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A música “significa poder ser livre”: João Ponte, uma vida dedicada ao canto

O coralista tenor João Ponte ressoa com intensidade no mundo da música. Natural do Rosário da Lagoa e ainda com 26 anos, seja nos palcos, como intérprete, seja na sala de aula, como formador, tem trilhado o caminho desde tenra idade

João acredita que o equilíbrio entre as várias atividades é o que o permite viver de forma mais intensa © JOÃO FERREIRA

A relação de João Ponte com a música começou muito cedo. Aos cinco anos, já se destacava no Coro Vozes de Maria, onde iniciou a sua formação artística. Esse foi apenas o primeiro passo de uma jornada que o levaria a explorar diferentes instrumentos e técnicas vocais. Além do coro, também se dedicou ao estudo do trompete no Conservatório e ao piano.

João sempre teve um ambiente familiar favorável à música. Cresceu num contexto em que a igreja e o coro desempenhavam um papel central, o que o motivou a buscar mais. “A música sempre foi um hobby para mim, uma maneira de fugir à realidade, de me desconectar”, revela. Embora nunca tenha visto a música como uma profissão no início, o talento e a dedicação começaram a dar frutos.

Durante a semana, é formador na Escola Profissional de Nordeste, tendo já passado por diversos estabelecimentos de ensino. É também professor de canto e técnica vocal e de coro na Academia de Música da Povoação. Nos fins de semana, é organizador de eventos. Para além destas atividades, aposta na sua carreira como solista, participando em vários eventos. É também membro de várias academias e instituições culturais, nomeadamente a academia Musical de Lagoa.

Além da sua formação na música, João também investiu na sua educação académica. A sua paixão pela comunicação era evidente desde os tempos de escola, quando começou a escrever um blog. João, inicialmente, sonhava ser hospedeiro de bordo. No entanto, a sua vida tomou rumos diferentes. Após licenciar-se em Comunicação Empresarial, no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, em 2019 seguiu para o mestrado em Comunicação, Redes e Tecnologias, também no Porto. Porém, nunca abandonou a música. Ainda em 2016, frequentou o Conservatório de Vozes e Artes Performativas do Porto, no Curso de Canto e Técnica Vocal.

Foi nesse ambiente que João começou a integrar diversos coros, como o Coro Litúrgico Universitário do Porto, o Magma Gospels, Vocare Gospel Choir, entre outros. Esses projetos deram-lhe visibilidade como intérprete e abriram portas para a sua carreira solo.

Foi também naquela cidade do norte que o cantor açoriano teve oportunidade de ser por duas vezes protagonista do musical “Beauty and the Beast”, apresentado no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, destaca João Ponte.

A atuação em 2023, como solista na gala de aniversário do Jornal LusoPresse, em Montral, no Canadá, foi também outro momento importante na sua carreira, mas no seu portfólio constam dezenas de atuações como cantor.

A música como liberdade

Apesar da sua idade, o jovem cantor, natural do Rosário, diz-se grato por tudo o que conseguiu até hoje © JOÃO FERREIRA

Para o jovem tenor lagoense, a música é uma forma de liberdade: “a música significa poder ser livre. Posso criar o que quiser, sem ter que seguir uma linha rígida”, afirma. Esse desejo de liberdade é o que o impulsiona a explorar diversos estilos e formatos dentro da música, como ópera e musicais.

João também se destaca no teatro musical, uma área que começou a explorar mais recentemente, em parte graças ao trabalho com a professora Isabel Maia e o diretor Paulo Ferreira. “Foi aí que as portas realmente começaram a se abrir para mim no meio artístico”, comenta.

Quando questionado sobre com que área mais se identifica, João Ponte responde de forma sincera: “não me conseguiria desprender de nenhuma delas. Vivo da música, mas o trabalho como formador dá-me uma segurança financeira.” Acredita que o equilíbrio entre as várias atividades é o que o permite viver de forma mais intensa e gratificante.

João Ponte observa na sua carreira multifacetada como uma forma de se manter em constante evolução: “não tenho um único caminho. A música, os eventos, o ensino, tudo isso ajuda-me a crescer e a desafiar-me”.

O futuro e a gratidão pelo caminho percorrido

Apesar da sua idade, o jovem cantor diz-se grato por tudo o que conseguiu até aqui e pela oportunidade de explorar tantas áreas: “em 26 anos, já fiz tanta coisa, e sou muito grato por isso”.

O cantor também reconhece a responsabilidade que essa notoriedade traz. A ligação com sua cidade é forte, e ele sente que tem de representar a sua comunidade de forma digna. “Ser natural do Rosário tem me dado muito peso nos ombros, mas no bom sentido. Sinto que tenho uma responsabilidade para com a minha terra”, afirma. É também a Lagoa que lhe tem proporcionado várias oportunidades na música, destaca ainda o cantor.

Com um futuro promissor pela frente, João Ponte continua a viver a música como uma verdadeira forma de expressão e liberdade.