
Os dados da atividade turística relativos a julho de 2026, divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), confirmam a manutenção da trajetória descendente no setor, com uma quebra homóloga de 2,2% nas dormidas e de 4,0% no número de hóspedes em plena época alta. O cenário motivou alertas simultâneos e convergentes por parte da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) e da Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA), que enviaram notas de imprensa a exigir uma intervenção urgente do Governo regional perante o décimo mês consecutivo de retração no arquipélago.
No acumulado entre janeiro e julho de 2026, os Açores registaram cerca de 2,5 milhões de dormidas, o que representa uma diminuição de 3,7%, e 757,6 mil hóspedes, menos 3,5% do que em igual período de 2025. A evolução açoriana contrasta com a realidade nacional, onde as dormidas cresceram 2,1% em julho e 1,5% no acumulado do ano. A perda de fluxos é particularmente notória no Alojamento Local, segmento em que as dormidas caíram 4,5% em julho e 7,6% no acumulado dos primeiros sete meses do ano. Em sentido oposto, no mesmo mês de julho, o Alojamento Local na Região Autónoma da Madeira registou um crescimento de 8,9%, evidenciando uma diferença de 13,4 pontos percentuais entre os dois destinos insulares.
Ao nível concelhio e insular, São Miguel (que concentra 65,5% das dormidas de hotelaria e alojamento local e 64,4% das dormidas exclusivas do Alojamento Local regional) assinalou recuos de 3,0% no total destes segmentos e de 4,7% no Alojamento Local. Na Terceira, o Alojamento Local registou uma quebra de 12,6%, com os crescimentos no setor a limitarem-se às ilhas de São Jorge (+4,5%) e do Pico (+2,5%).
Ambas as estruturas associativas apontam como causa central para a perda de procura a redução da capacidade aérea e da concorrência nas ligações ao continente, na sequência da diminuição da operação da transportadora Ryanair. A CCIPD e a ALA sustentam que o reforço anunciado por companhias como a SATA e a TAP não compensou o volume de lugares perdidos, resultando num encarecimento expressivo das tarifas. A CCIPD exemplifica com preços para setembro de 2026, em que viajar para a Madeira apresenta custos substancialmente inferiores aos praticados para Ponta Delgada, com diferenças a atingir cerca de 350 euros por passageiro. Por seu lado, a ALA adverte para os riscos de um regresso a um modelo turístico excessivamente dependente da tur-operação tradicional, defendendo que a manutenção de companhias low-cost é indispensável para garantir a democratização do rendimento gerado pelo setor junto de pequenas empresas e famílias.
Perante a iminência do próximo inverno, as duas entidades rejeitam que o aumento nominal dos proveitos da hotelaria tradicional seja utilizado pelo executivo como indicador da saúde global do setor, lembrando a escalada de custos operacionais com pessoal, energia e financiamento. A CCIPD e a ALA reclamam a execução imediata de medidas para a recuperação da capacidade aérea, a captação de novas rotas, o reforço da promoção externa e a concretização dos apoios às acessibilidades.
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