga os seus efeitos no cérebro.
Por causarem sensações de prazer imediato, euforia, aumento da atenção, da energia e hiperfoco, estas substâncias têm um elevado potencial de causar dependência, embora o tipo e a intensidade da mesma variem consoante a substância e o perfil do indivíduo.
A longo prazo, além da dependência, os efeitos começam a aparecer e não são benignos: problemas cardiovasculares e neurológicos, alterações no humor (como depressão e ansiedade), psicoses e episódios de paranoia, que em alguns casos podem ser irreversíveis.
O tratamento deste tipo de dependência, tal como qualquer outro, deverá começar pela tomada de consciência, sem medo de julgamentos ou estigmas. A força de vontade é, muitas vezes, a chave para dar o primeiro passo. A partir daí, o ideal é procurar um tratamento estruturado com uma equipa multidisciplinar preparada para ajudar.
Há vários tipos de tratamentos, que podem incluir:
Todos nós já conhecemos alguém que passou — ou está a passar — por uma situação destas. A empatia e a compaixão podem ser o primeiro passo para o início de um tratamento. Em vez de apontar o dedo, talvez esteja na hora de dar a mão.
A recuperação é possível. Que nunca falte coragem – para pedir, e para oferecer ajuda.

Foi desmantelado um laboratório clandestino destinado à produção de drogas sintéticas em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, no dia de ontem, 22 de maio.
A operação a cargo da Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal dos Açores, culminou na detenção de um homem de 52 anos, fortemente indiciado pela prática dos crimes de tráfico de droga e posse de precursores.
A detenção efetuada pela PJ ocorreu em flagrante delito, durante a realização de uma busca domiciliária no concelho de Angra do Heroísmo.
Segundo comunicado da judiciária, no local foram apreendidos diversos produtos químicos e substâncias precursoras utilizadas para o fabrico de anfetamina, vulgarmente conhecida como “cristal”.
O detido, que possui antecedentes criminais, será presente às autoridades judiciárias para aplicação de adequada medida de coação.

Foram identificadas novas substâncias psicoativas recentemente nas ilhas de São Miguel e Terceira. A descoberta levou a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social, através da Direção Regional da Prevenção e Combate às Dependências, a fazer um apelo ao Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, para a rápida criminalização destas novas substâncias.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pelo Governo Regional dos Açores, o pedido foi enviado tendo em conta que as novas substâncias psicoativas “representam uma ameaça emergente à saúde pública”.
No comunicado é referido que o apelo surge após denúncia feita na última reunião da ‘task-force’ dedicada ao tema. Na reunião “foram apontadas alterações significativas no comportamento de indivíduos com dependência seguidos pela equipa de rua”, avança a Secretaria que tutela a pasta da Saúde na região.
Terá sido a articulação entre as várias entidades, e a disponibilidade imediata da Polícia Judiciária, que permitiu que fossem identificadas as novas substâncias em amostras de droga apreendidas pelas autoridades.
A Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social salienta, também, que o surgimento destas novas substâncias “dificulta a sua identificação pelas autoridades, agravando os riscos associados ao seu consumo pelo seu alto potencial aditivo, toxicidade e efeitos imprevisíveis no organismo”.
Atualmente, estas novas substâncias ainda não estão criminalizadas nem incluídas no quadro legal da Lei da Droga 15/93, de 22 de janeiro, o que cria uma lacuna na capacidade das autoridades de agir eficazmente para controlar o seu consumo, tráfico e distribuição.
A Secretaria Regional diz, ainda, que “o vácuo legislativo compromete a proteção das populações mais vulneráveis, especialmente jovens, e limita os esforços preventivos e repressivos na região, como noutros locais, pelo que a inclusão destas substâncias na legislação é uma medida urgente e essencial para capacitar as autoridades na sua atuação contra o fenómeno”.
A resposta célere e coordenada entre as diversas entidades governamentais, educativas, sociais e de saúde é apontada pela Secretaria Regional da Saúde como a única forma possível de “proteger o bem-estar e a saúde das comunidades açorianas, minimizando o impacto dos comportamentos aditivos e dependências na região”.