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Santa Cruz celebra Santo António com um programa de festa e tradição

A freguesia de Santa Cruz prepara-se para celebrar as tradicionais Festas de Santo António que decorrem entre 9 e 14 de junho. O programa inclui as atuações dos artistas nacionais Toy e Augusto Canário & Amigos, além das habituais marchas populares e dos Casamentos de Santo António. A edição deste ano traz ainda uma novidade

Sérgio Costa, presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, defende que se mantenha a tradição © CARINA SILVA

Celebrar as Festas de Santo António em Santa Cruz é uma tradição com mais de três décadas. Sérgio Costa, presidente da junta de freguesia, destaca que “este é o maior cartaz de festas populares” da Lagoa e o único que celebra os casamentos de Santo António nos Açores. A organização é partilhada entre a Câmara Municipal de Lagoa, a Junta de Freguesia de Santa Cruz e a Igreja Matriz de Santa Cruz, cabendo a cada entidade um papel importante na elaboração do programa. “Foi desde há três anos para cá que nós desenvolvemos as festas de maneira que elas ganharam a dimensão que têm atualmente”, explica o presidente. 

No dia 9 de junho têm início as celebrações, com uma sessão solene de abertura que contará com um momento musical do Orfeão Nossa Senhora do Rosário. O autarca garante que as festas manterão o espírito dos últimos anos, embora introduzam uma novidade na “véspera de Santo António”. No dia 12 de junho haverá, assim, o arraial de Santo António, com a distribuição de sandes de pernil ao público presente, contando com o apoio da Associação de São Martinho.

“A essência destas festas sempre foram as crianças e as marchas infantis”

© DL

As marchas populares voltam a ser um dos pontos altos das celebrações e Sérgio Costa destaca mais um ano de apresentação das emblemáticas Marchas de Santo António. Este ano, participam nove marchas, duas delas provenientes das Feteiras e de São Vicente, sendo as restantes do concelho: “Desde o ano passado, temos todas as freguesias da Lagoa representadas aqui na nossa festa, algo que antes não acontecia”. A maioria das marchas é “de adultos”, sendo visível a preocupação com o decréscimo, cada vez mais acentuado, das marchas infantis. “A essência destas festas sempre foram as crianças e as marchas infantis, mas este ano só temos quatro. Já tivemos muitas mais e agora já não temos marchas das escolas”, acrescenta. 

Glória Moniz, responsável pela marcha infantil do Polo de Leitura da Ribeira Chã e coreógrafa da marcha dos adultos da freguesia, faz um balanço positivo dos ensaios. “As crianças estão muito felizes e aprendem com uma rapidez incrível, e os ensaios com os adultos são uma animação constante”. A responsável salienta que a logística de preparação de uma marcha não é fácil, sobretudo com o aumento dos preços, que exigem um esforço constante. “É difícil, mas quando se faz como o coração é possível”, afirma. Acrescenta ainda a importância de preservar as tradições através das Marchas de Santo António e, não escondendo também a sua “profunda tristeza” pela menor adesão das crianças, reforça a ideia de que incentivar os mais jovens é essencial para o futuro das marchas. 

“Era uma Vez”, relacionado com o projeto de leitura “Contos Infantis”, será o tema da marcha infantil do Polo de Leitura da Ribeira Chã. O grupo, juntamente com outros como o Som do Vento, que voltará a realizar uma marcha este ano, apresenta-se no dia 13 de junho. 

Sérgio Costa afirma que as Festas de Santo António “colocam Santa Cruz no mapa” e considera que a presença de artistas nacionais atrai visitantes de outros locais à freguesia. “As pessoas acabam por ficar aqui na festa e começam a perceber que não é uma festa popular qualquer”, diz. O autarca adianta que a expectativa é receber um número de visitantes semelhante ao dos últimos anos, maioritariamente “conterrâneos”, sendo o turismo ainda “uma pequena parte” do público. O cartaz deste ano inclui os concertos de Toy, a 10 de junho, e de Augusto Canário & Amigos, no dia 14. O programa conta ainda com as atuações de artistas locais, como Nuno Martins e Doce Sinfonia.

A tradição dos Casamentos de Santo António mantém-se

© DL

Serão dois os casais que este ano vão celebrar o matrimónio através da tradicional iniciativa dos Casamentos de Santo António, no dia 11 de junho. O Diário da Lagoa falou com Diana Carvalho, uma das noivas, que manifestou o seu agradecimento às entidades organizadoras, referindo que esta oportunidade lhe permitirá concretizar um sonho. Diana partilha que sempre desejou “casar pela Igreja”, na companhia dos filhos e ser levada “ao altar” pelo pai. “Já temos tudo preparado e estamos ansiosos para que chegue o grande dia”, acrescenta, sublinhando a importância da existência deste apoio.

Preparar as grandes Festas de Santo António é descrito pelo presidente da junta como um trabalho exigente, desde a seleção dos casais inscritos, com base nos “requisitos sociais necessários”, à contratação dos artistas nacionais e à preparação das marchas. 

Sérgio Costa apela ao “manter da tradição”, convidando todos a “aproveitar as festas ao máximo”, uma vez que estas “fazem-se com muito sacrifício e custo”.  O autarca destaca ainda o esforço feito pela organização para manter um cartaz desta dimensão, apesar dos “recursos” limitados, agradecendo o apoio das entidades parceiras, e garantindo que Santa Cruz está pronta para “receber todos da melhor forma”.

Ouvidoria da Ribeira Grande une paróquias na celebração secular do Corpo de Deus

Iniciativa da Confraria do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela decorre entre 1 e 7 de junho. Programa integra tríduo preparatório, conferência e a solene procissão pelas ruas da cidade, reforçando a devoção eucarística e os laços comunitários

© ACÁCIO MATEUS

A Ouvidoria da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, vai celebrar, entre os dias 1 e 7 de junho, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. A iniciativa é promovida pela Confraria do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela, que convida todas as paróquias do concelho a unirem-se nesta importante manifestação de fé.

Segundo a notícia publicada pelo sítio Igreja Açores, o programa arranca com um tríduo preparatório nos dias 1, 2 e 3 de junho, pregado pelo diácono Fábio Silveira. No primeiro dia, a celebração começa às 19h00 e inclui a conferência “A comunidade dos Crentes, a Igreja”, proferida pelo padre Nelson Pereira. Nos dois dias seguintes, o tríduo terá lugar às 20h00.

As celebrações continuam na sexta-feira, dia 6 de junho, com a Eucaristia às 18h30, seguida de um momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento. O ponto alto está reservado para sábado, dia 7 de junho, com uma nova celebração eucarística que culminará com a solene procissão pelas ruas da cidade.

A organização está a cargo da Confraria do Santíssimo Sacramento da Matriz, fundada a 26 de novembro de 1669. De acordo com os seus estatutos, a instituição mantém a missão de preservar esta tradição secular, profundamente enraizada na identidade e na vivência religiosa da comunidade local.

Esta solenidade remonta ao século XIII, instituída pelo Papa Urbano IV em 1264. Celebrada 60 dias após a Páscoa, a festa realça a centralidade da Eucaristia. Na exortação Sacramentum Caritatis, o Papa Bento XVI recorda que este mistério “é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus”.

Em todo o arquipélago dos Açores, a data assume um forte significado comunitário. O documento partilhado destaca o exemplo vizinho da Ouvidoria da Povoação, onde o dia é vivido como feriado concelhio. Agora, a Ouvidoria da Ribeira Grande apela à participação de todos os fiéis para renovar a fé e fortalecer os laços entre as paróquias.

Lagoa celebra 30 anos do Concurso de Maios com reforço nos prémios monetários

Estão abertas as inscrições para a 30.ª edição do Concurso de Maios que, este ano, conta com um incentivo financeiro reforçado para os participantes, totalizando mil euros em prémios

© CM LAGOA

A tradição volta a ganhar vida nas ruas do concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, com o lançamento da 30.ª edição do Concurso de Maios, conforme anunciado em nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense.

O evento, que se assume como um pilar da identidade cultural e do património imaterial da comunidade, está aberto à participação de residentes a título individual, bem como a grupos escolares e instituições coletivas sediadas no município. Com o intuito de valorizar o esforço e a criatividade dos envolvidos, a Câmara Municipal decidiu aumentar o valor global dos prémios para esta edição histórica, distribuindo agora um total de 1.000,00 euros pelos cinco melhores classificados, sendo que o vencedor receberá 300,00 euros, o segundo 250,00 euros o terceiro 200,00 euros, o quarto 150,00 euros e o quinto posicionado 100,00 euros.

Os interessados podem formalizar a sua inscrição até ao próximo dia 29 de abril, utilizando o endereço eletrónico oficial concursodemaios@lagoa-acores.pt ou o formulário disponível no portal da autarquia, onde constam as normas regulamentares. A exposição pública dos trabalhos, que habitualmente transforma o cenário urbano do concelho num roteiro de arte popular, ocorrerá no feriado de 1 de maio, entre as 8h00 e as 18h00. A avaliação será realizada de forma simultânea pelo público, através de votação online na página de Facebook do município, e por um júri técnico composto por três elementos, estando a divulgação dos resultados prevista para o dia 11 de maio.

A vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal da Lagoa, Albertina Oliveira, sublinha que “a realização do Concurso de Maios representa um momento de grande importância para a preservação das nossas tradições e para o reforço da identidade cultural do concelho, envolvendo diferentes gerações num esforço conjunto de valorização do nosso património imaterial”.

Povoação celebra o talento infantil em mais uma edição da Gala Caravela D’Ouro

O Pavilhão Multiusos da Vila da Povoação transforma-se, no próximo dia 11 de abril, no palco da Gala Regional dos Pequenos Cantores Caravela D’ouro, que este ano celebra a sua trigésima segunda edição sob o tema “O Encanto”

© CM POVOAÇÃO

A Vila da Povoação, na ilha de São Miguel, prepara-se para acolher mais uma edição da Gala Regional dos Pequenos Cantores Caravela D’ouro. Segundo nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal da Povoação, organizadora do certame, a XXXII Gala contará com a participação de dez jovens concorrentes. Os artistas serão avaliados por um júri composto por cinco elementos, num espetáculo que procura não só premiar a performance vocal, mas também a qualidade da composição. Estão em jogo os troféus para o primeiro, segundo e terceiro lugares, bem como as distinções para “Melhor Letra”, “Melhor Música” e “Canção Recomendada para Crianças”.

Como já dita a tradição deste evento que une gerações no arquipélago, os participantes serão acompanhados ao vivo pela Orquestra Ligeira da Câmara Municipal da Povoação. Sob a batuta do maestro Carlos Sousa, o conjunto de 17 músicos dará suporte melódico às vozes dos concorrentes, que contarão ainda com o apoio das 22 vozes do Coro Infantojuvenil da Caravela D’ouro, dirigido pela maestrina Andreia Festa Amaral. O palco, decorado sob o mote “O Encanto”, servirá de moldura para um programa que inclui participações especiais de dois representantes do Festival Infantil Baleia de Marfim (Lajes do Pico), um representante do Festival da Canção Infantil da Madeira e a vencedora da edição anterior da gala povoacense.

A condução do espetáculo ficará, uma vez mais, a cargo de Graça Moniz, figura já familiar do público que, nos últimos anos, tem orientado as Galas dos Pequenos Cantores da Povoação.

Grupo Folclórico das Camélias celebra meio século de história ao serviço da cultura furnense

O grupo mais antigo do concelho da Povoação assinalou as suas Bodas de Ouro com um jantar comemorativo que reuniu entidades e a comunidade, lançando um programa festivo que inclui um intercâmbio em Penamacor e um festival em julho

© CM POVOAÇÃO

O Grupo Folclórico das Camélias celebrou oficialmente o seu 50.º aniversário com um jantar comemorativo no Restaurante Vale das Furnas, num momento que reforçou o papel da instituição como o grupo folclórico mais antigo em atividade no concelho da Povoação. Segundo a nota de imprensa enviada à nossa redação, o evento serviu não só para honrar o passado, mas também para projetar o futuro da coletividade, contando com a presença de diversas individualidades, entre as quais Rute Melo, vereadora da Câmara Municipal da Povoação, e o executivo da Junta de Freguesia das Furnas, liderado por Eduarda Pimenta. A celebração foi marcada por um forte espírito de união geracional, unindo representantes do tecido associativo local, desde os escuteiros e a Harmónica Furnense até ao Clube de Motards e instituições paroquiais, todos reunidos para prestar tributo a uma das mais emblemáticas embaixadoras da cultura popular açoriana.

Fundado a 27 de fevereiro de 1976 por Maria Eugénia Moniz Oliveira e Maria Cecília Frazão, a partir do grupo teatral “Jovens Rebeldes”, o percurso das Camélias foi recordado pela atual presidente, Dina Moniz. Durante a sua intervenção, a dirigente enalteceu o papel fundamental das fundadoras e das ex-presidentes, Helena Borges e Margarida Ferreira, dirigindo ainda um apelo direto às camadas mais jovens para que assegurem a continuidade deste legado. “As intervenções de Rute Melo e de Eduarda Pimenta destacaram a importância cultural e identitária do Grupo Folclórico das Camélias para a comunidade”, sublinha a organização, referindo o momento simbólico em que o bolo de aniversário foi cortado pelas três gerações de presidentes da direção.

Composto atualmente por 37 elementos, com idades compreendidas entre os 7 e os 68 anos, o grupo prepara-se agora para um ano de intensa atividade. No âmbito das comemorações das cinco décadas de existência, está já agendada uma deslocação a Portugal Continental entre os dias 3 e 8 de junho, para um intercâmbio com o Rancho Folclórico de Penamacor, no distrito de Castelo Branco. O ponto alto das festividades junto da população local e dos emigrantes terá lugar em julho, com um programa de três dias (17, 18 e 19) que incluirá o tradicional churrasco “Frango à Galo”, um grande concerto musical e a realização do VI Festival de Folclore, onde serão homenageados antigos e atuais componentes que, ao longo de 50 anos, levaram o nome das Furnas a palcos nos Estados Unidos, Canadá, Espanha e por todo o arquipélago.

Ponta Garça celebra a Semana Cultural com foco na educação e tradição local

Entre os dias 23 e 27 de março, a Escola Básica Integrada de Ponta Garça promove um programa diversificado que une ciência, artes e o património da freguesia, culminando na emblemática romaria da comunidade educativa

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A Escola Básica Integrada (EBI) de Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, prepara-se para transformar o quotidiano dos seus alunos e da comunidade local com a realização de mais uma Semana Cultural, que decorrerá entre 23 e 27 de março. Sob o lema “Explorar, Criar e Aprender”, a iniciativa, comunicada pela própria instituição, pretende reforçar os laços entre o estabelecimento de ensino e a sociedade civil, contando com a colaboração de diversas entidades ligadas à ciência, ao ambiente e à cultura açoriana. O arranque das atividades destaca-se pela vertente prática e formativa, incluindo a II edição da Feira de Empregabilidade, Formação e Educação, que reunirá várias escolas profissionais da ilha de São Miguel para apresentar soluções de futuro aos jovens estudantes.

A programação deste ano assume uma forte componente de identidade regional, estando patente uma exposição comemorativa dos 50 anos da Autonomia Regional, organizada pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas da escola. A inovação tecnológica e o conhecimento científico também marcam presença através de um atelier de robótica e da instalação de um planetário, este último sob a responsabilidade do Observatório Astronómico de Santana Açores (OASA). No campo da literatura, a Biblioteca Escolar será o palco do evento “Chá com Letras”, onde serão apresentadas as obras “O Ciclo do Leite”, de Mariana Magalhães e Cristina Quental, e “Aqui Nasceu Ponta Garça”, da autoria de Renato Nunes, além da leitura de “Contos com Garça” por Rosa Cardoso e da partilha digital de cerca de 100 recomendações de livros no formato booktoker.

O cartaz cultural estende-se ainda à música e à criatividade artística, com um concerto do grupo “Pura Folia” e atuações dos músicos emergentes Tomás Sampaio e Marta Tavares. Ao longo da semana, os alunos participarão em oficinas de artesanato, pintura de murais, feiras de plantas e atividades físicas, não esquecendo a vertente ambiental com a plantação de espécies endémicas.

O encerramento da Semana Cultural, agendado para o último dia, será marcado pelo sentido de pertença e tradição: a Associação de Pais organiza uma Romaria que levará toda a comunidade educativa até à Igreja de Nossa Senhora da Piedade para uma celebração eucarística, terminando com um lanche convívio que celebra os costumes enraizados na freguesia de Ponta Garça.

“Sejam fermento e transformem as vossas comunidades”, apela o padre Fernando Teixeira na romaria que juntou várias gerações

Iniciativa da Comunidade de Nossa Senhora de Fátima reuniu cerca de 500 peregrinos de várias paróquias, num caminho marcado por dinâmicas de introspeção e pela forte presença de jovens

© IGREJA AÇORES/CR

Ainda antes do nascer do sol, quando a madrugada guarda o silêncio que amplia o som de cada passo, a Romaria da Comunidade de Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada, começou a contornar as estradas. Entre quase meio milhar de peregrinos, cruzam-se histórias que ajudam a perceber o sentido profundo de um caminho que, este ano, fez paragem no miradouro do Pisão, perto da Ribeira Chã, concelho da Lagoa, num lembrete de que a romaria nunca acaba, pois somos peregrinos a vida inteira.

Patrícia Varão e a filha Maria João, de 11 anos, são presenças assíduas. A filha segue na frente, como uma das “meninas da Cruz”. A mãe, mais atrás, confessa com orgulho: “Desde que me lembro, venho sempre nesta romaria”. Embora pertençam à paróquia de Nossa Senhora do Rosário, na Lagoa, sentem-se em casa. Para Patrícia, a romaria é “um retiro, um parar dos afazeres para ter um tempo só para nós, com Deus… um tempo de introspeção e reflexão”.

Na correria dos dias, onde tudo parece urgente, a romaria por contraste oferece silêncio, oração e disponibilidade interior. É nesse espaço que muitos dizem reencontrar Deus.

Ao longo do percurso, os participantes foram convidados a viver dinâmicas espirituais. Este ano, cada romeiro recebeu uma pedra acompanhada de um poema na primeira paragem de descanso. “As pedras estão no caminho. Guardemo-las todas porque podemos construir um castelo”, explicou uma das dinamizadoras no Centro Pastoral Pio XII. O grupo de cerca de 500 peregrinos — composto na sua maioria por mulheres, mas também por homens e muitos jovens — acolheu a metáfora: cada pedra representa os desafios e momentos de crescimento. “Que cada pedra seja a descoberta de um dom; que sejamos capazes de perceber onde nos encaixamos, pois grãos de areia constroem uma linda praia”, acrescentou.

Imagem viva da Igreja em movimento

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Para o pároco Fernando Teixeira, esta romaria é uma imagem viva da Igreja em movimento. Embora já não caminhe fisicamente, faz-se presente pelo espírito. “Aproveitem a caminhada, fortaleçam-se e, no regresso às vossas comunidades, sejam fermento. Ajudem a transformar a vossa paróquia, sejam amigos”, desafiou o sacerdote, num “caderno de encargos” para uma jornada que culminou com a Eucaristia ao pôr do sol.

O padre Norberto Brum, dinamizador destas romarias quaresmais, sublinhou que a caminhada ganha um significado particular no percurso pastoral da diocese: “Procuramos renovar esta graça batismal e reafirmar o dom de sermos filhos de Deus e termos um Deus que caminha connosco”.

A iniciativa rompe também com o modelo tradicional de romarias exclusivamente masculinas ou femininas. “É uma romaria diferente por ter homens e mulheres; é uma forma de sentirmos esta Igreja como comunidade e povo que se renova dia a dia”, esclareceu o sacerdote.

O simbolismo do vaso novo

Entre as novidades deste ano esteve a dinâmica do vaso partido. Durante a celebração do perdão, um vaso foi quebrado para representar a fragilidade da vida humana, e cada participante depositou ali as suas intenções. No final, os fragmentos foram simbolicamente integrados num vaso novo. “É a nossa vida, muitas vezes fragmentada, que se transforma. É essa mudança que Deus opera em nós”, descreveu o padre Norberto.

Antes da partida, também o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, deixou uma mensagem centrada na persistência: “Quanto mais caminhamos, mais longe vamos… é triste o cristão que para. Quanto mais caminhardes, mais O encontrareis”.

Novas vozes na estrada

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Para a Irmã Hirondina Mendes, da Congregação de São José de Cluny, a experiência foi uma revelação. “É um momento de interiorizar a fé e partilhar os nossos sofrimentos com os de Cristo e da humanidade. Há uma sede de Deus nesta humanidade e é interessante ver tanta gente a procurar essa fonte verdadeira”, afirmou, impressionada com a emoção partilhada pelo grupo.

Bárbara Ramos, natural de Trás-os-Montes e estudante de Medicina, viveu a romaria pela primeira vez. “É desafiante e sinto uma grande irmandade. Esta diferença geracional é uma novidade para mim”, contou a jovem, que vive atualmente um processo de redescoberta espiritual e de aproximação à Igreja.

Batizados na Esperança

© IGREJA AÇORES/CR

Organizada pela Comunidade de Nossa Senhora de Fátima, esta sexta edição da romaria comunitária, sob o tema “Batizados na Esperança”, integra-se no caminho rumo aos 500 anos da Diocese de Angra.
Mais do que os números ou os quilómetros, os peregrinos demonstram que o que fica desta jornada é o que acontece no interior de cada um. Entre pedras simbólicas, silêncio e partilhas, cada passo recordou uma verdade fundamental: por vezes, é preciso caminhar devagar para reencontrar o essencial.

Furnas recupera tradição da procissão do Senhor dos Passos após dois anos de interrupção

Evento marcado para o próximo domingo alia a solenidade religiosa à valorização do património local e coincide com o encerramento da Exposição das Camélias

© PARÓQUIA SANT´ANA-FURNAS

A Paróquia de Sant’Ana das Furnas, no concelho da Povoação, anunciou a realização da procissão do Senhor dos Passos para o próximo dia 1 de março, um evento que desperta este ano uma expetativa renovada entre os fiéis e a comunidade local. Após dois anos consecutivos em que as condições atmosféricas adversas impediram a saída do cortejo, a Comissão de Festas prepara o regresso da celebração à sua normalidade institucional.

Segundo a nota enviada ao nosso jornal pela Paróquia de Sant’Ana das Furnas, o programa religioso tem início marcado para as 16h00, momento em que as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos sairão, respetivamente, da Igreja de Sant’Ana e da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Alegria. O ponto alto da manifestação de fé ocorrerá no Largo das Três Bicas com o solene Encontro das Imagens, onde será proferido o sermão pelo padre Agostinho Lima, ouvidor do Nordeste.

O administrador paroquial, padre Valter Correia, enaltece a resiliência dos paroquianos que, apesar do impedimento da chuva nos anos anteriores, mantiveram o desvelo na ornamentação dos Passos, assegurando a continuidade estética e espiritual da tradição. O responsável aproveita ainda a solenidade para abordar o recente desaparecimento da imagem de Santa Cecília, apelando à união da comunidade na salvaguarda do património sagrado herdado.

O programa culmina às 18h00 com a celebração da eucaristia do segundo domingo da Quaresma. Para os visitantes que se deslocarem à vila, a paróquia recorda que a data coincide com o último dia da Exposição das Camélias, permitindo conjugar a participação nos atos religiosos com a fruição do património natural e botânico que caracteriza as Furnas nesta época do ano.

Lugar dos Remédios celebra 20 anos de tradição com Festival de Cantorias ao Desafio

© CM LAGOA

O Pavilhão Multiusos dos Remédios, na cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, transforma-se no epicentro da cultura popular açoriana entre os dias 6 e 8 de fevereiro, reunindo cantadores de renome e gastronomia regional numa edição que assinala as duas décadas do evento.

O lugar dos Remédios, na freguesia de Santa Cruz, prepara-se para acolher a 20.ª edição do Festival de Cantorias ao Desafio, uma iniciativa da Associação Cultural e Recreativa dos Remédios. Este marco comemorativo de vinte anos de existência volta a elevar a arte do improviso, contando com um cartaz que inclui vozes como Eduardo Papoula, vindo dos Estados Unidos da América, José Eliseu e Roberto Toledo, da ilha Terceira, Bruno Oliveira, de São Jorge, e os anfitriões de São Miguel, Bruno Botelho e Paulo Miranda. A mestria das rimas será acompanhada pelos acordes dos tocadores Fernando Silva, Marco Silva, Renato Cordeiro e Toni Silva, garantindo a autenticidade musical que caracteriza este certame ao longo dos três dias de programação.

Para além do palco, o festival afirma-se como um ponto de encontro gastronómico, oferecendo aos visitantes a oportunidade de degustar iguarias típicas em diversas barracas de comida tradicional, com destaque para as sopas, torresmos, inhames, morcela, chouriço e carne guisada, sem esquecer os doces regionais como as malassadas e o arroz-doce.

A celebração arranca na sexta-feira, dia 6 de fevereiro, pelas 19h30, com a abertura oficial na presença de autoridades locais, seguida pela atuação do grupo Doce Sinfonia às 20h00 e o início das cantorias às 21h00. No sábado, o programa abre às 20h00 com o cantor Nuno Martins, dando lugar aos desafios uma hora depois. O encerramento, no domingo, dia 8, segue o mesmo figurino, iniciando-se com a voz de Mafalda Borges Medeiros antes do último grande momento dedicado ao improviso.

Lagoa com 19 grupos na 16.ª edição do Cantar às Estrelas

Iniciativa, que encerra o ciclo das festividades natalícias, decorre no próximo dia 31 de janeiro e integra as comemorações do aniversário da Sociedade Filarmónica Estrela d’Alva

© CM LAGOA

A cidade da Lagoa, na ilha de São Miguel, volta a cumprir a tradição no próximo dia 31 de janeiro com a realização da 16.ª edição do Cantar às Estrelas. A iniciativa, organizada pela Câmara Municipal de Lagoa em parceria com a Igreja Matriz, conta este ano com a participação de 19 grupos, entre coletividades locais e convidados de outros concelhos. A concentração dos participantes terá lugar pelas 20h00, junto ao edifício dos Paços do Concelho, onde cada grupo realizará uma atuação inicial. Segue-se o habitual desfile pelas ruas da cidade, que culminará na Igreja Matriz de Santa Cruz para as últimas prestações musicais da noite.

Segundo nota de imprensa enviada ao nosso jornal pela autarquia lagoense, esta edição destaca-se pela forte adesão do tecido associativo local, contando com a presença das Sociedades Filarmónicas Estrela D’Alva, Lira do Rosário e Fraternidade Rural de Água de Pau. Participam ainda o CATL – O Borbas, as Escolas Básicas Integradas de Lagoa e Água de Pau, a Associação Musical de Lagoa, o Grujola e diversos grupos de cantares tradicionais das freguesias de Santa Cruz, Rosário, Cabouco e Água de Pau. A estes juntam-se os grupos convidados Vozes do Mar do Norte, da Ribeira Grande, e Vozes da Vila, de Vila Franca do Campo.

O evento está integrado nas comemorações do 139.º aniversário da Sociedade Filarmónica Estrela d’Alva e nas festas em honra da sua padroeira, servindo simultaneamente para encerrar as festividades da quadra natalícia. O programa festivo em Santa Cruz inicia-se a 28 de janeiro, com a abertura do quarto ornamentado na sede da filarmónica e a procissão de velas na ermida de Nossa Senhora do Cabo. Antes do ponto alto das “Estrelas”, na sexta-feira, dia 30, a Igreja Matriz recebe um concerto da Sociedade Filarmónica Estrela D’Alva pelas 20h30. As celebrações terminam no domingo, 1 de fevereiro, com a eucaristia e procissão solene em honra de Nossa Senhora da Estrela.