
O Campo de Lagos, na freguesia de Água d’Alto, concelho de Vila Franca do Campo, transformou-se no palco principal do XVI Jamboree Açoriano. A grande atividade regional, organizada sob o lema “Nove Rumos, Um Destino”, mobilizou cerca de 50 por cento do efetivo escutista açoriano e contou ainda com contingentes do Algarve, Santarém, Lisboa e Madeira, além de uma centena de caminheiros dedicados às operações de logística.
A concelebração eucarística de sábado à noite foi presidida pelo bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, seguida pelo tradicional Fogo de Conselho. Na homilia dirigida aos jovens exploradores e pioneiros, o prelado lembrou que “o escuteiro não tem medo de cair; deve ter medo de não se levantar”, acrescentando que “os vossos rumos são muitos, mas o vosso destino é um só: deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraram”.
As dinâmicas no terreno decorreram sob a designação “Aventura do Corisco”, articulando jogos de campo, trilhos, peddy papers urbanos, atividades marítimas, limpeza de orla costeira, animação de idosos e ações de serviço à comunidade. Pela primeira vez no espaço do campo, seis sacerdotes garantiram a celebração diária da eucaristia e a exposição do Santíssimo Sacramento, como salientou o assistente da Junta de Núcleo de São Miguel, padre Norberto Brum.

A organização espacial dividiu os pioneiros pelas lagoas das Furnas, Sete Cidades e Fogo — cada qual com 150 elementos desdobrados em três lagoeiros —, enquanto os exploradores ocuparam setores dedicados às serras da ilha. O chefe regional do Corpo Nacional de Escutas (CNE), João Carlos Tavares, considerou que a iniciativa alcançou os seus objetivos, destacando o fortalecimento de laços num contexto insular e o facto de o escutismo açoriano assinalar cem anos de história ao serviço da formação dos jovens.
A vertente formativa sem recurso a tecnologias foi sublinhada pelos chefes nacionais presentes. Bento Lopes ressaltou a importância de proporcionar aos jovens vivências longe da dependência tecnológica, apontando em simultâneo a necessidade de captação de novos dirigentes. Joana Vasconcelos enfatizou que o movimento escutista consegue “colocar os jovens a dialogar, a trabalhar em equipa e a reinventar novas formas de estar sem as tecnologias”.
Ao nível do recinto, o chefe do Núcleo de São Miguel, Carlos Santos, explicou que a ausência de rede de telemóvel no Campo de Lagos impulsionou o relacionamento interpessoal: “Aqui não há rede de telemóvel e isso faz com que eles socializem mais. Olham-se nos olhos, fazem amigos e vivem experiências que dificilmente esquecerão”. O responsável apontou também as obras de beneficiação no local — como a construção de novos balneários, melhorias na rede de água e edificação de um palco —, intervenções estruturais que não ocorriam desde o jamboree de 2009.

No plano local e operacional, o chefe do Agrupamento 796 de Água d’Alto, Idalécio Faial, observou que a desconnexão digital facilitou a criação de amizades, enquanto Ricardo Costa, chefe do Agrupamento de Ponta Garça — estrutura que comemora 40 anos de existência —, enquadrou a iniciativa como um investimento no desenvolvimento dos jovens.
Entre os participantes, o balanço registou relatos convergentes sobre a aprendizagem e o convívio. Filipa Moniz definiu a vivência escutista como “uma segunda família”, partilhando a ideia de ter encontrado no campo “uma casa”. Outros participantes sublinharam a variedade das atividades, a superação de exigências físicas e a oportunidade de contactar com escuteiros de diferentes ilhas e regiões do país.
O XVI Jamboree Açoriano encerra formalmente esta segunda-feira. O programa do último dia incluiu uma sessão solene e abertura do campo a visitas exteriores, assinalando o encerramento oficial das comemorações do centenário do escutismo na Região Autónoma dos Açores. O calendário futuro do CNE prevê a eleição da Junta Regional em janeiro próximo e a realização do Acaral para os lobitos, estando a próxima edição do ACANUC em São Miguel agendada para 2028.
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