
A Câmara Municipal da Lagoa, na ilha de São Miguel, vai assinalar o Dia Mundial da Árvore e das Florestas, no próximo dia 21 de março, com uma ação de limpeza e conservação do trilho da Janela do Inferno.
Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, o evento nasce de uma vasta rede de parcerias que envolve o projeto TransLighthouses, o Expolab, o Centro de Educação e Formação Ambiental de Lagoa (CEFAL), o Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA), a associação Kairós, a Junta de Freguesia de Santa Cruz e a Associação Cultural e Recreativa dos Remédios. Esta união de esforços tem como principal objetivo incentivar práticas de sustentabilidade e reforçar o respeito pelo património natural do concelho, convocando os cidadãos para um papel ativo na preservação da biodiversidade local.
O ponto de encontro para todos os interessados em participar nesta iniciativa está marcado para as 9h00, na Casa da Água – Trail Point, nos Remédios. A organização recomenda que os voluntários se façam acompanhar de calçado e vestuário adequados à prática de pedestrianismo, bem como de água e uma lanterna, acessório essencial para a passagem nos túneis que caracterizam este percurso. Mais do que uma simples recolha de resíduos, a ação pretende sensibilizar para a importância das florestas e para a manutenção da qualidade ambiental de um dos ex-líbris turísticos e recreativos da ilha de São Miguel.
O trilho PRC37 SMI – Rota da Água – Janela do Inferno, inaugurado a 13 de maio de 2014, está equipado com tecnologia de eco-contadores, que permite a monitorização de utilizadores em tempo real, sendo que o percurso registou uma adesão recorde no último ano. De acordo com os dados partilhados pela autarquia, em 2025 foram contabilizados mais de 60.000 acessos, um número que espelha a crescente relevância deste trilho tanto para os residentes da Lagoa como para os turistas que visitam a região, justificando assim o investimento contínuo na sua limpeza e valorização.

A baía de Santa Cruz, na cidade da Lagoa, foi recentemente palco de uma operação de limpeza da orla costeira que resultou na recolha de mais de meia tonelada de resíduos. A ação, realizada a convite da Escola Secundária de Lagoa, contou com a colaboração da Câmara Municipal, através do Centro de Educação e Formação Ambiental da Lagoa (CEFAL), servindo para assinalar o Dia Mundial da Eficiência Energética.
De acordo com comunicação da autarquia lagoense enviada às redações, durante a iniciativa, foram removidos exatamente 450 quilogramas de detritos, maioritariamente provenientes de intempéries que fustigaram a costa. O balanço detalhado da intervenção revela a gravidade da poluição marinha: foram retirados 260kg de madeiras, 160kg de plásticos rígidos, 23kg de borracha e 7kg de ferros. Esta intervenção direta permitiu não só a preservação do ecossistema costeiro, mas serviu também como uma ferramenta de sensibilização da comunidade para a importância da conservação dos oceanos e dos recursos naturais.
A limpeza da orla costeira está diretamente alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, promovendo práticas responsáveis que visam a proteção dos ecossistemas. Em particular, esta ação trabalhou os eixos da “Vida na Água” (ODS 14), focado na conservação dos recursos marinhos, e da “Ação Climática” (ODS 13). Foram ainda destacados os objetivos relativos ao “Consumo e Produção Responsáveis” (ODS 12) e à “Vida Terrestre” (ODS 15), reforçando a necessidade de recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres e marinhos.
Esta iniciativa conjunta entre a Secundária da Lagoa e o CEFAL visa sublinhar a importância estratégica do envolvimento das escolas, das instituições e da comunidade em geral na defesa do ambiente.

Maria Chaves Martins
Licenciada em Direito
A relação entre jornalismo e sustentabilidade ganha cada vez mais espaço na atual conjuntura de emergência climática, aumentando o volume do alerta para as alterações climáticas. Pois, o jornalismo, enquanto importante veículo de conhecimento e literacia da população, é responsável por disseminar informação produto de trabalho de investigação, despertando consciências, promovendo a construção de opiniões, criando debate e fortalecendo a democracia.
É incontestável a importância do jornalismo como parceiro no combate à crise climática, norteado pelas diretrizes da justiça social, cultura de prevenção de riscos e desastres climáticos e fiscalização do poder, expondo atitudes que privilegiam poucos à custa do interesse comum e contrários ao estado de emergência climática.
Essa atitude fortalece a cidadania e a capacidade de ação dos sujeitos sociais, fomentando uma relativa inquietude que mobiliza o combate aos contribuintes da aceleração do aquecimento global, reivindicando a responsabilização dos decisores.
Os jornalistas oferecem informações que alertam para riscos e danos ecológicos, possibilitando a sua compreensão, servindo de interlocutores entre a comunidade científica, decisores das políticas públicas, agentes económicos e a sociedade em geral. Esses profissionais tornam percetível linguagem técnica e, por vezes, inacessível à larga maioria, sem prejuízo de alertar para a marginalização de grupos e de interesses específicos contrários aos comunitários.
Esse papel incentiva a população a participar na tomada de decisões estratégicas para o clima, incrementando a democracia climática participativa, pressionando os decisores e agentes económicos na adoção de comportamentos ambientalmente responsáveis.
Por isso, os jornalistas, sobretudo os que denunciam a inação dos governos no combate climático, enfrentam situações de perigo e violência dirigidas por entidades públicas e privadas, pois são alvo de assédio, online e offline, processos judiciais, ameaças, entre outras formas de violência que visam constranger a sua liberdade e atuação.
Dados recentes da UNESCO demonstram que cerca de 70% dos jornalistas que narram a crise climática ou desenvolvem investigação ambiental sobre segurança alimentar, consumo, energia, desflorestação, poluição, agropecuária, etc, sofrem alguma forma de violência. Para o efeito, os jornalistas admitem já se terem autocensurado, limitando a informação que é transmitida como forma de salvaguarda pessoal.
O jornalismo tem uma missão crítica na promoção da sustentabilidade. Porquanto, ao tornar visíveis os impactos das ações humanas e as possíveis soluções, ajuda a sociedade a tomar decisões conscientes e informadas, exigindo responsabilidade de governos e empresas.
Daí que a transição digital dos jornais seja igualmente importante para aumentar a rapidez e alcance da informação, disseminando informações ambientais urgentes. A par disso, potencia a interatividade com os leitores: dados abertos, mapas interativos e imagens de satélite. Juntos, formam uma discussão que envolve sustentabilidade, tecnologia e o futuro da comunicação.
Todavia, é de evitar o “greenwashing jornalístico”, fomentando práticas que não são realmente sustentáveis, e combater algoritmos que privilegiam apenas entretenimento em vez de assuntos ambientais.
A transição, parcial e conciliada, do jornalismo do papel para o digital deve ser vista como um passo rumo à sustentabilidade, num mundo caracterizada pela rápida mudança.

O evento, que contou com a participação de especialistas, empresas e entidades públicas e privadas, centrou-se na partilha de boas práticas e nos desafios ligados aos pilares ESG (Environmental, Social and Governance). A governante, em representação do presidente do Governo dos Açores, destacou a importância de instrumentos estratégicos regionais.
Na sua intervenção, Berta Cabral frisou que a região possui a Cartilha de Sustentabilidade dos Açores e a Política de Sustentabilidade do Turismo dos Açores, que considera “fundamentais para orientar investimentos e decisões empresariais”.
Entre os temas discutidos nas jornadas, mereceram particular atenção a economia circular, a mobilidade elétrica, a gestão sustentável de frotas empresariais, o acesso a financiamento para projetos responsáveis e a relevância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como referência para as políticas.
A secretária regional salientou a posição única do arquipélago, afirmando que “os Açores têm condições únicas para assumir-se como um laboratório vivo de soluções sustentáveis”. Exemplificou esta visão com iniciativas no setor energético, os avanços na certificação de destino turístico e os projetos de mobilidade elétrica.
A governante reforçou o papel ativo da região na matéria: “Mais do que alunos exemplares, temos sido verdadeiros agentes de mudança, com uma corrente dinâmica de grande capilaridade, que se estende às nossas nove ilhas e a todos os quadrantes da nossa sociedade.”
A responsável pelo Turismo recordou, ainda, o reconhecimento internacional da estratégia de desenvolvimento regional. A conquista do Nível Ouro na certificação EarthCheck, como “Destino Turístico Sustentável”, é, segundo Berta Cabral, “um reconhecimento internacional que valida a estratégia de desenvolvimento turístico e que coloca a Região como exemplo de referência no mundo, que internamente importa reconhecer e valorizar sem qualquer inibição”.
O encerramento das jornadas terminou com um apelo à ação coletiva e ao envolvimento de todos os setores: “Precisamos de todos – empresas, instituições públicas, comunidades e cidadãos – para transformar os compromissos em resultados concretos, garantindo que a sustentabilidade seja o motor do nosso desenvolvimento económico, social e ambiental.”

O OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, no lugar da Atalhada, na cidade da Lagoa, vai acolher a segunda edição do “Encontro dos Açores para o Mundo”, a 4 de outubro, que este ano marca a celebração dos 11 anos do lançamento da edição impressa do Diário da Lagoa.
No primeiro sábado de outubro, das 16h30 às 17h30, no edifício do OVGA, na Avenida Vulcanológica, n.º 5, serão debatidos temas como Jornalismo e Liberdade de Imprensa, Sustentabilidade e Ambiente, bem como o papel do jornal local na promoção da leitura. O fundador do Diário da Lagoa, Norberto Silveira Luís, cerca de seis anos depois de ter regressado a São Jorge, vai voltar a São Miguel para participar na iniciativa.
Nuno Pereira, em representação do OVGA, fará o discurso de abertura para depois o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes iniciar a moderação da sessão.
A sessão conta com os oradores: Norberto Silveira Luís, fundador do Diário da Lagoa, Catarina Rodrigues, professora na área de Ciências da Comunicação na Universidade dos Açores e investigadora da Universidade da Beira Interior, Eduardo Marques, professor na área de Serviço Social e investigador na Universidade dos Açores, e Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa.
Depois, das 17h30 às 18h00, o cronista Roberto Medeiros irá apresentar a exposição que ficará patente no OVGA, enquanto será servido chá, biscoitos e bolo num momento de conversa e descontração. A mostra será itinerante por instituições do concelho. A entrada é livre e aberta a todos.

A proposta europeia de unificar os fundos da Política Agrícola Comum (PAC) num único envelope financeiro, juntamente com os fundos de coesão e regionais, está a ser vista com preocupação pela Federação Agrícola dos Açores (FAA). A medida transfere para os governos nacionais a responsabilidade de gerir um orçamento que a Federação considera “cada vez mais reduzido”. No caso específico dos Açores, esta mudança pode significar uma “ainda menor autonomia nas decisões orçamentais e de estratégia”.
A “nacionalização” dos fundos da PAC, acompanhada de um corte geral de 22% nas verbas, pode, segundo a Federação, “ameaçar a estabilidade, a previsibilidade e a equidade do apoio aos agricultores portugueses e europeus”. A entidade sublinha que esta nova gestão “abre a possibilidade da realocação de verbas para outras prioridades nacionais”, como a defesa, por exemplo.
O documento em questão refere-se às regiões ultraperiféricas apenas na área da transição energética. Não se sabe se a proposta mantém a possibilidade de reforço do POSEI ou se haverá espaço para a introdução do chamado POSEI-transportes, um tema já debatido pelos Açores na Comissão Europeia.
O processo de negociação do novo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) é demorado, pois exige um acordo unânime entre o Parlamento Europeu e o Conselho. A expetativa é que este acordo seja alcançado até ao final de 2026, com a entrada em vigor do novo QFP a partir de janeiro de 2028.
Neste contexto, a FAA alerta para a “pertinência” de o Governo regional e os eurodeputados tomarem iniciativas urgentes. O objetivo é sensibilizar as instâncias europeias para as particularidades dos Açores, destacando não só a importância socioeconómica da agricultura, mas também as limitações impostas pela sua ultraperiferia em relação à União Europeia e pela própria dispersão arquipelágica, que cria “duplas assimetrias entre ilhas”.
A FAA conclui, reforçando que o “reforço do POSEI é um dos instrumentos que contribui para uma maior coesão com a UE”.

O município do Nordeste deu um passo importante no percurso de sustentabilidade ao realizar o primeiro laboratório municipal de sustentabilidade ODS Local nos Açores, fruto de uma parceria entre a Associação de Municípios, Governo Regional dos Açores (através Cartilha de Sustentabilidade) e a plataforma nacional ODS Local.
A realização do laboratório contou com o apoio da equipa de acompanhamento da Cartilha de Sustentabilidade dos Açores, que tem aconselhado o município do Nordeste no percurso de sustentabilidade desde a adesão à Cartilha.
O laboratório municipal de sustentabilidade consistiu na apresentação à comunidade, e sobretudo às entidades e instituições locais, do trabalho desenvolvido desde a adesão à Cartilha, e mais tarde à plataforma nacional ODS Local, especificamente, o seu Plano de Ação 2020/2030.
O Plano de Ação do Município do Nordeste, que se encontra a decorrer desde 2021, abrange, neste momento, seis objetivos/metas de desenvolvimento sustentável (ODS) e um total de dezoito ações, com evidência para a erradicação da pobreza, saúde de qualidade, indústria, inovação e infraestruturas, cidades e comunidades sustentáveis, produção e consumos sustentáveis e proteção da vida terrestre.
O presidente da Câmara do Nordeste, António Miguel Soares, acompanhou os trabalhos do laboratório, tendo manifestado a intenção de alargar a abrangência do plano de ação do município tendo em conta a necessidade de responder a problemas mais emergentes e aos desafios futuros no âmbito do quadro comunitário 2020/2030.

A cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, acolheu esta sexta-feira, 28 de março, o «Fórum de Progresso», organizado no âmbito da Cartilha de Sustentabilidade dos Açores, um documento que norteia as boas práticas de sustentabilidade no arquipélago. O evento decorreu no Nonagon, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, e reuniu diversas entidades e parceiros para discutir os avanços e desafios na sustentabilidade do arquipélago açoriano.
O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, acompanhado pela Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, participou e expressou entusiasmo pela causa da sustentabilidade, sublinhando o orgulho pelas conquistas já alcançadas.
“Temos presenciado e testemunhado todo o ânimo envolvente, e agradecemos a todas as entidades e parceiros pelo bom rumo deste projeto”, afirmou.
José Manuel Bolieiro lembrou ainda que os Açores são o primeiro arquipélago do mundo certificado como destino turístico sustentável pela entidade EarthCheck, seguindo os critérios do Conselho Global de Turismo Sustentável.
O governante destacou a importância de acrescentar valor aos feitos alcançados e continuar a inovar: “a verdadeira responsabilidade da sustentabilidade é salvar a vida humana, a vida animal e a vida vegetal”.
No evento foi também abordada a primeira edição do Prémio Regional da Sustentabilidade, lançada em novembro de 2024, com o objetivo de distinguir projetos e boas práticas que promovam um impacto positivo nos Açores e na Agenda 2030 das Nações Unidas. Os vencedores desta edição foram, no Prémio Liderança: The Blue House Azores – Atelier Blacklar; no Prémio Governança: Projeto Ação Ambiental, Colaborar, Eficiência e Recuperar – Euroscut e Projeto Sustentabilidade de A a Z – Azores X; e no Prémio Cooperação: PLVF – BEL Portugal, SA e Projeto Sertã Solidária – Cresaçor.
O prémio contou com um júri constituído por Laetitia Arrighi de Casanova (B Lab Portugal), João Ferrão (CNADS e ODS Local) e Teresa Borges Tiago (CEEAplA – Centro de Estudos de Economia Aplicada do Atlântico). No total, candidataram-se 13 entidades provenientes das ilhas de São Miguel (dez), Pico (dois) e S. Jorge (um).
O evento contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, e da Coordenadora da Estrutura de Sustentabilidade do Destino – Açores DMO, Carolina Mendonça.

O Triângulo, composto pelas ilhas de São Jorge, Pico e Faial, é oficialmente a primeira bio-região dos Açores, integrando uma rede internacional com mais de 1.300 bio-regiões espalhadas pelo mundo, as quais são procuradas por milhões de pessoas para destino de férias.
A cerimónia de adesão da bio-região do Triângulo – Açores à Rede Internacional I.N.N.E.R. foi formalizada na ilha de São Jorge, no âmbito da parceria firmada entre a Associação de Municípios do Triângulo (AMT) com a Trybio e o Governo Regional dos Açores.
Para Luís Silveira, presidente da AMT e do município de Velas, a criação desta bio-região irá permitir a promoção deste destino turístico dentro daquilo que é o Destino Açores, contribuindo também para a sustentabilidade e desenvolvimento destas três Ilhas.
Para o autarca de Velas, a classificação do Triângulo como bio-região é sem dúvida uma mais-valia para toda esta rede de bio-regiões, pelas especificidades que detém o arquipélago dos Açores e em particular o Triângulo São Jorge, Pico e Faial.
As bio-regiões consistem em áreas geográficas onde agricultores, cidadãos, operadores turísticos, associações e o poder local estabelecem uma parceria para a gestão sustentável dos recursos locais, dando centralidade à produção e consumo alimentar de base biológica e agro-ecológica.
Como objetivos essenciais, a bio-região adota uma abordagem inclusiva do sistema alimentar, possibilitando como momento determinante alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Estes objetivos baseiam-se nos princípios da Agricultura Biológica, Ecologia, Saúde, Justiça e Precaução, conforme definido pela IFOAM – Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Biológica, solicitando-se a cooperação com as organizações, como a agroecologia, agroflorestal, permacultura, biodinâmica e regenerativa.

Foi lançada a campanha “Uma nova vida à esperança – Onde estão as pilhas e os REEE?”, nas instalações da Cáritas da Ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, segundo comunicado do Governo Regional.
“Esta campanha, promovida anualmente pela European Recycling Platform (ERP) Portugal, assume um papel de grande relevância para a sensibilização da nossa sociedade, no que se refere a uma adequada gestão de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE) e de pilhas”, sublinha Alonso Miguel, secretário regional do Ambiente e Ação Climática, que presidiu à apresentação do projeto.
“Trata-se de uma iniciativa que se destaca, não apenas pelo evidente contributo em termos ambientais, ao promover o encaminhamento responsável destes resíduos para destino adequado, dando um contributo para a redução do risco de contaminação do solo, da água e da atmosfera, mas também pela repercussão em termos sociais, ao associar essa missão a uma causa solidária, numa abordagem inovadora”, prosseguiu ainda o governante, citado na mesma nota.
Alonso Miguel destacou a importância de uma gestão adequada dos fluxos específicos de resíduos, como os equipamentos elétricos e eletrónicos e as baterias e acumuladores, que “continuam a representar um desafio significativo para o país e, em particular, para a Região Autónoma dos Açores”.
Para o governante, “importa elucidar e despertar a sociedade para o facto de que, mesmo simples gestos, como o encaminhamento para os pontos de recolha apropriados de pequenos eletrodomésticos, brinquedos elétricos ou pilhas usadas, fazem toda a diferença”, acrescentando que “iniciativas como esta campanha promovida pela ERP Portugal, em colaboração nos Açores com o Governo Regional, a Cáritas Diocesana dos Açores e a Okeana Ambiente, assumem um papel essencial para esse efeito”.
O secretário regional reconheceu que “são cada vez maiores os desafios” pela frente “ao nível da prevenção e da gestão de resíduos, pelo que é fundamental dar continuidade ao trabalho que tem sido desenvolvido na Região e reforçar a aposta, de forma continuada, na sensibilização e educação ambiental, perspetivando a sua capacidade de modificar atitudes e comportamentos”.
O secretário regional do Ambiente e Ação Climática aproveitou a ocasião para destacar a aprovação, em 2023, do novo Programa Estratégico de Prevenção e Gestão de Resíduos dos Açores (PEPGRA 20+), bem como a revisão do Regime Geral de Prevenção e Gestão de Resíduos e da Regulamentação da Gestão de Fluxos Específicos de Resíduos da Região Autónoma dos Açores.
Alonso Miguel recordou também que a criação do Roteiro para a Economia Circular Regional, “permitiu desenvolver uma Agenda para a Economia Circular dos Açores, já concluída e em fase aprovação, com vista a adaptar à Região o novo de Plano de Ação para a Economia Circular, que é um dos pilares do Pacto Ecológico Europeu”.
O governante lembrou ainda que “foram desenvolvidos outros projetos de significativa importância para melhoria da gestão de resíduos nos Açores, como as intervenções de reestruturação dos Centros de Processamento de Resíduos da Região, para adaptação ao processo de recolha seletiva de biorresíduos, que representaram um investimento superior a seis milhões de euros”, acrescentando que “está ainda previsto um investimento de cerca de três milhões de euros, para modernização dos processos de reciclagens nestas infraestruturas, com início já em 2025”.
“Tiveram ainda início, já este ano, dois projetos Interreg Mac inovadores, no âmbito da economia circular, designadamente o projeto TEXTIL, focado na valorização de resíduos têxteis, e o Projeto Circular Ocean, dedicado ao combate ao lixo marinho”, referiu.
Alonso Miguel assinalou ainda “o sucesso da implementação do sistema de depósito de embalagens não Reutilizáveis de Bebidas nos Açores, num investimento que ascendeu a cerca de dois milhões de euros e que permitiu recolher mais de 17 milhões de embalagens em pouco mais de dois anos”.
“Com todos estes esforços, com a boa colaboração e articulação entre todas as entidades com competência na gestão de resíduos, e com o contributo fundamental da sociedade, e de cada Açoriano individualmente, temos garantido um percurso muito positivo na Região, no que à gestão de resíduos diz respeito”, destacou o secretário regional, de acordo com o mesmo comunicado.
Alonso Miguel concluiu realçando que “os açorianos têm demonstrado uma crescente consciência ambiental, sendo que iniciativas como a campanha” dos equipamentos e pilhas “são determinantes para darmos continuidade a este trajeto positivo, no sentido de atingir o desígnio último, de garantir o desenvolvimento sustentável da Região”.