
Os jovens do concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, vão passar a ter acesso a experiências profissionais em Sainte-Thérèse, no Quebeque, no âmbito de um novo acordo entre as duas localidades que pretende abrir portas a novas vivências culturais e de trabalho no estrangeiro. A medida insere-se no reforço da geminação existente entre os dois territórios e estende-se igualmente aos jovens canadianos que queiram conhecer a realidade açoriana.
O projeto foi acertado durante uma deslocação de quatro dias ao Canadá realizada pelo presidente do município, Frederico Sousa, e pela vereadora Albertina Oliveira. A visita, divulgada em nota de imprensa pela autarquia lagoense, serviu para aproximar a comunidade emigrante e estabelecer contactos diretos com o tecido empresarial de Sainte-Thérèse e Toronto.
A passagem por Sainte-Thérèse ficou marcada pela inauguração da Place de Lagoa, um novo espaço público batizado em homenagem aos imigrantes do concelho ali radicados. A comitiva visitou empresas locais que empregam açorianos, passou pela Maison Lachaîne e pelo Instituto de Formação em Novas Tecnologias, reunindo ainda com a Câmara de Comércio e Indústria Thérèse-De Blainville.
Já em Toronto, a agenda esteve focada na atração de investimento e na consolidação de parcerias com as tecnológicas Jolera e Connexall, multinacionais que já operam a partir do Tecnoparque da Lagoa e cuja expansão no concelho esteve em análise. A deslocação incluiu ainda uma reunião com a cônsul-geral de Portugal, Ana Riquito, e um encontro com a diáspora na Casa dos Açores de Ontário.
“Esta deslocação permitiu dar continuidade aos fortes laços de amizade que unem a Lagoa e Sainte-Thérèse, mas também criar novas pontes de cooperação, sobretudo a nível empresarial”, destacou o presidente da câmara, Frederico Sousa, apontando o conhecimento mútuo dos mercados como caminho para futuras parcerias de negócio.

Rui Amaral é natural da freguesia de São Pedro Nordestinho, concelho do Nordeste, mas foi na cidade de Toronto, Canadá, que cresceu e estudou, acompanhando os pais na onda da emigração logo após a conclusão das obras de construção do centro de saúde do Nordeste, no final da década de 80 do século passado.
Desde cedo revelou interesse pelas artes e depois de experimentar o teatro e a dança, acabou por tirar mestrado em Curatorial Studies and Criticism na Ontario College of Art and Design. Atualmente, é curador-adjunto no Museu de Arte Contemporânea de Toronto e diretor/curador de um espaço artístico privado que disponibiliza exibições gratuitas.
“Desde pequeno que sentia que a minha vida ia ser dedicada às artes”, disse, recordando que “antes de ser curador no museu, fui ator, dançarino e trabalhei em lojas na decoração das montras. Foi aí que comecei a utilizar os objetos para criar histórias”, acrescentou.
Quando começou a frequentar os museus percebeu que “os curadores também faziam isso, mas a um nível diferente. Então comecei a colaborar com artistas e fui-me interessando cada vez mais, ao ponto de decidir ir para a Ontario College of Art and Design”.
A partir daí, nunca mais parou. Apesar de jovem, Rui Amaral coleciona uma impressionante lista de sucessos e tem trabalhado com vários artistas internacionais como Eduardo Basualdo, Carlos Bunga ou Eric N. Mack. Mas foi com Ydessa Hendeles que descobriu a sua verdadeira inspiração. “Foi como uma força… ela é uma artista, uma curadora que nunca sentiu necessidade de ser algo em particular”, explicou.
Contudo, lá como cá, o apoio às artes é fundamental. “No Canadá, como nos Açores, os artistas e as galerias lutam pela continuidade do apoio na representação da cultura e do talento local”, disse.
Rui Amaral vê nas artes e nos artistas um trabalho de salvaguarda do presente. “Os artistas desempenham um trabalho muito importante porque, como digo sempre, como saberíamos que viveram pessoas antes de nós? Por algo que nos deixaram, nomeadamente fotografias, obras de arte, etc. Quando vamos a um museu vemos a nossa história. Isso é que é cultura e precisamos disso porque as pessoas são curiosas por conhecimento”.
Responsável pela montagem, conceção e supervisão das exposições no Museu de Arte Contemporânea de Toronto, Rui Amaral entende que só o trabalho conjunto pode resultar numa boa exposição. “Os artistas têm que ter muita confiança no curador, mas o curador também tem que ter confiança nos artistas para montar uma obra que os orgulhe”.
*Com apoio de Nós Portugueses