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Ano novo, vida velha

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De repente, ao olharmos no tempo, mais um ano de alegrias e tristezas, já nos abandonou. Acabados de iniciar novo ano civil, todos estamos cheios de esperança. Não por uma nova vida, que essa já nos foi oferecida, mas por uma vida nova. Esperança de ter um sorriso na alma. Esperança de que se não tudo, pelo menos algo se altere na nossa vivência.

Todos esperam pelo ano novo, não por ser propriamente nessa fase do ano, mas mais pelo simbolismo que representa, para revolucionar toda uma vida. Será sempre “este” ano que tudo melhorará. Puro engano para a maioria das pessoas que, com fé, nisso acreditam. Entrados em cada ano novo, pouco tempo depois olhamos em volta e o que vemos? Mais do mesmo. As preocupações do dia a  dia afinal continuam.

Pouco ou nada se alterou, apesar das muitas promessas que nos fizeram, ou da muita vontade que tínhamos sentido para que tal acontecesse. Casos há que até pioram. Sem querer ser pessimista mas sim realista, é o que os meus olhos captam em redor. E basta andar na rua e estar atento ao que nos rodeia para nos apercebermos disso mesmo. No entanto as pessoas ainda sorriem, por vezes sabe-se lá com que força. Este ano prometem-nos mundos e fundos. Será este o ano em que o sol irá brilhar. Até pode ser, mas de certeza que não será para aquelas pessoas que comigo, todas as manhãs, se juntam, num “silêncio” sofredor para irem trabalhar. Alguns, sem saberem se voltam no dia seguinte. E toda uma família em casa. Para essas pessoas o céu continuará com nuvens bem escuras, ameaçando quiçá, não tempestade.

A sinceridade também se precisa, sem demagogias e oportunismos. E a “tal” esperança que todos temos de , “ Ano novo, vida nova “ , deverá, poderá acontecer, assim queiram os entendidos. É verdade que nem tudo pode ser um mar de rosas, mas com mais ou menos espinho e querer, muitas das dificuldades sentidas diariamente poderão ser atenuadas. Socialmente, não fosse a capacidade de entrega e disponibilidade de algumas instituições, com “gente” anónima a entregar-se de alma e coração para o bem de muitos, mesmo que sejam poucos, e muita mais dor, angústia e desespero estariam por aí espalhados.

Necessitamos de um Portugal novo, inovador, gerador de emprego a sério, que resolva os seus problemas sociais, de saúde, educativos e bem estar social de uma vez por todas, que acredite na sua juventude, e não de “emplastros” agarrados a tudo e coisa nenhuma. Por isso tenho que reafirmar: “ Ano novo, vida velha “ !

Jorge Machado 

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