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A propósito de bairristas…

Rui Martins
Deputado pelo CDS-PP na ALRAA

Já há muito que ouço dizer que Artur Lima é um bairrista. Que só defende a Terceira. No entanto, e atendendo a algumas intervenções públicas no mês de Setembro, verifico que Artur Lima tem afinal dignos sucessores!

Falo de Mário Fortuna e Jorge Rita, mas é extensível a outros, inclusivamente jornalistas.

Jorge Rita, agora Presidente do Conselho de Ilha de São Miguel disse o seguinte: “(…) o investimento em São Miguel, tem sempre repercussões positivas em todas as ilhas.”

À partida, parece-me algo com que é fácil de concordar… da mesma maneira que considero que o investimento em qualquer ilha dos Açores tem repercussões positivas para a Região como um todo, seja do ponto de vista económico seja do ponto de vista social. Mas é exactamente aí que reside a diferença… Jorge Rita não vê essa bidirecionalidade… aliás, pela sua entrevista, dá a entender que os investimentos são ambivalentes se forem feitos em São Miguel, ou no resto do arquipélago, ou seja, em São Miguel repercute-se, nas outras ilhas, não.

Dá o exemplo do Porto das Lajes das Flores, que não devia ser só esse, porque o de Ponta Delgada também precisa… Esquece a mais elementar diferença. Se não se fizesse o Porto das Lajes das Flores, remetíamos aquela ilha à indigência, situação que não se verifica em Ponta Delgada. Diz que deveria ter-se aproveitado o PRR para o investimento no Porto e Aeroporto de Ponta Delgada, esquecendo que dessa forma pouco mais se poderia fazer com as verbas restantes. Onde é que ficaria a Habitação, a aposta na Investigação, a Solidariedade Social, etc.?

Discorre sobre a pobreza. Mas aí, já não refere que a maior e mais populosa ilha do arquipélago, à partida, em grande parte também devido a esse facto, é também aquela que mais pesa nos maus indicadores que temos relativamente à pobreza e abandono escolar precoce. O que por outro lado, demonstra que a maior parte dos enormes investimentos que tem sido feitos nas pessoas, para quebrar os ciclos de pobreza, beneficia precisamente a maior ilha do Arquipélago… e bem, considero aliás, que se impõe.

Depois temos Mário Fortuna, que considera que a operação da Ryanair só é subsidiada por causa de operar também para a ilha Terceira, porque a operação para São Miguel não o será.

Alguém acredita nisto? A negociação pode ter os contornos que tiver, e pode ser financiada por um qualquer veículo local, mas financia as duas portas de entrada. Se assim não é, porque é que a Easyjet, que não aceita ser subsidiada, não opera para São Miguel? Por outro lado, porque é que insiste num discurso absolutamente enganador, ao dizer que a operação da Ryanair (como é financiada e serve duas ilhas) é para a Terceira, a operação da United e outras (que são financiadas e só operam para São Miguel) já é para os Açores. Ao menos uniformize o discurso. Ou bem que estas empresas operam para os Açores, ou então chame os bois pelos nomes.

A mesma coisa poderia dizer acerca da Universidade dos Açores. O anterior Reitor é o principal responsável na centralização de recursos em São Miguel. Para este, apenas poderia existir um Centro de Investigação de excelência, o seu. Foi o responsável por não aproveitar o PREVPAP e regularizar a situação de dezenas de Investigadores precários nesta Região, sobretudo nos pólos da Horta e de Angra. O pólo do Faial já não integra ninguém há mais de 20 anos, contando-se pelos dedos de uma mão os docentes.

Poderia continuar, mas parece-me que não será necessário. Na minha óptica não nos podemos perder nestas mentalidades comezinhas. A propósito de bairristas, e acabando como comecei, devo dizer que o bairrismo de Artur Lima, goste-se ou não, sempre foi defensor daquilo que a Terceira necessita. O destes senhores é diferente, porque para eles existe São Miguel, o resto seria paisagem.

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